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sábado, 1 de fevereiro de 2025

Só o Amor

 

"De tudo ao meu amor 

serei atento."

Vinicius de Moraes




Só o amor com a sua doce mão,

Transforma o mundo para melhor.

Desperta sorrisos onde há solidão,

Acalenta corações com seu fervor.


Só o Amor, suaviza a saudade,

Abraça os desvalidos com ternura.

Guia os perdidos, dá-lhes vontade,

Doa segurança na mais dura altura.


Só o Amor, semeia paz na terra,

Derruba muros de dor, desavenças.

Coloca flores nas armas de guerra,

Une corações de todas as crenças.

Fernanda Maria


***


Um poema que louva o Amor e confiando que, através dele, o 

mundo encontrará o seu caminho.



Marina de Oliveira
Só o Amor



O blog: EntreNós


***


Quinzena do Amor 2025


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In: Inspirações nos Poetas Consagrados, por Fernanda Maria e Rosélia Bezerra

pg 52

Imagem: Pixabay

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Amo-te Por Todas as Razões e Mais Uma

Por todas as razões e mais uma. Esta é a resposta que costumo dar-te quando me perguntas por que razão te amo. Porque nunca existe apenas uma razão para amar alguém. Porque não pode haver nem há só uma razão para te amar. 

Amo-te porque me fascinas e porque me libertas e porque fazes sentir-me bem. E porque me surpreendes e porque me sufocas e porque enches a minha alma de mar e o meu espírito de sol e o meu corpo de fadiga. E porque me confundes e porque me enfureces e porque me iluminas e porque me deslumbras. 

Amo-te porque quero amar-te e porque tenho necessidade de te amar e porque amar-te é uma aventura. Amo-te porque sim mas também porque não e, quem sabe, porque talvez. E por todas as razões que sei e pelas que não sei e por aquelas que nunca virei a conhecer. E porque te conheço e porque me conheço. E porque te adivinho. Estas são todas as razões.

Mas há mais uma: porque não pode existir outra como tu.

in: Ano Comum






Não é a primeira vez que trago excertos deste "Ano Comum", de Joaquim Pessoa, obra e autor que muito aprecio e nem vos sei dizer se não terei já publicado o presente texto. 

Em todo o caso, pareceu-me sumamente indicado para assinalar que daqui a 04 dias, mais precisamente a 01 de Fevereiro, darei início à Quinzena do Amor que é já uma tradição neste Xaile, ainda que arrisque a vulgarizar ainda mais a palavra tradição que é utilizada por tudo e por nada. 

Por isso, para quem costuma aparecer por aqui não é novidade nenhuma, sabendo-se que aguardo no espaço reservado aos comentários, Poemas de Amor vossos ou de autores da vossa preferência,- abarcando amor amor, amor aos pais, aos filhos, ao nosso semelhante - os quais serão religiosamente publicados. 

No ano passado publiquei uma série de cartas de amor de personalidades conhecidas da Literatura portuguesa e internacional. Desta vez, a par dos poemas que me trouxerdes, veremos o que da minha parte poderei trazer de novo.

Boa semana.


Abraço


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Texto: Citador
imagem: daqui

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Carta à minha filha

Lembras-te de dizer que a vida era uma fila? 
Eras pequena e o cabelo mais claro, 
mas os olhos iguais. Na metáfora dada 
pela infância, perguntavas do espanto 
da morte e do nascer, e de quem se seguia 
e porque se seguia, ou da total ausência 
de razão nessa cadeia em sonho de novelo. 

Hoje, nesta noite tão quente rompendo-se 
de junho, o teu cabelo claro mais escuro, 
queria contar-te que a vida é também isso: 
uma fila no espaço, uma fila no tempo 
e que o teu tempo ao meu se seguirá. 

Num estilo que gostava, esse de um homem 
que um dia lembrou Goya numa carta a seus 
filhos, queria dizer-te que a vida é também 
isto: uma espingarda às vezes carregada 
(como dizia uma mulher sozinha, mas grande 
de jardim). Mostrar-te leite-creme, deixar-te 
testamentos, falar-te de tigelas - é sempre 
olhar-te amor. Mas é também desordenar-te à 
vida, entrincheirar-te, e a mim, em fila descontínua 
de mentiras, em carinho de verso. 



E o que queria dizer-te é dos nexos da vida, 
de quem a habita para além do ar. 
E que o respeito inteiro e infinito 
não precisa de vir depois do amor. 
Nem antes. Que as filas só são úteis 
como formas de olhar, maneiras de ordenar 
o nosso espanto, mas que é possível pontos 
paralelos, espelhos e não janelas. 

E que tudo está bem e é bom: fila ou 
novelo, duas cabeças tais num corpo só, 
ou um dragão sem fogo, ou unicórnio 
ameaçando chamas muito vivas. 
Como o cabelo claro que tinhas nessa altura 
se transformou castanho, ainda claro, 
e a metáfora feita pela infância 
se revelou tão boa no poema. Se revela 
tão útil para falar da vida, essa que, 
sem tigelas, intactas ou partidas, continua 
a ser boa, mesmo que em dissonância de novelo. 

Não sei que te dirão num futuro mais perto, 
se quem assim habita os espaços das vidas 
tem olhos de gigante ou chifres monstruosos. 
Porque te amo, queria-te um antídoto 
igual a elixir, que te fizesse grande 
de repente, voando, como fada, sobre a fila. 
Mas por te amar, não posso fazer isso, 
e nesta noite quente a rasgar junho, 
quero dizer-te da fila e do novelo 
e das formas de amar todas diversas, 
mas feitas de pequenos sons de espanto, 
se o justo e o humano aí se abraçam. 

A vida, minha filha, pode ser 
de metáfora outra: uma língua de fogo; 
uma camisa branca da cor do pesadelo. 
Mas também esse bolbo que me deste, 
e que agora floriu, passado um ano. 
Porque houve terra, alguma água leve, 
e uma varanda a libertar-lhe os passos. 

Ana Luísa Amaral

in 'Imagias
(Um pouco só de Goya: Carta a minha Filha)' 


Na senda das Cartas de Amor encontrei esta que atesta sobremaneira o amor de mãe. Pareceu-me a forma ideal de terminar esta série.

Agradeço a todos, visitantes e comentadores, a excelente companhia ao longo destes dias.

Um grande abraço.


E agora, nós e FAUSTO: Por este rio acima







Sobre a autora:

Ana Luísa Amaral (Lisboa, 1956-) é uma poetisa portuguesa, tradutora e professora de Literatura e Cultura Inglesa e Americana na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Aqui

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Poema - Citador
Imagem - daqui
Video - Youtube

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Não deixes nada por dizer / Nun deixes nada por dezir


Diz-me tudo

Diz-me dos silêncios inquietos que cantam no teu olhar
do rio de palavras selvagens preso em ti
das melodias vadias que escreves ao luar,

diz ao desassossego que ateias em mim
o poema que quero entender

e quando a minha pele começar a enrubescer
diz-me tudo.
Não deixes nada por dizer.





Diç-me todo

Diç-me ls siléncios zanquietos que cantán ne l tou mirar
de l riu de palabras salbaiges preso an ti
de las melodies bagamundas que scribes a la lhuna

diç al zassossego que chiçcas an mi
l poema que quiero antender

i quando la mie piel ampeçar a aburmelhar
diç-me todo.
Nun deixes nada por dezir.

TERESA ALMEIDA SUBTIL

In:
Rio de Infinitos
Riu d'Anfenitos
Pgs 58 e 59
Obra escrita em Português e em Mirandês

Querida Teresa, mais uma vez a invadir as páginas deste seu livro. A minha dificuldade esteve na escolha, e quem já teve a oportunidade de o folhear percebe logo o que quero dizer.
O tango chegou agora ao "Xaile", não numa interpretação dita clássica mas a convidar a uma boa milonga.


Apreciemos este Silêncio da Orquestra Negracha




Sobre a autora. 
Atentemos nestas suas palavras:
O meu voo nas palavras começou muito cedo através da leitura. A leitura foi, de facto, a grande motivação. Pela leitura rasguei caminhos, abri horizontes, viajei por espaços de enorme encantamento. O mundo abria-se para mim de maneira surpreendente e percebi que a vida é a ideia que dela fazemos. Penso que quem tem o prazer intenso de ler, acaba por sentir necessidade de comunicar as suas próprias emoções, acaba por descobrir o prazer de escrever. O que seria a vida sem emoção?
E mais...Aqui

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Título do post: o último verso do poema, em português e em mirandês.
Imagem: daqui
Excerto sobre a autora - Blog Memórias... e outras coisas... Bragança

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Estrela da tarde




Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria.
Quando à boca da noite surgiste na tarde qual rosa tardia
Quando nós nos olhámos, tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos, unidos, ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia. 

       Meu amor, meu amor
       Minha estrela da tarde
       Que o luar te amanheça
       E o meu corpo te guarde.
       Meu amor, meu amor
       Eu não tenho a certeza
       Se tu és a alegria
       Ou se és a tristeza.
       Meu amor, meu amor
       Eu não tenho a certeza! 



Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram.
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite se deram
E entre os braços da noite, de tanto se amarem, vivendo morreram. 

       Meu amor, meu amor
       Minha estrela da tarde
       Que o luar te amanheça
       E o meu corpo te guarde.
        (...)

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso se é pranto
É por ti que adormeço e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

José Carlos Pereira Ary dos Santos
            (1937-1984)


Ary dos Santos e Carlos do Carmo. Perfeito! Um poema de amor intenso e interpretado também intensamente. E Fernando Tordo? A sua música acompanha as palavras de forma envolvente.  

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Poema: do Citador
Imagem: Pixabey
Video: Youtube  

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Para atravessar contigo o deserto do mundo





Para atravessar contigo o deserto do mundo 
Para enfrentarmos juntos o terror da morte 
Para ver a verdade para perder o medo 
Ao lado dos teus passos caminhei 

Por ti deixei meu reino meu segredo 
Minha rápida noite meu silêncio 
Minha pérola redonda e seu oriente 
Meu espelho minha vida minha imagem 
E abandonei os jardins do paraíso 

Cá fora à luz sem véu do dia duro 
Sem os espelhos vi que estava nua 
E ao descampado se chamava tempo 

Por isso com teus gestos me vestiste 
E aprendi a viver em pleno vento 

Sophia de Mello BreynerAndresen
           1919-2004

 Palavras de Sophia:"Fernando Pessoa dizia: «Aconteceu-me um poema». A minha maneira de escrever fundamental é muito próxima deste «acontecer». (…) Encontrei a poesia antes de saber que havia literatura. Pensava mesmo que os poemas não eram escritos por ninguém, que existiam em si mesmos, por si mesmos, que eram como que um elemento do natural, que estavam suspensos imanentes (…). É difícil descrever o fazer de um poema. Há sempre uma parte que não consigo distinguir, uma parte que se passa na zona onde eu não vejo." aqui

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Poema do Citador
Imagem: Internet

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Busque Amor novas artes, novo engenho




Busque amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.




Ai, o mal de amor. Quem melhor que Camões o descreve?

A propósito, vá ao blogue Horas extraordinárias onde encontrará notícias recentes deste nosso Poeta maior, mais precisamente, sobre "Os Lusíadas" ou a sua autoria.

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Poema: Lírica camoniana

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Dá-me a tua mão




Dá-me a tua mão.

Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
— para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.

Dá-me a tua mão, companheira,
até o Abismo da Ternura Derradeira.

José Gomes Ferreira
 

9 Jun 1900 // 8 Fev 1985


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Poema trazido do Citador
Imagem: Pixabey