segunda-feira, 6 de julho de 2026

Lídia Jorge - Prémio Camões 2026




 A Literatura para mim é um caminho pessoal, não é uma carreira

Palavras de Lídia Jorge laureada com o Prémio Camões pelo conjunto da sua obra, contribuindo para o património literário e cívico-cultural da Língua Portuguesa.

Dedicou este prémio a todas as mulheres que a antecederam e que receberam o mesmo Prémio.

Antes de Lídia Jorge, por nove vezes o Prémio Camões foi atribuído a uma mulher. Rachel de Queiroz (1993), Sophia de Mello Breyner Andresen (1999), Maria Velho da Costa (2002), Augustina Bessa-Luís (2004), Lygia Fagundes Telles (2005), Hélia Correia (2015), Paula Chiziane (2021), Adélia Prado (2024) e Ana Paula Tavares (2025). Nos últimos três anos foram três escritoras a receber o prémio.

Também dedicou o Prémio aos Professores portugueses que ensinam a Língua Portuguesa em todo o mundo.



Lídia Jorge é autora de romances, contos, ensaios, poesia e crónica, alguns já lidos por mim. Mas deixo aqui este poema que versa sobre um tema que adoro: a Chuva. 

Cai a Chuva no Portal
Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa cortina
Não a corras, não a rasgues, está caindo
Fina chuva no portal da nossa vida.
Gotas caem separando-nos do mundo
Para vivermos em paz a nossa vida.

Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa toalha
Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo
Chuva fina no portal da nossa casa.
Por um dia todos longe e nós dormindo
Lado a lado, como páginas dum livro.

(inédito)


Abraços meus amigos.
Olinda

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Prémio Camões - aqui

Poema trazido do Citador

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Quake - Museu do Terramoto de Lisboa

 Sentada diante das fundações do edifício onde se preparam para dar vida a muitas das ideias do professor Luís, experimento uma emoção difícil de explicar - se me permitem uma confissão mais íntima. Como é possível que os sonhos de vários humanos se tenham combinado nos seus variados interesses e experiências de vida para construir uma casa de sabedoria chamada Quake - Museu do Terramoto de Lisboa? 

E, no entanto, aí está esse lugar de encontro, entre experiências de empatia e de comoção, mas também de compreensão do raciocínio lógico e de beleza de engenharia e da técnica, um lugar onde o divertimento é colocado ao serviço da memória, e o respeito pelas vítimas e a memória do sofrimento humano se transformam em serviço aos lisboetas futuros (e a toda a Humanidade), para que, diante de uma mais que possível catástrofe, possam minimizar o impacto das forças desumanas - e tantas vezes cruéis - da Natureza.

Recordar 1755, pg 105, André Canhoto Costa 


Museu Quake: 
história do terramoto de Lisboa


 Passagem do Livro acima mencionado em que o autor se serve de alguém, de nome Mariana, para falar de Lisboa dos tempos faustosos e da grande desgraça que se abateu sobre ela - o Terramoto de 1755, no dia primeiro de Novembro.

O Quake – Museu do Terramoto de Lisboa é uma experiência imersiva dedicada ao grande terramoto de 1755, um dos acontecimentos mais marcantes da história de Lisboa. Através de cenários realistas, efeitos especiais, tecnologia multimédia e momentos interativos, o museu recria o impacto do terramoto, do tsunami e dos incêndios que se seguiram, permitindo aos visitantes compreender o contexto histórico, científico e social deste evento. Trata-se de uma visita educativa que combina história, ciência e inovação numa experiência envolvente.

Castigo de Deus, segundo alguns. Abalou intelectuais dessa Europa fora, tendo Voltaire produzido um extenso poema intitulado "Poema sobre o desastre de Lisboa".


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A Venezuela está a atravessar momentos devastadores, desde quarta-feira à noite, na sequência de dois sismos que, na escala de Richter, registaram 7.2 e 7.5 de magnitude. Muitas mortes e desaparecidos abalam esse país da América do sul. 

 Que Deus os ajude!


Abraços
Olinda


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Noticia TV e Net

sábado, 20 de junho de 2026

NÓS






II

Que de fruta! E que fresca e temporã,
Nas duas boas quintas bem muradas,
E que o sol, nos talhões e nas latadas,
Bate de chapa, logo de manhã!

O laranjal de folhas negrejantes,
(Porque os terrenos são resvaladiços)
Desce em socalcos todos os maciços,
Como uma escadaria de gigantes.

Das courelas, que criam cereais,
De que os donos - ainda! - pagam foros,
Dividem-no fechados pitosporos,
Abrigos de raízes verticais.

Ao meio, a casaria branca assenta
À beira da calçada, que divide
Os escuros tomates de pevide,
Da vinha, numa encosta soalhenta!

Entretanto não há maior prazer
Do que, na placidez das duas horas,
Ouvir e ver, entre o chiar das noras,
No largo tanque as bicas a correr!
...




José Joaquim Cesário Verde (1855-1886) foi um poeta português, sendo considerado um dos pioneiros, precursores da poesia que seria feita em Portugal no século XX.

Morto prematuramente, aos 31 anos de tuberculose, foi curta a obra que nos deixou. No entanto, o carácter ousado de uma realismo lírico e prosaico confere à sua poesia importância determinante no contexto da segunda metade do XIX e perspectivando já algumas vertentes da modernidade do XX.
Ver aqui*

No ano seguinte ao da sua morte, Silva Pinto organiza O Livro de Cesário Verde, compilação das suas poesias publicada em 1901.
(tenho um exemplar)


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Bom fim-de-semana, amigos.
Abraços.
Olinda





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Do poema "NÓS" 1884 - extenso.(refere-se à história da família, inclusivamente no que diz respeito à tuberculose que ceifou a vida a uma irmã e a um irmão)
* 9. Pequeno Livro - Brevíssima portuguesa