sexta-feira, 27 de março de 2026

"A Senhora GPS"

 


Hoje, alias, há já algum tempo, entramos no carro e seguimos caminho tendo antes inserido o endereço do GPS sem muitas preocupações, pois sabemos que chegaremos ao destino. Embora a voz que nos orienta seja por vezes incomodativa, vire à direita, vire à esquerda, saia na primeira saída da rotunda etc, temos em nós a certeza de que chegaremos sem problemas.

Lembro-me muito bem de quando queríamos ir a algum sítio, era aquela incerteza e íamos às apalpadelas, desejando encontrar pelo caminho alguém que nos indicasse a rua ou a região se as indicações de trânsito não fossem explícitas. Actualmente, vemos o carro a seguir estrada fora, uns a virem e outros e irem, e o nosso veículo bem assinalado na imagem.

Imaginamos quanto trabalho outros tiveram de desenvolver para que esta tecnologia nos viesse facilitar a vida. Além das dificuldades e obstáculos que tiveram de arrostar.



É o caso de Gladys West, 1930-2026, que deu o seu contributo e que ficou conhecida como  "mãe do Gps". Licenciada em Matemática colaborou nos cálculos que ajudariam a criar o Sistema de Posicionamento Global, vulgo GPS, que agora até as crianças aconselham os pais a recorrer a ele quando não conhecem o caminho. 

Em entrevista à agência Associated Press, em 2018, a pioneira admitiu que, na época em que trabalhou com os cálculos que ajudariam a criar o sistema do GPS, não tinha ideia do tamanho da importância que a tecnologia ganharia para a sociedade.



Hoje é o Dia da Mulher Cabo-Verdiana. Não consegui transferir para aqui a imagem que uma amiga me enviou, de modo que procurei esta na Net. 

Abraços.
Olinda

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Gladys West - aqui

quarta-feira, 25 de março de 2026

A Borbulhar Por Dentro





Soberbo o carvalho e sua fronda -
Soberbo o freixo e sua sombra.
Soberbo o melro a saltar de galho em galho.
Soberano. E negro.

Soberbos os espantados tordos. E meus olhos
Espantados no seu canto.

Soberba a montanha. E a pedra parideira.
E a água fresca a cair da pedra.
Bebida pelos dedos.

Soberba a litania dos insectos. E o sol a pique.
Soberbo o rio. E as coleantes margens.
E o linho na corrente fria
A curtir as mágoas.

Soberbos os dedos tecendo. E as açucenas.
E os bordados. E a toalha alva.
E a mesa do sacrário.

Soberbos os sinos. E missa d'alva. E o menino
A esfregar os olhos. Meigos.
E o restolho. E o trigo.
E o pão ázimo.

Soberba a misteriosa Lua a espreitar furtiva
Amores imaculados. E a dançar soberba
E nua. Uma dança de corpos perdidos
Em seus raios.

Soberbo o dia de ontem. E todas as auroras.
A soberba cálida vida a esgotar-se. Límpida.
Licor ainda.

Soberbo este perfume de ausência.
A arder sem lume.

Soberbo o murmúrio do poeta
A borbulhar por dentro.
E incauto a resguardar-se
No frágil eco
Do poema.




o Poeta insiste amplo e largo e lírico na ambiência dos seus outros livros
 retransportando uma nitidez reconhecível em cada frase quase como se um risco
contínuo atravessasse cada palavra escrita cada respiração por ele e
só por ele presentificada.
Isabel Mendes Ferreira
in:Prefácio

 

Jacques Brel
-La valse à mille temps-




Nota:
Peço desculpas ao Poeta e aos leitores por haver
transcrito apenas a página 11 deixando a página
12 no tinteiro :)
Já corregi o lapso.
Abraços
Olinda


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Poema in: Caligrafia Íntima, pg 11 e 12

sexta-feira, 20 de março de 2026

Primavera esplendorosa

Com a Primavera o mundo começa a renovar-se. A natureza pinta-se de mil cores, ouvem-se trinados melodiosos. Maravilho-me sempre com as plantas silvestres que irrompem sem pedir licença, numa profusão fantástica. E as pessoas também começam a sentir esse apelo que o tempo quente nos traz. 

Ela já chegou. Com um tempo não propriamente quente, mas chuvoso. Contudo promete para os dias vindouros alguma acalmia, apesar das tempestades que se anunciam.



Contudo, várias actividades começam a tomar forma. 

Li, ontem, num artigo, que no próximo dia 21 de Março vai haver lugar no Palácio Nacional de Sintra uma visita de noite, e que o custo da entrada está fixado em 2 euros, o que quer dizer que nós compramos uma árvore por essa quantia para a reflorestação da Serra de Sintra. 

Essa inciativa tem o nome de "Uma noite pelo futuro da Serra de Sintra". Também vários passeios ao ar livre já estão programados e/ou estão sendo levados a efeito.

Sabemos que esse dia é Dia da Árvore, e nada mais oportuno do que dedicá-lo a essa amada Serra, situada num lugar que é considerado romântico e belo: Sintra. Neste momento vem-me aos lábios uma canção que aprendi em criança e ... agora descubro que o poema é de Olavo Bilac:


CÂNTICO DAS ÁRVORES

Quem planta uma árvore enriquece
A terra, mãe piedosa e boa:
E a terra aos homens agradece,
A mãe os filhos abençoa.

A árvore, alçando o colo, cheio
De seiva forte e de esplendor
Deixa cair do verde seio,
A flor e o fruto, a sombra e o amor.

Crescei, crescei na grande festa
Da luz, de aroma e da bondade,
Árvores, glória da floresta!
Árvores vida da cidade!

Crescei, crescei sobre os caminhos,
Árvores belas, maternais,
Dando morada aos passarinhos,
Dando alimento aos animais!

Outros verão os vossos pomos:
Se hoje sois fracas e crianças,
Nós, esperanças também somos
Plantamos outras esperanças!

Para o futuro trabalhamos:
Pois, no porvir, novos irmãos,
Hão de cantar sob estes ramos,
E bendizer as nossas mãos!


Aliás:

No dia 21 março são assinaladas seis celebrações. É o Dia Mundial da Árvore ou da Floresta, da Poesia, da Luta Contra a Discriminação Racial, da Síndrome de Down e da Marioneta. Celebra-se ainda o Dia Europeu da Criatividade Artística.

Sendo o Dia da Poesia, apraz-me registar a promoção que a Câmara Municipal de Mação leva a efeito, um "Estendal Poético", este ano dedicado ao tema da Natureza e do Ambiente, sendo que desafia toda a população a deixar aí a sua marca,

com o mote: Vamos encher Mação de Poesia! 




 Um pensamento de solidariedade para quem sofreu e continua a sofrer por via das intempéries verificadas em Janeiro e Fevereiro.


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Do nosso poeta, Luís Rodrigues, estas palavras maravilhosas, 

acompanhadas de florzinhas lindas que se veem de 

uma janela circundada pelas cores: amarela e verde. 

Tenho a Primavera sentada lá fora no meu jardim

vejo-a daqui do meu lugar no Outono.

Luís Rodrigues


Abraços

Olinda

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Poema daqui