quarta-feira, 10 de junho de 2026

"Dia da Raça"

 


Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,

Que o fraco poder vosso não pesais;

Vós, que, à custa de vossas próprias mortes,

A Lei da vida eterna dilatais:

Assi do Céu deitadas são as sortes

Que vós, por muito poucos que sejais,

Muito façais na santa Cristandade,

Que tanto, ó Cristo, exaltais a humildade!

Luís Vaz de Camões

"Os Lusíadas", Canto sétimo, Canto 3


Luís Vaz de Camões (Lisboa?, c.1524 – Lisboa, 10 de junho de 1579 ou 1580) foi um poeta e soldado português, considerado o poeta nacional de Portugal, o maior representante do renascimento português, o escritor mais importante da língua portuguesa e um dos grandes expoentes da literatura ocidental, famoso por sua epopeia Os Lusíadas (1572) e por seus sonetos (editados, postumamente, com outros poemas líricos do autor nas Rimas, em 1595). 

aqui

Na prisão Goa, 
por anónimo em 1556


Baptizado como o Dia da Raça pelo Estado Novo, por motivos óbvios. Não há certezas sobre a vida de Camões, andou por montes e vales, enfrentou diversas adversidades, queixando-se de à sua obra não ser dada a devida importância.

Neste ano as Comemorações do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades fazem-se nos Açores, Ilha Terceira, enquanto o mundo se encontra mergulhado, na actualidade, em grande confusão.

Bom feriado, amigos.

Abraços.

Olinda 

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aqui - A biografia de Camões...

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Contemplação

 




Sonho de olhos abertos, caminhando
Não entre as formas já e as aparências,
Mas vendo a face imóvel das essências,
Entre idéias e espíritos pairando...

Que é o mundo ante mim? fumo ondeando,
Visões sem ser, fragmentos de existências...
Uma névoa de enganos e impotências
Sobre vácuo insondável rastejando...

E d'entre a névoa e a sombra universais
Só me chega um murmúrio, feito de ais...
É a queixa, o profundíssimo gemido

Das coisas, que procuram cegamente
Na sua noite e dolorosamente
Outra luz, outro fim só pressentido...

Antero de Quental
in "Sonetos"


Antero Tarquínio de Quental (1842-891) foi um escritor e poeta português oitocentista que desempenhou relevante papel no movimento da Geração de 70. 



A Carta encíclica de Leão XIV, Magnifica Humanitas, será hoje apresentada.na Feira do Livro, em Lisboa.

Abraços, amigos.
Olinda

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Imagens:pixabay

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Menino, Menina

Por mais que façamos, acabamos sempre por falhar naquilo que devia estar arreigado em nós. Proteger, amar os mais fracos e, entre esses seres, as Crianças, que demoram muito tempo até se sentirem auto-suficientes.

Mas, debalde. Temos tido tantos maus exemplos por cá e por esse mundo fora, no dia-a-dia e também nessas guerras que parecem não ter fim. A fome, os maus tratos, vítimas de explosões, pedofilia e tanta desgraça meu Deus! E isso desde o princípio dos tempos. Tanto tempo passado e não se aprendeu nada. Já devíamos estar num estádio de desenvolvimento tal que não fosse necessário insistir nesse aspecto tão fundamental.




Menino

No colo da mãe
a criança vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança.

Ao sonhado
futuro
sorri a mãe
sorri o pai.
Maravilhado
o rosto puro
da criança
vai e vem
vem e vai
balança.

De seio a seio
a criança
em seu vogar
ao meio
do colo-berço
balança.

Balança
como o rimar
de um verso
de esperança. 

Depois quando
com o tempo
a criança
vem crescendo
vai a esperança
minguando.
E ao acabar-se de vez
fica a exacta medida
da vida
de um português.

Criança
portuguesa
da esperança
na vida
faz certeza
conseguida.
Só nossa vontade
alcança
da esperança
humana realidade.

 MANUEL DA FONSECA



Manuel da Fonseca (1911-1993), 
foi um escritor (poeta, contista, romancista e cronista) português.
Membro do Partido Comunista Português (PCP), Manuel da Fonseca fez parte do grupo do Novo Cancioneiro e é considerado por muitos como um dos melhores escritores do Neorrealismo português. Nas suas obras, carregadas de intervenção social e política, relata como poucos a vida dura do Alentejo e dos alentejanos. aqui




Infelizmente, por estes dias, temos um caso que nos causa espanto e horror, o caso de duas crianças francesas, de tenra idade, largadas à beira da estrada pela mãe e pelo padrasto, em Alcácer do Sal, e encontradas por um homem que lhes deu guarida e comunicou o facto às autoridades. Já seguiram para o seu país e espero que não encontrem pela frente momentos ainda mais aflitivos. 

Não consigo imaginar quais os motivos que terão levado estes adultos a uma situação tão desumana. Talvez um distúrbio psicológico ou outro. Ainda estou chocada.

Abraços, amigos.
Estarei ausente durante esta semana. 

Olinda

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Imagens: Pixabay
Poema - citador