Sentada diante das fundações do edifício onde se preparam para dar vida a muitas das ideias do professor Luís, experimento uma emoção difícil de explicar - se me permitem uma confissão mais íntima. Como é possível que os sonhos de vários humanos se tenham combinado nos seus variados interesses e experiências de vida para construir uma casa de sabedoria chamada Quake - Museu do Terramoto de Lisboa?
E, no entanto, aí está esse lugar de encontro, entre experiências de empatia e de comoção, mas também de compreensão do raciocínio lógico e de beleza de engenharia e da técnica, um lugar onde o divertimento é colocado ao serviço da memória, e o respeito pelas vítimas e a memória do sofrimento humano se transformam em serviço aos lisboetas futuros (e a toda a Humanidade), para que, diante de uma mais que possível catástrofe, possam minimizar o impacto das forças desumanas - e tantas vezes cruéis - da Natureza.
Recordar 1755, pg 105, André Canhoto Costa