segunda-feira, 20 de julho de 2026

CPLP - 30 ANOS



A 17 de Julho de 1996 foi criada a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa com o objectivo de promover a amizade mútua e a cooperação entre os seus membros.

Esta Organização foi composta, primeiramente, por sete países, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Após conquistar a independência, em 2002, Timor Leste também passou a fazer parte da comunidade.

Em 2014 a Guiné Equatorial tornou-se o nono membro da comunidade, com muita polémica à mistura, não só porque não tinha a Língua Portuguesa como língua oficial, embora a tenha feito ascender a essa categoria em 2007. Além disso teria de abolir a pena de morte.

Em 2004 os Estados-Membros concordaram em aceitar observadores associados e ao longo destes trinta anos isso tem acontecido, contando presentemente com trinta observadores distribuídos pela Europa, Continente americano, África, Ásia, Oceania e dois transcontinentais (entre o continente europeu e asiático). 

Mais dez países já manifestaram o interesse em aderir à CPLP como membros observadores. Duas organizações internacionais também solicitaram o estatuto de observadores associados: Secretaria-Geral Ibero-Americana e a Conferência de Haia de Direito Internacional Privado.

O Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é o cargo que rege administrativamente a Comunidade e tem as funções de estudar, escolher e implementar planos políticos para a organização. Está sediado em Lisboa e tem o mandato de dois anos. Em julho de 2025, tomou posse a embaixadora angolana Maria de Fátima Jardim.

A CPLP instituiu o dia 5 de Maio como o Dia da Cultura Lusófona.


***


Boa semana, meus amigos.

Abraços.

Olinda





TIMOR

LUÍS REPRESAS
(1956-2026)

 

===

Veja s.f.f. aqui 

CPLP - aqui

segunda-feira, 13 de julho de 2026

SAUDADE








Saudade - O que será... não sei... procurei sabê-lo
em dicionários antigos e poeirentos
e noutros livros onde não achei o sentido
desta doce palavra de perfis ambíguos.

Dizem que azuis são as montanhas como ela,
que nela se obscurecem os amores longínquos,
e um bom e nobre amigo meu (e das estrelas)
a nomeia num tremor de cabelos e mãos.

Hoje em Eça de Queiroz sem cuidar a descubro,
seu segredo se evade, sua doçura me obceca
como uma mariposa de estranho e fino corpo
sempre longe - tão longe! - de minhas redes tranquilas.

Saudade... Oiça, vizinho, sabe o significado
desta palavra branca que se evade como um peixe?
Não... e me treme na boca seu tremor delicado...
Saudade...

Pablo Neruda
in "Crepusculário"
Tradução de Rui Lage




Pablo Neruda, nascido Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto (1904-973), mais conhecido pelo seu pseudónimo e, mais tarde, nome legal, foi um escritor, poeta, político e diplomata chileno que ganhou o Prêmio Nobel da Literatura em 1971. Neruda ficou conhecido como poeta quando tinha 13 anos, e escreveu numa variedade de estilos, incluindo poemas surrealistas, épicas históricas, manifestos abertamente políticos, uma autobiografia em prosa, e poemas de amor apaixonados como os da sua coleção Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada (1924).
Ver aqui


***


Boa semana, amigos.

Abraços.
Olinda


====
Poema - citador

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Lídia Jorge - Prémio Camões 2026




 A Literatura para mim é um caminho pessoal, não é uma carreira

Palavras de Lídia Jorge laureada com o Prémio Camões pelo conjunto da sua obra, contribuindo para o património literário e cívico-cultural da Língua Portuguesa.

Dedicou este prémio a todas as mulheres que a antecederam e que receberam o mesmo Prémio.

Antes de Lídia Jorge, por nove vezes o Prémio Camões foi atribuído a uma mulher. Rachel de Queiroz (1993), Sophia de Mello Breyner Andresen (1999), Maria Velho da Costa (2002), Augustina Bessa-Luís (2004), Lygia Fagundes Telles (2005), Hélia Correia (2015), Paula Chiziane (2021), Adélia Prado (2024) e Ana Paula Tavares (2025). Nos últimos três anos foram três escritoras a receber o prémio.

Também dedicou o Prémio aos Professores portugueses que ensinam a Língua Portuguesa em todo o mundo.



Lídia Jorge é autora de romances, contos, ensaios, poesia e crónica, alguns já lidos por mim. Mas deixo aqui este poema que versa sobre um tema que adoro: a Chuva. 

Cai a Chuva no Portal
Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa cortina
Não a corras, não a rasgues, está caindo
Fina chuva no portal da nossa vida.
Gotas caem separando-nos do mundo
Para vivermos em paz a nossa vida.

Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa toalha
Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo
Chuva fina no portal da nossa casa.
Por um dia todos longe e nós dormindo
Lado a lado, como páginas dum livro.

(inédito)


Abraços meus amigos.
Olinda


===

O Prémio Camões foi atribuído no dia 2/7/2026.

Prémio Camões - aqui

Poema trazido do Citador