terça-feira, 18 de agosto de 2026

S.Vicente - a miragem do paraíso (III)





A instalação dos colonos de Fonseca Rosado acontece em Julho de 1797 com "a presença do governador Marcelino António Bastos que solenemente lhe dá a posse e o comando da ilha, reparte os terrenos pelos 232 primeiros colonos, demarca os baldios da Câmara e os montados particulares, determina o perímetro da nova povoação", pelo que à primeira vista tudo se conjuga para que esse povoamento seja um sucesso garantido. Sobretudo porque calhou, ter sido aquele, um ano de boas águas numa terra ainda completamente virgem, que todos ficaram admirados com o milagre de em S.Vicente o milho florescer em apenas 60 dias quando noutros lugares se aproxima dos 90. (...)

Porém, aquela euforia não duraria por muito tempo, aquelas boas chuvas tinham sido apenas um engôdo com que a natureza tinha brincado com os infelizes. Porque, logo a seguir, sucessivos anos de seca se abateram sobre a ilha. Mas não era só a seca, também um vento desesperante e desértico que queimava tudo à sua passagem, nada deixando de restos de vida numa paisagem que de repente parecia estar extenuada. Derrotados, e para ali não morrerem de forme, os colonos de S.Vicente acabam por desertar, alguns para o alto Monte Verde, outros para as ilhas eventualmente mais beneficiadas.

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S.Vicente - pg 11


Parece que a seca e o vento desesperante vêm de longa data, obrigando as gentes a procurar outros espaços para viver. E o Sol inclemente desde sempre a massacrar os infelizes. 


Monte Verde visto da Baía das Gatas


Abraços, amigos.

Olinda



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S. Vicente - Ilha pertencente ao arquipélago de Cabo Verde

Imagem: net


domingo, 16 de agosto de 2026

S.Vicente - a miragem do paraíso (II)

 


Assim, foi só quando as outras nações europeias começaram a mais afoitamente penetrar o Atlântico com intenções nem sempre nobres, que Portugal finalmente acordou para a necessidade de defesa das suas possessões com receio de uma eventual ocupação, particularmente de S.Vicente, e deu ordem de geral povoamento das ilhas de Barlavento.

Isso deu-se em 1781, era governador interino de Cabo Verde o bispo D. frei Francisco Simão, que recebeu ordens expressas para adoptar todas as providências nesse sentido. Pode bem ser que ele tenha tentado alguma coisa, porém sem resultado visível, pelo que apenas em 1795 chegariam os primeiros colonos a S. Vicente. E mesmo assim nas pessoas de unicamente vinte casais e cinquenta escravos, levados do Fogo pelo nomeado capitão-mór da ilha, João Carlos da Fonseca Rosado, homem ricaço natural de Tavira que, não contente com o que já possuía, se ofereceu para povoar S. Vicente, com a condição de lhe serem arrematados os rendimentos da ilha por seis anos e ainda de lhe concederem ferramentas, apetrechos, munições e mantimentos até haver as primeiras colheitas.

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela Historia de S.Vicente, pgs 10, 11


Mais um pequeno trecho de modo a não perturbarmos as férias. Desejo que estejam bem, àqueles que estiverem a gozá-las a beira de uma piscina ou na praia. Os que ainda estiverem por cá não fará mal lerem estas linhazinhas.




Abraços, amigos.

Olinda


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Imagem: net


terça-feira, 11 de agosto de 2026

S.Vicente - a miragem do paraíso (I)




Pretende-se que S.Vicente terá sido descoberta em 1462 por Diogo Gomes, escudeiro do infante D. Fernando a quem ficou pertencendo por doação de D. João II, o rei seu tio. 

Foi inicialmente outorgada aos duques de Viseu que, porém, não ligaram qualquer importância à questão da sua ocupação, situação que se manteve mesmo depois de, por herança, ter passado para a propriedade do rei D.Manuel, pelo que por muitos e muitos anos, a ilha ficou relegada à humilde condição de simples campo de pastagem do gado de alguns proprietários de Santo Antão e S.Nicolau. 

Aliás, S.Vicente seria a última das ilhas do arquipélago a ser povoada, e a generalidade dos estudiosos está de acordo em como ainda hoje ela não seria muito diferente de Santa Luzia, não tivesse a natureza lhe dotado de uma bela baía sobre todas superior e, principalmente, fora das rotas das areias que acabaram assoreando a baía de Sal-Rei, e também não tivessem os ingleses precisado impulsionar a neocolonização dos países do atlântico sul para ali colocarem as excedentárias produções das suas fábricas. (...)

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S.Vicente, pgs 9,10


Encontrei este livrinho em casa de uma prima minha, sobre a Ilha de São Vicente. Nestes dias de Verão, quentissimos, resolvi inserir aqui alguns apontamentos, procurando não vos cansar muito. Por isso, penso ir saltando algumas páginas...

Para já, deixo-vos um pouco da sua música:




Abraços, meus amigos.

Olinda


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Imagem - net