terça-feira, 11 de agosto de 2026

S.Vicente - a miragem do paraíso (I)




Pretende-se que S.Vicente terá sido descoberta em 1462 por Diogo Gomes, escudeiro do infante D. Fernando a quem ficou pertencendo por doação de D. João II, o rei seu tio. 

Foi inicialmente outorgada aos duques de Viseu que, porém, não ligaram qualquer importância à questão da sua ocupação, situação que se manteve mesmo depois de, por herança, ter passado para a propriedade do rei D.Manuel, pelo que por muitos e muitos anos, a ilha ficou relegada à humilde condição de simples campo de pastagem do gado de alguns proprietários de Santo Antão e S.Nicolau. 

Aliás, S.Vicente seria a última das ilhas do arquipélago a ser povoada, e a generalidade dos estudiosos está de acordo em como ainda hoje ela não seria muito diferente de Santa Luzia, não tivesse a natureza lhe dotado de uma bela baía sobre todas superior e, principalmente, fora das rotas das areias que acabaram assoreando a baía de Sal-Rei, e também não tivessem os ingleses precisado impulsionar a neocolonização dos países do atlântico sul para ali colocarem as excedentárias produções das suas fábricas. (...)

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S.Vicente, pgs 9,10


Encontrei este livrinho em casa de uma prima minha, sobre a Ilha de São Vicente. Nestes dias de Verão, quentissimos, resolvi inserir aqui alguns apontamentos, procurando não vos cansar muito. Por isso, penso ir saltando algumas páginas...

Para já, deixo-vos um pouco da sua música:




Abraços, meus amigos.

Olinda


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Imagem - net





domingo, 2 de agosto de 2026

A travessia é mais além...

 


São de pedra os caminhos de Damasco

E de pedra são as rotas e as distâncias.

E é de areia o rosto das miragens

E são de fel os dias. E de amargura

A água dos rochedos.


São de pedra os trilhos

E as bocas são a arder

A insónia de serpentes

E labaredas negras...


Soberbos, porém, os dias

Assim cativos de pedras 

E de medos.


Manuel Veiga

In: Perfil dos Dias

pg.82


Nasceu em Matela, concelho de Vimioso (Trás-os-Montes) e reside em Bobadela - Loures.
É licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. Exerceu advocacia alguns anos no início de carreira, que depois prosseguiu como consultor Jurídico em Municípios da Área Metropolitana de Lisboa e, mais tarde, como Inspetor Superior da Inspeção Geral da Educação, onde desempenhou funções no respetivo Gabinete Jurídico. 

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Blog: Relógio de Pêndulo


Abraços, meus amigos.

Olinda


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Imagem: pixabay

sábado, 25 de julho de 2026

Sem fim à vista?

 



Tenho, algumas vezes, abordado o tema Europa neste Xaile de Seda, com algum romantismo, focando as acções levadas a efeito no pós-guerra, dando forma às ideias Jean Monet, com a criação da União Europeia que, nas suas palavras, seria antes de mais uma união de homens de boa vontade e não de estados.

À medida que o tempo vai passando a decepção se instalou, de modo que vou assinalando as suas fragilidades e pusilanimidade das suas decisões ou falta delas. No tempo da Troika, por exemplo, dos ajustamentos tendo como alvo os salários dos mais pequenos, sem um golpe de asa que mostrasse que havia quem nos pudesse proteger da tirania dos mercados.

Acabávamos de sair de uma pandemia eis que surge a guerra da Ucrânia, o que nos veio fragilizar ainda mais, à vista de toda a tragédia dos nacionais que fugiam, que procuravam protecção em outros países, sem meios, com as crianças nos braços e os mais velhos, trôpegos, por essa Europa fora.

Outros conflitos nos batem à porta, com o sofrimento de crianças, doentes, velhos, em Gaza, e agora no Médio Oriente, guerras insanas em que a via diplomática parece letra morta, com interesses económicos instalados e outras intenções que nem sabemos muito bem atingir. 

A Europa, a velha Europa, fraca, parece assistir de camarote a toda essa movimentação e desmandos dos senhores da guerra, ainda que alguns países tenham fincado o pé ao pedido de apoio dos EUA, no âmbito da Nato, em relação ao Estreito de Ormuz.

Em tempos de crise, como foi na pandemia, verificou-se que por cá não se produzia uma simples aspirina, luvas, aparelhos para suporte de vida e, nós, espantados com tudo isso. Cheguei a fazer um post sobre essa situação bizarra, desejando que se passasse a pensar em produções regionais para não se chegar a situações como essa.

Enfim, todos sabemos o que se passa.

De um poema de Adolfo Casais Monteiro, extensíssimo, que publiquei em tempos, extraio esta passagem:

"Europa sem misérias arrastando seus andrajos,
virás um dia? virá o dia
em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram
no teu solo devastado?
Saberás renascer, Fénix, das cinzas
em que arda enfim, falsa grandeza,
a glória que teus povos se sonharam
— cada um para si te querendo toda?
..."

Ainda tenho a esperança de que, do segredo dos gabinetes, saiam ideias brilhantes que nos ajudem a suprir com denodo a tanta miséria e que possamos um dia responder com coragem às exigências destes tempos que parecem regressar à idade das trevas, embora não me refira à Idade Média que foi uma época injustamente tratada como tal. Teve os seus Pensadores, ainda que num ambiente religioso.



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Chão Nosso
Trovante



Bom fim de semana, amigos.
Abraços
Olinda

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Europa, aqui, no Xaile de Seda