sábado, 26 de setembro de 2026

"Mãe dos poetas moçambicanos"

 Noémia de Sousa, considerada a "Mãe da poesia moçambicana", completaria 100 anos no dia 20 de Setembro de 2026. Na sala da Lusa, que teve o nome da poetisa, sua antiga jornalista, foi homenageada e recordada com emoção.

Vera Guerreiro recordou-a assim:

"Noémia era humilde e discreta. Não gostava de palco. Mas a homenagem a esta grande mulher impunha-se e hoje o palco é dela", disse a jornalista.

A Agência Lusa completou agora os 40 anos de existência e foi dito por Nicolau Santos que o nome da poetisa moçambicana levou ao evento a admiração pela mesma, tendo lido um dos seus poemas mais emblemáticos.

O pintor e escultor moçambicano Lívio de Morais que conviveu com Noémia de Sousa, congratulou-se com a homenagem, classificando-a de muito justa e que "marca o momento geopolítico de Moçambique".

E a partir de Moçambique, Nelson Saúte, escritor e editor do livro de Noémia de Sousa, "Sangue Negro" da biografia "Se me quiseres conhecer - Noémia de Sousa: Biografia Literária", juntou-se aos participantes partilhando momentos da longa amizade e revelou que uma editora portuguesa vai, pela primeira vez, editar a sua poesia. 

De referir que jovens poetas de Mafala apelam a iniciativas para preservar o legado da escritora no ano do seu centenário, incluindo bibliotecas, escolas e até ruas com o seu nome. aqui




Se me quiseres conhecer,
estuda com olhos de bem ver
esse pedaço de pau preto
que um desconhecido irmão maconde*
de mãos inspiradas
talhou e trabalhou
em terras distantes lá do Norte.


Ah, essa sou eu:
órbitas vazias no desespero de possuir a vida.
boca rasgada em feridas de angústia,
mãos enormes espalmadas,
erguendo-se em jeito de quem implora e ameaça,
corpo tatuado de feridas visíveis e invisíveis
pelos chicotes da escravatura...
Torturada e magnífica.
Altiva e mística.
África da cabeça aos pés
— Ah, essa sou eu!

Se quiseres compreender-me
vem debruçar-te sobre minha alma de Africa,
nos gemidos dos negros no cais
nos batuques frenéticos dos muchopes
na rebeldia dos machanganas
na estranha melancolia se evolando...
duma canção nativa, noite dentro...

E nada mais me perguntes,
se é que me queres conhecer...
Que eu não sou mais que um búzio de carne
onde a revolta de África congelou
seu grito inchado de esperança.

   (1926-2002)



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Agência Lusa celebra com poesia o centenário de Noémia de Sousa.

Ver no Xaile de Seda

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

S. Vicente - a miragem do paraíso (XI)

 



Porém, quer no caso geral de Cabo Verde, a história desmente essa crença de abastança com alguma crueldade. Por exemplo, o período que vai de 1850 a 1900 e talvez até um pouco mais, é tido como o período ditoso do Mindelo. Isso por causa do movimento de navios no porto em demanda de combustível, que por sua vez se reflete na economia e prosperidade da cidade e dos seus habitantes.

Ora é verdade que o abastecimento de combustível no Porto Grande e as outras actividades que lhe eram conexas, como por exemplo, a elementar extracção de pedra para lastro dos navios d vela que vinham trazer carvão, proporcionava trabalho a muita gente, e grande parte do faminto povo das ilhas vivia em demanda do sonho do Mindelo.

Porém, todos esses trabalhos eram não só absolutamente precários como sobretudo mal pagos, no geral do tipo ganhar o suficiente para levar a panela ao lume em cada dia, não permitindo portanto qualquer tipo de poupança, ainda que seja verdade que essa população era conhecida como capaz de consumir num dia os ganhos todos da semana.

Mas bastará dizer que, não obstante Mindelo poder afirmar a existência de uma relativamente avultada classe operária nesses tempos dos ingleses, só cerca de 100 anos depois do início da exploração das carvoeiras, mais propriamente em 1957, viria a ser publicada a primeira lei exclusivamente respeitante ao trabalhador caboverdiano.

GERMANO ALMEIDA, - Viagem pela História de S.Vicente, pgs 28, 29.


Com o advento da navegação a vapor, os ingleses instalam no Porto Grande (Mindelo, ilha de São Vicente), em 1838, um depósito de carvão. Em 1850 esse porto foi aberto à navegação, constituindo-se atualmente no maior do arquipélago.

Novas grandes fomes se sucedem, registando-se a emigração maciça de cabo-verdianos.

Em 1874 os ingleses trazem os cabos telegráficos submarinos até ao porto de São Vicente, ligados à Madeira, à Europa e ao Brasil. Sete anos depois, os cabos foram estendidos até à Praia, ligando-a igualmente à Europa e à África Oriental.

Ver mais aqui






Abraços, amigos.

Olinda


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Imagem: Net

terça-feira, 22 de setembro de 2026

O Mirandês

 


Catedral de Miranda do Douro


Vi a notícia no jornal Público.

"41 anos depois, o mirandês vai à escola com o seu primeiro manual".

Como sabemos, o Mirandês é uma das três línguas oficiais portuguesas: O Português, o Mirandês e a Língua Gestual.

A língua mirandesa foi oficialmente reconhecida em 1999 pela Assembleia da República; o ensino foi regulamentado no mesmo ano. O Ministério da Educação regulamentou o ensino através do Despacho Normativo n.º 35/99, que faculta a aprendizagem do mirandês nos ensinos básico e secundário do concelho de Miranda do Douro como oferta de enriquecimento curricular.

Festeja-se a 17 de Setembro o dia da Língua Mirandesa.

Daqui envio os meus parabéns à Teresa Subtil pelo trabalho que tem desempenhado em prol do Mirandês.


Encosta-te a mim


Jorge Palma - (1950-2026)


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Imagem: Wiki