quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Que Humanidade é esta?



Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de tudo, que humanidade é esta? Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade, acho que ainda não chegámos a isso, não somos seres humanos. Talvez cheguemos um dia a sê-lo, mas não somos, falta-nos mesmo muito. 

Temos aí o espectáculo do mundo e é uma coisa arrepiante. Vivemos ao lado de tudo o que é negativo como se não tivesse qualquer importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro. 

Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo, e também não devemos falar desta cidade, porque o mundo é um imenso Sarajevo. E enquanto a consciência das pessoas não despertar isto continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica.

José Saramago, 
in 'Canarias7 (1994)'


 José de Sousa Saramago (Azinhaga, 16 de novembro de 1922 – Tías, 18 de junho de 2010) foi um escritor português premiado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.

aqui


Neste dia em que, entre outras efemérides, se comemora o Dia Mundial de Resolução de Conflitos é importante que paremos um pouco e meditemos sobre o destino que o mundo vai seguindo. De todos os conflitos que já vivemos no passado e de toda a evolução por que passámos parece que a nossa mente está cada vez pior. Metemo-nos em questões que não interessam nada, que não são essenciais para a nossa felicidade e bem-estar. Guerras, mortes, invasões, toda a espécie de ignomínias se cometem em nome de não sei o quê. 

Desejo que a resolução desses conflitos entre na ordem do dia e que no coração dos homens e mulheres entre um pouco de paz que é o que mais nos convém.


Abraços.

Olinda 

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Tías está localizada na ilha de Lanzarote, nas Canárias.

Texto: Citador

Efemérides do dia 15 de Outubro

terça-feira, 13 de outubro de 2026

S. Vicente - a miragem do paraíso (XIII)

 


Falando do estado sanitário da ilha, disse em Julho de 1890 o dr. Lereno, delegado de Saúde da ilha, que as habitações para a população pobre estavam nas mais deploráveis condições higiénicas, sem luz, sem ventilação, sem espaço conveniente. "São verdadeiras possilgas que deteriorando profundamente a saúde dos moradores, diminuem a sua resistência em frente a causas morbígenas." "A população de S.Vicente luta com sérias dificuldades para poder viver, a sua alimentação não é boa e em caso de doença não tem meios para poder ter uma dieta apropriada", escreve ele um pouco mais tarde. (p.34)

De facto, o carregamento e o descarregamento do carvão, impondo aos trabalhadores a situação de ter de respirar quotidianamente as poeiras libertadas revelam-se um foco poderoso de tuberculização da classe operária. por sua vez as promíscuas condições de habitação encarregam-se de expandir a doença  pelos bairros pobres da cidade. ...

Como forma de atenuar a disseminação das doenças de natureza venérea, decide-se, tanto para Mindelo como para a Praia, proceder-se ao arrolamento e matrícula das prostitutas, instituindo-se a obrigatoriedade  da fiscalização sanitária das mesmas através das cadernetas. ...

Porém, a partir dos finais dos anos oitenta do século XIX o Porto Grande começa a ser confrontado com o problema da falta de procura externa. Certamente por causa das divergências entre Portugal e a Inglaterra no que concerne à partilha de partes da África, mas também muito por causa dos elevados impostos cobrados pelo Governo, deixando Mindelo sem condições para competir com portos rivais como Las Palmas ou Dakar. (...) 

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S.Vicente - pgs 31 a 35


Em causa está o Mapa Cor-de-Rosa apresentado por Portugal, que unia Angola a Moçambique. "O resultado foi o ultimato britânico de 11 de Janeiro de 1890 sendo exigido a Portugal a retirada de toda a zona disputada sob pena de serem cortadas as relações diplomáticas. Isolado, Portugal protestou mas seguiu-se a inevitável cedência e recuo, definido pelo Tratado Anglo-Português de 1891. E assim acabou o "mapa cor-de-rosa", . aqui  



 


Abraços, amigos.

Olinda


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imagem: net

possilgas=pocilgas

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Canção do exílio




Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar – sozinho – à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras;
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho – à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que eu desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras
Onde canta o Sabiá.

     Gonçalves Dias 

         (1823 - 1864)


Durante a juventude, o autor se mudou para Portugal, com o objetivo de completar os seus estudos universitários. Esse período que passou afastado do Brasil serviu de inspiração para uma das suas composições mais célebres, a "Canção do Exílio".

Um estudioso ávido da cultura dos povos indígenas, Gonçalves Dias também foi um dos criadores do indianismo, uma corrente literária que procurava narrar e homenagear as qualidades desses indivíduos.  aqui





Abraços, amigos.
Olinda


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imagem - net
Ver - Canção do Exílio