quinta-feira, 24 de setembro de 2026

S. Vicente - a miragem do paraíso (XI)

 



Porém, quer no caso geral de Cabo Verde, a história desmente essa crença de abastança com alguma crueldade. Por exemplo, o período que vai de 1850 a 1900 e talvez até um pouco mais, é tido como o período ditoso do Mindelo. Isso por causa do movimento de navios no porto em demanda de combustível, que por sua vez se reflete na economia e prosperidade da cidade e dos seus habitantes.

Ora é verdade que o abastecimento de combustível no Porto Grande e as outras actividades que lhe eram conexas, como por exemplo, a elementar extracção de pedra para lastro dos navios d vela que vinham trazer carvão, proporcionava trabalho a muita gente, e grande parte do faminto povo das ilhas vivia em demanda do sonho do Mindelo.

Porém, todos esses trabalhos eram não só absolutamente precários como sobretudo mal pagos, no geral do tipo ganhar o suficiente para levar a panela ao lume em cada dia, não permitindo portanto qualquer tipo de poupança, ainda que seja verdade que essa população era conhecida como capaz de consumir num dia os ganhos todos da semana.

Mas bastará dizer que, não obstante Mindelo poder afirmar a existência de uma relativamente avultada classe operária nesses tempos dos ingleses, só cerca de 100 anos depois do início da exploração das carvoeiras, mais propriamente em 1957, viria a ser publicada a primeira lei exclusivamente respeitante ao trabalhador caboverdiano.

GERMANO ALMEIDA, - Viagem pela História de S.Vicente, pgs 28, 29.


Com o advento da navegação a vapor, os ingleses instalam no Porto Grande (Mindelo, ilha de São Vicente), em 1838, um depósito de carvão. Em 1850 esse porto foi aberto à navegação, constituindo-se atualmente no maior do arquipélago.

Novas grandes fomes se sucedem, registando-se a emigração maciça de cabo-verdianos.

Em 1874 os ingleses trazem os cabos telegráficos submarinos até ao porto de São Vicente, ligados à Madeira, à Europa e ao Brasil. Sete anos depois, os cabos foram estendidos até à Praia, ligando-a igualmente à Europa e à África Oriental.

Ver mais aqui






Abraços, amigos.

Olinda


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Imagem: Net

terça-feira, 22 de setembro de 2026

O Mirandês

 


Catedral de Miranda do Douro


Vi a notícia no jornal Público.

"41 anos depois, o mirandês vai à escola com o seu primeiro manual".

Como sabemos, o Mirandês é uma das três línguas oficiais portuguesas: O Português, o Mirandês e a Língua Gestual.

A língua mirandesa foi oficialmente reconhecida em 1999 pela Assembleia da República; o ensino foi regulamentado no mesmo ano. O Ministério da Educação regulamentou o ensino através do Despacho Normativo n.º 35/99, que faculta a aprendizagem do mirandês nos ensinos básico e secundário do concelho de Miranda do Douro como oferta de enriquecimento curricular.

Festeja-se a 17 de Setembro o dia da Língua Mirandesa.

Daqui envio os meus parabéns à Teresa Subtil pelo trabalho que tem desempenhado em prol do Mirandês.


Encosta-te a mim


Jorge Palma - (1950-2026)


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Imagem: Wiki

sábado, 19 de setembro de 2026

S. Vicente - a miragem do paraíso (X)

 



A instrução era também objecto de cuidados e funcionavam escolas de instrução primária para o sexo masculino e outras para o sexo feminino, para além de ensino particular de francês, inglês e escrituração comercial, tendo mesmo os alunos da escola municipal formado uma "filarmónica de música marcial que, se não é boa, atenta a idade dos executantes, pode considerar-se bastante sofrível". 

A 10 de Junho de 1880, dia do tricentenário da morte do épico Camões, inaugurou-se a escola do seu nome, destinada ao sexo feminino, e também a biblioteca pública, ainda que a mesma só viesse a realmente ser posta à disposição do público a partir de Outubro de 1887, porém com mais de mil volumes, todos adquiridos através de dádivas dos munícipes. Nessa data de 1880 foi também lançada a primeira pedra para a construção do hospital da ilha.

E finalmente em 1886, precisamente a 27 de Maio, chegava canalizada até à cidade as águas do Madeiral e do Madeiralzinho, a que se juntaria, quatro anos mais tarde, a chamada água do Norte, cuja exploração fora concedida a Augusto da Silva Pinto Ferro, John Visger Miller e John Hollway, cumprindo desse modo, no dizer do administrador Botelho da Costa o ditado popular, "não há falta que não dê em fartura" ...

Nas ilhas de Cabo Verde em geral, criou-se e vive-se no nostálgico mito de um passado de abundância e fartura que sonhamos sempre ver reproduzidos num qualquer tempo futuro, nosso ou dos nossos descendentes. Em S. Vicente esse mito foi eternizado através de uma das mais belas mornas do reportório nacional: "Tempo de Canequinha" da autoria do poeta Sérgio Frusoni, caboverdiano de nascimento e mindelense de cultura, ainda que filho de pais italianos vindos para S. Vicente nos primeiros tempos dessa cidade.(...)

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S. Vicente, pgs 25,26, 27


Frusoni escreveu muitos contos e poemas em crioulo de São Vicente (Criol d' Soncente). É muito conhecido no arquipélago de Cabo Verde, mas é praticamente desconhecido no estrangeiro. No final da sua vida, Sérgio Frusoni foi também pintor. 

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"Tempe de caniquinha"



Abraços, amigos.
Olinda


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Imagem: Net
S.Vicente - uma das ilhas do arquipélago de Cabo Verde