domingo, 5 de abril de 2026

Feliz Páscoa!

 

Ressurreição de Cristo por Rafael Sanzio
(1499-1502)

Meus amigos,

Desejo-vos uma Páscoa Feliz com a família e que o desejo de renovação nos bafeje a todos.

Um poema de Teixeira de Pascoaes para festejarmos este dia:

Minha aldeia na Páscoa…
Infância, mês de Abril!
Manhã primaveril!
A velha igreja.
Entre as árvores alveja,
Alegre e rumorosa
De povo, luzes, flores…
E, na penumbra dos altares cor-de-rosa .
Rasgados pelo sol os negros véus.
Parece até sorrir a Virgem-Mãe das Dores.
Ressurreição de Deus! (…)
Em pleno azul, erguida
Entre a verde folhagem das uveiras.
Rebrilha a cruz de prata florescida…
Na igreja antiga a rir seu branco riso de cal.
Ébrias de cor, tremulam as bandeiras…
Vede! Jesus lá vai, ao sol de Portugal!
Ei-lo que entra contente nos casais;
E, com amor, visita as rústicas choupanas.
É ele, esse que trouxe aos míseros mortais
As grandes alegrias sobre-humanas.
Lá vai, lá vai, por íngremes caminhos!
Linda manhã, canções de passarinhos!
A campainha toca: Aleluia! Aleluia! (…)
Velhos trabalhadores, por quem sofreu Jesus.
E mães, acalentando os filhos no regaço.
Esperam o COMPASSO…
E, ajoelhando com séria devoção.
Beijam os pés da Cruz.



Teixeira de Pascoaes, pseudónimo literário de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos (1877 -1952), foi um poetaescritor e filósofo português e um dos principais representantes do saudosismo.


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Abraços.

Olinda


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Poema - daqui

quinta-feira, 2 de abril de 2026

SARAMAGO

 Como sabemos a José Saramago foi atribuído o Prémio Nobel da Literatura, em 1998. Na altura, quem não tinha lido um único livro lançara-se numa verdadeira maratona a ler os seus livros, como foi o meu caso. 

Comecei com o "Levantado do Chão", que, nas primeiras linhas, considerei custoso devido à falta de pontuação. Contudo, à medida que ia avançando o livro foi me conquistando e só o acabei mesmo no fim. Depois, vieram os outros já publicados que li de uma assentada. Penso que só me restam um ou dois dos seus livros para cumprir essa gostosa tarefa.

Penso que já referi aqui a "Jangada de Pedra", que nos leva por caminhos que só um génio nos levaria, com a Península sozinha por aí fora, vogando, vogando e nesse seu percurso vai encontrando tantos e tantos incentivos para continuar...

Embora, aqui, neste Xaile de Seda, o único motivo para falar de escritores é por gostar deles, hoje, a causa é outra: é o Facto deste grande escritor, laureado com o Prémio Nobel e mesmo que não tivesse sido, (como é o caso do imenso António Lobo Antunes), ter sido excluído do curriculum escolar obrigatório.

Se o que se pretende é que não haja debate de ideias neste mundo de lágrimas e de nonsense, então é caso para bater palmas. Contudo não acredito. Tenho a esperança de que haja um volte-face e que se ponha em evidência que a imaginação, a filosofia e aquele quê que nos faz avançar valorizando o presente e olhando também o futuro, sensibilize as almas de quem manda nestas coisas.

Lembremo-nos que os filósofos e todos os sábios que tanto gosto temos em citar vieram do passado e a contemporaneidade também se faz de grandes homens e mulheres. Tenhamos nós também esse orgulho, de que um dia as gerações de agora e os vindouras possam fazer o mesmo, isto é, lembrar de quem existiu antes e que deixou o seu contributo no mundo das Letras.


Fundação Jose Saramago

Entretanto, a Fundação Jose Saramago faz a seguinte sugestão: em vez de excluir Saramago se faça uma junção com Mário de Carvalho, também merecedor, agora proposto para integrar o currículo. 

Os responsáveis dizem que os outros escritores entram e saem e só Camões fica.

Noblesse oblige!

Li, depois de ter este post pronto, que o ministro responsável pela pasta diz que ainda não está nada decidido. Ou será mentira do primeiro de Abril?


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Hoje, a Constituição da República Portuguesa faz 50 anos. Já foi revista 7 vezes, desde a sua aprovação em 1976.

 Na Assembleia da República, polémica sobre nova revisão.

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Abraços, meus amigos.

Olinda


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Fundação: Casa dos Bicos em Lisboa


terça-feira, 31 de março de 2026

"O escritor e a sua época"

 Em Angola há um Programa denominado "O Escritor e a sua Época ", abarcando o espaço temporal desde o século XIX, que visa promover o conhecimento da literatura angolana, incentivando o estudo das suas obras e também no sentido de valorizar a Língua Portuguesa.

O programa já vai na sua 20ª edição e desta vez, 27 de Março, foi homenageada Maria Eugénia Neto, escritora e jornalista luso-angolana, que escreve nos géneros literários:  poesia, prosa, encómio e literatura infantojuvenil.

Aproveito a oportunidade para transcrever este seu poema:



“Asas brancas dos confins do meu sonho”

Dos confins dos meu sonho
Eu estendo asas brancas
Sobre o ódio sobre a dor
Sobre a tristeza e o desespero

Dos confins dos meu sonho
Envio-te o elo da amizade
Que faz palpitar os homens justos
E os faça unir as mãos
E Construir já o porvir
E venham torrentes e vendavais
Plenos de vida e de energia
Mostrar como é puro o meu anseio

Eu estendo asas brancas
Sobre o desespero de querer ser audaz
E ser vencido pela timidez
Devendo avançar e não dar o passo
Fechando-se e metamorfoseando-se
Como crisálidas em casulos

Eu estendo asas brancas
Intercalando-as no caminho dinâmico da vontade
E sobre a impotência de não poder libertar-se
Dos que amarram os homens aos seus erros

Asas brancas dos confins do meu sonho
Para que a fraternidade seja uma conquista
E os homens verdadeiramente sejam homens

Eugénia Neto,
in “Foi esperança e foi certeza”, UEA 1976


1978 - A recepcionar o embaixador da Polónia e a 
embaixatriz Aleksandra


Não nos esqueçamos que Maria Eugénia Neto, mulher de Agostinho Neto, desempenhou um papel muito importante na luta anti-colonial. Ver aqui 


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Abraços, meus amigos.

Olinda


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Programa “O escritor e a sua época” homenageia…

Poema : aqui