sábado, 22 de agosto de 2026

S. Vicente - a miragem do paraíso (IV)



 



E de novo S.Vicente assume-se como um campo de pastagem onde vivem no máximo 120 pessoas. Porém, apenas por algum tempo, porque mais que um desígnio, povoar S.Vicente transforma-se numa paixão. Mesmo sem ter nada, talvez apenas pela sua posição geográfica e a sua baía, quase todos os poderes concordam que ali e em mais nenhum outro lugar deve ser construído a capital de Cabo Verde. 

Assim, depois de uma longa preparação para que dessa vez tudo viesse a dar certo, em 1819 o então governador António Pusich põe em execução uma nova tentativa de povoar S. Vicente, levando para ali 56 famílias. Bem, na verdade todas um tanto maltrapilhas, recrutadas entre a pobreza de Santo Antão mais castigada pela seca e pela fome e por isso mesmo sem quaisquer meios próprios de subsistência ou capacidade para enfrentar e vencer uma natureza agressiva.

Porém Pusich está entusiasmado, já vê aquilo como as primeiras pedras da cidade que sonha ali edificada, sobretudo porque em 1821, a ilha já conta com 295 almas, e ele mesmo baptiza a aldeia com o pomposo nome de Povoação Leopoldina, em homenagem à compatriota, a imperatriz Leopoldina da Áustria, esposa de D.Pedro IV.

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S. Vicente, pg 12


E assim vamos andando neste tempo muito quente, transpirando, e recordando o passado dos nossos maiores de há séculos e tomando consciência das dificuldades por que passaram. Mas também neste tempo que atravessamos são tantos os dissabores e desgraças que acontecem que já nem sabemos bem em que mundo estamos.





Abraços, amigos.

Olinda


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S. Vicente - Ilha pertencente ao arquipélago de Cabo Verde

Imagem: net

terça-feira, 18 de agosto de 2026

S.Vicente - a miragem do paraíso (III)





A instalação dos colonos de Fonseca Rosado acontece em Julho de 1797 com "a presença do governador Marcelino António Bastos que solenemente lhe dá a posse e o comando da ilha, reparte os terrenos pelos 232 primeiros colonos, demarca os baldios da Câmara e os montados particulares, determina o perímetro da nova povoação", pelo que à primeira vista tudo se conjuga para que esse povoamento seja um sucesso garantido. Sobretudo porque calhou, ter sido aquele, um ano de boas águas numa terra ainda completamente virgem, que todos ficaram admirados com o milagre de em S.Vicente o milho florescer em apenas 60 dias quando noutros lugares se aproxima dos 90. (...)

Porém, aquela euforia não duraria por muito tempo, aquelas boas chuvas tinham sido apenas um engôdo com que a natureza tinha brincado com os infelizes. Porque, logo a seguir, sucessivos anos de seca se abateram sobre a ilha. Mas não era só a seca, também um vento desesperante e desértico que queimava tudo à sua passagem, nada deixando de restos de vida numa paisagem que de repente parecia estar extenuada. Derrotados, e para ali não morrerem de forme, os colonos de S.Vicente acabam por desertar, alguns para o alto Monte Verde, outros para as ilhas eventualmente mais beneficiadas.

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S.Vicente - pg 11


Parece que a seca e o vento desesperante vêm de longa data, obrigando as gentes a procurar outros espaços para viver. E o Sol inclemente desde sempre a massacrar os infelizes. 


Monte Verde visto da Baía das Gatas


Abraços, amigos.

Olinda



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S. Vicente - Ilha pertencente ao arquipélago de Cabo Verde

Imagem: net


domingo, 16 de agosto de 2026

S.Vicente - a miragem do paraíso (II)

 


Assim, foi só quando as outras nações europeias começaram a mais afoitamente penetrar o Atlântico com intenções nem sempre nobres, que Portugal finalmente acordou para a necessidade de defesa das suas possessões com receio de uma eventual ocupação, particularmente de S.Vicente, e deu ordem de geral povoamento das ilhas de Barlavento.

Isso deu-se em 1781, era governador interino de Cabo Verde o bispo D. frei Francisco Simão, que recebeu ordens expressas para adoptar todas as providências nesse sentido. Pode bem ser que ele tenha tentado alguma coisa, porém sem resultado visível, pelo que apenas em 1795 chegariam os primeiros colonos a S. Vicente. E mesmo assim nas pessoas de unicamente vinte casais e cinquenta escravos, levados do Fogo pelo nomeado capitão-mór da ilha, João Carlos da Fonseca Rosado, homem ricaço natural de Tavira que, não contente com o que já possuía, se ofereceu para povoar S. Vicente, com a condição de lhe serem arrematados os rendimentos da ilha por seis anos e ainda de lhe concederem ferramentas, apetrechos, munições e mantimentos até haver as primeiras colheitas.

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela Historia de S.Vicente, pgs 10, 11


Mais um pequeno trecho de modo a não perturbarmos as férias. Desejo que estejam bem, àqueles que estiverem a gozá-las a beira de uma piscina ou na praia. Os que ainda estiverem por cá não fará mal lerem estas linhazinhas.




Abraços, amigos.

Olinda


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Imagem: net