quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Canção do exílio




Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar – sozinho – à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras;
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho – à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que eu desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras
Onde canta o Sabiá.

     Gonçalves Dias 

         (1823 - 1864)


Durante a juventude, o autor se mudou para Portugal, com o objetivo de completar os seus estudos universitários. Esse período que passou afastado do Brasil serviu de inspiração para uma das suas composições mais célebres, a "Canção do Exílio".

Um estudioso ávido da cultura dos povos indígenas, Gonçalves Dias também foi um dos criadores do indianismo, uma corrente literária que procurava narrar e homenagear as qualidades desses indivíduos.  aqui





Abraços, amigos.
Olinda


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imagem - net
Ver - Canção do Exílio

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Símbolos da República


Francisco dos Santos *

Festeja-se hoje a Implantação da República, como é sabido. Praticamente todos os anos refiro-me a este feriado, tendo mencionado em algumas ocasiões os Heróis da Rotunda, com Machado Santos à cabeça. Ontem passei por uma rua em Setúbal com o seu nome o que revigorou em mim a sua acção nessa data inesquecível. 

Com ele, Cândido dos Reis que se suicidara em plena contenda e Miguel Bombarda assassinado por um seu doente, também nesses três dias de chumbo, que afinal redundaram em vitória. Disto tudo tratei em publicações anteriores, sem esquecer a 1ª República que vai de 5/10/1910 a 28/5/1926, incluindo o caso trágico da noite sangrenta que ceifou a vida a muitos dignitários políticos, entre eles o próprio Machado Santos, António Granjo e José Carlos da Maia.

Mas, agora, pretendo falar dos Símbolos da República. 

A Constituição da República determina, no seu artigo 11.º, n.os 1 e 2:

  1. A Bandeira Nacional, símbolo da soberania da República, da independência, unidade e integridade de Portugal, é a adotada pela República instaurada pela Revolução de 5 de Outubro de 1910.
  2. O Hino Nacional é A Portuguesa.


O Decreto de 19 de junho de 1911, da Assembleia Nacional Constituinte, veio dispor:

«1.º - A Bandeira Nacional é bi-partida verticalmente em duas côres fundamentaes, verde escuro e escarlate, ficando o verde do lado da tralha. Ao centro, e sobreposto á união das duas côres, terá o escudo das Armas Nacionaes, orlado de branco e assentando sobre a esfera armilar manuelina, em amarello e avivada de negro. As dimensões e mais pormenores de desenho, especialização e decoração da bandeira são os do parecer da commissão nomeada por decreto de 15 de outubro de 1910, que serão immediatamente publicados no Diario do Governo.

2.º - O hymno nacional é A Portuguesa.» (cfr. Diário do Governo, n.º 141, de 20-06-1911, p. 2601).

O Hino Nacional, "A Portuguesa", com música da autoria de Alfredo Keil e letra de Henrique Lopes Mendonça, que foi composta em 1890, na decorrência de Ultimatum Inglês, tornando-se a marcha dos revoltosos de 31 de Janeiro de 1891.

 A Portuguesa

Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal,
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!



A revolução de 5 de outubro de 1910 acabaria por recuperá-la e, logo em 17 de novembro desse ano, o Ministério da Guerra determinava que, sempre que se executasse o hino «A Portuguesa», todos os militares presentes, quando fardados, fizessem continência e, estando à paisana, se descobrissem, conservando-se de pé, em ambos os casos, até ao final da execução.

...

Atualmente, o artigo 332.º do Código Penal pune com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias «quem publicamente, por palavras, gestos ou divulgação de escrito, ou por outro meio de comunicação com o público, ultrajar a República, a bandeira ou o hino nacionais, as armas ou emblemas da soberania portuguesa, ou faltar ao respeito que lhes é devido»; no caso de símbolos regionais, a pena é de prisão até um ano ou multa até 120 dias.


***


Bom feriado.

Abraço

Olinda


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Símbolos Nacionais

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*Esta cabeça da República, da autoria de Francisco dos Santos, foi executada para o concurso promovido pela Câmara Municipal de Lisboa em 1910.

Vencedora sobre as propostas de Costa Mota, sobrinho, e de Júlio Vaz (respetivamente premiadas com o 2.º e 3.º prémios), veio, porém, a ser mais tarde preterida pela de Simões de Almeida, sobrinho, quando esta última foi profusamente difundida para fins propagandísticos oficiais em medalhas e moedas.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

S. Vicente - a miragem do paraíso (XII)

 



Na verdade, quase todos os observadores da época estão de acordo em como a população que vivia à roda do cais tinha uma vida nhanida, se não mesmo miserável, o que qualquer pessoa poderia observar à simples entrada de um barco no porto: Quando chegavam, cita Duncan, eram rapidamente rodeados por pequenos botes conduzidos por um magote de remadores que tentavam escapar a vida vendendo frutas, doces, e curiosidades da terra. ...

Mas essa vida miserável estava longe de ser exclusiva da ponta de cais. Em boa verdade não diferia muito da vida na cidade que por sinal nunca viria a gozar de boa fama, nem nas demais ilhas do arquipélago, que a consideravam uma terra de perdição, nem junto dos estrangeiros que a visitavam: "O passageiro ou tripulante que aventura desembarcar (em Mindelo) é logo rodeado por um pequeno exército de pedintes, alcoviteiros, prostitutas e vagabundos, sem mencionar os cicerones, os rapazes de recado e os chulos que se aglomeram junto ao infeliz visitante com uma persistência única", disse um viajante. (...)

Para se conhecer bem a vida da cidade nesse "tempo, aparentemente longínquo, arcaico e morto", mas que "apresenta-se afinal portador de inúmeros paralelismos com os vivos e prementes problemas da nossa época, isso mesmo salvaguardando a individualidade específica de cada período histórico", nada melhor que ler o autor destas palavras, o sociólogo-historiador caboverdiano António Carreira e Silva no seu expressivo livro "Nos tempos do Porto Grande do Mindelo".

De todo o modo, durante cerca de 50 anos Mindelo vive uma aparência de bem estar, para o qual no entanto a população trabalhadora paga um preço exagerado (...)

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S.Vicente - pgs 29, 30, 31


Os antigos contam sobre esses dias de cicerone, dos barcos, 

do Porto Grande, e também de miséria. 




Abraços, amigos.

Olinda


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imagem: Net