quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A Viagem dos Malditos


Quando cheguei ao canal da RTP Memória, no Domingo à tarde, o filme já tinha começado. Pelas indumentárias consegui identificar a época e à medida que os diálogos iam avançando consegui aperceber-me do tema. Tratava-se de cerca de mil passageiros, 937, talvez judeus (não tinha ainda percebido bem) e pelas datas diárias que iam aparecendo em rodapé, vi que estávamos em Maio de 1939. Muita incerteza lavrava entre as pessoas mas a esperança de chegar a bom porto, Havana, como lhes fora prometido, fazia-as aceitar a situação mesmo sabendo que o futuro era incerto.


Em Havana, entretanto, decorriam conversas, conversações, negociações e negociatas em torno desses passageiros e aos poucos foi ficando evidente que não havia intenção nenhuma de os deixar desembarcar. Com efeito, o comandante do navio, Gustav Schroeder, alemão, homem com grande sentido do dever e da ética, não foi autorizado a desembarcar os seus passageiros. As dificuldades a bordo eram enormes com a concentração de tanta gente com os nervos e frustrações à flor da pele. O navio foi obrigado a sair das águas cubanas sem rumo definido. O comandante ainda chegou a verbalizar perante um dos passageiros, um médico famoso, que pensava provocar um acidente à aproximação do Canal da Mancha forçando à recolha e à aceitação dessas pessoas. Quando já estava tudo preparado para que isso acontecesse chegou a notícia, da parte do agente de ligação dos judeus alemães retidos no navio, que alguns países aceitavam recebê-los.


O destino destes seres humanos apanhados na voragem da segunda guerra mundial e da loucura desses dias, cuja data oficial viria a dar-se em Setembro desse ano com a invasão da Polónia, não será difícil de adivinhar. Pelo menos para a maior parte deles, os campos de concentração com a subsequente destruição da sua forma de vida, e da sua própria vida, foi uma certeza.

De referir que a viagem fora uma farsa. Os judeus foram metidos no navio pelos governantes da Alemanha-nazi para provar ao mundo que ninguém os queria, o que ajudaria ao seu extermínio, conforme é referido aqui.

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SINOPSE

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À medida que via o filme assaltava-me a imagem do Aquarius vogando pelo Mar Mediterrâneo com 141 pessoas a bordo, pessoas essas que ninguém queria receber. A Itália a fazer ver à Europa que para esse peditório já deu. Falava-se em Malta e Espanha que também se recusavam a recebê-las. E os outros países onde estavam? É certo que o assunto está resolvido, de momento. Chegou-se a um acordo de circunstância, creio eu, com o beneplácito da União Europeia. Portugal e outros países vão recebê-las ou já as receberam. E depois? Quais as soluções de fundo? Onde estarão os gabinetes de crise que deveriam ser criados para estudar com seriedade esse problema migratório?

Não queiramos que os vindouros nos acusem de desumanos daqui a uns anos quando alguém se lembrar de fazer um filme apresentando o Mar Mediterrâneo como o Mar da nossa Vergonha. Há uma certeza: a História julgar-nos-à.


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2ª imagem - net: 
O navio SS St. Louis no porto de Havana
Aquarius - aqui

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

O Livro da Vida


Absorto, o Sábio antigo, estranho a tudo, lia... 
— Lia o «Livro da Vida» — herança inesperada, 
Que ao nascer encontrou, quando os olhos abria 
Ao primeiro clarão da primeira alvorada. 

Perto dele caminha, em ruidoso tumulto, 
Todo o humano tropel num clamor ululando, 
Sem que de sobre o Livro erga o seu magro vulto, 
Lentamente, e uma a uma, as suas folhas voltando.

Passa o Estio, a cantar; acumulam-se Invernos; 
E ele sempre, — inclinada a dorida cabeça,— 
A ler e a meditar postulados eternos, 
Sem um fanal que o seu espírito esclareça!

Cada página abrange um estádio da Vida, 
Cujo eterno segredo e alcance transcendente 
Ele tenta arrancar da folha percorrida, 
Como de mina obscura a pedra refulgente.

Mas o tempo caminha; os anos vão correndo; 
Passam as gerações; tudo é pó, tudo é vão... 
E ele sem descansar, sempre o seu Livro lendo! 
E sempre a mesma névoa, a mesma escuridão.

Nesse eterno cismar, nada vê, nada escuta: 
Nem o tempo a dobrar os seus anos mais belos, 
Nem o humano sofrer, que outras almas enluta, 
Nem a neve do Inverno a pratear-lhe os cabelos!

Só depois de voltada a folha derradeira, 
Já próximo do fim, sobre o livro, alquebrado, 
É que o Sábio entreviu, como numa clareira, 
A luz que iluminou todo o caminho andado..

Juventude, manhãs de Abril, bocas floridas, 
Amor, vozes do Lar, estos do Sentimento, 
— Tudo viu num relance em imagens perdidas, 
Muito longe, e a carpir, como em nocturno vento.

Mas então, lamentando o seu estéril zelo, 
Quando viu, a essa luz que um instante brilhou, 
Como o Livro era bom, como era bom relê-lo, 
Sobre ele, para sempre, os seus olhos cerrou... 


 in 'Sol de Inverno' 



António de Castro Feijó (1859-1917) Poeta e diplomata. Português. Diz-se que a morte prematura da esposa viria a influenciá-lo, imprimindo um certo tom fúnebre à sua obra.

Neste poema vejo-lhe, contudo, válidos motivos de reflexão sobre a Vida e do que queremos fazer com ela. Tudo o que nos rodeia faz parte dela. Se é importante a parte teórica, os ensinamentos antigos, os valores da filosofia, as leis e outras disposições, é a sua aplicação no nosso quotidiano que nos enobrece. É fundamental passarmos das normas à prática, experimentando, experimentando, experimentando até ver se as coisas funcionam para que no momento de grandes emergências cada um saiba o seu lugar e as suas funções.

Os incêndios que lavram em Monchique mostram como somos pequenos perante tragédias dessa natureza. Mais uma parte do país a ser devorado pelas chamas, pessoas em desespero... O meu apreço àqueles que lá estão, no terreno, procurando de todas as formas que as coisas não assumam aspectos de total catástrofe.

Antes de Monchique, a Grécia. Também lá se viu como a falta de planeamento pode tomar proporções inconcebíveis, incontroláveis. Vidas ceifadas pelo fogo, pelo mar, também nas escarpas. Em momentos de aflição tudo parece conjugar-se para fechar todas as saídas.


Por aqui ainda a curar uma gripe (a tentar, pelo menos).
Desejo-vos uma boa semana.

Abraço.

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Poema: Citador

terça-feira, 31 de julho de 2018

A Criança do Lapedo

Um pouco ausente do blogue, por assistência a familiar, agradeço a todos os que por aqui têm passado, neste ínterim. Não queria deixar passar este mês (na verdade, daqui a pouco já é Agosto) sem fazer referência a uma notícia que li logo no seu início, não porque nos faça alguma diferença para o nosso quotidiano, mas, sim, no sentido de que nos permite conhecer mais do nosso passado, das nossas origens, dos cruzamentos a que, provavelmente, ao longo dos tempos fomos sujeitos e que de alguma forma terão influenciado a nossa sobrevivência.

Trata-se de um achado arqueológico de Dezembro de 1998, no Abrigo do Lagar Velho do Vale do Lapedo - Leiria - o esqueleto fossilizado de uma criança com a idade compreendida entre os quatro e cinco anos, datado no tempo com 24500 a 25000 anos, enterrada com cuidados que fazem supor que era amada e que viveria no seio de uma comunidade. Na verdade foi designada de "Menino do Lapedo", embora não se saiba se é menino ou menina. (Há textos que dizem peremptoriamente que é do sexo masculino)*. 




O espanto para os especialistas reside no facto de estar datado o desaparecimento ou extinção dos Neandertais em 28000 anos e essa criança apresentar na sua estrutura óssea influências do Homo Sapiens Sapiens e do Homo Neandertalensis. Então, uma série de questões se coloca: Em que condições ter-se-á processado o cruzamento entre eles? Os neandertais terão sido absorvidos pelo homem moderno? Ter-se-ão verificado confrontos entre eles e em que medida? Enfim,  há controvérsias e polémicas a perder de vista.

Por mim, creio que nada se extingue sem deixar rasto, por mais ténue que seja. Muito há para descobrir ainda e penso que não será nos nossos dias que ficaremos a saber de que se compõem esses mistérios ou se chegaremos ao seu âmago. 

Talvez com o fito de se procurarem mais respostas e em comemoração dos 20 anos do referido achado arqueológico, no passado dia 23 de Julho, em Leiria, recomeçaram-se as escavações arqueológicas e há um programa afim durante o ano de 2018, que inclui uma exposição na Croácia: O Museu de Arqueologia de Zagreb (Croácia) vai receber em dezembro uma exposição sobre o Menino do Lapedo, projeto que envolve a autarquia de Leiria, o Ministério da Cultura e o Museu Nacional de Arqueologia, entre outros.





Diz aqui que:

Assinalar os 20 anos da descoberta do Menino do Lapedo é reconhecer a sua importância e a relevância do Abrigo do Lagar Velho, no Lapedo, no âmbito científico e pedagógico, na área da arqueologia e paleontologia mundiais, mas sobretudo dar-lhes a devida projeção enquanto património cultural de extraordinária relevância nacional e internacional... (Vereador da Cultura da Câmara de Leiria)


QUEIRA ACEDER A ESTE INTERESSANTE



Boa semana.

Abraço.


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Leia mais: aqui, aqui, aqui 
Imagens: daqui

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Procuro-te

Procuro a ternura súbita, 
os olhos ou o sol por nascer 
do tamanho do mundo, 
o sangue que nenhuma espada viu, 
o ar onde a respiração é doce, 
um pássaro no bosque 
com a forma de um grito de alegria. 

Oh, a carícia da terra, 
a juventude suspensa, 
a fugidia voz da água entre o azul 
do prado e de um corpo estendido.


Procuro-te: fruto ou nuvem ou música. 
Chamo por ti, e o teu nome ilumina 
as coisas mais simples: 
o pão e a água, 
a cama e a mesa, 
os pequenos e dóceis animais, 
onde também quero que chegue 
o meu canto e a manhã de maio. 

Um pássaro e um navio são a mesma coisa 
quando te procuro de rosto cravado na luz. 
Eu sei que há diferenças, 
mas não quando se ama, 
não quando apertamos contra o peito 
uma flor ávida de orvalho. 

Ter só dedos e dentes é muito triste: 
dedos para amortalhar crianças, 
dentes para roer a solidão, 
enquanto o verão pinta de azul o céu 
e o mar é devassado pelas estrelas. 

Porém eu procuro-te. 
Antes que a morte se aproxime, procuro-te. 
Nas ruas, nos barcos, na cama, 
com amor, com ódio, ao sol, à chuva, 
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te. 

in "As Palavras Interditas"

Encontrei, há dias, Eugénio de Andrade no blog Raraavisinterris. Lembrei-me que há já algum tempo que ele não visita o meu Xaile de Seda. Fui à procura de poemas seus e, claro, a dificuldade esteve na escolha. Acabei por optar por este: "Procuro-te". 

Há sempre algo que procuramos na vida e penso que as palavras deste magnífico Poeta traduzem na perfeição o que nos faz avançar estrada fora, aos mais profundos recantos ou dentro de nós próprios: a procura do sentido da Vida.

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Poema:  Citador
Imagem: Pixabay  

sábado, 30 de junho de 2018

Oh, Vida, sê bela!


Alberto de Lacerda - o poeta expatriado

O exílio é isto e nada mais
Na sua forma mais perfeita: 
Hoje na terra de meus pais
Somente a luz não é suspeita.

aqui


NÓS

Falei 

Cantei 
Cantei demais 

Arrisquei quebrar 
O arco-íris 

Mas até em estilhaço 
Continuaria 
O encantamento


Alberto de Lacerda, in 'Átrio' 


Como é Belo Seu Rosto Matutino

Como é belo seu rosto matutino 

Sua plácida sombra quando anda 

Lembra florestas e lembra o mar 
O mar o sol a pique sobre o mar 

Não tive amigo assim na minha infância 
Não é isso que busco quando o vejo 
Alheio como a brisa 
Não busco nada 
Sei apenas que passa quando passa 
Seu rosto matutino 
Um som de queda de água 
Uma promessa inumana 
Uma ilha uma ilha 
Que só vento habita 
E os pássaros azuis 


Alberto de Lacerda, 

in 'Exílio' 




Alberto de Lacerda viveu quase sempre no estrangeiro e foi esquecido. Porém, nunca se esqueceu de Portugal. Pelo contrário, levou a nossa cultura para junto de gente que, de Portugal, nada sabia. Esse é um dos problemas que se apresenta no que respeita à tarefa de divulgar a vida e obra do poeta Alberto de Lacerda (1928-2007). É preciso ir encontrá-lo, situá-lo no seu tempo e dar-lhe o contexto de uma vida vivida e celebrada por outros.


Palavras iniciais da introdução à exposição, da Biblioteca Nacional, dedicada à obra de Alberto de Lacerda, em Outubro de 2017, com o título "Oh, Vida, sê bela!".

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ALBERTO DE LACERDA: toda a luz e solidão do mundo.

LABAREDA - publicado agora, em Junho 
Diz-se aqui que este livro quer resgatá-lo para as novas gerações e estimular a curiosidade para uma poética e uma vida invulgares.

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Imagens: net
Poemas: Citador


quinta-feira, 28 de junho de 2018

Amália/Paião. Calendário escolar. D. António Marto

Ouvi há dias, na Rádio, "O senhor extraterrestre", da autoria do saudoso Carlos Paião, e gostei muito de ouvir Amália nesse registo brincalhão e crítico. 




Naquela altura era o bacalhau que faltava e não seria de admirar se solicitássemos uma cunha a um extraterrestre para o obter. Hoje não nos falta quase nada. Os supermercados estão cheios de tudo, os stands de automóveis com automóveis para todas as bolsas, as lojas do zé povo e as de luxo com roupas e acessórios para todos os gostos. Não nos podemos queixar a não ser de falta de dinheiro, para alguns. Com a ilusão de bonança que nos envolve, esquecendo-nos que vivemos praticamente de empréstimos, lá vamos nós perdendo tempo com o diz-que-disse.

O que me parece preocupante mas não irresolúvel é o que eu li e ouvi sobre o calendário escolar para o ano lectivo 2018/2019: o terceiro período vai ter apenas mês e meio, de modo que o aluno que tiver azar nos períodos antecedentes dificilmente conseguirá recuperar a tempo para passar de ano. E porquê essa discrepância? Sabemos que o calendário escolar é feito em função do calendário religioso católico. Assim, sendo a Páscoa uma festa móvel esta condiciona a vida escolar. Enfim. Somos ou não somos um Estado laico? Bem, até compreendo. Somos um país maioritariamente católico, temos a Concordata e os feriados... que não são de desdenhar. E as outras religiões existentes em Portugal o que dizem a isso?




Como católica que sou, registo com interesse que D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, foi nomeado Cardeal. Mais uma hipótese que se desenha no sentido de virmos a ter outro Papa português. O primeiro e último foi Pedro Hispano que tomou o nome de João XXII, coroado em 20 de Setembro de 1276. Um pontificado muito curto: A 14 de maio de 1277, o edifício ruiu quando o papa se encontrava sozinho no seu interior. Pedro Hispano veio a morrer alguns dias mais tarde devido à gravidade dos ferimentos sofridos e encontra-se sepultado na catedral de Viterbo.

Desejo-vos uma boa semana.

Abraço.

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Imagem: Net

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Influenciadores. Facilitadores.

As palavras ao longo dos tempos vão tomando novas significações. Nada que nos admire. Mas mesmo assim há algumas que me fazem pensar ao tomar conhecimento da sua contextualização. É o que acontece com influenciador/influenciadora. 
No avanço tecnológico em que estamos a viver é já uma profissão. Logo, melhor será dizer Influenciador/Influenciadora digital ou formadores de opiniões digitais.

















Não há muito tempo, três meses se tanto, tinha a televisão sintonizada em determinado canal onde decorria uma entrevista a dois rapazes, talvez adolescentes ou na casa dos vinte. Aí ouvi pela primeira vez a palavra com esse significado. Então, um deles respondendo à pergunta de como é que a coisa funcionava respondia que postavam fotos no Instagram e outras redes sociais envergando roupas e acessórios de que gostavam. Também iam às escolas e passeavam por ali, ou seja, desfilavam à vista dos colegas. Depois, com as visualizações ganhavam uma boa maquia, mercê de alguns contratos com as marcas.

Sabemos, lendo e ouvindo por aí, que figuras como alguns bloggers, youtubers etc. ganham a vida, ou quase, fazendo publicidade a produtos diversos ou gerando os seus próprios conteúdos, uma comercialização muito interessante que fala bem dos tempos que vivemos. O tradicional sistema de trocas está longe do que era ou talvez não. O que se faz agora não será mais do que trocas com suportes diferentes, cada dia mais versáteis e sofisticados.

Vimos há poucos dias uma rapariga de 16 anos ganhar um globo de ouro pela sua actividade na internet, na área da música. É uma visibilidade outra, não há dúvida. Andar pela vida a singrar passo a passo já era. Os meios agora são outros. Também reconheço que é preciso talento e saber fazer.

Influenciada, talvez, com a informação que já levava sobre os influenciadores vi logo naqueles dias um livro, na Fnac, com um título que me chamou a atenção: Os Facilitadores. Pareceu-me quase a mesma coisa. Aproximando-me mais, dei conta de que era um nome (ou substantivo) proveniente de facilitar. De vez em quando, cá em casa, dizem-me a rir que sou uma facilitadora, mesmo antes de saber que essa palavra existia no contexto actual. Muitas vezes até concordo. Será uma qualidade ou um defeito? Dependerá da natureza daquilo que facilitamos, não é? 








Voltando ao livro vi-lhe o autor, a capa e a contra-capa e fotografei-os com a minha falta de jeito proverbial, com um resultado muito pouco legível/visível. Sempre tenho dito que quando eu for grande quero ser como a UJM, blogger que eu sigo, ou como a minha filha. São autênticas artistas da fotografia. Mas, apesar da má qualidade das fotos, consigo distinguir que o autor se chama GUSTAVO SAMPAIO e que o tema versa sobre um grupo profissional que, com a sua acção, facilita a vida a Empresas privadas e também ao Estado nos mais variados serviços tais como: 

Ajustes directos, contratos swap, PPP (nos sectores da saúde, educação, águas, resíduos, vias rodoviárias e ferroviárias, etc.), privatizações de empresas públicas, concessões e subconcessões, contratos de exploração a meio século, auto-estradas com portagens virtuais, rendas excessivas no sector energético, mais-valias decorrentes da venda de gás natural não partilhadas com os consumidores, aumentos das taxas nos aeroportos nacionais, direitos adquiridos sobre pontes e aeroportos que ainda não foram construídos, indemnizações devidas por causa de projectos adiados, ou mudanças de sede fiscal para ... aqui

Uma investigação e tanto, como tudo na vida, passível de contraditório se for caso disso.

Mas, quis saber mais sobre o assunto, isto é, acerca dos Facilitadores. Descobri que é uma realidade que só eu desconhecia, pelos vistos, ou então terei já lidado com isso, mas através de uma outra designação ou com outro alcance. Segundo o que li, aqui, são pessoas geradoras de ideias inovadoras e de soluções criativas de problemas. Muitas são as competências dos Facilitadores. Até há formação específica para esse desempenho.

               Como dizia a minha avó: Vivendo e aprendendo.

                      E agora sim, despeço-me. Até daqui a oito dias

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1ªimagem: daqui
2ª imagem: daqui

quinta-feira, 14 de junho de 2018

A Mulher mais bonita do Mundo

estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram flores novas na terra do jardim, quero dizer que estás bonita. 



entro na casa, entro no quarto, abro o armário, 
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio 
de ouro. 


entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como 
se tocasse a pele do teu pescoço. 
há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim. 

estás tão bonita hoje. 

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios. 

estás dentro de algo que está dentro de todas as 
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever 
a beleza.

 
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios. 

de encontro ao silêncio, dentro do mundo, 
estás tão bonita é aquilo que quero dizer. 

José Luís Peixoto
in "A Casa, a Escuridão"

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Meus amigos:

Vou ausentar-me por uns dias. Vou à terra da minha mãe que também é a minha. Dedico-lhe estas palavras de José Luís Peixoto, com a devida adaptação a esta minha intenção.

Fiquem bem.

Abraço. 


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Poema: Citador
Imagem: Pixabay 

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Mar ê morada di sodadi


Para um ilhéu o Mar tinha duas funções: por um lado ligava as terras e as pessoas, por outro separava-as. Então, entre o ir e voltar a saudade se instalava. Houve tempo em que o elo entre os povos residia no Mar. Através dele as gentes se descobriam e transportavam as riquezas e os sonhos. Presentemente, a tónica torna a colocar-se nessa poderosa área líquida do nosso planeta. Com a poluição atentamos contra a vida de outros seres vivos. O lixo que produzimos afecta o nosso bem-estar e, com o nosso descaso, também mata os habitantes marinhos. Adoptar outros comportamentos de consumo é preciso. Talvez não seja tarde, ainda.  



BANA - o bom gigante.

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Passei o dia ouvindo o que o mar dizia

Eu hontem passei o dia 
Ouvindo o que o mar dizia. 

Chorámos, rimos, cantámos. 

Fallou-me do seu destino, 
Do seu fado... 

Depois, para se alegrar, 
Ergueu-se, e bailando, e rindo, 
Poz-se a cantar 
Um canto molhádo e lindo. 

O seu halito perfuma, 
E o seu perfume faz mal! 

Deserto de aguas sem fim. 

Ó sepultura da minha raça 
Quando me guardas a mim?... 

Elle afastou-se calado; 
Eu afastei-me mais triste, 
Mais doente, mais cansado...

Ao longe o Sol na agonia 
De rôxo as aguas tingia. 

«Voz do mar, mysteriosa; 
Voz do amôr e da verdade! 
- Ó voz moribunda e dôce 
Da minha grande Saudade! 
Voz amarga de quem fica, 
Trémula voz de quem parte...» 
. . . . . . . . . . . . . . . . 

E os poetas a cantar 
São echos da voz do mar! 

 in 'Canções' 

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Video : Youtube
Poema: Citador

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Do direito ao amor e à compreensão*


Menino

No colo da mãe 
a criança vai e vem 
vem e vai 
balança. 
Nos olhos do pai 
nos olhos da mãe 
vem e vai 
vai e vem 
a esperança.



Ao sonhado 
futuro 
sorri a mãe 
sorri o pai. 
Maravilhado 
o rosto puro 
da criança 
vai e vem 
vem e vai 
balança.

De seio a seio 
a criança 
em seu vogar 
ao meio 
do colo-berço 
balança. 
Balança 
como o rimar 
de um verso 
de esperança. 

Depois quando 
com o tempo 
a criança 
vem crescendo 
vai a esperança 
minguando. 
E ao acabar-se de vez 
fica a exacta medida 
da vida 
de um português. 


Criança 
portuguesa 
da esperança 
na vida 
faz certeza 
conseguida. 
Só nossa vontade 
alcança 
da esperança 
humana realidade. 

in "Poemas para Adriano"

*Título de um post que fiz em tempos sobre a Criança e que apareceu hoje em pesquisa no blog: AQUI
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Poema : do Citador
Imagens: daqui