sábado, 19 de setembro de 2026

S. Vicente - a miragem do paraíso (X)

 



A instrução era também objecto de cuidados e funcionavam escolas de instrução primária para o sexo masculino e outras para o sexo feminino, para além de ensino particular de francês, inglês e escrituração comercial, tendo mesmo os alunos da escola municipal formado uma "filarmónica de música marcial que, se não é boa, atenta a idade dos executantes, pode considerar-se bastante sofrível". 

A 10 de Junho de 1880, dia do tricentenário da morte do épico Camões, inaugurou-se a escola do seu nome, destinada ao sexo feminino, e também a biblioteca pública, ainda que a mesma só viesse a realmente ser posta à disposição do público a partir de Outubro de 1887, porém com mais de mil volumes, todos adquiridos através de dádivas dos munícipes. Nessa data de 1880 foi também lançada a primeira pedra para a construção do hospital da ilha.

E finalmente em 1886, precisamente a 27 de Maio, chegava canalizada até à cidade as águas do Madeiral e do Madeiralzinho, a que se juntaria, quatro anos mais tarde, a chamada água do Norte, cuja exploração fora concedida a Augusto da Silva Pinto Ferro, John Visger Miller e John Hollway, cumprindo desse modo, no dizer do administrador Botelho da Costa o ditado popular, "não há falta que não dê em fartura" ...

Nas ilhas de Cabo Verde em geral, criou-se e vive-se no nostálgico mito de um passado de abundância e fartura que sonhamos sempre ver reproduzidos num qualquer tempo futuro, nosso ou dos nossos descendentes. Em S. Vicente esse mito foi eternizado através de uma das mais belas mornas do reportório nacional: "Tempo de Canequinha" da autoria do poeta Sérgio Frusoni, caboverdiano de nascimento e mindelense de cultura, ainda que filho de pais italianos vindos para S. Vicente nos primeiros tempos dessa cidade.(...)

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S. Vicente, pgs 25,26, 27


Frusoni escreveu muitos contos e poemas em crioulo de São Vicente (Criol d' Soncente). É muito conhecido no arquipélago de Cabo Verde, mas é praticamente desconhecido no estrangeiro. No final da sua vida, Sérgio Frusoni foi também pintor

Ver mais aqui



"Tempe de caniquinha"



Abraços, amigos.
Olinda


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Imagem: Net
S.Vicente - uma das ilhas do arquipélago de Cabo Verde

terça-feira, 15 de setembro de 2026

OUTONO

 

É Outono

Chegou o tempo do deslumbramento 

e das colheitas

os dias cada vez mais pequenos

ficam em palavras

num recanto da nossa memória.

Sento-me no chão

junto à nespereira da minha infância

e espero que o Outono 

caia de maduro

em chuvas de inverno.


Luís Raimundo Rodrigues

in: No Espaço da Minha Boca

pg.80



Alguém pergunta:

Já é Outono?


Uma voz responde:

Sim, agora é sempre Outono.


Havia uma luz dourada

quando a voz abriu os olhos.


Luís Rodrigues


O blog: Brancas nuvens negras


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Muito obrigada, caro Luís.

Um forte abraço.

Olinda


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Imagem: pixabay


sexta-feira, 11 de setembro de 2026

S.Vicente - a miragem do paraíso (IX)




Nessa época já era uma vila asseadíssima, alumiada por 100 candeeiros de petróleo, e dotada não só de belos edifícios públicos (igreja, palacete do governo, paços do concelho, quartel, alfândega com seu cais, ponte de madeira e caminho de ferro, para além do mercado em construção) mas também de algumas casas particulares "onde não falta o conforto, podendo chamar-se o segundo foco da população e civilização da província". Aliás já em 1873 o Conselho da Província tinha estabelecido a obrigatoriedade de os habitantes do Mindelo plantarem uma árvore no seu próprio quintal, por cada três metros quadrados de terreno ocupado.

Assim, em 1879, época em que já tinha 27 ruas, uma praça ( a célebre praça D.Luiz alumiada por um bonito candelabro), 5 largos, 11 travessas, um beco e 2 pátios, quase todas calçadas e arborizadas e iluminadas por um total de 120 candeeiros de petróleo e uma população de 3300 habitantes, foi formalmente elevada à dignidade de cidade.

A nível de comércio e de serviços a uma cidade estava provida de um armazém de venda por grosso da casa Millers, que fornecia não só aos negociantes da terra como também a muitos das ilhas;(...)

A água à cidade é que continuava a ser fornecida por poços, sendo 13 públicos e 22 particulares. (...)

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S.Vicente, pgs 23 e 24.


A água...o calcanhar de Aquiles de S.Vicente. 

Noutros aspectos a ilha ia ganhando vida e ritmo. 


Recordando "Humbertona"


Abraços, amigos.

Olinda


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Imagem: Net

S.Vicente - uma das ilhas do arquipélago de Cabo Verde.