domingo, 16 de agosto de 2026

S.Vicente - a miragem do paraíso (II)

 


Assim, foi só quando as outras nações europeias começaram a mais afoitamente penetrar o Atlântico com intenções nem sempre nobres, que Portugal finalmente acordou para a necessidade de defesa das suas possessões com receio de uma eventual ocupação, particularmente de S.Vicente, e deu ordem de geral povoamento das ilhas de Barlavento.

Isso deu-se em 1781, era governador interino de Cabo Verde o bispo D. frei Francisco Simão, que recebeu ordens expressas para adoptar todas as providências nesse sentido. Pode bem ser que ele tenha tentado alguma coisa, porém sem resultado visível, pelo que apenas em 1795 chegariam os primeiros colonos a S. Vicente. E mesmo assim nas pessoas de unicamente vinte casais e cinquenta escravos, levados do Fogo pelo nomeado capitão-mór da ilha, João Carlos da Fonseca Rosado, homem ricaço natural de Tavira que, não contente com o que já possuía, se ofereceu para povoar S. Vicente, com a condição de lhe serem arrematados os rendimentos da ilha por seis anos e ainda de lhe concederem ferramentas, apetrechos, munições e mantimentos até haver as primeiras colheitas.

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela Historia de S.Vicente, pgs 10, 11


Mais um pequeno trecho de modo a não perturbarmos as férias. Desejo que estejam bem, àqueles que estiverem a gozá-las a beira de uma piscina ou na praia. Os que ainda estiverem por cá não fará mal lerem estas linhazinhas.




Abraços, amigos.

Olinda


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Imagem: net


terça-feira, 11 de agosto de 2026

S.Vicente - a miragem do paraíso (I)




Pretende-se que S.Vicente terá sido descoberta em 1462 por Diogo Gomes, escudeiro do infante D. Fernando a quem ficou pertencendo por doação de D. João II, o rei seu tio. 

Foi inicialmente outorgada aos duques de Viseu que, porém, não ligaram qualquer importância à questão da sua ocupação, situação que se manteve mesmo depois de, por herança, ter passado para a propriedade do rei D.Manuel, pelo que por muitos e muitos anos, a ilha ficou relegada à humilde condição de simples campo de pastagem do gado de alguns proprietários de Santo Antão e S.Nicolau. 

Aliás, S.Vicente seria a última das ilhas do arquipélago a ser povoada, e a generalidade dos estudiosos está de acordo em como ainda hoje ela não seria muito diferente de Santa Luzia, não tivesse a natureza lhe dotado de uma bela baía sobre todas superior e, principalmente, fora das rotas das areias que acabaram assoreando a baía de Sal-Rei, e também não tivessem os ingleses precisado impulsionar a neocolonização dos países do atlântico sul para ali colocarem as excedentárias produções das suas fábricas. (...)

GERMANO ALMEIDA - Viagem pela História de S.Vicente, pgs 9,10


Encontrei este livrinho em casa de uma prima minha, sobre a Ilha de São Vicente. Nestes dias de Verão, quentissimos, resolvi inserir aqui alguns apontamentos, procurando não vos cansar muito. Por isso, penso ir saltando algumas páginas...

Para já, deixo-vos um pouco da sua música:




Abraços, meus amigos.

Olinda


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Imagem - net





domingo, 2 de agosto de 2026

A travessia é mais além...

 


São de pedra os caminhos de Damasco

E de pedra são as rotas e as distâncias.

E é de areia o rosto das miragens

E são de fel os dias. E de amargura

A água dos rochedos.


São de pedra os trilhos

E as bocas são a arder

A insónia de serpentes

E labaredas negras...


Soberbos, porém, os dias

Assim cativos de pedras 

E de medos.


Manuel Veiga

In: Perfil dos Dias

pg.82


Nasceu em Matela, concelho de Vimioso (Trás-os-Montes) e reside em Bobadela - Loures.
É licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. Exerceu advocacia alguns anos no início de carreira, que depois prosseguiu como consultor Jurídico em Municípios da Área Metropolitana de Lisboa e, mais tarde, como Inspetor Superior da Inspeção Geral da Educação, onde desempenhou funções no respetivo Gabinete Jurídico. 

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Blog: Relógio de Pêndulo


Abraços, meus amigos.

Olinda


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Imagem: pixabay