domingo, 24 de maio de 2026

O Pirilampo Mágico

 


Quando a minha filhota começou a frequentar o Preparatório, nas férias levava-a todos os dias para a Colónia de Férias da OSMOP. Ali encontrou muitos miúdos da sua idade e um pouco mais velhos, onde fez muitas amizades. 

Aprendeu a jogar matraquilhos tornando-se, praticamente, uma especialista. Além disso tinham muitas actividades, idas à praia, cinema, visitas a museus, enfim um sem-número de coisas de que ela gostava muito. 

Gostou muito desse tempo que também incluía idas a Évora, cidade-museu, cujo centro histórico foi declarado Património Mundial em 1986, pela UNESCO (Também há lá instalações da OSMOP para colónia de férias). 

Então subíamos a Avenida Pedro Álvares Cabral*, ao Rato, de onde o autocarro nos deixava e antes de dobrarmos a esquina havia ou há um café onde, ao balcão, eu bebia um café e ela comia um croquete. Deixava-a no destino e ao descer a avenida, uma vez ou outra, ouvia vozes de miúdos da Cerci que iam nos seus passeios, acompanhados de adultos.

A  CERCI é uma instituição de solidariedade social voltada para a deficiência intelectual e multideficiência, sem fins lucrativos, fundada a 16 de julho de 1975 e reconhecida como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública.


Todos os anos a Cerci promove a Campanha do Pirilampo Mágico. Todos os anos esse pirilampo tem uma cor. Antigamente era macio com uma fita ou antena, agora é feito de material mais resistente, penso. E também traz mais algumas peças, como se vê na imagem.

Lembro-me de comprar um pirilampo todos os anos, no tempo em que ia trabalhar em Lisboa. Agora passados estes anos fui acordada, quando na RTP1 se falava disso. E também recordei o tempo em que subia e descia de manhã e à tarde, no verão, a Avenida Pedro Álvares Cabral, durante um mês.

De 08 de Maio a 01 de Junho decorre esta campanha e ainda vamos a tempo de contribuir para essa obra meritória.


Bom fim-de-semana, meus amigos.

Abraços

Olinda


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*Puxo pela memória a fim de me recordar se é mesmo o nome da Avenida ou rua...
Federação Nacional de Cooperatirvas de Solidariedade Social - aqui

sábado, 16 de maio de 2026

A Herança

 



A herança
Sei que buscas ainda
o secreto fulgor dos dias
anunciados.

Nada do que te recusam
devora em ti
a memória dos passos calcinados.
É tua casa este exílio
este assombro esta ira.

Tuas as horas dissipadas
o hostil presságio
a herança saqueada.
Quase nada.

Mas quando direito e lúgubre
marchas ao longo da Baía
um clamor antigo
um rumor de promessa
atormenta a Cidade.

A mesma praia te aguarda
com seu ventre de fruta e de carícia
seu silêncio de espanto e de carência.
Começarás de novo, insone
com mãos de húmus e basalto
como quem reescreve uma longa profecia

CONCEIÇÃO LIMA


Sua obra tem como uma das temáticas principais o resgate do passado tanto ao revisitar suas origens quanto ao reconstruir poeticamente a história de um país marcado pela ação colonialista e pela escravidão.
Uma das mais reputadas jornalistas são-tomenses, tem pela poesia uma enorme paixão. Formada em Lisboa e no King's College de Londres, começou por publicar poemas dispersos em jornais e revistas e integra diversas antologias poéticas internacionais
Veja aqui



Faleceu ontem aos 64 anos.
Notícia aqui.

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Poema daqui

Conceição Lima - aqui, no Xaile de Seda

quinta-feira, 14 de maio de 2026

POEMA DA PERGUNTAÇÃO

Não somos todos, os envergonhados, os verdadeiros culpados?

Não somos nós, os indignados, os verdadeiros carrascos?

O que antes e agora julgamos, não foi apenas uma pequena evidência? O que nós prendemos não foi a mão obscura de uma consciência? E mesmo o que matamos, não foi tão somente uma ínfima parte da verdade?

E procuramos grades? E procuramos muros altos e seguros? E procuramos homens obtusos para que os possamos vigiar? E procuramos armas para os tornarmos intransponíveis? De nada nos valerá, de nada nos adiantará. Não há ferro, nem betão, nem servilismo nenhum que nos possam salvar da luz da verdade.

Uma mentira não tem sempre sede de liberdade? Uma mentira não é a cela da verdade? E quantas vezes a pretendemos prender? E com quantas grades a desejamos ocultar? E com quantas mãos a ameaçamos estrangular?

Não vale a pena. Desistamos. Em nenhum maciço de betão podemos esconder o que a nossa consciência sabe. Em nenhuma anedota, em nenhum boato, em nenhuma suposição, em nenhuma imparcialidade e em nenhum juiz e em nenhum desmentido nos jornais e em nenhum país. Nem de nós, nem dos outros.

Somos todos nós os verdadeiros culpados, são nossos os muros e as grades onde escondemos a verdade. E deles ninguém se evadiu, somos todos nós os verdadeiros evadidos.

EDUARDO WHITE 


Eduardo White sempre se impôs como um poeta impar desde os primórdios da sua infância literária. Poeta notável e respeitado pela sua invulgar criatividade no seio dos amantes da literatura moçambicana, dos PALOP e da CPLP, onde foi agraciado com vários prémios.

aqui

O meu lugar


Continuação de boa semana.

Abraços 

Olinda


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Poema de - aqui

Eduardo White - aqui, no Xaile de Seda