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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Simplicidade moldada


Imersa nos seus pensamentos que, ao mesmo tempo que lhe causavam
uma saudade enorme também a tornavam,
inexplicavelmente, feliz...






Da casa da vovó uma bela lembrança,

pelas manhãs um bom café o desjejum,

os ovos caipiras cozidos a dar sustança.

Cortes de galinha cobertos no urucum.¹


Lembro do menino na caça à ninhada,

naquele quintal das galinhas os cantos,

eram como um GPS contra derrocada,

difíceis ninhos escondidos pelos cantos.


Na cozinha um calor do fogão a lenha,

panelas pretas perfumavam a casinha.

Assava bolo de fubá vindo da azenha, ²

a farofa de ovos com a pura farinha.


Assim como pintinhos dos ovos nascem,

a vida lá na roça era belo aprendizado,

como quebrar cascas encontrar o além,

um menino pela simplicidade moldado.




Esta figura da Avó teria de constar desta "Quinzena do amor". E vi a oportunidade neste poema publicado há poucos dias pelo amigo Toninho. Identifico-me com muitas das memórias que ele traz e, assim, fui ao seu blogue buscar esta preciosidade. 




O Sítio da Vovó
Sandy e Junior






O blog: Mineirinho



Quinzena do Amor

Post 1-Só o amor; Post 2-Alastrar Paz e Amor; Post 3-Ouça as vozesPost 4-Estética da Vida; Post 5-Quando o Amor chora de sede; Post 6-Um gosto antigo de alfazema; Post 7-Como nos Prodígios; Post 8-Flora; Post 9-Passei na nossa rua; Post 10-O Amor na sua Plenitude; Post 11-Se eu tivesse coragem; Post 12-Poesia é Amor;Post 13-Sobram as mãos/Sóbran las manos; Post 14- Colhi-te; Post 15-Floresça; Post 16-Retrato em Luar; Post 17-Desilusão

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Imagem: Uma homenagem a todas as avós

1, 2 - notas do autor

Poema: resposta ao desafio da Chica:

Botando a cabeça parafuncionar é o desafio da Chica para uma imagem postada no seu blog chicabrincadepoesia, 

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Retrato em Luar


Aqui estão meus olhos nas flores,
meus braços ao longo dos ramos:
e, no vago rumor das fontes,
uma voz de amor que sonhamos.
Cecília Meireles






Descanso meus olhos ávidos

refrescados pelo orvalho

contido nas ramas das flores,

alado nas asas dos pássaros.


Alongo a delicadeza

destes prados em muitos verdes,

sorvo a brisa perfumada,

refaço-me em natureza.


Os instantes se confundem

nas cores que a tudo abrangem.

Deixo-me ficar muda,

falo a voz dos montes.


Aqui, onde murmúrios d'alma

se fazem ouvir mansamente,

crio claro relicário

nessa luz que me revela.




Momento de rara beleza neste poema que fala da comunhão com a natureza, no lugar "onde murmúrios d'alma se fazem ouvir mansamente..." 





Moonlight Sonata
Beethoven







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Imagem: pixabay
In: Dueto Poético: Cecília Meireles e Calu Barros

sábado, 15 de fevereiro de 2025

Floresça

Uma única flor pode transformar uma paisagem
Pode transformar uma atmosfera pesada
Pode trazer colorido e vida ao ambiente...





Onde Deus te plantar, floresça!

Entre as pedras das dificuldades,

em meio ao espinheiro da luta,

no terreno árido das incompreensões,

no alagadiço das deserções...

Não tema nem reclame,

não murmure ou lamente;

você está onde precisa estar.

Talvez não seja o canto da sua escolha,

recanto do seu querer;

mas com certeza,

é o local exato da sua precisão.

O sol,

em seu devido lugar;

não pergunta se é dia de chuva,

a hora nem a estação;

tão somente, brilha.

A lua alumia,

as estrelas cintilam,

as flores brotam nos campos,

os rios seguem seu curso sem questionar.

Deus planta e replanta,

cada qual no seu lugar.

E quando o fim não é findo,

é hora de infindar,

floresça! 

Borboleta, como disse Clarice: “É flor que voa.” Voe para lá do casulo, o tempo foi feito para você e não você para o tempo, breve ou delongado, viva o quinhão de eternidade contido em cada momento. Onde Deus te plantar, simplesmente, floresça.

Antônio Apon



Onde quer que estejamos poderemos plantar 
o amor e a solidariedade.




Oswaldo Montenegro
Lua e Flor



Do blog: aponarte


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

COLHI-TE

As rosas cor de rosa enchiam de cor as velhas roseiras,
 durante quase todo o ano.
Frequentemente vinhas do quintal e trazias uma rosa 
que me oferecias com um sorriso e 
tanto carinho no olhar e na voz.



Colhi-te

no berço da madrugada

e banhei-te

com as cores do sol nascente

Arredondei os braços nus e longos

e abracei-te

num sorriso seguro e terno

agora no calor do sol poente.

E apertei-te

no calor sereno do meu peito!

Sentei

a ternura no meu colo,

e desfez-se o teu cansaço

no silêncio do nosso abraço

E colhi

todas as flores do sol

para enfeitar o nosso amor.

Deitei-te

no horizonte

e repousei

o meu silêncio com as cores do fim do dia

Acordei para uma nova aurora que nascia

Sonhei-te em campos de cetim

Em sonhos de lua cheia

Tecidos com as flores que nasciam em mim

Manuela Barroso



Hoje Dia dos Namorados, este poema suave, romântico, 

vem mesmo a propósito para nos lembrar como o Amor é lindo. 

Colhendo uma flor, cantando, amando...



HMB ft. Carminho
O Amor é assim


Os blogues: manuela barroso


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In: Inquietudes, de Manuela Barroso

pg.63

Imagem: pixabay

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Sobram as mãos/Sóbran las manos


Somos um país de emigrantes e lamento que 

não saibamos respeitar aqueles que, por motivos vários, 

escolhem o nosso país para viverem.

Emília  






Sobram as mãos

e correm palavras de dor e de pranto,

exauridas, feridas, deitadas na rua,

em bocas de espanto.

Sem estrelas de afeto nem pétalas no chão,

são frios e tristes os lábios sem pão.


Acordam - desesperadas - as palavras

em vão de escada e escuros becos.

Sobram mãos estendidas,

manhãs geladas, crianças sem teto.


Que gritem os versos o silêncio e a fome

nas mãos estendidas de gente sem nome.

Que as palavras corram ardentes, selvagens

Que - a tempo - sejam seiva e raiz

e morem em mãos que não se conformem.


Que o amor seja país nas palavras que dizeis.

Está podre o olhar por dentro das leis.





Sóbran las manos

i cuórren palabras de delor i de pranto,

perdidas, fridas, deitadas na rue,

an bocas de spanto.

Sien streilhas de carino nien pétalas ne l suolo,

son frius i tristes ls lhábios sien pan.


Spértan, zesperadas, las palabras

an uocos de scaleira i scuros becos.

Sóbran manos stendidas,

manhanas geladas, ninos sien telhado.


Que griten ls bersos l siléncio i la fome

nas manos stendidas de giente sien nome.

Que las palabras cuorran ardientes, salbaiges

Que, a tiempo, séian sangre i raiç

i móren an manos que nun se cunfórmen.


Que l amor seia paíç nas palabras que dezis.

Stá podre l mirar por drento de las leis.


Teresa Almeida Subtil

Poema bilingue (Português e Mirandês)



António Marcos

Vamos dar as Mãos



O blog: O Perfume do Verso



Quinzena do Amor

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In: Rio de Infinitos/Riu D'Anfenitos

Pgs168 e 169

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Se eu tivesse Coragem


A Liberdade, a fraternidade, o amor, as três palavras, que são, afinal, os três castelos de areia que “em criança construí à beira -mar”.



Se eu tivesse coragem,

Havia de cantar

Para os homens que vivem algemados

Aos dias sem pão, nem futuro.


Se eu tivesse coragem,

Havia de cantar

Para os operários sem emprego,

Engolindo dia a dia

Os sonhos afogados no tempo

Dum mísero subsídio.


Se eu tivesse coragem,

Havia de cantar

Para os jovens, sem tempo nem idade

Perdidos

Nos tortuosos caminhos da droga.


Se eu tivesse coragem

Havia de cantar

As minhas fantasias de criança, 

A minha ansiedade de adulto,

A minha angústia de idoso,

A minha dor sem dor sentida.


Se eu tivesse coragem,

Havia de cantar

A minha fome de justiça

Os sonhos que não sonhei

A vida que não vivi

A cruz que sem fé carreguei.


Se eu tivesse coragem,

Havia de cantar

Contra aqueles que nos dão

Falsas ilusões

Em forma de

Promessas eleitorais

Em vez de pão

Habitação

Escolas e hospitais.


Ah!...Se eu tivesse coragem...

Elvira Carvalho



Amor fraterno, amor àqueles que sofrem,
amor e apelo à justiça na sociedade em que estamos inseridos 
e, quiçá, no âmbito mundial.



Zeca Afonso

O que faz falta!



Blog: Sexta-feira


Quinzena do Amor

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In: A Cor dos Poemas, de Elvira Carvalho

Pgs 34 e 35

Citação acima: Discurso de apresentação do Livro da Elvira em Rostos - António Sousa Pereira

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

O Amor na sua Plenitude


4ª Celebração de São Valentim

A SETA DO CUPIDO



PALAVRAS ALADAS
JANUÁRIO NUNES


****


O Amor na sua Plenitude




No silêncio das estrelas

um sussurro

na vastidão do universo

um laço

nos corações dos amantes

as emoções

duas almas que se entrelaçam

num abraço


E assim é o amor

um rio de cetim

deslizando suave

profundo, sem fim


É o sol que aquece

a lua que guia

é a chama eterna

que nunca esfria


Nos olhos do outro

um mundo a descobrir

nos braços do amado

uma planta a florir


É a dança das horas

o compasso do tempo

é o riso e a lágrima

o mais puro sentimento.


***

Este belo poema, do amigo Mário Margaride, traz tudo o 
que é preciso para a comemoração do 
Dia de S.Valentim, 
ou não fosse este o mês que faz dizer que o Amor:

É o sol que aquece
a lua que guia
é a chama eterna
que nunca esfria



Zezé di Camargo
É o Amor





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***


Ela é flor!

Com perfume de lavanda
Anda em tons de azul vestida
Encantando todo o mundo
Com a sua magia sem par!





A minha participação na comemoração dos 4 anos 

do blog Flor do Campo, da amiga

ROSÉLIA BEZERRA.




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2ª imagem: pixabay

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Passei na nossa rua


Mãe!
Que verdade linda
O nascer encerra:
Eu nasci de ti,
Como a flor da Terra!




Passei na nossa rua e entrei na velha casa.

Ainda não tinha voltado desde que partiste.

Chovia, chovia muito, dentro e fora de mim.

Um caudal imenso enchia o leito do rio

que, lá em baixo, refletia o teu olhar

nas lembranças, que deixaste gravadas

no mais íntimo do meu ser.

Tanto que eu gosto daquele rio!

Guarda todas as memórias de quantos

partiram e deixaram as reminiscências

do passado, sobre as névoas do rio.

Um passado, que guardo em silêncio

no meu coração, que só eu sei,

que só eu entendo, que só eu vivo,

que crepita em intimidade e saudade,

para sempre.

Emília Simões
     Ailime 



O maior amor do mundo: o Amor de Mãe, 
um misto de sacrifício e abnegação.
 



Fernando Daniel
Melodia da Saudade

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Imagem: pixabay

Texto (Para minha mãe)
Emília Simões -
Ailime 
25.01.2025

sábado, 8 de fevereiro de 2025

FLORA


A terra escondeu nas estranhas
as suas lágrimas de sangue
para que ninguém as pudesse ver
Jorge Sousa Braga 



Dias de cinza...

Espalham-se ao vento,

Alojam-se na seiva.


Rumor silencioso,

Tão breves sussurros...


Erguer-te-ás todavia!

Que a lonjura te acolhe,

Lá onde germina o dia.


Olharás o horizonte,

Perseguirás outra fonte

Ousarás o verão!


Vigorosos, os homens

Serão multidão...


Dias na brisa

Frementes florescem,

E da ruína,

Da secreta esperança,

Brotará tua sina.


Não cisnes agora

Que Flora se esconde

Nos ares tristes,

Na cinza infesta,

Nos braços nus

De uma floresta!

Não tombes

Não caias, 

Não tombes,

Vai,

Voa,

O vento atroa,

Não saias,

Não zombes,

Vai, 

Voa,

O tempo é sério,

o grito etéreo,

Não tombes,

Vai,

Voa,

Não caias!

Ana Tapadas


***


O lamento da natureza neste lindo poema.
O nosso amor pelo meio ambiente deve ser forte e interventivo.
Tomara que todos nós tomemos consciência dessa realidade.



Sara Tavares

Voá Borboleta



O blog: Raraavisinterris


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In: Sul Sereno, de Ana Tapadas

Pgs.65 e 66

Citação- in: O poeta nu - Poemário Assírio e Alvim,2012