Crepúsculo dourado. Frases calmas. Gestos vagarosos. Música suave. Pensamento arguto. Subtis sorrisos. Paisagens deslizando na distância. Éramos livres. Falávamos, sabíamos, e amávamos serena e docemente.
Uma angústia delida, melancólica, sobre ela sonhareis.
E as tempestades, as desordens, gritos, violência, escárnio, confusão odienta, primaveras morrendo ignoradas nas encostas vizinhas, as prisões, as mortes, o amor vendido, as lágrimas e as lutas, o desespero da vida que nos roubam - apenas uma angústia melancólica, sobre a qual sonhareis a idade de oiro.
E, em segredo, saudosos, enlevados, falareis de nós - de nós! - como de um sonho.
Jorge Cândido de Sena(1919-1978) foi poeta, crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário português, naturalizado brasileiro em 1963.
Foi um dos mais influentes intelectuais portugueses do século XX, com vasta obra de ficção, drama, ensaio e poesia, além de importante epistolografia com figuras tutelares da literatura portuguesa e brasileira. A sua obra de ficção mais famosa é o romance autobiográfico Sinais de Fogo, adaptado ao cinema em 1995 por Luís Filipe Rocha. Grande parte da sua obra foi publicada postumamente pelos cuidados da viúva, Mécia de Sena.
Desejo-vos uma Páscoa Feliz com a família e que o desejo de renovação nos bafeje a todos.
Um poema de Teixeira de Pascoaes para festejarmos este dia:
Minha aldeia na Páscoa… Infância, mês de Abril! Manhã primaveril! A velha igreja. Entre as árvores alveja, Alegre e rumorosa De povo, luzes, flores… E, na penumbra dos altares cor-de-rosa . Rasgados pelo sol os negros véus. Parece até sorrir a Virgem-Mãe das Dores. Ressurreição de Deus! (…) Em pleno azul, erguida Entre a verde folhagem das uveiras. Rebrilha a cruz de prata florescida… Na igreja antiga a rir seu branco riso de cal. Ébrias de cor, tremulam as bandeiras… Vede! Jesus lá vai, ao sol de Portugal! Ei-lo que entra contente nos casais; E, com amor, visita as rústicas choupanas. É ele, esse que trouxe aos míseros mortais As grandes alegrias sobre-humanas. Lá vai, lá vai, por íngremes caminhos! Linda manhã, canções de passarinhos! A campainha toca: Aleluia! Aleluia! (…) Velhos trabalhadores, por quem sofreu Jesus. E mães, acalentando os filhos no regaço. Esperam o COMPASSO… E, ajoelhando com séria devoção. Beijam os pés da Cruz.
Teixeira de Pascoaes, pseudónimo literário de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos (1877 -1952), foi um poeta, escritor e filósofoportuguês e um dos principais representantes do saudosismo.
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Contudo, dá-me parecenças com José Régio (1901-1969), com o seu "Cântico Negro":
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces Estendendo-me os braços, e seguros De que seria bom que eu os ouvisse Quando me dizem: "vem por aqui!" Eu olho-os com olhos lassos, (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) E cruzo os braços, E nunca vou por ali...
Ambos rebeldes na sua forma de escrever e de ver o mundo.
Fernando Pessoa tinha uma vida interior rica e complexa, como o demonstram os seus vários heterónimos.
Abraços e boa semana, amigos.
Olinda
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1923
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
José Luís Marques Peixoto ( 04/09/1974) é um escritor, dramaturgo e poeta português,
cuja primeira obra foi publicada em 2000. Com apenas 27 anos, José Luís Peixoto foi o mais jovem vencedor de sempre do Prémio Literário José Saramago. Desde esse reconhecimento, a sua obra tem recebido amplo destaque nacional e internacional. Os seus livros estão traduzidos e publicados em 26 idiomas. Foi o primeiro autor de língua portuguesa a ser traduzido e publicado na Arménia (Morreste-me, 2019), na Geórgia (Galveias, 2017) e na Mongólia (A Mãe que Chovia, 2016).aqui
uma coreografia de autor em que se reconhece o caminho já andado, mas onde a montanha se faz vale, ou seja, acolhe-se num múltiplo eu em busca do outro.
o que em Manuel Veiga é um destino sem cenários vagos.
A tua cabeleira é já grisalha ou mesmo branca? Para mim é toda loira e circundada de estrelas. Sobre ela o tempo não poisou o inverno dos anos que se escoam maldosos insinuando rugas, fios brancos...
Ao teu corpo colou-se o vestido de seda, como segunda pele; entre os seios pequenos viceja perene um raminho de cravos...
Pétalas esguias emolduram-te os dedos... E revoadas de aves traçam ao teu redor volutas de primavera.
Júlio Maria dos Reis Pereira, ou Julio como artista plástico e Saúl Dias como poeta (1902 -1983), foi um pintor, ilustrador e poetaportuguês. Pertence à segunda geração de pintores modernistas portugueses e foi autor de uma obra multifacetada que se divide entre as artes plásticas e a escrita, tendo sido um dos mais importantes colaboradores da revista Presença. aqui
Era irmão de José Reis, o homem do "Cântico Negro", poema extraído da obra "Poemas de Deus e do Diabo".
Por intermédio de Reis, o cineasta Manoel de Oliveira interessou-se pela obra plástica de Júlio, produzindo um documentário intitulado "As Pinturas do meu irmão Júlio", lançado em 1965.
Boa quinta-feira, amigos.
Olinda
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Poema - Citador
Imagem - pixabay
Ver Saúl Dias aqui, no Xaile de Seda
Veja esta análise -PINTURA MOVENTE: AS PINTURAS DO MEU IRMÃO JÚLIO
(a pretexto de uma mulher de Portinari que lembra Picasso (ou Antonello?)
Meus versos já têm o seu detractor sistemático: uma misoginia desocupada entretém os ócios compridos, meticulosamente debruçada sobre a letra indecisa de meus versos. Em vigília atenta cruza o périplo das noites de olhos perdidos na brancura manchada do papel, progredindo com infalível pontaria na pista das palavras e seus modelos.
Aqui se detecta Manuel Bandeira e além Carlos Drummond de Andrade também brasileiro. Esta palavra vida foi roubada a Manuel da Fonseca (ou foi o russo Vladimir Maiacovsky quem a gritou primeiro?). Esta, cardo, é Torga indubitável, e se Deus Omnipresente se pressente, num verso só que seja, é um Deus em segunda trindade, colhido no Régio dos anos trinta. Se me permito uma blague, provável é que a tenha decalcado em O’Neill (Alexandre), ou até num Brecht mais longínquo. Aquele repicar de sinos pelo Natal é de novo Bandeira (Porque não Augusto Gil, António Nobre, João de Deus?). Estão-me interditas,
com certos ritmos, certas palavras. Assim,
não devo dizer flor nem fruto, tão-pouco utilizar este ou aquele nome próprio, e ainda certas formas da linguagem comum, desde o adeus português (surrealista) ao obrigatório bom-dia! (neo-realista). Escrevendo-o quantos poetas, sem o saber, mo interditavam apenas a mim; a mim, perplexo e interrogativo, perguntando-me, desolado: — E agora, José?, isto é, — E agora, Rui?
Felizmente, é pouco lido o detractor de meus versos, senão saberia que também furto em Vinícius, Eliot, Robert Lowell, Wilfred Owen e Dylan Thomas. No grego Kavafi, no chinês Po-Chu-I, no turco Pir Sultan Abdal, no alemão Gunter Eich, no russo André Vozenesensky e numa boa mancheia de franceses. Que desde a Pedra Filosofal arrecado em Jorge de Sena. Que subtraio de Alberto de Lacerda e pilho em Herberto Hélder e que — quando lá chego e sempre que posso — furto ao velho Camões. Que, em suma, roubando aos ricos para dar a este pobre, sou o Robin Hood dos Parnasos e das Pasárgadas.
Mas bastando-lhe o pouco que sabe de meus delitos, e sem esse tanto que ignora, o detractor de meus versos. relata circunstanciadamente e com detalhes perversos, a feia história de meus feios actos. A distracção de grupos sonolentos acorda enfim para o timbre esquisito do meu nome (Na sombra envenenada se entretece o primeiro braçado dos louros que hão-de cingir-me a fronte…). Por isso não quero mal ao detractor de meus versos. Antes lhe quero bem. Pela teimosa persistência do seu trabalho vigilante é afinal um detractor amoroso, o sistemático detractor de meus versos.
Rui Manuel Correia Knopfli (Inhambane, Moçambique, 10 de agosto de 1932 - Lisboa, 25 de dezembro de 1997), foi um poeta, diplomata e crítico literário e de cinema português.
Nasceu em Matela, concelho de Vimioso, Trás-os-Montes. É licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa. Exerceu advocacia alguns anos no início de carreira, que depois prosseguiu como consultor Jurídico em Municípios da Área Metropolitana de Lisboa e, mais tarde, como Inspetor Superior da Inspeção Geral da Educação, onde desempenhou funções no respetivo Gabinete Jurídico.
Dia dos Namorados ou Valentine's Day como já é conhecido, seguindo a aculturação anglo-saxónica.
E este é o mote que dá valor a esta maratona anual, de 15 dias, pelo que amanhã ainda diremos algumas palavras para encerrar esta torrente...por agora.
Agradeço aos leitores que aqui vieram, ajudando assim a manter viva esta espécie de tradição do "Xaile de Seda".
António Vítor Ramos Rosa (1924-2013), foi um poeta, tradutor e desenhistaportuguês.
A 10 de Junho de 1992 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a 9 de Junho de 1997 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2003, a Universidade do Algarve, atribui-lhe o grau de DoutorHonoris Causa.aqui
Poema enviado por uma irmã minha. Obrigada, mana :)
Manuel António Pina (1943-2012) foi um jornalista e escritor português, premiado em 2011 com o Prémio Camões. A obra de Manuel António Pina incidiu principalmente na poesia e na literatura infanto-juvenil embora tenha escrito também diversas peças de teatro e de obras de ficção e crónica. Algumas dessas obras foram adaptadas ao cinema e televisão e editadas em disco. aqui
Poema enviado pela minha amiga Joana. Muito obrigada :)
Poema : citador
Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões (1924-1986) foi um importante poeta do movimento surrealista português. Era descendente de irlandeses. Tem uma biblioteca com o seu nome em Constância...
As influências surrealistas permanecem visíveis nas obras dele, que além dos livros de poesia incluem prosa, discos de poesia, traduções e antologias. Não conseguindo viver apenas da sua arte, o autor alargou a sua acção à publicidade. aqui