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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Dá-me a tua mão




Dá-me a tua mão.

Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
— para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.

Dá-me a tua mão, companheira,
até o Abismo da Ternura Derradeira.

José Gomes Ferreira
 

9 Jun 1900 // 8 Fev 1985


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Poema trazido do Citador
Imagem: Pixabey

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

As grandes descobertas


(Nunca usei um relógio. O tempo nunca coube num relógio)

As grandes descobertas
surgem
com a naturalidade de continuarem incertas
— ilhas sólidas no nevoeiro

Por exemplo:
o tempo sou eu.
Apenas eu.
Uma espécie de relógio
com pele.
pés doridos do gelo.
a mão que empurrou a porta.
acendeu a luz eléctrica.
lançou lenha na fornalha
—  e agora aqui estou estendido no divã
à espera de quê?


Dos passos que nunca ouvi
instantes de outro tempo
sem manhã
nas cinzas do relógio em ti
.

José Gomes Ferreira
     1900-1985

Poeta e ficcionista. 
Conhecido como "poeta militante".
Ver mais aqui

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In:Banco de Poesia Fernando Pessoa

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Fraternidade - José Gomes Ferreira


(Acabou o tempo da Revolução dos Poetas. 

Não me digam que vamos construir uma 
República de Medíocres — sem o tamanho 
grandioso que deveria ter. M...!)





Fraternidade
de débeis sentimentos inexactos,
cada qual com a sua verdade,
que só a imaginamos
para destruir
o sonho injusto dos factos.


Mas não me digam que vai continuar a desistência,
este eterno sempre da repetição da mesma coisa,
este terror medíocre de sentirmos debaixo dos pés
a impossível Ponte
que nunca poisa
nem poisará
em nenhum horizonte.

   1900-1985



Poema e imagem-
Banco de Poesia Casa Fernando Pessoa