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quarta-feira, 1 de maio de 2024

Dia do Trabalhador

É a primeira vez que assinalo, aqui, o 1º de Maio. Nestes 50 anos da Revolução achei por bem mencioná-lo. Foi graças a esse acontecimento, que nos trouxe a liberdade de expressão e de estar, que se tem podido festejar o Dia do Trabalhador, como é designado.

Hoje há que festejar o Dia e relembrar uma vez mais o país que tínhamos. E nada melhor do que Ary dos Santos, com a sua verve poética e declamação inspiradora para nos transmitir todos os detalhes.


Era uma vez um País
....onde entre o mar e a guerra,
 vivia o mais infeliz 
dos povos à beira-terra...



Ary dos Santos 
As Portas que Abril Abriu

***



***

E Graça Pires, neste belo poema, fala na mudança operada nas gentes depois da Revolução de Abril de 1974:


O país não parecia o mesmo,

Antes tinha um povo tristonho,

cabisbaixo, desacertado com a esperança.

Agora dava gosto ver e ouvir as pessoas,

mais leves, mais jovens, com braçadas

de flores a intuir alegrias futuras.

Não havia mágoas neste dia prodigioso

em que tudo era novo outra vez.

Alta noite iriam todos para casa

porque a febre dos corpos lhes apetecia.

in: Era madrugada em Lisboa
pg 31


***

Fernando Tordo


-Adeus Tristeza-


***



Esta data tem origem na primeira manifestação de 500 mil trabalhadores nas ruas de Chicago, e numa greve geral em todos os Estados Unidos, em 1886.

Três anos depois, em 1891, o Congresso Operário Internacional convocou, em França, uma manifestação anual, em homenagem às lutas sindicais de Chicago. A primeira acabou com 10 mortos, em consequência da intervenção policial.

Foram os factos históricos que transformaram o 1 de maio no Dia do Trabalhador. Até 1886, os trabalhadores jamais pensaram exigir os seus direitos, apenas trabalhavam.  (
Veja mais aqui)


***



Os meus agradecimentos a todos quantos me acompanharam durante o último mês, em que se versou, aqui, sobre a Liberdade.

Abraços

Olinda 

***

Querida Olinda,

Fica-me um sorriso nos lábios
Nem sei se sobe ou desce
Digo que me inunda
Somos povo liberto e libertário
Cravos rubros e abertos
Como abraços fraternos
E quando a inquietação nos dominar
Lembremos que somos "filhos da madrugada"
Felizes por vivermos uma revolução
Perfumada de sentimentos de união
E acreditarmos que viver é lutar
Por um poema maior
Feito de vida, sangue e lágrimas
Lágrimas que vertem a comoção
De dignificar o mundo do trabalho
E honrar o campo, a enxada, o arado
A caneta, o papel e o livro
Saído das mãos do trabalhador.

Um abraço imenso.

***

Querida Teresa

Emocionada com o seu gesto tão lindo.
Um poema que nos toca o coração.
Uma homenagem ao 25 de Abril e ao
Dia do Trabalhador. 
Uma surpresa muito muito agradável. 
:)
Beijinhos
Olinda


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José Carlos Pereira Ary dos Santos
(Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 7 de Dezembro de 1937– Lisboa, Santiago, 18 de Janeiro de 1984) foi um poeta e declamador português.

Graça Pires - Do seu Livro mais recente:
 "Era madrugada em Lisboa - Louvor a um dia com tantos dias dentro"


sábado, 11 de dezembro de 2021

"XII Interação Fraterna de Natal"

Dias de Natal

Natal. E, só pelo facto de o ser, o mundo parece outro. Auroreal e mágico. O homem necessita cada vez mais destas datas sagradas. Para reencontrar a santidade da vida, deixar vir à tona impulsos religiosos profundos, comer e beber ritualmente, dar e receber presentes, sentir que tem família e amigos, e se ver transfigurado nas ruas por onde habitualmente caminha rasteiro. São dias em que estamos em graça, contentes de corpo e lavados de alma, ricos de todos os dons que podem advir de uma comunhão íntima e simultânea com as forças benéficas da terra e do céu. Dons capazes de fazer nascer num estábulo, miraculosamente, sem pai carnal, um Deus de amor e perdão, contra os mais pertinentes argumentos da razão.



A amiga Rosélia, no intuito de congregar amigos e seguidores, propõe-nos esta festa de confraternização, agora numa conversa íntima com o Deus-Menino. Para dar graças, para enviarmos preces no sentido de encontrarmos o nosso caminho de solidariedade e amor.

Com efeito, mais um ano se passou e aqui estamos a festejar esta época natalícia. Muitas foram as dificuldades em termos de saúde. Entes queridos que não aguentaram as investidas do temível vírus. E outras contingências da vida.

Normalmente, a Festa de Natal culmina na Consoada, uma festa que reúne toda a família e amigos íntimos. A grande incógnita neste ano, mais uma vez, é se conseguiremos realizar essa reunião tão desejada. 

Haja saúde!




Mas tenhamos sempre presente que:

O Natal não é um tempo nem uma temporada, mas um estado de espírito. Valorizar a paz e a boa vontade, ser abundantemente misericordioso, é ter o verdadeiro espírito do Natal.
Calvin Coolidge


Os meus agradecimentos à Rosélia Bezerra por nos mostrar todos os dias que Natal é em Dezembro// mas em Maio pode ser//Natal é em Setembro //é quando um homem quiser, nas palavras do grande Ary dos Santos.




BOM NATAL A TODOS

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No seu blogue, Espiritual- Idade, ROSÉLIA BEZERRA dedica uma palavra amiga e especial a cada um dos participantes.

BEM HAJA!


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Texto em itálico, Dias de Natal:
Miguel Torga, in 'Diário (1985)'


 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Estrela da tarde




Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria.
Quando à boca da noite surgiste na tarde qual rosa tardia
Quando nós nos olhámos, tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos, unidos, ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia. 

       Meu amor, meu amor
       Minha estrela da tarde
       Que o luar te amanheça
       E o meu corpo te guarde.
       Meu amor, meu amor
       Eu não tenho a certeza
       Se tu és a alegria
       Ou se és a tristeza.
       Meu amor, meu amor
       Eu não tenho a certeza! 



Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram.
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite se deram
E entre os braços da noite, de tanto se amarem, vivendo morreram. 

       Meu amor, meu amor
       Minha estrela da tarde
       Que o luar te amanheça
       E o meu corpo te guarde.
        (...)

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso se é pranto
É por ti que adormeço e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

José Carlos Pereira Ary dos Santos
            (1937-1984)


Ary dos Santos e Carlos do Carmo. Perfeito! Um poema de amor intenso e interpretado também intensamente. E Fernando Tordo? A sua música acompanha as palavras de forma envolvente.  

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Poema: do Citador
Imagem: Pixabey
Video: Youtube  

domingo, 20 de dezembro de 2015

Caros leitores, por onde andais? Alguns de vós...

Comunico-vos que ontem perdi 13 seguidores e hoje mais um, totalizando, portanto, 14 seguidores. Deduzo que seja uma partida do blogger, dada a rapidez com que a coisa se tem feito e, também, porque há um outro blogue que ontem também se queixou do mesmo. Penso que esta sangria não ficará por aqui. Poderá acontecer que, com estas eliminações, não me cheguem aqui ao Xaile as vossas actualizações. Mas, não há-de ser nada...




E porque estamos na época natalícia ofereço-vos estas palavras de dois grandes poetas, que temos a honra de conhecer:

Chove. É dia de Natal

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.


Fernando Pessoa





Último Poema

É Natal, nunca estive tão só.
Nem sequer neva como nos versos
do Pessoa ou nos bosques
da Nova Inglaterra.


Deixo os olhos correr
entre o fulgor dos cravos
e os dióspiros ardendo na sombra.


Quem assim tem o verão
dentro de casa
não devia queixar-se de estar só,
não devia.


Eugénio de Andrade

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Pois, é verdade. Não neva nem é Natal, mas como disse outro grande poeta, Ary dos Santos, Natal é quando um homem quiser. Pode ser hoje, qualquer dia, todo o ano.


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Imagens:Internet