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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Sobram as mãos/Sóbran las manos


Somos um país de emigrantes e lamento que 

não saibamos respeitar aqueles que, por motivos vários, 

escolhem o nosso país para viverem.

Emília  






Sobram as mãos

e correm palavras de dor e de pranto,

exauridas, feridas, deitadas na rua,

em bocas de espanto.

Sem estrelas de afeto nem pétalas no chão,

são frios e tristes os lábios sem pão.


Acordam - desesperadas - as palavras

em vão de escada e escuros becos.

Sobram mãos estendidas,

manhãs geladas, crianças sem teto.


Que gritem os versos o silêncio e a fome

nas mãos estendidas de gente sem nome.

Que as palavras corram ardentes, selvagens

Que - a tempo - sejam seiva e raiz

e morem em mãos que não se conformem.


Que o amor seja país nas palavras que dizeis.

Está podre o olhar por dentro das leis.





Sóbran las manos

i cuórren palabras de delor i de pranto,

perdidas, fridas, deitadas na rue,

an bocas de spanto.

Sien streilhas de carino nien pétalas ne l suolo,

son frius i tristes ls lhábios sien pan.


Spértan, zesperadas, las palabras

an uocos de scaleira i scuros becos.

Sóbran manos stendidas,

manhanas geladas, ninos sien telhado.


Que griten ls bersos l siléncio i la fome

nas manos stendidas de giente sien nome.

Que las palabras cuorran ardientes, salbaiges

Que, a tiempo, séian sangre i raiç

i móren an manos que nun se cunfórmen.


Que l amor seia paíç nas palabras que dezis.

Stá podre l mirar por drento de las leis.


Teresa Almeida Subtil

Poema bilingue (Português e Mirandês)



António Marcos

Vamos dar as Mãos



O blog: O Perfume do Verso



Quinzena do Amor

Post 1-Só o amor; Post 2-Alastrar Paz e Amor; Post 3-Ouça as vozesPost 4-Estética da Vida; Post 5-Quando o Amor chora de sede; Post 6-Um gosto antigo de alfazema; Post 7-Como nos Prodígios; Post 8-Flora; Post 9-Passei na nossa rua; Post 10-O Amor na sua Plenitude; Post 11-Se eu tivesse coragem; Post 12-Poesia é Amor


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In: Rio de Infinitos/Riu D'Anfenitos

Pgs168 e 169

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Teias de afeto/Telas de carino





...de repente
o olhar fica cativo
da liberdade do sol a romper o ventre dos dias
e da ternura a florir nas tuas mãos


*


...nun zás
l mirar queda cautibo
de la lhiberdade de l sol a rumper de las antranhas de ls dies
i de la ternura a florir nas tues manos



Poema bilingue
In: Rio de Infinitos
Riu d'Anfenitos
Pgs 70/71


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Blog da Autora:



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Meus amigos estarei ausente por uns dias.

Abraços
Olinda




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Imagem: net


terça-feira, 22 de março de 2022

Uma lágrima no olhar / Ua lhágrima ne l mirar


Ceifaram dos teus versos o riso
e o alvoroço de searas maduras ondulantes.
No teu poema corre 
uma lágrima
e no sorriso um esgar de tristeza.
O teu olhar não se engana. Dói num amor, quase sem saída.
Caminhos incertos, sentimentos confusos, perdida,
como quem viaja na sombra
à procura de um apetecível cheirinho a café,
perfumado com a nata do afecto.
Mas não esperas na paragem.
Não ceifaram o mar de poesia
que derramas em lágrimas no teu planalto,
como gaivota que voa ferida e cruza o céu a agarrar a vida.




Segórun de ls tous bersos la risa
i l alboroto de senaras maduras ondiantes.
Ne l tou poema cuorre ua lhágrima
i na risa un cachico de tristeza.
L tou mirar nun se anganha. Duol nun amor, quaije sien salida.
Caminos anciertos, sentimientos cunfusos, perdida,
cumo quien biaija na selombra
a saber dun gustoso cheirico a café
prefumado cula nata de l agarimo.
Mas nun speras na paraige.
Nun segórun l mar de poesie
q'arramas an lhágrimas ne l tou praino,
cumo gaibota que bola ferida i cruza l cielo a agarrar la bida.


Teresa Almeida Subtil

in:
Rio de Infinitos/Riu D'Anfenitos
pgs 134/135


...esta obra ganha ainda um valor redobrado porque sendo a autora uma apaixonada pela língua mirandesa, que aprendeu, sem a ter mamado no leite materno, aparece traduzida, em mirandês, pelo próprio punho. dando um grande exemplo de que querer é poder e de divulgação daquela que é a segunda língua oficial de Portugal. ... pg. 7, in prefácio de Domingos Raposo.





Galandum Galundaina -
fraile cornudo . nós tenemos muitos nabos .
siga a malta . burgalesa


Galandum Galundaina (Miranda do Douro, 1996) é um grupo de música tradicional mirandesa criado com o objectivo de recolher, investigar e divulgar o património musical, as danças e o Mirandês, a língua falada em Miranda. Os instrumentos usados, réplicas de outros muito antigos, que mantêm o aspecto e sonoridade dos mesmos, são gaitas de fole mirandesas, flauta pastoril, sanfona, caixa de guerra, conchas de Santiago, castanholas, pandeireta, etc.. aqui

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Imagem: net