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quinta-feira, 4 de março de 2021

Luz di prata

 

B.Léza

Intérprete - Titina

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Um raio di lua, entrâ divagarinho Na quarto di nha cretchêu Na sê rostinho, el poisâ tudo mansinho Feliz el dâ'l beijo tchêu Essa luz di prata Spalhâ sereno Na rosto moreno Di nha mulata Lua sorrî pá mô nha cretchêu Sima um anjo di céu El ficâ ta dormi Dja'm sintî ciúme di lua, dja'm sinti Cond el beijâ nha Oriuntina Oriuntina di meu, só di meu Feliz el dâ'l beijo tchêu!

(Oriuntina/B.Léza)


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Nota: Leia mais sobre B.Léza, aqui, no Xaile de Seda

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Eu queria ser Poeta



Para fazer um mar de Poesia

E comparar tua beleza 

com a natureza

Nem mar nem lua cheia

nem sol brilhante 

nem noite serena

se comparam 

à formosura 

do teu corpo
...


Paulino Vieira diz-nos isto, e muito mais, 
nesta linda Morna. 
Desejo-vos um ANO NOVO,
pleno de esperança.



BOM ANO DE 2021

Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen


Meus amigos, como vêem, os que já aqui estiveram, acrescentei um belo Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, autora que todos nós admiramos.

Muito grata pela companhia e belos comentários, aqui, no Xaile de Seda.

Abraços.


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Imagem: daqui

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Força de Cretcheu







Ca tem nada na es bida
Mas grande que amor
Se Deus ca tem midida
Amor inda é maior.
Maior que mar, que céu
Mas, entre tudo cretcheu
De meu inda é maior

Cretcheu más sabe,
É quel que é di meu
Ele é que é tchabe
Que abrim nha céu.
Cretcheu más sabe
É quel qui crem
Ai sim perdel
Morte dja bem

Ó força de cretcheu,
Que abrim nha asa em flôr
Dixam bá alcança céu
Pa'n bá odja Nôs Senhor
Pa'n bá pedil semente
De amor cuma ês di meu
Pa'n bem dá tudo djente
Pa tudo bá conché céu

1861-1930

Nasceu na Brava (Cabo Verde). Autodidacta, funcionário publico, jornalista e polemista. Dramaturgo, ficcionista e poeta. Paradigma da crioulidade, autor de inúmeras mornas.


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glossário
cretcheu - amor (crê - querer; tcheu - muito)
cretcheu más sabe - o melhor amor, o mais saboroso
ca tem - não há, não tem
bida - vida
tchabe - chave
é quel qui crem - é aquele que me quer
abrim  - abriu-me
Pa'n bá - para eu ir
odjá - ver
cuma - como (o)
djente - gente
Ai sim perdel - Ai se o perder
conchê - conhecer

Letra - morna - Instituto Camões
Video Youtube

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Mar ê morada di sodadi


Para um ilhéu o Mar tinha duas funções: por um lado ligava as terras e as pessoas, por outro separava-as. Então, entre o ir e voltar a saudade se instalava. Houve tempo em que o elo entre os povos residia no Mar. Através dele as gentes se descobriam e transportavam as riquezas e os sonhos. Presentemente, a tónica torna a colocar-se nessa poderosa área líquida do nosso planeta. Com a poluição atentamos contra a vida de outros seres vivos. O lixo que produzimos afecta o nosso bem-estar e, com o nosso descaso, também mata os habitantes marinhos. Adoptar outros comportamentos de consumo é preciso. Talvez não seja tarde, ainda.  



BANA - o bom gigante.

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Passei o dia ouvindo o que o mar dizia

Eu hontem passei o dia 
Ouvindo o que o mar dizia. 

Chorámos, rimos, cantámos. 

Fallou-me do seu destino, 
Do seu fado... 

Depois, para se alegrar, 
Ergueu-se, e bailando, e rindo, 
Poz-se a cantar 
Um canto molhádo e lindo. 

O seu halito perfuma, 
E o seu perfume faz mal! 

Deserto de aguas sem fim. 

Ó sepultura da minha raça 
Quando me guardas a mim?... 

Elle afastou-se calado; 
Eu afastei-me mais triste, 
Mais doente, mais cansado...

Ao longe o Sol na agonia 
De rôxo as aguas tingia. 

«Voz do mar, mysteriosa; 
Voz do amôr e da verdade! 
- Ó voz moribunda e dôce 
Da minha grande Saudade! 
Voz amarga de quem fica, 
Trémula voz de quem parte...» 
. . . . . . . . . . . . . . . . 

E os poetas a cantar 
São echos da voz do mar! 

 in 'Canções' 

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Video : Youtube
Poema: Citador