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domingo, 4 de fevereiro de 2024

Dize-me, amor, como te sou querida





Dize-me, amor, como te sou querida,
Conta-me a glória do teu sonho eleito,
Aninha-me a sorrir junto ao teu peito,
Arranca-me dos pântanos da vida.

Embriagada numa estranha lida,
Trago nas mãos o coração desfeito,
Mostra-me a luz, ensina-me o preceito
Que me salve e levante redimida!

Nesta negra cisterna em que me afundo,
Sem quimeras, sem crenças, sem turnura,
Agonia sem fé dum moribundo,

Grito o teu nome numa sede estranha,
Como se fosse, amor, toda a frescura
Das cristalinas águas da montanha!


in "A Mensageira das Violetas"


***



Aninha-me a sorrir junto ao teu peito. 
Arranca-me dos pântanos da vida.




MARIZA


Desejos Vãos
Florbela Espanca




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Citador - Poema

Florbela Espanca (1894-1930), batizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se autonomear Florbela d'Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida, de apenas 36 anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos, que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo. daqui

domingo, 17 de janeiro de 2021

Falo de ti às pedras das estradas




Falo de ti às pedras das estradas,
E ao sol que é louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;

Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;

Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço!

Florbela Espanca, 

in 
"A Mensageira das Violetas"



Florbela Espanca (1894 -1930), batizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se autonomear Florbela d'Alma da Conceição Espanca, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida, de apenas 36 anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos, que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotizaçãofeminilidade e panteísmo. Há uma biblioteca com o seu nome em Matosinhos. mais aqui

Magnífica Florbela Espanca!
 Poetisa maior, incompreendida no seu tempo. Os seus versos são para ler e reler prestando-lhe o reconhecimento que bem merece.

E por cá, agui e agora, ontem e hoje dias de Sol radioso que convida a passeios à beira-mar, à beira-rio, pelos jardins, pelos parques, passear o cãozinho (mesmo não tendo arranja-se um à pressa), tudo sem máscara. Máscara para quê? Tem-se de respirar esse ar que parece dizer "respira-me", de apanhar essa aragem fresca no rosto, correr de cabelos ao vento... porque o vírus é para os outros. Só acontece ao vizinho, àqueles que estão longe, noutras cidades, noutros países.

E também hoje, a votação antecipada em mobilidade para a eleição do próximo Presidente da República. Poderia estar já em carteira a votação electrónica para todos, isso meus senhores é que seria de grande utilidade, mormente com a pandemia que grassa por todo o lado, então nos lares e ambientes fechados nem se fala. Temos um Ministério da Economia e Transição Digital, não sei se isso faz parte das suas competências mas soa-me bem a propósito, a mim que sou leiga na matéria.

Bom domingo.

Abraços.    



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Poema: citador aqui

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Ser poeta


Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior 
Do que os homens! Morder como quem beija! 
É ser mendigo e dar como quem seja 
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! 


É ter de mil desejos o esplendor 
E não saber sequer que se deseja! 
É ter cá dentro um astro que flameja, 
É ter garras e asas de condor! 

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito! 

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda gente! 
in "Charneca em Flor" 

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Poema: Citador

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Falo de ti às pedras das estradas





Falo de ti às pedras das estradas, 
E ao sol que é louro como o teu olhar, 
Falo ao rio, que desdobra a faiscar, 
Vestidos de princesas e de fadas; 

Falo às gaivotas de asas desdobradas, 
Lembrando lenços brancos a acenar, 
E aos mastros que apunhalam o luar 
Na solidão das noites consteladas; 

Digo os anseios, os sonhos, os desejos 
Donde a tua alma, tonta de vitória, 
Levanta ao céu a torre dos meus beijos! 

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço, 
Sobre os brocados fúlgidos da glória, 
São astros que me tombam do regaço! 

Florbela Espanca,
in "A Mensageira das Violetas"

Poema:Citador