Zeca Afonso quase que nos inspirava neste apelo, tornando-se numa espécie de mote nesta "Quinzena do Amor", de dezasseis dias. E mais um dia, o de hoje, já que é mister encerrá-la com algumas palavras.
Durante estes dias assistimos ao desfile de participantes primorosos que quiseram honrar esta iniciativa anual do "Xaile de Seda". Foi um esbanjamento de amor e se há coisa em que podemos e devemos esbanjar é no Amor. Nada de poupanças. Nada de avarezas. E foi isso que aconteceu.
Começámos por abordar o amor na sua vertente universal, doando o nosso tudo, e não menos que isso, seguido de alguns pensamentos profundos sobre este sentimento que movimenta ou deveria movimentar o mundo.
Pensando em organizar os temas, embarcámos no amor lírico em areais longínquos, depois veio um apelo irresistível, meu amor, e o desejo de fugir à solidão. A partir daí ficámos envolvidos na dedicatória, para ti, para nos perdermos irremediavelmente nessa coisa linda, ou muito me engano ou és invenção minha.
Com o amor à solta por aqui, tomando conta de todo o ambiente, vem um amor grande, a desconfigurar regras, e as certezas que a nossa alma gémea pode conferir às nossas vidas.
E surge-nos um poeta-jardineiro maravilhado, que vê as desejadas e apaixonadas palavras transformadas em perfumadas flores para a amada, e preciosas pérolas emergem de uma vida vivida plena de amor e compreensão.
Mas ainda há mais...
As recordações marcam o seu lugar, no amor vivido, e vão buscar esta saudosa pergunta, lembras-te?. E que dizer de um barco que parte e não parte, com o amado a velejar, e a musa a regressar de conluio com uma simpática onda e o vento sul? Situação de rara beleza...
E chegámos ao amor esperançoso, paciente, numa espera amorosa, de janela entreaberta... E já não é possivel conter essa explosão de luz, esse candelabro de estrelas, que vem das profundezas da mitologia e das metáforas.
E isto conduz-nos a um toque de realidade. O amor é lindo, todos concordamos. As palavras devem exprimir respeito, ternura e consideração, não esquecendo o seu sentido primordial. E aqui temos o questionamento, por que dizes: "meu amor" sem sentido ou noção?.
Mas a busca do amor continua. Essa ânsia reside nos nossos corações e desejamos sempre saber, por onde anda você?, - real ou produto da nossa imaginação ou inspiração poética.
E este milagre aconteceu aqui, mercê da generosidade dos amigos que se disponibilizaram a entregar os seus belos poemas e citações ao "Xaile de Seda", para esta Celebração do Amor.
Neste acto de amor e amizade, estiveram presentes os seguintes amigos:
Gostaria de vos oferecer uma Serenata. Trago-vos esta Morna. E o interessante é que fala do amor dos naturais pela sua canção nacional, que, por sinal, é Património Imaterial da Humanidade.
Um toque de realidade. Dizes amar, porém, desconheces intento, fazes eco, apenas, a fonemas na boca, sem significação. O Amor também é isso. É feito de dúvidas e questionamentos.