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quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Tempo - essa entidade mal-amada



Caminhamos desde o princípio dos tempos para o abismo. A nossa evolução tem andado a par e passo com a descoberta e apuramento de armas para nos defendermos. De quê? De quem? Obviamente de nós próprios, de seres iguais a nós. Só que também com o intuito de atacar o outro.

E essas armas tomaram tantos nomes que não será necessário nomeá-las, dizer da sua utilidade, das suas características... Sabemos a resposta. Mesmo que não saibamos construir uma, intuímos e receamos a sua acção: podem tirar-nos a vida num instante

Já vivemos um tempo denominado "Guerra Fria", em que o mundo parecia suspenso de cabeças que podiam de um momento para o outro fazê-lo explodir. Criou-se a já estafada Teoria dos Mundos, uma teia de primeiro, segundo e terceiro mundos, supostamente de conformidade com o desenvolvimento económico e tecnológico mas que, na realidade, tinha a ver com a adesão a um dos blocos: EUA e URSS. 

E nessa adesão desenvolviam-se guerras em que o poderio militar e as ideologias se confrontavam noutros terrenos. Hoje vemos delinear-se a ameaça que dantes tanto se temeu: a guerra nuclear. Não muito longe de nós temos exemplos que, ao fim e ao cabo, não nos servem de nada, porque a nossa capacidade de raciocínio é obliterada pelo egoísmo e preferimos viver na ilusão de que o que se passa ao nosso lado não nos diz respeito. E muito menos ainda se for noutro continente, em outros mares mesmo sendo o Mediterrâneo ou o Egeu. 

E, em relação a pessoas de outras culturas, de outros costumes, de outras visões, lançamos a partir do conforto do nosso sofá laivos de solidariedade, cortamos os cabelos, rasgamos as vestes. Tudo no calor do momento, que se vai arrefecendo paulatinamente até nada mais restar. 

Contudo, o tempo, essa entidade que leva com as culpas das nossas indecisões até chegarmos a um ponto de não-retorno, está a nosso favor. Todos os dias dá-nos a oportunidade de olharmos à volta a fim de procurarmos consertar o que está mal. 

Mas não nos iludamos: ele acabará por nos faltar, infelizmente.



Il mondo

Jimmy Fontana

Gira, il mondo giraNello spazio senza fineCon gli amori appena natiCon gli amori già finitiCon la gioia e col doloreDella gente come me
...

Boa semana, amigos.

Abraços

Olinda

sábado, 29 de dezembro de 2018

Estou aqui por pouco tempo, mas é sempre tempo de sermos gente...






Tempo de mim

Deslizam nuvens nos lenços do meu vestido,
folhos rubros em dia pardacento.
É um dia gigantesco este em que se desfolham folhas de vida
nos versos que pela noite se vão erguer
e renascer fervilhando em tertúlias de poesia,
cantando um Porto cinzento sim, mas poético e glamoroso.
E é nesta alegria que me encanto e desço
e troco cumplicidades com a vizinha que afinal mal conheço.
Os rostos agarram a frieza do betão e a pressa
não se compadece nem espera que a vida
se solte desinibida, confiante em desabafos
esparsos e breves sentires.
O sol começa a aquecer e a assomar-se no olhar
e como um cálice de vinho fino que partilhássemos juntas,
os olhos brindaram a alegria deste encontro,
o primeiro na escada derradeira,
e perdi a pressa, deixei-me estar.
Estou aqui por pouco tempo, mas é sempre tempo
de sermos gente, de nos olharmos e vermos
que afinal abrandar o passo pode ser um passo em frente.
E eu, que hoje tenho pressa, demoro mais um pouco
porque tenho sempre tempo para mim
e é quando me dou que eu me pertenço





Tiempo de mi

Zlízan nubres ne ls lhenços de l miu bestido,
fuolhos burmeilhos an die quelor de cinza.
Ye un die sien fin este an que se çfólhan fuolhas de bida
ne ls bersos que pula nuite s'alhebántan
i tórnan ferbendo an tertúlias de poesie,
cantando un Porto anque cinza, poético i galano.
I ye nesta alegrie que m'ancanto i abaixo
i troco segredos cula bezina q'afinal mal conheço.
Ls rostros agárran la frialdade de l cimento i la priessa
nun ten pena nien spera que la bida
se solte zabergonhada, cunfiante an zabafos
ralos i brebes sentires
l sol ampeça a calcer i a assomar-se ne l mirar
i cumo un cáleç de bino fino que buíssemos juntas,
ls uolhos brindórun l'alegrie deste ancuontro
l purmeiro na scaleira derradeira
i perdi la priessa, deixei-me star,
stou eiqui por pouco tiempo, mas ye siempre tiempo
de sermos gente, de mos mirarmos i bermos
q'afinal abrandar l passo puode ser un passo adelantre
i you hoije que tengo priessa tardo mais un chiç-niç
porque tengo siempre tiempo para mi
i ye quando me dou que you me pertenço

Pgs 72/73

Rio de Infinitos/Riu d'Anfenitos



Nota: Obra escrita em português e mirandês.
O título do post pertence a versos do poema
Os meus agradecimentos à Autora.

E, com um bino fino, brindemos à Vida e ao Ano que se avizinha.



BOAS FESTAS!!!

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2ª e 3ª imagens - pixabay

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

O Presente não existe


Não é extraordinário pensar que dos três tempos em que dividimos o tempo - o passado, o presente e o futuro -, o mais difícil, o mais inapreensível, seja o presente? O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe; temos que imaginar que o presente aparente viria a ser um pouco o passado e um pouco o futuro. Ou seja, sentimos a passagem do tempo. Quando me refiro à passagem do tempo, falo de uma coisa que todos nós sentimos. Se falo do presente, pelo contrário, estarei falando de uma entidade abstracta. O presente não é um dado imediato da consciência. 



Sentimo-nos deslizar pelo tempo, isto é, podemos pensar que passamos do futuro para o passado, ou do passado para o futuro, mas não há um momento em que possamos dizer ao tempo: «Detém-te! És tão belo...!», como dizia Goethe. O presente não se detém. Não poderíamos imaginar um presente puro; seria nulo. O presente contém sempre uma partícula de passado e uma partícula de futuro, e parece que isso é necessário ao tempo. 

 
in 'Ensaio: O Tempo'


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Texto: Citador
Imagem: aqui