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sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Res publica

Coisa publica, bem comum. É mais ou menos por aqui que deveremos procurar o sentido da República, um sistema político cujo ideário se movimenta no conceito de liberdade. Sabemos que a Revolução Francesa, 1789, é o veículo destas ideias que, entre nós, tem a sua visibilidade activa através do Partido Republicano fundado no século XIX e um dos motores do movimento revolucionário que decorreria nos dias 3, 4 e 5 de Outubro de 1910, tendo como desfecho a Implantação da República em Portugal.

Assim, em 1911 é redigida e aprovada a 1ª Constituição da República, tendo como órgãos: o Presidente da República, sem direito a veto suspensivo sequer; o poder legislativo atribuído a um Congresso com duas câmaras de deputados, também com o direito de nomear e demitir o Governo sendo este, por sua vez, detentor do poder executivo. A somar a estes poderes o judicial, perfazendo os três poderes consagrados por Montesquieu no 'Espírito das Leis'. Esta Constituição estaria em vigor até 1926, altura em que a I República seria abolida por golpe militar, de 28 de Maio.

Este golpe daria lugar à II República. Um aspecto que tem suscitado alguma polémica, quase em surdina, não se sabendo bem como é que a República e os seus fundamentos sobreviveriam, na sua essência, perante o sistema político autoritário que se seguiria: o Estado Novo. O certo é que o Congresso é dissolvido através de decreto seguindo-se um interregno de sete anos, ao fim dos quais surgiria em 1933 a Constituição por que se regeria o País durante mais de quarenta anos. O poder executivo detido pelo Presidente da República é, na verdade, exercido pelo Governo, na pessoa do seu presidente, o Presidente do Conselho de Ministros

Na sequência da Revolução de 25 de Abril 1974 teria lugar em 2 de Abril de 1976 a aprovação de uma nova Constituição, que tem sido alvo de várias revisões, sendo a última de 2005. Nela são corroborados os princípios fundamentais da República, designada, neste caso, República Portuguesa, soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária; um Estado democrático fundado no respeito e garantia das liberdades fundamentais e separação de poderes, os três poderes, independentes uns dos outros, legislativo, executivo, judicial. Como forma de governo estamos perante um regime parlamentar.

Vimos, aqui, algumas das competências do Presidente da República, na actual Constituição. Vimos também que, quando as instituições estão a funcionar em pleno, as suas funções limitam-se, praticamente, ao veto suspensivo e à promulgação das leis. Mas, em situações como a que estamos a atravessar, a figura do Presidente da República eleva-se acima dos partidos e do parlamento se as circunstâncias o exigirem.

Então, ele aparece investido na sua vertente máxima: Representante Supremo da Nação. E isso traz-lhe responsabilidades de grande envergadura. Nesta base, nós, cidadãos, temos o direito de ver e sentir que as suas opiniões e acções não são irrelevantes, isto é, que trazem em si a dinâmica necessária para se traduzirem em resultados práticos e visíveis. O Presidente da República ficará na História pelas decisões, concernentes à hora que passa, tomadas ou não aqui e agora.






Termino este momento de reflexão com o poema de Alexander Search, a Canção de Próspero:

Minha vara partida no fundo enterrada 
          Para sempre vai ficar; 
Mais fundo que nunca o prumo soou, 
          Afundarei meu livro no mar. 
          O encanto de Próspero desapareceu, 
          Arte e magia tudo morreu, 
Mortos e jazendo no fundo do mar. 

Nunca mais ligados a mim 
          Os alegres espíritos do ar, 
O que os chamava vinha daí, 
          E está afundado no cavo mar. 
          Embora não veja da luta um renovo, 
          Desejo contudo esta vida de novo, 
Jazendo p’ra sempre no fundo do mar.

Alexander Search
   (F.Pessoa)



***


Meus amigos

Estou impossibilitada de estar na vossa companhia por motivos de saúde.

Assim, trago um texto reeditado, redigido por mim há algum tempo e publicado
neste "Xaile de Seda".

Tenham um óptimo fim-de-semana. :)

Abraços.

Olinda

===

Poema: Casa Fernando Pessoa
Imagem: daqui

Se se interessar, veja as Constituições de 1911, 1933 e 1976. 

segunda-feira, 25 de março de 2024

Comemoração do Dia Mundial da Poesia (4)

 

Iniciativa da Rosélia

Blogue - Escritos d'Alma 




***


LE PARADIS PERDU


Je t'ai perdu il y a si longtemps

Je n'ai pas goûté ton nectar

Tes fruits, tu les as offerts à qui

Dans ta vie tu as 

mieux aimé


Et tu as desseché ton jardin de tout

Ce qui pourrait me rendre heureuse

Moi et toutes les forces de la nature

Nous pleurons ici, ce 

Paradis Perdu.







Perdi-te há tanto tanto tempo

Não cheguei a provar o teu néctar

Teus frutos ofereceste-os a quem

           Tu mais amaste 


E tu privaste o teu jardim de tudo

O que me poderia fazer feliz

Eu e todas as forças da natureza

Choramos, aqui, esse

Paraíso Perdido



***


Participação 4

Publicação de
Um poema por semana, 
ou prosa poética,
 em 
comemoração do dia Mundial da Poesia,

21/03


***


Neste meu último contributo para a Festa da Poesia, promovida pela nossa amiga Rosélia, interpretei a imagem como um lugar que poderia ter existido e albergado muitas emoções. Um "Paraíso Perdido". Aparece publicado, primeiramente, no idioma em que escrevi o texto.

Por motivo de saúde de familiar estarei ausente por uns dias.

Abraços 

Olinda


***


Ressonância do Mês de Poesia

Muito obrigada, 

querida amiga Rosélia



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Primeira imagem: da Rosélia

segunda-feira, 18 de março de 2024

Comemoração do Dia Mundial da Poesia (3)


Iniciativa da Rosélia

Blogue - Escritos d'Alma 





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REDENÇÃO


Noite de luar, porém turva e nevoenta

Parece minha alma vencida na solidão

Sons que ecoam em surdina, porque 

apenas eu os oiço 

e mais ninguém


Remando sem cessar, acharei o

lugar que um dia, eu sei, será florido

um jardim onde colherei lindas flores

e grande alegria 

me inundará


Também o mar estará de azul vestido

num dia cheio de sol e de suave brisa

Acenarei feliz a quem por mim passar

Será esse o dia da minha 

Redenção.





Participação 3

Publicação de um poema por semana, 
ou prosa poética, em 
comemoração do dia Mundial da Poesia,
21/03

***

Abraços
Olinda





Em 21/03:

Olá, Dia Mundial da Poesia!
Olá, Dia Mundial da Árvore!
Olá Primavera!

Hoje o Dia amanheceu belo e radioso
a saudar estes três eventos com pompa
e circunstância.

Que a Paz também venha e entre nos
corações daqueles que promovem a guerra.

Que as Crianças possam viver num mundo
de Concórdia e Amor.

Grande abraço a Todos.

Olinda



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Primeira imagem da Rosélia


segunda-feira, 11 de março de 2024

Comemoração do Dia Mundial da Poesia ( 2)

 

Iniciativa da Rosélia

Blogue - Escritos d'Alma 




***


E S P E R A


Tarde calma

Neste recinto

Leio e sonho

Viajo e colho

Emoções

Viro uma folha

Outra e outra

Tensão latente

Arco e flecha

E o alvo ali

Lume aceso

Rubra flor

Em espera

No alvo linho

De um dia

De ouro! 





Participação 2

Publicação de um poema, 
por semana, ou prosa poética,
em 
comemoração do dia Mundial da Poesia,

21/03


***


Abraços

Olinda




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Primeira imagem: da Rosélia

segunda-feira, 4 de março de 2024

Comemoração do Dia Mundial da Poesia (1)

 

Iniciativa da Rosélia

Blogue - Escritos d'Alma



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LIBERDADE


Voar como um pássaro

Livre de anilhas ou grilhões

E reencontrar o momento 

o lapso de tempo exacto

Em que perdi o meu norte


Refazer tudo, os nós e os laços

Vestir nova roupagem, reviver

Para outro destino, outra meta

Entre o céu e a terra, enfim

Pousar!




Participação 1


Publicação de um poema por semana,
 ou prosa poética, em 
comemoração do dia Mundial da Poesia,

21/03


***

Dias felizes, amigos.
Grande abraço.
Olinda






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Primeira imagem: da Rosélia