terça-feira, 10 de junho de 2025
10 de Junho
segunda-feira, 10 de junho de 2024
10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades
Neste ano comemora-se os 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões. É considerado o poeta maior da Literatura Portuguesa com a sua obra épica Os Lusíadas, na qual canta o "peito ilustre lusitano".
Tudo o que tinha sido realizado - os heróis antigos e a sua glorificação -, perdia o brilho porquanto uma nova estrela despontava no horizonte, suplantando os feitos extraordinários que vinham da antiguidade.
E assim, sem meias medidas, diz o Poeta:
Cessem do sábio Grego e do Troiano
AS navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
Esta é a terceira estrofe da proposição que logo é seguida da invocação às Tágides, pedindo-lhes um som alto e sublimado, um estilo grandíloco e corrente, uma fúria grande e sonorosa, para levar a bom termo o canto em que ele pretende sublimar os feitos dos portugueses.
E ele organiza a sua Obra épica a que dá o título de Os Lusíadas, composto de dez cantos, inspirando-se em Homero e Virgílio. Põe Vasco da Gama a fazer todo o relato da História portuguesa até D.Sebastião, a quem a dedica.
Uma das partes de Os Lusíadas de que mais gosto é do Canto III, em que o poeta insere a história dos amores de Pedro e Inês, referindo-se à morte desta e relatando de uma forma emotiva o seu assassinato mandado por D.Afonso IV, pai de Pedro.
Penso que sabemos todos esta estrofe de cor:
120 -
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes insinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
O que nos toca profundamente é a despreocupação em que Inês se encontrava, não adivinhando que lhe seria tirada a vida apenas porque amava o seu príncipe.
(Mas também conhecemos os jogos de poder que levaram a essa morte)
***
Bom feriado, meus amigos.
Abraços
Olinda
===
Os Lusíadas, Luis de Camões, pgs 69, 157
Imagem da net.
sexta-feira, 10 de junho de 2022
Sete anos de pastor Jacob servia
Com análise de Saulo Gomes Thimóteo.
quinta-feira, 10 de junho de 2021
CAMÕES - Líricas
mas não servia ao pai, servia a ela,
e a ela só por prémio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
passava, contentando se com vê la;
porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assi negada a sua pastora,
como se a não tivera merecida;
começa de servir outros sete anos,
dizendo:-Mais servira, se não fora
para tão longo amor tão curta a vida.
quarta-feira, 10 de junho de 2020
Depus a máscara e vi-me ao espelho
Agora o que nos diferencia é a consistência da máscara, a qualidade da máscara, o pendant que faz com a roupa que trazemos, a cor lisa ou estampada, o corte e o porte. E o olhar reprovador que lançamos a quem não se apresente com qualquer tira de pano, de preferência vistoso, que tape a boca e o nariz.
A moda já aí está. O espelho devolve-nos um ar composto e confiante. Álvaro de Campos antecipou-se:
Não tinha mudado nada...
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sou a máscara.
E volto à personalidade como a um terminus de linha.
Também o mito aí está.
Sem máscara ficamos nus. Mostramos fraquezas e fragilidades.
Já não será preciso esconder o sorriso amarelo perante situações embaraçosas, nem mandar pôr o dente da frente que nos falta. Até numa entrevista de emprego poderemos negar-nos a tirar a máscara a bem da saúde própria e pública, escondendo assim as nossas misérias. E será considerada postura digna de grandes encómios.
Hoje, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Sempre considerei este dia sobrecarregado em termos de comemorações e de mitos.
esteio que nos dá segurança e sentido patriótico.
os cidadãos e a História pátria...
Assim,
A cada tempo a sua máscara.
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). - 61.
aqui
terça-feira, 11 de junho de 2013
Mensagem - Fernando Pessoa
Prece
Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.
Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -,
Com a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
Fernando Pessoa
in: Mensagem-Colecção Poesia-Edições Ática - pg 75
Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
»»»»
A imagem que considero magnífica retirei-a da internet. Os meus agradecimentos a quem ela pertence.