Mudam-se os tempos...
quarta-feira, 26 de junho de 2024
Mudam-se os tempos...
Mudam-se os tempos...
quarta-feira, 19 de junho de 2024
Alma minha gentil...
Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida, descontente,
repousa lá no Céu eternamente
e viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueça daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
alguma* cousa a dor que me ficou
da mágoa sem remédio de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te
quão cedo de meus olhos te levou.
O soneto mais famoso de Camões. Parece ter sido também dedicado à morte de Dinamene. Dizia Machado de Assis que "tem a simplicidade sublime de um recado mandado ao Céu".
Inspirando-se em modelos italianos (Petrarca, Sannazzaro), o nosso Poeta excedeu-os a todos e soube, neste soneto, exprimir com a maior perfeição "o sentimento predominante da raça, a saudade" (Joaquim Nabuco).
In Líricas - Selecção, prefácio e notas de Rodrigues Lapa.
Pg 53
MUNDO ESCURO
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No livro, a grafia: algua, com til sobre o u (impossibilidade de mantê-la com este teclado)
.Música do presente...
.Comemoração, neste ano, dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões
quarta-feira, 12 de junho de 2024
Dina...mene
segunda-feira, 10 de junho de 2024
10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades
Neste ano comemora-se os 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões. É considerado o poeta maior da Literatura Portuguesa com a sua obra épica Os Lusíadas, na qual canta o "peito ilustre lusitano".
Tudo o que tinha sido realizado - os heróis antigos e a sua glorificação -, perdia o brilho porquanto uma nova estrela despontava no horizonte, suplantando os feitos extraordinários que vinham da antiguidade.
E assim, sem meias medidas, diz o Poeta:
Cessem do sábio Grego e do Troiano
AS navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
Esta é a terceira estrofe da proposição que logo é seguida da invocação às Tágides, pedindo-lhes um som alto e sublimado, um estilo grandíloco e corrente, uma fúria grande e sonorosa, para levar a bom termo o canto em que ele pretende sublimar os feitos dos portugueses.
E ele organiza a sua Obra épica a que dá o título de Os Lusíadas, composto de dez cantos, inspirando-se em Homero e Virgílio. Põe Vasco da Gama a fazer todo o relato da História portuguesa até D.Sebastião, a quem a dedica.
Uma das partes de Os Lusíadas de que mais gosto é do Canto III, em que o poeta insere a história dos amores de Pedro e Inês, referindo-se à morte desta e relatando de uma forma emotiva o seu assassinato mandado por D.Afonso IV, pai de Pedro.
Penso que sabemos todos esta estrofe de cor:
120 -
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes insinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
O que nos toca profundamente é a despreocupação em que Inês se encontrava, não adivinhando que lhe seria tirada a vida apenas porque amava o seu príncipe.
(Mas também conhecemos os jogos de poder que levaram a essa morte)
***
Bom feriado, meus amigos.
Abraços
Olinda
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Os Lusíadas, Luis de Camões, pgs 69, 157
Imagem da net.
quarta-feira, 5 de junho de 2024
Raquel e Jacob
quinta-feira, 30 de maio de 2024
Busque amor novas artes...
sexta-feira, 10 de junho de 2022
Sete anos de pastor Jacob servia
Com análise de Saulo Gomes Thimóteo.
quinta-feira, 10 de junho de 2021
CAMÕES - Líricas
mas não servia ao pai, servia a ela,
e a ela só por prémio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
passava, contentando se com vê la;
porém o pai, usando de cautela,
em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assi negada a sua pastora,
como se a não tivera merecida;
começa de servir outros sete anos,
dizendo:-Mais servira, se não fora
para tão longo amor tão curta a vida.
domingo, 8 de julho de 2012
Centro do mundo
Paraty, Brasil - Centro do Mundo literário. De 4 a 8 de Julho, até hoje, portanto, decorre a 10ª edição da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip). E o grande poeta e cronista, Carlos Drummond de Andrade, é ali homenageado. Então, falando-se dele vem-me à ideia o seu poema A Máquina do Mundo:
E como eu palmilhasse vagamente
e no fecho da tarde um sino rouco
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Mas a necessidade que o Homem sente em descobrir as origens do mundo e explicar a grande máquina de que fazemos parte não pára. Nos nossos dias o bosão de Higgs, na procura da partícula de Deus, chave primordial para validação da massa das outras partículas elementares- após a nossa grande eclosão conhecida como Big-Bang- o bosão, dizia, parece ser o último grito nesta área.
Enquanto isso, centremo-nos no mistério do amor, na dedicação e abnegação de um coração de Mãe, nos sacrifícios que enfrenta na defesa da sua cria.
Embrulhados no seu xaile, o universo quase que se reduz a um ponto apenas e a explicação da máquina ou origem do mundo torna-se assaz irrelevante. Hoje e sempre relembro a minha mãe e com ela homenageio todas as mães do mundo.
O convite Ler mais está hiperligado aos sites que contêm o poema de Drummond e o canto X de Os Lusíadas
Imagens retiradas Internet. Os meus agradecimentos.
NOTA - HOJE, TAMBÉM É DIA DE SANTA ISABEL, FIGURA BÍBLICA, originando, talvez,ou também, o nome da minha mãe. :)