Mostrar mensagens com a etiqueta Língua Portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Língua Portuguesa. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Minha Língua materna é ...

Desafio de escrita de

VANESSA VIEIRA

Blog: Pensamentos valem ouro


Língua Materna, bilinguismo ou diglossia

Se a nossa língua materna nos advém do tempo em que ouvimos os primeiros sons e, aos poucos, fomos apreendendo as palavras e o seu significado, também não é menos certo que as influências nesse campo poderão tomar um aspecto dual. 

Refiro-me a duas línguas, dialectos ou outras formas de comunicar que nos são inculcados desde a nascença levando a que não tenhamos dificuldades na hora de nos exprimirmos através da fala ou da escrita.

Estaremos perante o que poderemos chamar de bilinguismo, domínio de duas línguas por parte de um falante, ou diglossia se os idiomas coexistem no mesmo espaço e são usados com objectivos diferentes. Estes temas, porque me interessam, foram tratados aqui, no "Xaile de Seda," em determinados momentos.



Tendo em conta que neste desafio se pretende abordar a nossa experiência pessoal, de uma forma directa, devo dizer, num primeiro momento, que a minha língua materna é o crioulo cabo-verdiano. Desde o primeiro vagido, ou antes até, no ventre da minha mãe, que o oiço; nasci e cresci a falá-lo, a cantá-lo, sendo o veículo privilegiado para expressar alegrias ou desencantos.

Mas, eis outro lado da equação. E se isso da língua materna não for assim tão linear? Desde sempre oiço, falo e canto a língua portuguesa. Meus pais, cultores da língua e cultura portuguesas transmitiram-me a mim e aos meus irmãos esses valores.

Assim, falo o crioulo cabo-verdiano e a língua portuguesa com o mesmo amor, com o mesmo sentimento de pertença. Em mim, a cultura cabo-verdiana e a cultura portuguesa tomam as mesmas dimensões, não se diferenciando em nada, nas minhas abordagens. 

Por vezes, uma e outra se interpenetram e vejo-me a mesclar, inconscientemente, as minhas construções frásicas com elementos pertencentes a essas duas realidades.



Portanto, meus amigos, aqui me têm: pairo entre duas culturas por nascimento e decisão histórica e em mais umas quantas por decisão própria :)

Em termos de língua materna, sou bilingue, sem dúvida.

Obrigada, Vanessa, por este desafio.

Abraços
Olinda


=====

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Moçambicanidade - as línguas nacionais e a língua portuguesa

Que é isso de moçambicanidade, caboverdianidade, angolanidade, portugalidade ... ? Uma afirmação, uma vontade, uma necessidade, penso. Necessidade quase visceral, essa vontade de se afirmar a autodeterminação em relação ao outro. E no que diz respeito às ex-colónias creio que lhe estão subjacentes os conceitos/movimentos de negritude e pan-africanismo, que já aqui abordámos ainda que de forma breve. 

Mas acontece outro fenómeno, se é que se pode chamá-lo desse modo: ultrapassada a fase do colonialismo a premência coloca-se dentro dos próprios territórios independentes, uma espécie de tomada de consciência no quanto será possível chamar a si os parâmetros da sua cultura, da língua, história e nela a criação dos próprios mitos, numa busca da identidade nacional. Já antes, poetas como Rui de Noronha, Noémia de Sousa, José Craveirinha e outros desbravavam o caminho que viria a desembocar na proclamação dessa Pátria que tanto desejavam.

E quando não se tem apenas uma língua, mas dez, trinta, quarenta ou mais? Como fazer para nos entendermos? Essa multitude de idiomas verifica-se na Guiné-Bissau, em Moçambique, em Angola (onde já se conhecem acções no sentido de se ensinar nas escolas seis de maior expressividade): línguas de origem bantu, grupo etnolinguístico que abarca o continente africano, principalmente desde o sul do Sahara  e que engloba cerca de 400 subgrupos étnicos diferentes.

E é assim que:



Moçambique acorda no pós-independência com um problema entre mãos. E agora? Como falar a todos de modo a fazer passar a mensagem, do Rovuma ao Incomati, território preconizado e querido desde há muito? Esse território cujo berço é preenchido por mais de quarenta línguas e outros tantos usos e costumes, ainda que aparentados, necessitava de algo em comum e que facilitasse a vida aos políticos. Assim, Samora Machel vê na língua portuguesa o elo que lhe faltava. Proclama-a língua do Estado, estatuíndo-a como língua de unidade nacional e, naturalmente, com a obrigatoriedade de ser utilizada em todos os actos públicos, em todas as instituições, 
em todas as repartições, em todos os discursos, 
em todos os contactos.


Era precisamente o idioma que veículava as ideias dos intelectuais, a única ensinada nas escolas, e que aos poucos iam mesclando de palavras e expressões das respectivas línguas maternas. Língua viva que no quotidiano é enriquecida de novos vocábulos e também falada por poucos, cerca de metade da população ou apenas pelas elites da terra. Um paradoxo e factor de exclusão - diz-nos Ricardo Mudaukane. 

Exclusão essa que afecta todos os domínios do país: a nível político e económico, poucos são os moçambicanos que têm acesso ao teor do discurso político e a oportunidades de emprego e até de negócio que, infelizmente, é quase que exclusivamente veiculado e processado através da língua oficial. A nível social, e como se sabe, nalguns círculos de interesse, o não domínio da língua oficial, principalmente no contexto mais urbanizado, pode levar a que certos grupos de pessoas se vejam marginalizados.*



No que diz respeito ao ensino básico, os meninos falam as suas línguas maternas até irem para a escola, deparando-se depois com uma língua completamente estranha, na maior parte das vezes, com o ónus de terem de fazer nela a sua estrada, condicionando a sua vida profissional, no futuro. Por isso, já se discute seriamente a forma de se alterar esse estado de coisas e até há quem fale em se "livrarem" do português, não no sentido literal mas de modo a incluí-lo num sistema mais alargado onde as línguas maternas** também tenham o seu lugar, de direito.


====
E como adoro a Língua Portuguesa e admiro imensamente a carta escrita por António Ferreira, Sec. XVI, ao seu amigo Pêro de Andrade Caminha, defendendo o seu uso em vez do castelhano, pelo que penso: à chacun son Everest, aqui deixo um excerto da mesma:


Floreça, fale, cante, ouça-se, e viva
A Portuguesa língua, e já onde for
Senhora vá de si soberba, e altiva.
Se téqui esteve baixa, e sem louvor,
Culpa é dos que a mal exercitaram:
Esquecimento nosso, e desamor.

Mas tu farás, que os que a mal julgaram,
E inda as estranhas línguas mais desejam,

Confessem cedo ant´ela quanto erraram.
E os que despois de nós vierem, vejam
Quanto se trabalhou por seu proveito,
Porque eles para os outros assi sejam.


In: Carta III
aqui

====

Queiram ler, se lhes interessar:

Bantus
- Línguas de Moçambique aqui

*A língua portuguesa é factor de exclusão em Moçambique - 
27 de Julho de 2014, 3:31 aqui

- Mia Couto - A língua portuguesa em Moçambique - Ciberdúvidas aqui
Texto publicado na antologia galega "Do músculo da boca", Ed. Encontro Galego no Mundo, Santiago de Compostela, 2001.

- Ensino bilingue em Moçambique aqui - Ângela Filipe Lopes - Faculdade de Letras da Universidade do Porto Centro de Linguística da Universidade do Porto (Portugal) 
Maria da Graça L. Castro Pinto - Faculdade de Letras da Universidade do Porto Centro de Linguística da Universidade do Porto (Portugal)

-Em Moçambique, idioma Português se mistura com as línguas maternas - Folha de São Paulo - aqui

**  Línguas nacionais são receita de sucesso nas escolas moçambicanas: aqui


Imagem - daqui

sábado, 28 de junho de 2014

O português é falado, como língua oficial, em quatro continentes




A floresta pariu de novo
o cimento uma alma nova
sinfonia da patchanga
e um cântico de liberdade!
Vasco Cabral, Guiné-Bissau

És tu minha Ilha e minha África forte e
desdenhosa dos que te falam à volta.
Francisco José Tenreiro, São Tomé e Príncipe

As luzes da cidade brilham no morro. Ainda há pouco vinha do morro um baticum de candomblés e macumbas. Porém agora a cidade está longe e o brilho das estrelas está muito mais perto deles que as lâmpadas eléctricas.Jorge Amado, Brasil

Nha Chica conte-me aquela história dos meus irmãos hoje perdidos no mundo grande...
António Nunes, Cabo Verde

Era o tempo dos catetes no capim e das fogueiras no cacimbo. Das celestes e viúvas em gaiolas de bordão à porta de casas de pau-a-pique. As buganvílias floriam e havia no céu um azul tão arrogante que não se podia olhar. Era o tempo da paz e do silêncio à sombra de mulembas.Luandino Vieira, Angola

A terra treme, a areia salta, o suor escorre, as peles brilham e a voz do chigubo soa. São dois e o sangue à volta é o do chigubo. Os pés batem e o ritmo é bangue, o sangue esquece e só a dança fica, é sura e céu.José Craveirinha, Moçambique

Tata-Mailau
É o pico-avô da minha ilha.

Fernando Sylvan, Timor

À medida que as navalhas avançavam, as vinhas iam perdendo a graça, a força e a virgindade. E com esta desolação morria também um pouco da alegria dos vindimadores, que chegavam da Montanha sem sono, a cantar e a dançar, e que agora dormiam como lajes.Miguel Torga, Portugal

Referências bibliográficas:

Jorge AMADO, Jubiabá. Lisboa, Livros do Brasil, s.d.
José CRAVEIRINHA, «Chigubo», Hamina e outros Contos. Lisboa, Caminho, 1997 (2ª ed.), pp. 33-37.
Manuel FERREIRA, 50 Poetas Africanos. Lisboa, Plátano Editora, 1997 (2ª ed.).
Fernando SYLVAN, A Voz Fagueira de Oan Tímor. Lisboa, Edições Colibri, 1993.
Miguel TORGA, Vindima. Coimbra, 1997 (6ª ed.).
Luandino VIEIRA, ?O nascer do sol?, A Cidade e a Infância. Lisboa, Edições 70-União dos Escritores Angolanos, 1977 (2ª ed.), pp. 79-87.

Excertos, referências e título do post trazidos do Instituto Camões que também nos diz que: De princípios do século XIII eram já conhecidos dois textos originais escritos em português - a Notícia de Torto (1212-1216, c.1214?) e o Testamento de Afonso II (1214). Recentemente foi descoberto um outro documento original, também escrito em português, mas de 1175 - a Notícia de Fiadores.aqui 

Ver também este post


DESEJO-VOS UM ÓPTIMO FIM DE SEMANA. :) 

domingo, 18 de maio de 2014

Comemoração dos "8 Séculos da Língua Portuguesa"

Numa espécie de resposta às minhas questões inseridas no post de oito do corrente mês, encontrei na revista e-Cultura referências às comemorações dos "800 anos da Língua Portuguesa", que decorrem entre 5 de Maio e 10 de Junho.





Eis o texto:

Entre 5 de maio de 2014 (Dia da Língua Portuguesa instituído pela CPLP) e 10 de junho de 2015 decorre a celebração dos “8 Séculos da Língua Portuguesa”, evento organizado pela Associação com o mesmo nome, que visa a valorização e a visibilidade da Língua Portuguesa enquanto idioma oficial de oito países inseridos em múltiplas matrizes geopolíticas e culturais.

Esta iniciativa assinala os 800 anos da Língua Portuguesa, tendo por base os primeiros documentos escritos em português – Testamento de D. Afonso II (1214), Notícia dos Fiadores (1175) e outros documentos dessa época.

A Associação “8 Séculos de Língua Portuguesa” conta com algumas pessoas de reconhecido mérito entre fundadores e corpos dirigentes, tais como os escritores Alice Vieira e António Torrado, os jornalistas Laurinda Alves e Mário Figueiredo, as professoras universitárias Inês Sim-Sim, Helena Bárbara Marques Dias e Marta Martins e Vasco Alves, ex–dirigente do Ministério da Educação.

O Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, IP apoia a celebração dos “8 Séculos da Língua Portuguesa”.

O projeto apresenta, entre outros, os seguintes objetivos:

- Fazer uma grande comemoração da Língua Portuguesa em todo o mundo lusófono, em 2014/2015, por altura da comemoração dos seus 8 séculos;

- Contribuir para a aproximação dos países lusófonos, bem como de Macau, em torno de uma grande manifestação cultural;

- Contribuir para pensar a afirmação da Língua Portuguesa no mundo, a nível cultural, político e económico, bem como nas grandes instituições internacionais;

- Contribuir para dar a conhecer nacional e internacionalmente poetas, escritores e artistas do mundo lusófono;


- Contribuir para incentivar a produção poética em língua portuguesa no mundo lusófono.

O Programa encontra-se aqui

Num site do Ministério de Educação encontrei também esta referência:

A Direção-Geral da Educação participará neste evento através da divulgação das várias atividades a desenvolver pela Associação, tais como a conceção de um sítio na internet, o lançamento de livros de poesia ou a realização de colóquios, de exposições e de grandes acontecimentos culturais e económicos subordinados à temática da celebração da Língua Portuguesa.


A imagem é do Observatório da Língua Portuguesa que noticiava talvez em Janeiro ou Fevereiro: Conferência de apresentação pública das Comemorações dos 8 Séculos da Língua Portuguesa, no dia 17 de Fevereiro, às 18 horas, no auditório B203 do ISCTE, em Lisboa.


Pelos vistos só eu é que não sabia de nada. Talvez porque a notícia não me tenha chegado pela via mais óbvia que é a TV ou então estive desatenta...

Desejo-vos um óptimo domingo.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Ah, Primavera! Tão bela, florida e perfumada e tão castigadora...

É como me sinto, dividida entre as muitas belezas e divinos odores desta estação e o outro lado menos atraente das alergias causadas precisamente pelos pólenes e por tudo o que lhes está associado. Não há anti-histamínico que me valha, os espirros não me dão descanso e os olhos e o nariz já ganharam vida própria numa choradeira sem fim.

Mas há que remar contra a maré e, com um olho aberto e outro fechado, aqui estou eu a traçar estas linhas. Para dizer o quê? Hoje em dia, com a profusão de canais comunicacionais existentes, milhões de pessoas estão a dizer ao mesmo tempo as mesmas coisas, debatendo assuntos de grande importância ou assinalando apenas outros de seu interesse. Parece quase redundante eu aparecer também a fazer o mesmo. Contudo, há aspectos da sociedade, tanto no nosso bairro como em latitudes mais afastadas, que devemos todos apontar e rebater, se for caso disso.

Surge-me, de pronto, o caso noticiado das meninas raptadas na Nigéria. Uma tragédia humanitária. E é tão grande e sinto-a tão minha que me é quase impossível encontrar palavras para se lhe referir. As autoridades internacionais têm responsabilidades, todos nós as temos, cada um no seu íntimo. Um espelho em que teremos de nos rever. E é obrigação nossa olhar em redor e verificar se não existem casos perto de nós, não com esta dimensão, como é óbvio, que necessitam de atenção. E oiço em eco este verso de Augusto Gil: Mas as crianças, senhor, porque lhes dais tanta dor

Num sentido totalmente diverso, lembro-me agora de uma notícia, num jornal regional, sobre o Avô Cantigas. Lembram-se dele? Um jovem de há 32 anos que resolveu vestir a pele de Avô para delícia das crianças. Agora já não precisa fingir que é avô, os cabelos brancos atestam-no. Um homem de visão. Um ideia interessante, um projecto que vai sendo realizado ao longo da vida. Vai comemorar estes anos de carreira, brevemente, em Évora, com um espectáculo, É Bom Sonhar. Pessoas que pugnam pela felicidade das crianças: De louvar.





E, por estes dias, uma outra notícia chamou-me a atenção, numa revista, embora a mesma já tivesse aparecido em Janeiro, em jornais, como verifiquei depois. Duas jovens portuguesas, no Reino Unido, projectaram um trabalho de promoção do nosso idioma, inserido no conceito de speed-dating, destinado a crianças. E esta, hein?! Trata-se da divulgação e aprendizagem da língua, envolvendo crianças bilingues, precisamente as nossas crianças no estrangeiro. São muitos os voluntários, cientistas portugueses, que estão a dar o seu contributo, pois nisso está também inserida a abordagem de outras matérias.

Por falar em língua, no passado dia 5 foi o dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP. Ouviram falar disso? Algum Organismo fez disso notícia? Houve acções em conjunto com o órgão que representa a Comunidade a dar-nos conta do que tem sido feito em prol de uma maior exposição da referida cultura? Vieram dizer-nos se têm sido levado a cabo providências no sentido de a língua portuguesa ser, efectivamente, considerada como língua de trabalho nas instituições internacionais?  Não sei. 

Mas como tenho estado mergulhado neste meu limbo de alergias é natural que me tenha escapado.

Desejo-vos uma excelente semana. Bem, o que dela resta ainda.


Notícia: speed-dating aplicado às línguas e à ciência
Imagem: Tatiana Correia e Joana Moscoso

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

SOBERBA E ALTIVA



No seu afã de defender a portuguesa língua de influências estranhas e incentivando a escrita em português, António Ferreira escreve uma carta apaixonada a Pêro Andrade de Caminha. E dessa carta, não há dúvida, este excerto é deveras empolgante. Mal sabia ele que ao longo dos tempos esta língua iria ter experiências jamais sonhadas. Acompanhara os navegadores, estabelecera-se além-mar e quando voltou vinha cheia de requebros, dengosa, macia, tropicalíssima. E agora, tal como a cantiga da rua, ela não é de ninguém é de toda a gente. Parafraseando Chico Buarque, ela ainda vai cumprir seu ideal.


Floreça, fale, cante, ouça-se e viva

A Portuguesa língua, e já onde for

Senhora vá de si soberba, e altiva.

Se téqui esteve baixa e sem louvor,

Culpa é dos que a mal exercitaram:

Esquecimento nosso, e desamor.

Mas tu farás, que os que a mal julgaram,

E inda as estranhas línguas mais desejam,

Confessem cedo ant'ela quanto erraram.

E os que depois de nós vierem, vejam

Quanto se trabalhou por seu proveito,

Porque eles para os outros assi seja.


                                                                                                                                 António Ferreira -Sec.XVI


Excerto da carta de António Fereira retirado de: