Sem raça nem credo
A primeira vez que de ti me abeirei
todas as sedes me tomaram. Sem raça nem credo.
Cruzei-te num primeiro abraço, mar sonhando, desejado
e finalmente sentido. Quando a coragem permitiu
o primeiro mergulho, até a areia me bordou o corpo,
ponto por ponto. As cores brincavam e eram tantas
que despertavam e refletiam a luz que queria minha.
Nos meus olhos de céu e mar
cruzavam-se correntes loucas,
e eu, já sem roupa, fiquei à tona e deixei-me prender
nas mais belas cores. Fiz-me laço,
palmarés de glorioso arco-íris.
Sei, sei que te dei versos sem palavras e,
num silêncio prometedor,
até as czardas se ouviram.
As czardas que bailaria com paixão.
As czardas que, para ti, escreveria com emoção.
Sien raça nien credo
La purmeira beç que a ti me cheguei
todas las sedes me tomórum. Sien raça nien credo
Cruzei-te nun purmeiro abraço, mar sonhado, deseado
i al fin sentido. Quando la coraige permetiu
l purmeiro maegulho, até l'arena me bordou l cuorpo,
punto por punto. Las quelores brincában i éran tantas
que spertában i debuolbien la lhuç que querie mie.
Ne ls mius uolhos de cielo i mar
cruzában-se corrientes boubas,
i you, yá sien benairos, quedei anriba i deixei-me prender
nas mais guapas quelores. Fiç-me lhaço,
ramo de guapa cinta de la raposa.
Sei, sei que te dei bersos sien palabras i,
nun siléncio pormetedor,
até as "czardas" se scuitórum.
Las "czardas" que beilarie cun paixon.
Las "czardas" que, para ti, screberie cun eimoçon.
Teresa Almeida Subtil
Peço emprestado à querida amiga Teresa Almeida Subtil este belíssimo poema bilingue para enfeitar o Xaile de Seda, que hoje completa dez anos. E a Schubert esta Avé Maria que adoro, aqui nas vozes de dois grandes intérpretes, Andrea Bocelli e Luciano Pavarotti.
Também esta Czarda a fazer jus ao poema e em agradecimento à sua autora.
Abraços.
=====
Poema bilingue:
in Rio de Infinitos
Riu d'Anfenitos
pgs 154, 155
Riu d'Anfenitos
pgs 154, 155
Ver Teresa A. Subtil no Xaile, aqui