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sábado, 24 de janeiro de 2015

Porquê os Clássicos

1.

no quarto livro da guerra do Peloponeso
Tucídedes conta-nos entre outras coisas
a história da sua mal sucedida expedição

entre os longos discursos dos chefes
batalhas cercos pestes
uma densa rede de intrigas de diligências diplomáticas
o episódio é como uma agulha
na floresta

a colónia grega Anfípolis
caiu nas mãos de Brasidos
porque Tucídedes chegou atrasado com o socorro

devido a isso foi condenado pela sua cidade
ao exílio eterno

os exilados de todos os tempos
conhecem que preço é esse

Zbigniew Herbert (1924-1998)
Escolhido pelas Estrelas - antologia poética (apresentação e versões de Jorge Sousa Braga)
In: Poemário Assírio & Alvim - 2012

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Em tempo de eleições, a democracia no seu berço, desejo que a histórica Hélade encontre o seu caminho, a senda que melhor lhe convier rumo à construção de um mundo onde todos tenham lugar. Que as palavras austeridade, emigração e outras que signifiquem o abandono do solo pátrio sejam banidas do seu quotidiano, através do exercício do direito ao trabalho, à habitação e apoios sociais a quem necessitar. Que a anémica Europa receba, por seu turno, um sopro de optimismo e consiga ver mais além. 


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Quase Memórias: Esta é a minha Verdade!

Hoje mais do que nunca o trabalho do historiador se mostra exigente. Com a sua capacidade de lançar olhares de conjunto, privilegiando o todo para o decompor em partes, é nessa tarefa que se deverá concentrar. Qualquer que seja o género de História que pretenda desenvolver, regional ou geral, é sua obrigação deixar portas abertas, pistas que outros possam seguir no sentido de se tentar compreender e completar ciclos que parecem isolados mas que na realidade se interpenetram.

Isto para dizer que todos os dados, todas as memórias, todos os documentos são imprescindíveis como material de análise histórica. Esta obra de António de Almeida Santos, Quase Memórias, é um instrumento importante, aliado a tantos outros, para se compreender uma época que continua a causar-nos perplexidade.

Trata-se de um trabalho minucioso baseado na documentação produzida em todo o processo de independência das ex-colónias, conversações, tratados e também na sua visão pessoal, introduzindo a sua própria interpretação, as suas vivências e experiências.

    

"Longa como as estradas da Galileia foi esta digressão pelo estertor do colonialismo e pelo dossier da descolonização. A partir de agora, este livro deixa de ser meu. Não faço a menor ideia de como possa ser acolhido pela opinião pública portuguesa. Talvez agrade a alguns. Desagradará necessariamente a muitos, tão amargas são algumas das recordações que evoca. Mas, quem se põe a remexer na história, não pode satisfazer-se só com uma parte dela. Não pode deixar de tentar ser exaustivo, objectivo e verdadeiro. Esta é a minha verdade sobre o estertor do colonialismo e sobre o dossier da descolonização; sobre os mais salientes acidentes do processo revolucionário posterior a Abril que lhe determinaram o tempo, o modo e o resultado final. Deixo ligados a tudo isso inolvidáveis momentos da minha vida. Nem todos agradáveis. Apesar disso, foi reconfortante recordá-los."



Esta é a mensagem impressa na contra-capa da referida obra, composta de dois volumes, editada em Setembro de 2006. Normalmente, escrevo a lápis a data em que adquiro os livros e neste consta 2006/10/27, o que demonstra o meu interesse por esta matéria. É um livro que não se consegue ler de uma assentada. É para ser lido com tempo e, assim sendo, levei o meu tempo a fazê-lo. O 1º Volume traz o subtítulo: Do Colonialismo e da Descolonização. E o 2º : Da Descolonização de cada Território em Particular.

Estamos, de novo, a atravessar tempos que exigem de nós reflexão e grande sentido de responsabilidade. Isso, tanto no que diz respeito aos problemas nacionais como em relação a Europa, espaço onde nos encontramos inseridos. E, não há dúvida, esta Europa necessita urgentemente de ser repensada, regressando ao momento em que foi idealizada e reavaliando os seus objectivos.

Quanto ao panorama nacional, passa-se uma situação bastante interessante. No que se refere às eleições europeias de há três dias, os resultados por cá, no chão nacional, estão completamente obliterados. Já não se sabe bem quem as ganhou e quem as perdeu... Já não se sabe se houve uma vitória histórica... ou uma derrota histórica. E na liça temos mais um lidador. Que os mais altos interesses da pátria se alevantem.   


Nota: Por motivos vários, só hoje me foi possível fazer este post referente a esta obra de Almeida Santos, prometido há já um mêsAs duas imagens são do 1º e 2º volumes.    


domingo, 29 de maio de 2011

NÓS E OS MIÚDOS

Arruadas ou arruaças já se não vê bem a diferença nesta campanha alegre que nós observamos, por agora, passivamente. Daqui a oito dias a coisa muda de figura. Seremos chamados a escolher e a validar uma das situações mais desestabilizadoras dos últimos tempos. A estes dias de distância assistimos a conversas e birras de miúdos:

-se me deixarem entrar brinco sozinho; 
-eu, se entrar na brincadeira brinco com todos; 
-ah! enquanto eles andam pr'aí com birrinhas vou aproveitando e finjo que sou adulto, talvez pegue; 
-eu não assinei nada, hem! por isso não vale; 
-eu também não assinei e agora vejo que não meteram uma data de coisas, também não vale;

outros ainda, os mais pequeninos, também queriam mas vêem-se atabafados no meio disto tudo e só conseguem balbuciar umas coisitas que, quem sabe, até poderiam fazer algum sentido nesta brincadeira toda.

Pensar que isto não vai com ideologias, nem pelo carisma de líderes...com objectivos que conseguissem congregar vontades num desideratum nacional! Então qual será o caminho a seguir? Ler? Informarmo-nos através de documentos que nos encaminhem, pelo menos, para o sentido racional das coisas? Mas e depois? Subsistirá ainda o drama maior... 

A quem entregar o ceptro do nosso destino?