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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Talvez um dia...Quem sabe!





POEMA

Talvez um dia
Quem sabe!...

Sim
talvez um dia...
pedra jogada
à nossa gaiola de vidro
e para nós
a fuga
além fronteira do mar.

Talvez arrebente um dia
o búzio dos mistérios
no fundo do mar
e mais um vulcão venha a tona
— dez vinte
mil vulcões — Quem sabe!...
e as ilhas fiquem derretidas:
Estranha alquimia
de montes e árvores
de lavas e mastros
de gestos e gritos.

Talvez um dia
onde é seco o vale
e as árvores dispersas
haja rios e florestas.
E surjam cidades de aço
e os pilões se tornem moinhos.

Ilhas renascidas
nuvens libertas...
Talvez um continente
À medida dos nossos desejos.

Sim
Talvez um dia...
Quem sabe!

Arménio Vieira, Prémio Camões 2009





Palavras fortes, estranha alquimia. Exageros de poeta? Na sua visão escatológica prevê e anseia por uma renovação, rompendo fronteiras, um milagre da natureza. E progresso.

Fustigada pelos ventos contra-alísios, as lestadas, que arrastam para longe as nuvens prenhes de água, envolvida pela bruma seca vinda do Saara, é caso para dizer: "Gente sem sorte, ca tem ramede, tchorá bô sina, tchorá magoade"*.

E quando o vulcão se cansar de vomitar lavas incandescentes as pessoas voltarão. No sopé, a terra terá o adubo de que precisa para o cultivo da vinha. Na Chã das Caldeiras. E farão dela a terra do leite e do mel.

Povo paciente e resistente que lê nas estrelas o seu destino.

______

*Da Morna- letra de Gabriel Mariano, música de Jacinto Estrela:Sina de Cabo Verde.

O Poema foi retirado do site de António Miranda.