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quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Poesia Depois da Chuva



       (A Maria Guiomar)

Depois da chuva o Sol - a graça.
Oh! a terra molhada iluminada!
E os regos de água atravessando a praça
- luz a fluir, num fluir imperceptível quase.

Canta, contente, um pássaro qualquer.
Logo a seguir, nos ramos nus, esvoaça.
O fundo é branco - cal fresquinha no casario da praça.

Guizos, rodas rodando, vozes claras no ar.

Tão alegre este Sol! Há Deus. (Tivera-O eu negado
antes do Sol, não duvidava agora.)
Ó Tarde virgem, Senhora Aparecida! Ó Tarde igual
às manhãs do princípio!

E tu passaste, flor dos olhos pretos que eu admiro.
Grácil, tão grácil!... Pura imagem da Tarde...
Flor levada nas águas, mansamente...

(Fluía a luz, num fluir imperceptível quase...)

Sebastião da Gama, 
in 'Pelo Sonho é que Vamos'

O autor dedica este poema a Maria Guiomar, como se lê acima.

Confesso que não sei de quem se  trata. 

Este é o ano do Centenário do seu nascimento.

***

Sebastião Artur Cardoso da Gama (Vila Nogueira de Azeitão, 10 de abril de 1924 — Lisboa, 7 de fevereiro de 1952) foi um poeta e professor português.

(...)A sua obra encontra-se ligada à Serra da Arrábida, onde vivia e que tomou por motivo poético de primeiro plano (desde logo no seu livro de estreia, Serra-Mãe, de 1945), e à sua tragédia pessoal, motivada pela doença que o vitimou precocemente, a tuberculose.

Uma carta sua, enviada em agosto de 1947, para várias personalidades, a pedir a defesa da Serra da Arrábida, constituiu a motivação para a criação da LPN Liga para a Protecção da Natureza, em 1948, a primeira associação ecologista portuguesa. Ver mais aqui

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É da sua autoria A região dos Três Castelos - Circuito Turístico



E Zeca Afonso faria neste ano 95 anos

(1929-1987)


Abraços.

Olinda

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Poema: in Citador

Imagem; pixabay

domingo, 1 de maio de 2016

Pequeno Poema - Sebastião da Gama

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama

in 'Antologia Poética'


Sebastião Artur Cardoso da Gama, poeta, professor. Apaixonado pela Serra da Arrábida. Na sequência do seu pedido para a defesa da serra foi criada a LPN, Liga para a protecção da Natureza, em 1948, a primeira associação ecologista portuguesa.

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Poema retirado do Citador

domingo, 1 de setembro de 2013

Cabo da Boa Esperança




A vela rasgou-se em fitas. 
E quanto ao mais, desde o casco 
até a ponta dos mastros, 
o fundo do Mar que o diga. 

Cá por mim, passei o cabo. 
Cheguei aonde o Destino 
desde sempre me chamava. 
Se estou sem pinga de sangue 
depois de tantos naufrágios, 
se arribei são ou doente, 
se tenho os ossos partidos, 
é melhor não perguntá-lo. 

Basta saber que cheguei 
e que é de lá que vos falo.

Sebastião da Gama
     1924-1952

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Imagem: Wiki