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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Aparição




2019 - um ano que nos trouxe mais uma vez o espectáculo público, mesmo que ocorrido nos lares, de mulheres maltratadas e mortas, numa sanha quase incompreensível. Não refiro aqui o número das que pereceram, porquanto uma que fosse já representaria uma tragédia.

Encontrei este poema de Edmundo Bettencourt, "Aparição". 

Que nos sirva de algum refrigério essas palavras, mas com a consciência de que a mulher é um ser humano com as suas qualidades e defeitos e não há que divinizá-la mas tão-só olhar para ela e reconhecer-lhe o lugar a que tem direito. E à Mulher compete reivindicar esse lugar para si, sem perder as suas próprias características.

Aparição

A mulher que por mim passou na rua, há pouco,
foi uma coisa diáfana, gentil,
cedo, a pairar
na sombra dum jardim
com flores, em baixo, ajoelhadas,
ao senti-la na altura,
e mandando-lhe o aroma em lágrimas, desfeito,
para mantê-la em uma nuvem branca...

Mulher, coisa diáfana, vaga e bela, sem desenho,
logo fluido animando o colo duma nuvem, nuvem,
num ápice, trucidada pelo vento!

in 'Rede Invisível'

Edmundo Bettencourt (Funchal1899 — Lisboa1973) foi um cantor e poeta Português notavelmente conhecido por interpretar a Canção de Coimbra e pelo seu papel determinante na introdução de temas populares neste género musical. Notabilizou-se pela composição musical "Saudades de Coimbra" a qual é ainda hoje uma referência da música portuguesa universitária ...daqui




Desejo-vos, meus amigos, uma boa passagem de ano e que 2020 nos traga mais tolerância e compreensão em relação aos nossos semelhantes.

Abraços.




BOAS FESTAS

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Poema: Citador