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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Fado Português




O Fado nasceu um dia, 
quando o vento mal bulia 

e o céu o mar prolongava, 
na amurada dum veleiro, 
no peito dum marinheiro 
que, estando triste, cantava, 
que, estando triste, cantava. 

Ai, que lindeza tamanha, 
meu chão , meu monte, meu vale, 
de folhas, flores, frutas de oiro, 
vê se vês terras de Espanha, 
areias de Portugal, 
olhar ceguinho de choro. 

Na boca dum marinheiro 
do frágil barco veleiro, 
morrendo a canção magoada, 
diz o pungir dos desejos 
do lábio a queimar de beijos 
que beija o ar, e mais nada, 
que beija o ar, e mais nada. 

Mãe, adeus. Adeus, Maria. 
Guarda bem no teu sentido 
que aqui te faço uma jura: 
que ou te levo à sacristia, 
ou foi Deus que foi servido 
dar-me no mar sepultura. 

Ora eis que embora outro dia, 
quando o vento nem bulia 
e o céu o mar prolongava, 
à proa de outro veleiro 
velava outro marinheiro 
que, estando triste, cantava, 
que, estando triste, cantava. 

in 'Poemas de Deus e do Diabo' 

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Poema: Citador

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Solte-se a Voz

Carlos Saura. Um espanhol que teve a ideia de, num documentário de 2006, apresentar o Fado numa perspectiva de tirar o fôlego. Adorei-o. Pelo seu cariz eclético e quase universal deu-lhe o nome de Fados. Nele estão patentes influências de, pelo menos, três continentes, que vão da toada europeia à fórmula mágica tropicalíssima, sem esquecer os acordes do flamenco, prestigiados pela incomparável interpretação da Joaquin Cortés. Aliás, neste filme participam nomes sonantes, como Mariza, Camané, Carlos do Carmo, Caetano Veloso,Chico Buarque, Lura, e não fica por aqui...  

E agora que estamos a poucos dias de o Fado poder passar a fazer parte do património cultural da humanidade, relembro este pormenor importantíssimo: um estrangeiro, ibérico, resolveu reunir num documento, o que na sua visão global poderá interessar em termos de influências e evolução de uma forma de estar, de uma estranha forma de vida, vista, geralmente, como tipicamente portuguesaVIDEOS

Ainda relacionado com este tema, gostaria de citar Isabel Castro Henriques, historiadora, que, na sua obra 'A Herança Africana em Portugal', traça de uma maneira magistral o percurso dos africanos em Portugal, especialmente em Lisboa. A sua chegada a Lagos, em 8 de Agosto de 1444, marcaria o momento simbólico de viragem rumo a uma nova Ordem. Não é disto que pretendo falar agora, mas realçar que das suas danças e cantares, o lundum, poder-se-ão extrair as influências e a origem do Fado. Com eles, o lundum viajaria para o Brasil...e assim se completaria o círculo ou o ciclo.