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sábado, 13 de agosto de 2016

Soneto da chuva




Quantas vezes chorou no teu regaço
a minha infância, terra que eu pisei:
aqueles versos de agua onde os direi,
cansado como vou do teu cansaço?

Virá abril de novo, até a tua
memória se fartar das mesmas flores
numa última órbita em que fores
carregada de cinza como a lua.

Porque bebes as dores que me são dadas,
desfeito é já no vosso próprio frio
meu coração, visões abandonadas.

Deixem chover as lágrimas que eu crio:
menos que chuva e lama nas estradas
és tu. poesia, meu amargo rio.

Carlos de Oliveira
in: Terra de Harmonia, 1950

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Imagem: aqui
Poema: Trazido do Banco de Poesia - 
Casa Fernando Pessoa

domingo, 14 de dezembro de 2014

Quando a harmonia chega

Escrevo na madrugada as últimas palavras deste livro: e tenho o coração tranquilo, sei que a alegria se reconstrói  e continua. Acordam pouco a pouco os construtores terrenos, gente que desperta no rumor das casas, forças surgindo da terra inesgotável, crianças que passam ao ar livre gargalhando. Como um rio lento e irrevogável, a humanidade está na rua. E a harmonia, que se desprende dos seus olhos densos ao encontro da luz, parece de repente uma ave de fogo.

Carlos de Oliveira
(1921-1981)
Trabalho poético

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Quis enviar-vos uma mensagem nesta manhã radiosa. Peguei num poemário de 2012, abri-o e os meus olhos caíram nesta página, nestas palavras de Carlos de Oliveira, que faço minhas.

Um bom domingo.

Abraço.