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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Sobre as minhas andanças por Cabo Verde (2)

Parei há dois posts atrás e há não sei quantos dias a narrativa sobre as minhas andanças africanas, mais precisamente, por Cabo Verde. Hoje retomo-a e, já se sabe, não de forma exaustiva mas dando conta apenas de um ou outro episódio, de uma ou outra impressão. Vou reatar a conversa no momento em que saímos de São Vicente vendo à esquerda o Monte Cara, com o Sol nascente lá atrás. Referia, na altura, a circunstância de ser uma fragilzinha no mar, pronta a fazer figuras tristes. 


Ilhéu dos Pássaros (a)

Mas, diga-se a verdade, o mar dessa vez foi muito meu amigo, muito manso e mesmo quando passámos o ilhéu dos Pássaros e me disseram que parecia um mar de azeite arrisquei um olhar, dois olhares e por fim descontraída pude começar a admirar as infindáveis rochas da ilha de Santo Antão, lá ao fundo, apenas uma amostra.



Agora é ao contrário: vemos ao fundo a ilha de São Vicente

Chegados ao Porto Novo, resolvemos tomar o pequeno almoço ali perto. E que iria ser? Cachupa guisada, claro, ovo estrelado, chouriço, café com leite, pão, manteiga, queijo. Uma refeição de respeito e perguntei à minha cabeça ainda mareada se o meu estômago aguentaria essa sobrecarga. Uma vozinha respondeu-me: Ai aguenta, aguenta! Nada que eu desconhecesse. 




Já provaram um pequeno-almoço assim? Mesmo bom.

Quando atravessamos o Porto Novo e começamos a subir, a subir, por estradas escavadas nas rochas com perícia, primorosamente calcetadas, o espectáculo dum lado e do outro intimida. A temperatura começa a mudar e vemo-nos num mundo completamente diferente. 
É quando a estrada estreita deixa de nos oferecer as intermináveis formações rochosas meio despidas de verde, mas continuando lá em cima a tocar o céu. 


Na estrada já ladeada de árvores, a aragem começa logo a exigir um casaquinho, o ar puríssimo, nós por cima das nuvens, não se sabendo bem se estamos a ver outra vez o mar. Mas não. Eram camadas de flocos de algodão, entre um branco diáfano e laivos de azul e rosa.


Era a magia experimentada por todos quantos sobem e descem pela estrada da Corda, construída nos anos 60 do século passado e que atinge a altitude de cerca de 1800 metros em Delgadim, o seu ponto mais estreito. E é um ponto de paragem obrigatória. 



O registo fotográfico referente a Delgadim encontra-se no post anterior: "Reencontro"

E parámos mesmo, subjugados por aquela grandeza, incapazes de captá-la e registá-la em toda a sua essência, a não ser pela concentração, quase em pose de meditação.


A seguir, como a carne é fraca, aproveitámos para servir-nos do farnel que levávamos no Jeep.  E iniciámos a descida para a Ribeira Grande.

Meus amigos, desejo-vos um bom fim de semana.

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Sobre as minhas andanças por Cabo Verde (1) - Clique

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Exceptuando-se a imagem do Ilhéu dos Pássaros (a) que fui buscar ao arrozcatum, todas as outras fotos são produção nossa. 

sábado, 31 de dezembro de 2016

Sobre as minhas andanças por Cabo Verde (1)

Majo Dutra disse:

Seja muito bem regressada, estimada Olinda!
Sempre suspeitei da sua relação com a Macaronésia e, em especial,
com Cabo Verde...
Isso é que foi veranear por ilhas tropicais e não convidou ninguém!
Não conhecia este Monte da Cara, muito interessante e a foto está belíssima.
Dias de adaptação ao frio muito agradáveis...
~~~ Beijinhos sorridentes ~~~




Pois, a Majo lembrou-se de um post sobre a Macaronésia que eu publiquei em tempos. Realmente, adoro a Macaronésia, ou ilhas afortunadas, composta pelos arquipélagos dos Açores, Madeira e Selvagens, Canárias, Cabo Verde e por uma faixa incrustada no continente africano, que, como se pretende, têm características semelhantes. Uma delas é a floresta laurissilva e embora Cabo Verde não tenha de forma bem visível florestas desse género há, no entanto, plantas com algumas semelhanças. 


Desta vez Cabo Verde esteve na minha mira, in loco. Andei por lá durante uns dias fazendo algumas redescobertas. Penso que estive mais atenta às pessoas, ao relevo das ilhas, à maresia, aos cheiros. Sei que não conseguirei transmitir-vos todas estas sensações mas alguma coisa ficará.

Insiro a seguir o meu Monte Cara, figura icónica da ilha de S.Vicente e diria até o seu ex-libris, no sentido que se dá normalmente a esta expressão extravasando o seu real significado:



Meu no sentido de que a imagem do post anterior não era da minha/nossa autoria como, aliás, referi. Esta foi tirada às 7.30 da manhã, não por mim pois eu estava muito compenetrada a tentar não fazer má figura para dentro do saquinho que o tripulante, gentilmente, me deu. Sempre fui assim, muito sensível aos balanços do mar. Nota-se, na foto, a Cara do homem que, há séculos, vigia os céus do Mindelo, em parte tingida de laranja pelo Sol nascente. 



Íamos rumo à vertiginosa ilha de Santo Antão. Dela dar-vos-ei conta na próxima publicação. Mas, para começar esta imagem à vista do Porto Novo e ao fundo uma pequena amostra das magníficas e imponentes rochas da ilha. Do lado lá, um mundo encantado.



E a São alvitrou:
Não identifico, mas faz lembrar a Noruega.
Um comentário muito interessante e que veio ao encontro daquilo que eu própria pensei à aproximação da cidade da Praia, Ilha de Santiago. A vista aérea da baía misturada com o cair da noite, com os recortes e a espuma das ondas fizeram-me exclamar: Oh! parecem fiordes. A imagem que acima deixo não mostra o que na realidade os meus olhos percepcionarem, pois, pesquisando, não encontrei nenhuma parecida.



Aproveito para vos desejar um Bom final de Ano com um video de BOAS FESTAS -  imagens da cidade do Mindelo, ilha de São Vicente.

Voltarei. Abraço.
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1ª e última imagem: Internet
Video de Boas Festas - Internet