Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!
In: Inéditos (1985/1990)
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A Paz! Senhora que nos fita do alto de várias incongruências, que nos acena, que nos sorri. E parece tão ao alcance das nossas mãos. Mas qual quê! Queremo-la realmente? Quantas e quantas vezes não pomos à frente as nossas próprias vontades.
Mas hoje saudemo-la, à Paz, desejemo-la com todas as nossas forças. Ela não é uma palavra vã. Olhemos para o que se passa lá fora, para as guerras que grassam e que fazem tantas vítimas. Vítimas de bombas das mais sofisticadas, da fome declaradamente visível.
Quando vejo vultos de sacos ou volumes que caem dos céus, largados por aviões, e os pobres massacrados a correrem pela praia ou outros lugares para os apanhar, sendo por vezes atingidos pela metralha sem poderem gozar esse bem, começo a pensar que a nossa evolução como pessoas é uma "treta".
A crueldade anda à solta.
E junto a minha voz à de Natália Correia:
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!
***
BOA PÁSCOA
FAÇAMOS A NOSSA PARTE,
PARA A NOSSA REDENÇÃO.
Abraços
Olinda
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Poema: citador