Um Abril que nos enche de alegria e tão completo como nos mostra aqui este poema. Uma autêntica bebedeira de Abril com tudo o que nos trouxe em termos de liberdade, liberdade de expressão, liberdade de pensamento, liberdade de acção.
Um Abril de massas, de novos ritmos e rumos, um caminho cujo início nos foi indicado há quarenta anos, dependendo de nós os trilhos por que optamos.
Um Abril de trigo, trevo, cravo, Abril de sonho, Abril palavra, Abril que se transforma em símbolo e mais tarde quando falarem de nós, dos Capitães de Abril e de todos os que não voltaram, um Abril mito.
Porque é nas lendas, mitos e heróis que encontramos a nossa força comum.
ABRIL
DE ABRIL
Era um
Abril de amigo Abril de trigo
Abril de
trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de
novos ritmos novos rumos.
Era um
Abril comigo Abril contigo
ainda só
ardor e sem ardil
Abril sem
adjectivo Abril de Abril.
Era um Abril
na praça Abril de massas
era um
Abril na rua Abril a rodos
Abril de
sol que nasce para todos.
Abril de
vinho e sonho em nossas taças
era um
Abril de clava Abril em acto
em mil
novecentos e setenta e quatro.
Era um
Abril viril Abril tão bravo
Abril de
boca a abrir-se Abril palavra
esse
Abril em que Abril se libertava.
Era um
Abril de clava Abril de cravo
Abril de
mão na mão e sem fantasmas
esse
Abril em que Abril floriu nas armas.
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Bebedeira de Abril: Paráfrase do verso "em bebedeira de azul" do poema Pedra Filosofal de António Gedeão.
Perdoem-me a liberdade.:)
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