Quero voar e cair de muito alto!
Ser arremessado como uma granada!
Ir parar a... Ser levado até...
Abstracto auge no fim de mim e de tudo!
Clímax a ferro e motores!
Escadaria pela velocidade acima, sem degraus!
Bomba hidráulica desancorando-me as entranhas sentidas! Ponham-me grilhetas só para eu as partir!
(Álvaro de Campos, “Saudação a Walt Whitman”, v. 30-37)
Noutros poemas, também notamos esta necessidade extrema de sentir tudo exageradamente e, assim, alcançar uma comunhão com o universo, textos claramente sensacionistas, portanto:
No poema Passagem das Horas:
Ser a mesma cousa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
(Álvaro de Campos, “A Passagem das Horas b”, v. 3-5)
Segundo Ricardo Belo de Morais:
O Álvaro de Campos é o Pessoa que Pessoa gostaria de ter sido. Uma espécie de Alice do outro lado do espelho que ele inventou para reciclar tudo o que era mau, regurgitado como qualquer coisa de belo. aqui
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imagem: daqui
Poemas in:
Fernando Pessoa
Obra completa de Álvaro de Campos
edição de Jerónimo Pizarro e Antonio Cardiello