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quarta-feira, 3 de maio de 2023

O Reino das Casuarinas

 



Imaginemos um reino que põe a tónica na primazia da microeconomia familiar sobre a macroeconomia no processo do crescimento e do desenvolvimento humano, que cria o conceito de Ministérios afectivos, isto é, de proximidade com os mais pobres.

Imaginemos um reino onde os partidos políticos não têm assento. Um reino com uma monarquia constitucional, que detém um território, um espaço sem tecto, com os símbolos próprios como a bandeira, em que a escrita é abolida, privilegiando a forma oral de transmissão de ideias.

Um reino cuja Constituição é elaborada sob a forma de provérbios, que prevê eleições, nomeadamente a de um primeiro-ministro. Os seus elementos detêm uma amnésia auto-adquirida, tendo todos frequentado o mesmo hospital psiquiátrico.

Um reino em que a utopia tem lugar. Eu quase que acreditava que teria futuro. Mas há um pormenor que fez com que caísse pela base. Um dos seus fundadores tinha optado por não utilizar a fala.

Eis uma forma quase redutora de apresentar "O Reino das Casuarinas", reconheço. Mas há mais, muito mais. Trata-se da Angola pós-independente, na qual surge uma geração de escritores a que se chamou a "Geração de 80". Geração que não vê a realização das suas expectativas da forma como as idealizava.

José Luís Mendonça é o autor. Nascido em 1955 na província do Kuanza-Norte, Golungo-Alto, Angola, oferece-nos neste livro a análise das suas preocupações sociais e políticas através do protagonista Nkuku. Mas também vai buscar ao personagem Primitivo algumas das suas mais profundas ideias.

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Anjo da Guarda

Yola Semedo



Tenham uma óptima semana, amigos.
Olinda



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