Para a Ana Tapadas - Rara Avis
Presença Africana
E apesar de tudo,
ainda sou a mesma!
Livre esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!
Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou,
a Irmã-Mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto...
A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...
A do dendém
nascendo dos abraços das palmeiras...
A do sol bom, mordendo
o chão das Ingombotas...
A das acácias rubras,
salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas...
Sim!, ainda sou a mesma.
A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11!...Rua 11!...)
pelos meninos
de barriga inchada e olhos fundos...
Sem dores nem alegrias,
de tronco nu e musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força destes dias...
E eu revendo ainda, e sempre, nela,
aquela
longa história inconsequente...
Minha terra...
Minha, eternamente...
Terra das acácias, dos dongos,
dos colios baloiçando, mansamente...
Terra!
Ainda sou a mesma.
Ainda sou a que num canto novo
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu povo!
Sebastião Antunes e Luís Represas
No dia em que nos
vamos encontrar
***
Hoje comemora-se o Dia das Mães no Brasil. Os meus Parabéns
e Votos de felicidades a Todas as Mães.
Olá, Ana
O motivo da dedicatória está contido no comentário a este post:
Eu pensei, de imediato, nalguns poemas de Alda Lara.
E então, lembrei-me de revisitar os seus poemas e trazer este.
Outra coisa:
Fiquei a conhecer Sebastião Antunes na tua penúltima publicação.
E gostei.
Desejo bom fim-de-semana a todos os amigos que por aqui passarem.
Abraços
Olinda
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