1939 - 2021
Sabemos do empenho de Carlos do Carmo quanto ao reconhecimento do Fado como Património Imaterial da Humanidade, mas ele remete para Amália o papel maior em relação à sua divulgação no exterior:
"Tenho uma dívida para com ela e essa justiça tem de ser feita.
Quem divulgou o fado lá fora foi a Amália. Eu fui a seguir, depois apareceu esta geração, mas ela é que abriu a porta a tudo isso."
Carlos do Carmo, fadista.
in: Amália
- Ditadura e Revolução,
Junho de 2020,
de Miguel Carvalho
"Lisboa Menina e Moça"
Decide a Autarquia unanimemente
No Castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
E assim desfaço o novelo de azul e mar
À Ribeira encosto a cabeça
A almofada, da cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
No Terreiro eu passo por ti
Mas da Graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que os meus olhos…
Autoria:
Ary dos Santos, Joaquim Pessoa, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho
(Actualização do post em 2021/01/04)
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Sobre o artista, no Xaile de Seda, aqui.
Notícia do falecimento in Expresso - aqui