A apresentar mensagens correspondentes à consulta oulman ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta oulman ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Que Voz!






A Voz de todas as nossas referências.
Aqui, Camões /Amália /Alain Oulman, conjunção perfeita.

E importa dizer algumas palavras sobre este homem que tanto fez  pelo Fado. Um compositor  que musica Poemas de grandes autores de língua portuguesa e que Amália eterniza na sua bela Voz.

Lê-se aqui:

Foi ele quem levou os poetas portugueses, como Luís de Camões, David Mourão-Ferreira, Alexandre O'Neill ou Manuel Alegre, para dentro de casa de Amália. Alain Oulman é também considerado o principal responsável por uma profunda alteração na música que a acompanhava.


No disco Com Que Voz, gravado em 1969 mas editado apenas no ano seguinte, Amália canta nomes como Cecília MeirelesAlexandre O'NeillDavid Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, Camões, Ary dos Santos e Pedro Homem de Mello. O disco receberá o IX Prémio da Crítica Discográfica Italiana (1971), o Grande Prémio da Cidade de Paris e o Grande Prémio do Disco de Paris (1975).

Oulman, pessoa de esquerda, é perseguido e preso pela PIDE.
======

terça-feira, 12 de setembro de 2023

Oito individualidades memoráveis (4)


“Vem por aqui”- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
"Cântico Negro"





José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, (Vila do Conde, 17 de Setembro de 1901Vila do Conde, 22 de Dezembro de 1969) foi um escritor, poeta, dramaturgo, romancista, novelista, contista, ensaísta, cronista, crítico, autor de diário, memorialista, epistológrafo e historiador da literatura português, para além de editor e director da influente revista literária Presença, desenhador, pintor, e grande conhecedor e coleccionador de arte sacra e popular. Tem uma biblioteca e uma escola secundária com o seu nome em Vila do Conde e em Portalegre uma escola do ensino básico. 

   Quando se fala em José Régio vem-nos à ideia "Cântico Negro", nem que apenas saibamos declamar os últimos versos deste famoso poema:

Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

   Contudo, a sua obra é vastíssima:«Diverso e uno», deixou-nos uma obra que se estende pelos vários meios da expressão literária, indo da poesia, do romance, da novela e do conto, ao teatro, ao ensaio e à crítica, passando pela obra íntima, o que faz dele o nosso mais imprescindível escritor e autor em cada género que abordou." * 
E mesmo "Poemas de Deus e do Diabo", donde é retirado "Cântico Negro", contém outros poemas, lindíssimos, que o caracter ecléctico e inconformado deste poeta produziu. 

Como o que se segue:

Sabedoria

Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando
Deus quiser.

Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara:
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal se conformara.

Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar. . .
E venha a morte quando Deus quiser.

Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas.
in 'Poemas de Deus e do Diabo'


   E entre eles encontramos outros como Fado Português, com a doçura e sensibilidade que bem conhecemos e apreciamos quando se ouve esse belo Fado.

Oiçamo-lo com devoção e atentemos bem nas suas palavras:


FADO PORTUGUÊS, o encontro de dois grandes da 
Cultura Portuguesa:


José Régio e Amália Rodrigues


MÚSICA: ALAIN OULMAN, 
o homem que, com a sua arte musical, acompanhou Amália na musicalização de poemas de grandes autores portugueses




   Vimos, no excerto da biografia, que José Régio foi grande conhecedor e coleccionador de arte sacra e popular. Com efeito, ainda em vida adquiriu várias obras de arte e na casa onde viveu durante 34 anos, em Portalegre, deixou estipulado que ali se faria um museu. É a Casa-Museu José Régio de que dou conta um pouco acima.

   E não podia terminar esta publicação que já vai longa para um blog, mas curta pelo muito que fica por dizer sobre este Autor, - sem referir EUGÉNIO LISBOA, amigo e crítico de José Régio. 

Produziu diversas recensões críticas em relação à Obra de Régio, sendo de assinalar a "Obra e o Homem", que mereceu por sua vez uma crítica de Teresa Líbano Monteiro, que diz a dado passo:

"A ideia central de Eugénio Lisboa relativamente a José Régio – ideia essa que foi posteriormente desenvolvida noutro ensaio, José Régio ou a Confissão Relutante (Rolim, 1988) – é de que toda a sua obra constitui uma longa, penosa e, por vezes, ambígua (porque relutante) tentativa de confissão. Seja quando fala nos poemas – quase invariavelmente escritos na primeira pessoa do singular, o que provocou numerosas (e frequentemente injustas) críticas ao chamado «umbicalismo» regiano – seja por meio das personagens dos contos, romances e peças de teatro, o escritor exprime constantemente um desejo de confissão...."

José Régio, grande representante da literatura portuguesa, perfaz, a 17 deste mês de Setembro, 122 anos sobre a data do seu nascimento. 


***

Boa semana, amigos.

Abraços

Olinda


====

SÉRIE:

Oito individualidades memoráveis (3)

Oito individualidades memoráveis (2)

Oito individualidades memoráveis (1)


*WOOK

Crítica de Teresa Lìbano Monteiro - aqui

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Rainha do Fado


Hoje, Centenário do nascimento de Amália. 


Não podia deixar de assinalar o dia, embora repetindo aquilo que todos nós sabemos. Redundante, dir-me-ão... mas deixá-lo.

Amália da Piedade Rebordão Rodrigues, 1920/1999, foi uma cantora, actriz e fadista portuguesa, geralmente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX.

Tornou-se conhecida como a Rainha do Fado e, por consequência, devido ao simbolismo que este género musical tem na cultura portuguesa, foi considerada por muitos como uma das suas melhores embaixadoras no mundo.


Marcante contribuição sua para a história do Fado, foi a novidade que introduziu de cantar poemas de grandes autores portugueses consagrados, depois de musicados, de que é exemplo a lírica de Luís de Camões ou as cantigas e trovas de D. Dinis.(Lembremo-nos de Alain Oulman).  Teve ainda ao serviço da sua voz a pena de alguns dos maiores poetas e letristas seus contemporâneos, como David Mourão Ferreira, Pedro Homem de Mello, José Carlos Ary dos Santos, Alexandre O'Neill ou Manuel Alegre. aqui

De tantas e tão belas canções e fados maravilhosos, imaginem, escolho o senhor extra-terrestre...



É que gosto mesmo de ouvi-la neste registo.

Boa quinta-feira, meus amigos.