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domingo, 21 de setembro de 2014

Encalhei, é o que é. A minha barca perdeu o norte...

A navegação por aqui tem estado um tanto parada. Este meu veleiro carece de vento favorável, está meio avariado, tendo o écran ficado todo branco há já uns dias. Aliás, já vinha dando sinais que não foram levados em conta. O pessoal engenhoso cá de casa teve a ideia de ligar o portátil ao monitor de um PC, que também já teve dias melhores. A coisa agora parece-me um tanto desmesurada e com fraca resoluçãoMas, adiante.


Nos meus últimos quatro posts fizemos uma pequena viagem pela região biogeográfica da Macaronésia, região que engloba quatro arquipélagos e um enclave no continente africano, com características comuns em termos de flora e fauna, espécies únicas no mundo. Há quem diga que Cabo Verde não terá assim uma floresta que se veja, excluindo-o até do grupo... Esta circunstância não impede estes arquipélagos de interagirem, de terem uma representação, espaço de concertação política e de cooperação, com uma forte componente cultural. 



Como devem estar lembrados, relemos aqui alguns poetas que nos deliciaram com a sua escrita. Poemas a celebrar o mar, a beleza das ondas, o vento, a magia dos búzios e apontando, por outro lado, o preço da insularidade.

Ouçamos a propósito a fala deste miúdo, o João, hoje talvez na casa dos 60 anos, numa voz plena de emoção e com alguma saudade:  



Com um olho semi-aberto e o outro fechado espreitava o mar que encapelava e uma onda gigantesca que desabava sobre o convés do pequeno barco varando-o de um lado ao outro. Não conseguia distinguir o que eram lágrimas do que era água do mar. Preferia refugiar-me num recanto dentro de mim enquanto o meu corpo se abandonava balouçando-se ao sabor das intempéries. Senti que alguém me pegava numa asinha e me depositava em cima da câmara, um género de porta na horizontal que dava acesso ao porão. Eu, nem ai nem ui e nem o conseguiria mesmo que quisesse... E ali fiquei, acusando as vísceras os efeitos devastadores daqueles rigores marítimos. Sabia que depois das férias, no regresso às aulas, repetir-se-ia a mesma cena... ou então, aconteceria o contrário, com o mar em calmaria, passando o veleiro horas e horas, senão dias, à deriva...

Muito obrigada pela vossa companhia. 
Desejo-vos um óptimo domingo.

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Ver: Floresta Laurissilva

1ª imagem - daqui
Fotografia by anka zuhravleva
3ª imagem - daqui