Vou de
barco
no
crescimento das
ondas
num
bailado ziguezagueante
de águas
aveludadas.
Solto-me
na surdez do sol
queimando
corpos de mulheres
que
correm junto à margem
engolfadas
na espuma marítima.
Há uma
chama a dissolver-se no mar
um
deserto para sentir
o que
nunca foi, um destino inscrito
na
eternidade a reinventar a vida.
Sob os
meus olhos em delírio
passam
todas as estradas
subindo
as escarpas
das sensações
cavernosas, um sabor
analgésico
boiando sob os picos silvestres.
Viajo.
Vou-me
apropriando do universo
das
belezas extasiadas.
Meu
deus, a vida é uma valsa
a
percorrer os trilhos breves dos desejos!
Uma
orgia brotando das narinas
uma
vertigem na folhagem
descendo
dos céus
como um
elipse para vencer o tempo!
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Imagem - daqui