Dizia-me há dias um amigo que o Crioulo é a língua do coração, a língua de casa, a língua materna, aquela em que se dizem coisas doces, coisas de entranha. Achei interessantíssima essa expressão e, pelo que sei, realmente no quotidiano é a língua que expressa todo um mundo de sentimentos, emoções e preocupações pelas coisas da vida. Nas letras poéticas, depois musicadas, dolentes como a Morna, mexidas como a Coladera e outras, encontramos todo esse sentir e, apercebendo-nos do seu significado, não haverá forma mais doce de dizer: eu amo-te muito do que 'm krebo tcheu (grafia livre), acrescentou ele. De resto, em Eugénio Tavares encontramos esse manancial de letras e músicas que marcaram uma época e que continuam a fazer eco nos corações dos cabo-verdianos.
É como nos faz sentir esta Senhora, grande linguista cabo-verdiana, Dulce Almada Duarte, falecida no passado mês de Agosto, a quem fui buscar o título desta publicação, da sua obra Bilinguismo ou Diglossia? Tive a oportunidade de referir o seu trabalho aqui, no que diz respeito ao ALUPEC, quando falei da tradução de algumas passagens das obras de Camões e de Álvaro de Campos para o Crioulo Cabo-verdiano, por José Luiz Tavares, com a matriz do crioulo santiaguense, mas seguindo as bases do mencionado Alfabeto, já aprovado.
Na referida publicação assinalei, superficialmente embora, a situação do Cabo-Verdiano como língua, mas ainda com um estatuto que não possibilitaria a sua escrita e o ensino efectivo nas escolas. Da sua utilização oficial poder-se-á dizer que têm aparecido alguns trabalhos vertidos em crioulo e li que foi ou vai ser traduzida a Constituição da República. (Conseguimos visualizar a dificuldade que não será a sua leitura sem as ferramentas de aprendizagem bem oleadas). Por outro lado, surgem discursos políticos e algumas intervenções públicas em crioulo e também há professores que, por vezes, explicam matérias nessa língua. Mas, no geral, a Língua Portuguesa é adoptada como língua de trabalho e do Ensino escolar.
Será isso suficiente para considerarmos que estamos perante uma sociedade bilingue, em que duas línguas convivem e dispõem das mesmas oportunidades de aprendizagem, de expansão, de estudo? Essa a grande questão. Dulce Almada Duarte, discípula de Baltasar Lopes da Silva, pioneiro no estudo do Crioulo, trabalhou para que esse reconhecimento fosse ou seja efectivado. De ler este artigo* de Manuel Veiga, linguista, que presidiu à Comissão Nacional para a padronização do Alfabeto da Língua Cabo-verdiana, versando sobre o assunto e que descansa os que pensam que a sistematização do Crioulo irá sufocar o Português, língua muito amada por todos.
É enorme o legado de Dulce Almada Duarte, e todos esperamos que o mesmo seja prestigiado na medida da sua grande dedicação e talento.
Em sua homenagem, o meu querido HUMBERTONA, e o seu violão reverberando saudades, como só ele:
Será isso suficiente para considerarmos que estamos perante uma sociedade bilingue, em que duas línguas convivem e dispõem das mesmas oportunidades de aprendizagem, de expansão, de estudo? Essa a grande questão. Dulce Almada Duarte, discípula de Baltasar Lopes da Silva, pioneiro no estudo do Crioulo, trabalhou para que esse reconhecimento fosse ou seja efectivado. De ler este artigo* de Manuel Veiga, linguista, que presidiu à Comissão Nacional para a padronização do Alfabeto da Língua Cabo-verdiana, versando sobre o assunto e que descansa os que pensam que a sistematização do Crioulo irá sufocar o Português, língua muito amada por todos.
É enorme o legado de Dulce Almada Duarte, e todos esperamos que o mesmo seja prestigiado na medida da sua grande dedicação e talento.
Em sua homenagem, o meu querido HUMBERTONA, e o seu violão reverberando saudades, como só ele:
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Ver:
Esquina do Tempo - BRITO-SEMEDO
"O bilinguismo oficial cabo-verdiano..."
* Cabo Verde: da Diglossia à Construção do Bilinguismo-
em Pdf na Net