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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O homem sempre presente


Aqui d'el rei que ele não pára. Hoje está aqui, amanhã no norte, depois de amanhã no sul. Come da marmita,  abraça e beija a plebe, fala de tudo, opina em tudo, dá notícias em primeira mão, dá entrevistas, fala e justifica medidas como se fosse governo, enfim, por esse andar não vai aguentar o ritmo e, mais, está a sair da sua esfera.






E agora? Fazer o quê? Lançar-lhe um anátema, um impeachement? Não podem. Ele está lá por direito próprio. Sendo um homem de leis, isto é, com a sua formação jurídica saberá até onde ir sem extravasar as suas competências, tendo sempre em conta a importância e independência dos três poderes: legislativo, executivo, judicial. A sua forma de estar poderá colidir com o establishment, mas quem, em boa consciência, não gosta de uma lufada de ar fresco, de uma pedrada no charco? Incomoda? Pois, incomoda a muita gente essa disponibilidade toda, essa maneira diferente de estar e de fazer.


Em tempos, nos tempos da troika, cheguei a referir aqui, retiradas da Constituição, as competências do Presidente da República que, além do veto suspensivo que servirá para mostrar o seu desacordo por determinada medida, tem ao seu dispor outros instrumentos de gestão de crise. Será preciso esperar por crises, sejam institucionais, económico-financeiras ou outras para ele se manifestar? Mais vale pôr o dedo na ferida enquanto é tempo e dizer pura e simplesmente: Está morto, este assunto está morto. Vamos avançar. O futuro é que interessa.

Continue assim, Presidente, seja o homem do leme. 
Seja sempre o homem dos afectos que abraça o Universo.

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Imagem:Pixabey