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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

aguenta, santa bárbara!




Fevereiro soalheiro. Faz-me lembrar um outro, por oposição a este:
Chovia a potes. Não fazíamos ideia donde vinha tanta água, tanta trovoada. Elas ribombavam de tal modo que sentíamos a trepidação dentro do nosso próprio corpo. Escureceu, estava um nevoeiro inconcebível que só deixava adivinhar e mal as poderosas e altíssimas rochas do Tabuleirinho. Os relâmpagos cruzavam os céus sem cerimónia. Diz-se que eles vêm antes dos trovões mas nós, dentro da casa quase suspensa, não tínhamos noção da ordem das coisas. Sabíamos que lá em baixo, no vale, era a casa e a propriedade da nossa tia e que corríamos o risco de ir lá parar e da pior maneira. Por isso, só podíamos gritar por Santa Bárbara, a padroeira dessas horas de aflição. António, o meu irmão mais velho, pouco dado a essas crenças fez um riso de escárnio. Nisto, ouve-se um barulho que não augurava nada de bom. E percebemos do que se tratava: um pouco acima ficava uma grande ladeira e aquilo era uma quebrada, isto é, pedregulhos, pedras e pedrinhas, terra e lama, troncos e ramos de árvores vinham por aí abaixo em nossa direcção numa velocidade louca. E o António, no auge do desespero, espavorido, gritou: Agueeeenta, Santa Bárbara!

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Imagem: daqui