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sexta-feira, 20 de setembro de 2024

UMA AVENTURA





Passeando vi uma morena
Disse chamar-se Ariana
Que perfeição, que beleza
Vê-la foi para mim um problema

Uma beleza assim?- não acredito!...
Fui depressa à casa de banho
raspar e lavar a crosta dos meus anos
Que já são muitos

Ainda surpreendido fui às praias, ao mar,
Ver se via ali uma sereia para amar
nada, nada, tive de voltar
Sentei-me à sombra de um rochedo a pensar

A seguir, prendi o meu passado - o velhaco!
e, admirado da minha habilidade,
perguntei-lhe: que fizeste da minha mocidade?
atarantado não me respondeu direito

Zangado atirei-me ao mar
Fui ao fundo, ali vi uma sereia
Linda, linda, casei-me com ela
Jamais posso voltar à terra para trabalhar

Mas,
Senti saudades da terra
         VOLTEI

e, ao acordar de madrugada, ensonado.
Vi-te diante de mim em pensamento
Vi nuvens, mares, precipícios e a ti
         "BELEZA"
entre seres atmosféricos e terrestres -
eu sonhava.

A.L.S.

(meu pai)




Bôs odjos Xandinha
 



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Imagem: pixabay

Nas minhas (des)arrumações vou encontrando papéis, cartas, bilhetes, que eu já havia esquecido e que me surpreendem.

Veja mais aqui de A.L.S.

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

O quintanista* e a pastilha ou o comportamento e a avaliação (2)

Realmente, isso do comportamento é uma coisa complicada. Este nosso quintanista tem consciência de que possui uma veia parlatória bastante acentuada, que adora aproveitar uma confusãozinha, enviar pequenas missivas, enfim, comunicar. Quando é confrontado com a expressão "mau comportamento", sente-se no direito de achar que mau comportamento é outra coisa. E ainda por cima por um deslize tem de pagar três vezes ou mais.

Até parece que o esforço que faz em cumprir o horário, fazer os T.P.C's, muitas vezes a cair de sono, estudar para os testes...uf!, não serve de grande coisa, pois lá vem sempre a história do comportamento a estragar tudo. É que suga tudo. Quando merece um cinco dão um quatro, quando merece um quatro dão-lhe um três, e quando merece um três...cruzes! E assim vão aumentando as estatísticas dos pouco dotados.




É mesmo isso. Lembra-se de ter saído nos jornais ainda há pouco tempo que nas duas disciplinas consideradas nucleares poucos são aqueles que conseguem sobressair. Pois, pois! São estudos feitos por quem não analisa também todas as peripécias por que passa um quintanista. Até porque atina bem com uma delas, e o professor sempre lhe vai escrevendo umas palavras simpáticas: "Muito bem! Continua a escrever assim." Uma vez este professor disse-lhe uma coisa de que não gostou, mas um quintanista tem de ter um certo poder de encaixe, principalmente quando é um conversador. Mas, em relação à outra disciplina, é uma seca. Se não fosse pelo professor que é uma daquelas pessoas de quem se gosta mesmo, "nem sei".

Mas, apesar de tudo o que lhe doeu mais foi ter sido injustiçado numa outra aula. No entanto, o encarregado de educação no seu papel socializante, mas muitas vezes castrador, disse-lhe: "Vá lá! Vai com calma".

É um bocado complicado compreender os adultos, sabem? Combinam uma coisa com os mais pequenos e quando lhes apetece alteram as regras. Dizem-lhes que têm de participar porque conta para a avaliação e quando pretendem fazê-lo não são autorizados. O nosso quintanista sentiu isso e contestou. Valeu-lhe uma interiorização longa e, no mínimo, abstracta de que não devia questionar o professor. Para além da mão dormente, não teve tempo de se preparar para o teste convenientemente. Também lhe ficou o sabor amargo da frustração...

* entenda-se: o/a

Olinda

(1998)

2ª e última parte

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Parte 1

Texto, na pele do "quintanista", interpretando um pouco as experiências da minha filha, nessa idade.
*Chamava-se "quintanista" aos estudantes que já estavam no quinto ano das licenciaturas, antes do Processo de Bolonha, de 19/6/99.
Eu, aqui, tomei essa liberdade, referindo-me aos miúdos no seu primeiro ano da escola preparatória (5º ano da escolaridade).

imagem: pixabay

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

O quintanista* e a pastilha ou o comportamento e a avaliação (1)

"Olha a pastiiiilha! Não me entres nas aulas com a pastilha na boca". De entre as várias recomendações diárias do encarregado de educação* esta é sacramental. Mas o quintanista despreocupadamente:"Oh!Oh! Tenho cá uma técnica que ninguém me apanha". "Não quero saber de técnicas. Pastilha fora da boca, já."

Contudo, naquele dia, a pastilha elástica, esquecendo cumplicidades passadas, obedeceu apenas à força da gravidade. No preciso momento em que o professor dizia ao quintanista para intervir na aula, a pastilha descola-se-lhe do céu da boca e espeta-se-lhe num canino. Ir lá com o dedo é impensável. O melhor é começar a dizer alguma coisa antes que o professor desconfie.

Mas este, olhos experientes de algumas décadas nessas andanças, verifica que há ali qualquer coisa de estranho. Embora o quintanista esteja ainda na idade, quase, da mudança dos dentes de leite, não se lhe ia crescer um assim de repente e com características draculianas. Pois, não havia dúvidas. Uma pastilha!!!



E o nosso quintanista, mastigador entendido e especializado de pastilhas elásticas lá teve de interiorizar, escrevendo cinquenta vezes que não podia comer nas aulas. Bom, aquilo era um eufemisno. Não estava propriamente a comer e nem era essa a sua intenção. Mas, enfim, bem lá no íntimo sempre soube que poderia ser apanhado.

E agora era só esperar pela pastilha. Além da tal interiorização que lhe deixou uma cãibra nos três dedos com que segura a esferográfica, tinha de se haver com o "Não te disse???!!!..." do encarregado de educação, com o sinalzinho de mau agoiro inscrito na sua ficha e esperar ainda pela pancada no final do período lectivo. Nem o facto de ter seguido uma técnica vivamente recomendada presentemente que é o de utilizar, reutilizar e reciclar, lhe poderia valer. Sim, porque a ideia era recuperar a dita no final da aula.

Olinda

(1998)

Continua amanhã ( 2ª e última parte)


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Texto, na pele do "quintanista", interpretando um pouco as experiências da minha filha, nessa idade. 

imagem: pixabay

caimbra - não consegui pôr o til no i