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segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Frágeis que somos

Uma sombra esgueira-se na noite. Dobrada, pescoço enfiado no corpo, olha para todos os lados com ar comprometido. Nota-se-lhe um andar claudicante que a bengala não sustém. Pousa-a no solo ao de leve como que receando o ruído que pudesse fazer, ecoando na cidade fantasma. Das janelas, frinchas franqueiam a olhares pouco amistosos o avançar da figura vestida de escuro. Perscrutam a noite, perscrutam-na a ela, perscrutam os relógios, tudo o que possa dizer as horas. E tudo indica que alguém se encontra na rua, furando o recolher obrigatório. E mais. Sem o respectivo acessório de uso obrigatório que a salvaria de um mau encontro com o vírus. O que fazer? Liga-se para a Polícia? Se dantes andar de máscara era caso suspeito, agora andar sem ela denota falta de civismo e de amor a si próprio e aos outros. Mas, o que se passa? Mais uma sombra sai da esquina também ostentando rosto desnudado. E não mostra constrangimento algum, com um à vontade como se fosse tudo seu. Que descaramento! Muito afoita, a segunda sombra aproxima-se da primeira: Ah, Ah, afinal tu também não trazes máscara. Acho bem, isso é tudo treta. Qual Covid, qual carapuça! Alguns vão ficar ricos com isso. Estou mesmo a ver. Esse negócio das máscaras, dos kits de protecção, do álcool, do gel desinfectante...enfim, e tanto plástico, meu Deus! A primeira sombra responde baixinho: Ando escondida, escapulindo-me pela rua a horas mortas para não ser denunciada... É que não tenho dinheiro para comprar uma máscara sequer. E dizem que é obrigatório! E quem não pode comprá-las?




Boa semana, meus amigos.

Saúde!


domingo, 6 de setembro de 2020

Vida pós-Covid ou com Covid?

Acho interessantíssimo falar-se da vida pós-Covid, como se já tivéssemos atravessado o deserto com o oásis à vista, quando é certo que este será, por enquanto, apenas uma miragem. Neste momento não há certezas nenhumas sobre quando nos poderemos considerar livres de tal vírus, pois não há medicamentos específicos para o combater e vacina muito menos, ainda que haja algumas notícias nesse sentido. 

Compreendo que se queira pensar o futuro, fazendo projectos disto e daquilo. Mas não descuremos o presente que se apresenta tão periclitante. Esta pandemia veio pôr a nu situações gritantes de desigualdade social. A imposição do confinamento se, por um lado, terá sido o mais acertado até se perceber que medidas concretas poderiam ser tomadas, por outro veio atirar para a miséria pessoas cuja situação financeira já não era famosa. 

Daí que tenhamos de retomar a vida, as nossas actividades, agora, no quotidiano. Não há alternativa. De nada vale ficarmos trancados no nosso medo, sumamente humano, de ficarmos infectados. Todos os nossos hábitos diários implicam essa possibilidade. Tudo o que é produzido sai de mãos humanas, desde o cafezinho que vamos tomar ao Café da esquina, aos bolos, às refeições e compras que fazemos ou que nos vêm trazer a casa, ao restaurante que frequentamos, às fábricas de transformação de alimentos, ao dinheiro que passa de mão em mão, ao multibanco, ao rodar a maçaneta de uma porta, ao abraço a familiares e amigos, tudo é passível de transmitir a infecção. Nós, os humanos, somos os agentes deste vírus. Os únicos? Não sabemos ainda, penso eu.

Assim, o que há a fazer é todos nós seguirmos as regras que se têm como boas, isto é, consideradas capazes de nos defender de percalços. Não há dúvida nenhuma de que a situação não se presta a que nos relaxemos, não é verdade? Lavar as mãos, desinfectar as mãos, usar máscaras em espaços fechados...não fazer ajuntamentos, guardar distâncias de segurança. 

A abertura das escolas, dos colégios, dos infantários vem colocar-nos um desafio enorme. Será uma obra hercúlea. Nem sei como impedir que crianças de tenra idade se mantenham afastadas umas outras por mais regras que haja...Que Deus nos acuda!  

Quanto à máscara, lembremo-nos de que esta pandemia é real e que ela, a máscara, entre outros cuidados, serve para nos proteger da infecção e se lidarmos com ela displicentemente acabará por ser um veículo de transmissão do vírus.


 

Boa semana, meus amigos.

E muita Saúde!

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