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quinta-feira, 1 de maio de 2025

Salgueiro Maia - O Implicado

 


No Terreiro do Paço (Praça do Comércio)

Na madrugada de 25 de Abril de 1974, durante a parada da Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, proferiu o célebre discurso: 

"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!". 

Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas de forma serena mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à sua frente. Depois seguiram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura. aqui




As últimas palavras de Salgueiro Maia 
1ª parte



As últimas palavras de Salgueiro Maia 
2ª parte


O título desta publicação, Salgueiro Maio - O implicado, é o título do filme que vi há dias, no qual é descrito, em resumo, a acção deste militar que trazia em si a noção do dever e sentido pátrio. 

Nesta entrevista, em duas partes, ouvimo-lo descrever por palavras suas o que pensava sobre o 25 de abril de 1974 e o que fez para que isso acontecesse. 

É a primeira vez que falo sobre ele, mas sempre senti que me faltava algo, esse rosto, essa figura que concretizaria a Hora da Liberdade. Nestes últimos dias tive a oportunidade de fazer algumas leituras e de ficar a saber o que o movia.

Morreu a 4 de Abril de 1992.

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Citação: de aqui

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Diz




Diz mulher
ao teu país
como lutaste até hoje

o que fizeram 
de ti

o que quiseram 
que fosses

Como prenderam teu
grito
sob a boca amordaçada

Mas como cantaste
assim
do teu desgosto apartada

Diz mulher 
ao teu país

conta a vida em que
cresceste

Como algemaram
teus pulsos

conta aquilo
que aprendeste

Do saque da tua
vida
relata os dias passados

da cadeia em que estiveste
descreve
o pavor rasgado

as torturas que sofreste
o medo nunca acabado

Diz mulher
ao teu país
como lutaste até hoje

não cales mais
a recusa
do que quiseram que fosses...

não silencies
a renúncia
a que te viste obrigada

Não desistas 
de gritar
tua vida encarcerada

In: Mulheres de Abril
p. 21 a 23




Maria Teresa de Mascarenhas Horta Barros (1937-2025) foi uma escritora, jornalista e poetisa portuguesa. É uma das autoras do livro Novas Cartas Portuguesas, pelo qual foi processada e julgada em 1972, ao lado de Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa. aqui




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Nota:
Publiquei este poema no ano passado, aquando do 50º aniversário do 25 de Abril.
Volto a publicá-lo hoje, em homenagem a esta grande Mulher que faleceu a 4 de Fevereiro deste ano.