Diz mulher
ao teu país
como lutaste até hoje
o que fizeram
de ti
o que quiseram
que fosses
Como prenderam teu
grito
sob a boca amordaçada
Mas como cantaste
assim
do teu desgosto apartada
Diz mulher
ao teu país
conta a vida em que
cresceste
Como algemaram
teus pulsos
conta aquilo
que aprendeste
Do saque da tua
vida
relata os dias passados
da cadeia em que estiveste
descreve
o pavor rasgado
as torturas que sofreste
o medo nunca acabado
Diz mulher
ao teu país
como lutaste até hoje
não cales mais
a recusa
do que quiseram que fosses...
não silencies
a renúncia
a que te viste obrigada
Não desistas
de gritar
tua vida encarcerada
In: Mulheres de Abril
p. 21 a 23
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Nota:
Publiquei este poema no ano passado, aquando do 50º aniversário do 25 de Abril.
Volto a publicá-lo hoje, em homenagem a esta grande Mulher que faleceu a 4 de Fevereiro deste ano.