sábado, 30 de junho de 2018

Oh, Vida, sê bela!


Alberto de Lacerda - o poeta expatriado

O exílio é isto e nada mais
Na sua forma mais perfeita: 
Hoje na terra de meus pais
Somente a luz não é suspeita.

aqui


NÓS

Falei 

Cantei 
Cantei demais 

Arrisquei quebrar 
O arco-íris 

Mas até em estilhaço 
Continuaria 
O encantamento


Alberto de Lacerda, in 'Átrio' 


Como é Belo Seu Rosto Matutino

Como é belo seu rosto matutino 

Sua plácida sombra quando anda 

Lembra florestas e lembra o mar 
O mar o sol a pique sobre o mar 

Não tive amigo assim na minha infância 
Não é isso que busco quando o vejo 
Alheio como a brisa 
Não busco nada 
Sei apenas que passa quando passa 
Seu rosto matutino 
Um som de queda de água 
Uma promessa inumana 
Uma ilha uma ilha 
Que só vento habita 
E os pássaros azuis 


Alberto de Lacerda, 

in 'Exílio' 




Alberto de Lacerda viveu quase sempre no estrangeiro e foi esquecido. Porém, nunca se esqueceu de Portugal. Pelo contrário, levou a nossa cultura para junto de gente que, de Portugal, nada sabia. Esse é um dos problemas que se apresenta no que respeita à tarefa de divulgar a vida e obra do poeta Alberto de Lacerda (1928-2007). É preciso ir encontrá-lo, situá-lo no seu tempo e dar-lhe o contexto de uma vida vivida e celebrada por outros.


Palavras iniciais da introdução à exposição, da Biblioteca Nacional, dedicada à obra de Alberto de Lacerda, em Outubro de 2017, com o título "Oh, Vida, sê bela!".

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ALBERTO DE LACERDA: toda a luz e solidão do mundo.

LABAREDA - publicado agora, em Junho 
Diz-se aqui que este livro quer resgatá-lo para as novas gerações e estimular a curiosidade para uma poética e uma vida invulgares.

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Imagens: net
Poemas: Citador


quinta-feira, 28 de junho de 2018

Amália/Paião. Calendário escolar. D. António Marto

Ouvi há dias, na Rádio, "O senhor extraterrestre", da autoria do saudoso Carlos Paião, e gostei muito de ouvir Amália nesse registo brincalhão e crítico. 




Naquela altura era o bacalhau que faltava e não seria de admirar se solicitássemos uma cunha a um extraterrestre para o obter. Hoje não nos falta quase nada. Os supermercados estão cheios de tudo, os stands de automóveis com automóveis para todas as bolsas, as lojas do zé povo e as de luxo com roupas e acessórios para todos os gostos. Não nos podemos queixar a não ser de falta de dinheiro, para alguns. Com a ilusão de bonança que nos envolve, esquecendo-nos que vivemos praticamente de empréstimos, lá vamos nós perdendo tempo com o diz-que-disse.

O que me parece preocupante mas não irresolúvel é o que eu li e ouvi sobre o calendário escolar para o ano lectivo 2018/2019: o terceiro período vai ter apenas mês e meio, de modo que o aluno que tiver azar nos períodos antecedentes dificilmente conseguirá recuperar a tempo para passar de ano. E porquê essa discrepância? Sabemos que o calendário escolar é feito em função do calendário religioso católico. Assim, sendo a Páscoa uma festa móvel esta condiciona a vida escolar. Enfim. Somos ou não somos um Estado laico? Bem, até compreendo. Somos um país maioritariamente católico, temos a Concordata e os feriados... que não são de desdenhar. E as outras religiões existentes em Portugal o que dizem a isso?




Como católica que sou, registo com interesse que D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima, foi nomeado Cardeal. Mais uma hipótese que se desenha no sentido de virmos a ter outro Papa português. O primeiro e último foi Pedro Hispano que tomou o nome de João XXII, coroado em 20 de Setembro de 1276. Um pontificado muito curto: A 14 de maio de 1277, o edifício ruiu quando o papa se encontrava sozinho no seu interior. Pedro Hispano veio a morrer alguns dias mais tarde devido à gravidade dos ferimentos sofridos e encontra-se sepultado na catedral de Viterbo.

Desejo-vos uma boa semana.

Abraço.

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Imagem: Net

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Influenciadores. Facilitadores.

As palavras ao longo dos tempos vão tomando novas significações. Nada que nos admire. Mas mesmo assim há algumas que me fazem pensar ao tomar conhecimento da sua contextualização. É o que acontece com influenciador/influenciadora. 
No avanço tecnológico em que estamos a viver é já uma profissão. Logo, melhor será dizer Influenciador/Influenciadora digital ou formadores de opiniões digitais.

















Não há muito tempo, três meses se tanto, tinha a televisão sintonizada em determinado canal onde decorria uma entrevista a dois rapazes, talvez adolescentes ou na casa dos vinte. Aí ouvi pela primeira vez a palavra com esse significado. Então, um deles respondendo à pergunta de como é que a coisa funcionava respondia que postavam fotos no Instagram e outras redes sociais envergando roupas e acessórios de que gostavam. Também iam às escolas e passeavam por ali, ou seja, desfilavam à vista dos colegas. Depois, com as visualizações ganhavam uma boa maquia, mercê de alguns contratos com as marcas.

Sabemos, lendo e ouvindo por aí, que figuras como alguns bloggers, youtubers etc. ganham a vida, ou quase, fazendo publicidade a produtos diversos ou gerando os seus próprios conteúdos, uma comercialização muito interessante que fala bem dos tempos que vivemos. O tradicional sistema de trocas está longe do que era ou talvez não. O que se faz agora não será mais do que trocas com suportes diferentes, cada dia mais versáteis e sofisticados.

Vimos há poucos dias uma rapariga de 16 anos ganhar um globo de ouro pela sua actividade na internet, na área da música. É uma visibilidade outra, não há dúvida. Andar pela vida a singrar passo a passo já era. Os meios agora são outros. Também reconheço que é preciso talento e saber fazer.

Influenciada, talvez, com a informação que já levava sobre os influenciadores vi logo naqueles dias um livro, na Fnac, com um título que me chamou a atenção: Os Facilitadores. Pareceu-me quase a mesma coisa. Aproximando-me mais, dei conta de que era um nome (ou substantivo) proveniente de facilitar. De vez em quando, cá em casa, dizem-me a rir que sou uma facilitadora, mesmo antes de saber que essa palavra existia no contexto actual. Muitas vezes até concordo. Será uma qualidade ou um defeito? Dependerá da natureza daquilo que facilitamos, não é? 








Voltando ao livro vi-lhe o autor, a capa e a contra-capa e fotografei-os com a minha falta de jeito proverbial, com um resultado muito pouco legível/visível. Sempre tenho dito que quando eu for grande quero ser como a UJM, blogger que eu sigo, ou como a minha filha. São autênticas artistas da fotografia. Mas, apesar da má qualidade das fotos, consigo distinguir que o autor se chama GUSTAVO SAMPAIO e que o tema versa sobre um grupo profissional que, com a sua acção, facilita a vida a Empresas privadas e também ao Estado nos mais variados serviços tais como: 

Ajustes directos, contratos swap, PPP (nos sectores da saúde, educação, águas, resíduos, vias rodoviárias e ferroviárias, etc.), privatizações de empresas públicas, concessões e subconcessões, contratos de exploração a meio século, auto-estradas com portagens virtuais, rendas excessivas no sector energético, mais-valias decorrentes da venda de gás natural não partilhadas com os consumidores, aumentos das taxas nos aeroportos nacionais, direitos adquiridos sobre pontes e aeroportos que ainda não foram construídos, indemnizações devidas por causa de projectos adiados, ou mudanças de sede fiscal para ... aqui

Uma investigação e tanto, como tudo na vida, passível de contraditório se for caso disso.

Mas, quis saber mais sobre o assunto, isto é, acerca dos Facilitadores. Descobri que é uma realidade que só eu desconhecia, pelos vistos, ou então terei já lidado com isso, mas através de uma outra designação ou com outro alcance. Segundo o que li, aqui, são pessoas geradoras de ideias inovadoras e de soluções criativas de problemas. Muitas são as competências dos Facilitadores. Até há formação específica para esse desempenho.

               Como dizia a minha avó: Vivendo e aprendendo.

                      E agora sim, despeço-me. Até daqui a oito dias

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1ªimagem: daqui
2ª imagem: daqui