terça-feira, 25 de abril de 2017

Ai liberdade, liberdade, o que és?


Das várias definições que tenho encontrado, apraz-me registar esta de Joaquim Pessoa:




A liberdade é um vinho de excelência. Não faz sentido que não o compartilhes. A sedução de ambos ajuda-nos a viver, é o perfume da pele, a pele do vento, o segredo com que a flor atrai a abelha. As árvores amam-se, e até mesmo as pedras partilham o amor entre si. O verde perde-se de amor pelo azul. In Ano Comum-

E quando isso acontece é porque realmente somos livres. Livres de fazer o que queremos, com a tal ressalva de não pisar o outro. E porque hoje estou numa de citações deixo aqui mais uma, desta feita de Baruch Espinoza:


Quanto a mim, chamo de livre uma coisa que é e age apenas pela necessidade da sua natureza; de coagida, a que é determinada por uma outra a existir e a agir de uma determinada maneira. Carta LVIII-


Desejo-vos um bom 25 de Abril de 2017.


====

Imagem - Pixabay
Citações - Citador

domingo, 23 de abril de 2017

Sempre o futuro, sempre! E o presente...






(A J. Félix dos Santos)

Sempre o futuro, sempre! E o presente
Nunca! Que seja esta hora em que se existe
De incerteza e de dor sempre a mais triste,
E só farte o desejo um bem ausente!

Ai! Que importa o futuro, se inclemente
Essa hora, em que a esperança nos consiste,
Chega… é presente… só à dor assiste?...
Assim, qual é a esperança que não mente?

Desventura ou delírio?... O que procuro,
Se me foge, é miragem enganosa,
Se me espera, pior, espectro impuro…

Assim a vida passa vagarosa:
O presente, a aspirar sempre ao futuro:
O futuro, uma sombra mentirosa

In: Sonetos


      (1842-1891)



É isso, a vida passa sim, mas não sei se vagarosa. O que eu sei é que preocupados com o futuro não vivemos o presente, praticamente. Preparamos o momento seguinte, o dia de amanhã, a próxima semana, o mês que há-de vir, os anos vindouros, a reforma. 

O trágico disso tudo é que nem sabemos se estamos vivos na milésima de segundo seguinte que o tempo transpõe no seu movimento aparente e inexorável, deixando de ser futuro.

Mas, Antero resolveu o problema. Espírito inquieto, meditativo, indo até ao âmago do valor das coisas, tomou o assunto nas suas mãos, agarrou o presente, fê-lo seu, acabando assim com todas as tuas dúvidas, numa atitude radical.

Eu, porém, prefiro a vida, a vida vivida momento a momento, numa gargalhada, num sorriso, num abraço. Também eu quero gerir esse presente, mas de outro modo: encarando a Vida como uma dádiva. 

A todos os que por aqui passarem, desejo um bom domingo.

====

Poema: Banco de poesia Fernando Pessoa
Imagem: Pixabay