quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Poema de Amor de António e Cleópatra

Pelas tuas mãos medi o mundo
E na balança pura dos teus ombros
Pesei o ouro do Sol e a palidez da Lua.






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(1919-2004), 
-In: No tempo dividido, 1954-
 "Obra poética I", 

Poema enviado por Teresa Dias,
Rol de Leituras, e publicado
aqui, no Xaile

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Viver o Hoje






Nunca a vida foi tão actual como hoje: por um triz é o futuro. Tempo para mim significa a desagregação da matéria. O apodrecimento do que é orgânico como se o tempo tivesse como um verme dentro de um fruto e fosse roubando a este fruto toda a sua polpa. O tempo não existe. O que chamamos de tempo é o movimento de evolução das coisas, mas o tempo em si não existe. Ou existe imutável e nele nos transladamos. 


O tempo passa depressa demais e a vida é tão curta. Então — para que eu não seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa — eu cultivo um certo tédio. Degusto assim cada detestável minuto. E cultivo também o vazio silêncio da eternidade da espécie. Quero viver muitos minutos num só minuto. Quero me multiplicar para poder abranger até áreas desérticas que dão a idéia de imobilidade eterna. 

Na eternidade não existe o tempo. Noite e dia são contrários porque são o tempo e o tempo não se divide. De agora em diante o tempo vai ser sempre atual. Hoje é hoje. Espanto-me ao mesmo tempo desconfiado por tanto me ser dado. E amanhã eu vou ter de novo um hoje. Há algo de dor e pungência em viver o hoje. O paroxismo da mais fina e extrema nota de violino insistente. Mas há o hábito e o hábito anestesia.

Clarice Lispector, in Sopro de Vidauma das minhas autoras preferidas. Diria mesmo a primeira de todas. Temo-la seguido neste Xaile, não tantas vezes como seria desejável, ou seja, de conformidade com o meu interesse pela sua obra.





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Texto daqui
Pesquise no Xaile: Clarice Lispector

sábado, 16 de novembro de 2019

Liberdade


Voar como um pássaro, livre de qualquer amarra e reencontrar o momento, o lapso de tempo exacto em que perdi o meu norte. 
Refazer tudo, os nós e os laços, vestir nova roupagem, reviver, para outro destino, outra meta, e entre o céu e a terra, enfim pousar!




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sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Hoje, às 11.15 - "Baixar, "Proteger", "Aguardar"

Façamos isso e tomemos parte no exercício público promovido pela Autoridade Nacional de Protecção Civil, "A Terra Treme", realizado anualmente e que já vai na sua sétima edição. Hoje, milhares de alunos, no território nacional, farão estes três gestos. O evento principal decorrerá na Escola Secundária Sebastião e Silva, em Oeiras, com os seus mil e seiscentos alunos.






Bem conhecemos os sérios riscos que corremos em Portugal quanto a tremores de Terra. A nossa referência maior é o Terramoto de 1755, que perfez 264 anos no passado dia 01 de Novembro, sobre o qual são estimadas magnitudes entre 8,7 e 9 na escala de Richter. Vivemos no terror de que se repita esse desastre que abalou o mundo. Mas, o que teremos feito de concreto para nos precavermos e não sermos apanhados desprevenidos?

Em relação a Lisboa: Estamos sobre um barril de pólvora, dizem os entendidos na matéria. E verifica-se que vários têm sido os abalos sísmicos ocorridos no país, continente e ilhas, ao longo dos anos e, nomeadamente, neste ano de 2019. 

Tudo muito real.

Tenham um bom dia, meus amigos, e ... façamos o exercício. 

MENTALIZEMO-NOS! 

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Veja Mapa do passado sísmico em Portugal

Veja o Xaile aqui  e Le Poème sur le désastre de Lisbonne - Voltaire
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Magníficos tons de Outono, em Oslo, hoje




Belíssimas!


Haverá por cá?




quarta-feira, 13 de novembro de 2019

O Trato






Era assim meu afecto
e assim é que o conservo;
maduro na lembrança
e secreto e severo.
Não o pus (minha boca
altiva) em gesto ou voz;
meu sol no entanto era
muito mais sol.
Não o soubeste, e agora
se sabes, não te dói.
Se sabes, não te move,
dizes, e em ti não passou.
Não importa; do trato
não fui eu quem faltou.
Meu caminho foi feito;
ai de quem não amou.


in "Noite Afora"


Renata Pallottini
(São Paulo, 20 de janeiro de 1931) é uma dramaturga, ensaísta, poetisa e tradutora brasileira
. Apesar de intensa atividade no teatro, na TV, como professora e em atividades administrativas ou políticas, é na poesia que Renata Pallottini encontra seu chão mais rico e fecundo. Todas as outras formas em que se tem debruçado levam a marca inconfundível do poético, o que a caracteriza e diferencia como criadora.
aqui


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Poema e imagem : daqui

Delito de Opinião

Delito de Opinião tem um rubrica chamada Blogue da Semana em que homenageia alguns blogues. Para surpresa minha descobri ontem que, na semana de 20/10/2019, o Xaile de Seda foi ali referenciado. 


Um delito de opinião que muito me apraz, para mais pelas palavras de apreço de Cristina Torrão, escritora que nos faz conhecer a História da Idade Média Portuguesa de forma agradável e, ao mesmo tempo, rigorosa, cultivando o género romance histórico.
Sobre a linguagem utilizada no romance histórico dá a sua opinião aqui no Andanças Medievais: 

Quando se fala sobre a linguagem do romance histórico, muita gente apelida de "anacronismo" o facto de pôr pessoas da Idade Média a falarem como nos nossos dias.
Eu discordo!
Porquê? Porque o romance histórico é sempre uma "tradução"!
(...)

Desconhecemos o diálogo praticado quotidianamente no século XVI, em Istambul. Como desconhecemos o diálogo praticado quotidianamente nos séculos XII e XIII, em Portugal. Desconhecemos e é impossível virmos, algum dia, a conhecer. Como disse Yourcenar, citada por Orhan Pamuk, essa linguagem não foi gravada. Somos forçados a "traduzir" aquilo que julgamos que as pessoas sentiram e disseram. E, ao fazer uma tradução, o melhor é usar uma linguagem que toda a gente entenda!
Claro que devemos, tanto quanto for possível, tentar transmitir um pouco da atmosfera da época (ou, pelo menos, aquilo que julgamos que o tivesse sido). Mas passar para os diálogos expressões que se leem em textos e crónicas antigas é um método muito discutível. Além de dificilmente dar um retrato fiel, dificulta muito a compreensão do texto. (Continue a ler aqui)





Obrigada, Cristina.
Obrigada, Delito de Opinião.

A todos os amigos que por aqui passarem, desejo uma boa quarta-feira.

Abraço

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1ª imagem:Festa de Xailes
2ª imagem daqui