domingo, 9 de maio de 2021

A Língua Portuguesa - um idioma trajado de arco-íris

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estabeleceu, em 2009, o dia 5 de Maio como sendo o dia da Língua Portuguesa, reconhecido pela UNESCO, para ser falada, lida, escrita, homenageada, em suma. Que me tenha apercebido, não me parece que a data tenha sido assinalada, por cá, com a grandeza merecida.

O Brasil já antes designara, desde 2006, o dia 5 de Novembro para celebração desta nossa Língua comum. E mais, tem um Museu da Língua Portuguesa* o primeiro museu totalmente dedicado a um idioma. Celebra a língua como elemento fundador e fundamental da cultura de todos os países que adotam um idioma de forma oficial. Neste caso, experiências interativas, conteúdo audiovisual e ambientação conduzem os visitantes a um “mergulho” na história da língua portuguesa.


Museu da Língua Portuguesa - São Paulo

E que história! Língua sumamente viajada e quando regressa vem trajada de doces requebros e mágicas significações. Por África andou tempo suficiente para que depois nascesse uma disciplina nomeada Literaturas Africanas de Língua Portuguesa que engloba, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, isto é, os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa - os PALOP. 

Pelo Xaile de Seda têm passado nomes de grandes vultos africanos que honram a Língua Portuguesa, que escrevem em prosa e em verso, contribuindo para o seu enriquecimento. De tantos e tão excelentes autores e estudiosos, quem trarei para ilustrar agora esta minha publicação? Muitos deles, mas ainda poucos, fazem parte dos cadilhos deste Xaile. 

Vejamos, então... 

Pois, poderia falar um pouco de Inocência Mata, mulher africana, de São Tomé e Príncipe, investigadora, autora de várias obras, definindo-se ela própria como fruto de várias culturas e, precisamente, Professora na Faculdade de Letras de Lisboa da disciplina que refiro acima: Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.


Maquêquê - São Tomé e Principe

E não só. Vejamos um pouco do seu currículo:

Inocência Mata Doutora em Letras pela Universidade de Lisboa e pós-doutora em Estudos Pós-coloniais pela Universidade de Califórnia, Berkeley; é professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na área de Literaturas, Artes e Culturas, e investigadora do Centro de Estudos Comparatistas (CEC). Foi, de 2014 a 2018, professora na Universidade de Macau, onde exerceu com uma licença especial do Reitor da ULisboa, tendo sido vice-diretora do Departamento de Português da Universidade de Macau, coordenadora do Programa de doutoramento, PhD in Literary and Intercultural Studies (Portuguese), e diretora do Centro de Investigação de Estudos Luso-Asiáticos (CIELA). 
Mais aqui 






Hoje festeja-se uma data importante - O Dia da Europa. 
Além disso, neste ano assinala-se o 36º aniversário da assinatura do Tratado de Adesão de Portugal ao projecto europeu, o qual entraria em vigor a 01 de Janeiro de 1986.

E porque o tema desta publicação é sobre a Língua Portuguesa, penso ser de referir o lugar que o nosso idioma ocupa no mundo: 

É uma das línguas oficiais da União Europeia, do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas, da Organização dos Estados Americanos, da União Africana e dos Países Lusófonos. Com aproximadamente 280 milhões de falantes, o português é a 5.ª língua mais falada no mundo, a 3.ª mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul do planeta. aqui

Uma língua continua viva se for falada, escrita, amada e bem tratada.
Façamos por isso.


Bom fim de semana, meus amigos.

Abraços


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*Fechado desde 2015 após incêndio de grandes proporções, a sua reabertura está prevista para a segunda metade deste ano de 2021.

Inocência Mata, especialista em Literatura da Lusofonia - aqui

Encontrará aqui e aqui, no Xaile de Seda, alguns posts sobre a "Lingua Portuguesa" e "Europa"

sábado, 1 de maio de 2021

Estado de Emergência

como dispor a mesa
entre os acordes
da distância

esta

a que me separa
da alvorada nas teclas
dum incontido piano
sobre as ervas

nossas

até ontem nossas
confissões escarlate

recatadamente dispostas
sobre a letargia dos campos

Ângela de Almeida  
in: estado de emergência
-2020-




Ângela de Almeida é uma investigadora, ensaísta e poeta portuguesa, natural da cidade da Horta, onde viveu até aos 16 anos de idade. Estudou em Lisboa, sendo doutorada em Literatura Portuguesa e, nesse contexto, colabora com organismos regionais e nacionais, participando também em colóquios e congressos, promovidos por instituições portuguesas e europeias. Anteriormente, lecionou no Ensino Secundário e no Ensino Superior, foi editora e assessora para a Cultura. No domínio do ensaio, é autora de Retrato de Natália Correia (1993, Círculo de Leitores), vários estudos introdutórios a obras da mesma autora, A simbólica da ilha e do Pentecostalismo em Natália Correia (2019, Letras Lavadas) e Natália Correia, um compromisso com a humanidade (2019, em publicação). Tem, no prelo, o ensaio, Censura e estilo na Literatura Portuguesa do século XX, resultante da conferência, que apresentou na Universidade Sorbonne-Collège de France. No domínio da poesia, publicou: sobre o rosto (1989), manifesto (2005), a oriente (2007), caligrafia dos pássaros (2018). Publicou também a narrativa poética, o baile das luas (1993) e dois livros de viagem. aqui


Nota: Devo ao Manuel Veiga o conhecimento desta excelente Autora açoriana. 
Grata, meu amigo.




Hoje passámos ao estado de calamidade, com a abertura da maior parte das "cercas sanitárias". A vida das pessoas, que dependem dos seus negócios, merece. A necessidade de conviver, de ir à escola, de visitar espaços culturais, mostrou nos últimos tempos que precisamos disso como do pão para a boca. 

Mas mantenhamos alguma parcimónia nesta liberdade conquistada a pulso, observando cuidados importantes como: utilização de máscara, distanciamento físico, higienização das mãos.

Há pelo mundo regiões que vivem momentos de aflição. As notícias que nos chegam da Índia, nos últimos dias, são aterradoras. A pandemia alastra-se e há falta de tudo, até de espaço digno para cremação daqueles que perdem a vida nessa luta desigual com o vírus.

Em nota de curiosidade e quase anedótico não fosse a tristeza da situação, em Braga, Mire de Tibães, o cemitério lotado há quinze anos leva a que se enterre no passeio. 

Autarca diz: "Em 2005 avançámos com o pedido de alargamento do cemitério, porque já nessa altura o Executivo se debatia com a lotação do terreno, mas temos esbarrado com a classificação da envolvente do Mosteiro"-(Mosteiro Beneditino de São Martinho de Tibães)aqui 

Ora, meus senhores, ponham os olhos em Sinhozinho Malta que ainda tinha a noção de perguntar "Tô certo ou tô errado?". 



Votos de bom Dia do Trabalhador a quem por aqui passar.

Abraços.


02/05/2021

A TODAS AS MÃES



DIA FELIZ





Partilho convosco esta Canção da Mariza que acabo de receber :)


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Veja aqui, na BNP, registos sobre "Estado de Emergência" da autoria de Ângela de Almeida e Henrique Levy . Este autor possui uma biografia e bibliografia interessantes. De explorar futuramente. :)

Imagem: Pixabay

domingo, 25 de abril de 2021

História Colonial - Um passo em frente?

Hoje avançámos um pouco num caminho que temos receado encetar. Pela primeira vez, penso, falou-se sobre a História Colonial, ainda por fazer verdadeiramente, no espaço considerado como sendo da democracia, a Assembleia da República, no dia da Comemoração da Revolução de 25 de Abril de 1974. E mais. Pelo Presidente da República, órgão máximo que a todos representa.

O início da guerra nas ex-colónias fez a 15 de Março sessenta anos, com a primeira incidência em Angola. Sabemos das perdas em vidas, tanto dum lado como do outro. Do sofrimento causado a quem foi obrigado a tomar parte nela, bem como às suas famílias. 

Do que causou a guerra, do ultramar, colonial ou de libertação, nem todos sabem muito bem. Os motivos continuam a habitar um limbo de incertezas e pouca vontade de conhecer. Ignorância e incompreensão assumidas, em muitos casos.

Muito pouco tem sido publicado sobre o assunto. Espaços de discussão também raros. Abriu-se agora uma brecha. Aproveitemo-la para estudar, analisar, pondo nisso um interesse, diria, científico. A História, incluída na categoria das Ciências Sociais e Humanas, tem ferramentas que nos ajudam a comparar e a fazer análises críticas.

Para além disso, é fundamental que a sociedade fale do assunto, que se escreva sobre a temática, que se aproveitem testemunhos de pessoas ainda vivas. Sei que tem havido alguma iniciativa nesse sentido, mas nada que leve as pessoas a interessarem-se positivamente e de forma consistente.

As injustiças, a escravatura, a ocupação de terras, a aculturação imposta, a legislação humilhante para melhor implantação do invasor, tudo isto e muito mais deve ocupar, sim, um lugar relevante no presente para que nunca mais possa ser repetido. 

Os erros e os danos são irreversíveis. Ir buscar ódios ao passado nada traz de bom. Mas atitudes diferentes, positivas, podem e devem ser adoptadas e postas em prática. A sua inclusão efectiva no sistema de ensino seria uma delas.

Houve um homem, político, filósofo e combatente, dotado de inteligência e visão fora do comum que preconizava o entendimento entre os povos. Na Assembleia da República uma deputada fez referência a esse grande Africano, Amílcar Cabral. 

Tenhamos em mente as suas palavras e o caminho que tentou indicar aos homens do seu tempo:

"Como sabe, nós temos uma longa caminhada juntamente com o povo português. Não foi decidido por nós, não foi decidido pelo povo português, foi decidido pelas circunstâncias históricas do tempo da Europa das Descobertas ... Há essa realidade concreta! ... [§] Nós marchamos juntos e, além disso, no nosso povo, seja em Cabo Verde seja na Guiné, existe toda uma ligação de sangue, não só de história mas também de sangue, e fundamentalmente de cultura, com o povo de Portugal. [...] Essa nossa cultura também está influenciada pela cultura portuguesa e nós estamos prontos a aceitar todo o aspecto positivo da cultura dos outros" aqui


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Libertação através da Cultura - aqui, no Xaile

Rumores da História - aqui no Xaile