quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Arrumar a casa

Normalmente, temos a tendência de fazer balanços no final do ano velho ou princípio do novo. Não fujo à regra ainda que durante o ano procure rectificar ou acrescentar alguma coisa aos meus intentos. É um trabalho de todos os dias.


Antes de mais, arrumar a nossa casa é a prioridade, mormente depois das festas. E está visto que tenho de arrumar as minhas gavetas. Isso e roupeiros e prateleiras e estantes. Também é fundamental arrumar a nossa mente e os assuntos do coração, prestando aquela atenção que não se deu em devido tempo a quem nos rodeia, dizer o quanto amamos os nossos e demonstrando-o. Por vezes, pensamos que não é necessário fazer essas demonstrações. Ninguém adivinha o que vai dentro de nós. Só dizendo e falando as coisas é que nos entendemos, não é?

Mas temos outros deveres, por exemplo, o de olhar à nossa volta e tentar perceber se se faz o bastante ou se não se faz coisa nenhuma em relação às pessoas que vivem na nossa esfera de acção. Com isto não pretendo dizer que devamos ser heróis e heroínas. Acredito que com o espírito aberto conseguiremos descobrir o momento ideal, assim como a ferramenta certa, para nos envolvermos em decisões que podem mudar a vida de uma pessoa, emocional e/ou materialmente.



Há ainda a casa maior, a casa de todos nós, o nosso País. A arrumação dessa casa é assunto de todos. Envolvermo-nos nessa tarefa, em termos cívicos, é exigência a que não nos podemos furtar e isso pode verificar-se no nosso quotidiano. Costumamos dizer que não somos políticos, que a política não é o nosso negócio. E se nos lembrássemos que cada um dos nossos actos é um acto político? Já houve quem o dissesse há muitos e muitos anos.

O Ano de 2019 vai ser um ano de grandes decisões políticas e nós é que diremos a palavra decisiva. Sejamos dignos dos momentos que nos esperam e arrumemos a nossa Casa.

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Imagens: daqui

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Primeiras notinhas do ano


Hoje de manhã estava um frio de rachar. Aqui na minha aldeia estavam 3° e, já se sabe, se noutros países até pode ser uma temperatura suportável, por cá, sem aquecimento, já é de tiritar. Um dos meus irmãos que vive em Amsterdam, quando cá vem diz sempre: epá, nunca tive tanto frio na vida!!! Pudera! Lá, com aquecimento em casa que até estão de manga cava, aquecimento no carro e no trabalho, quem é que tem frio?

Por estas bandas, no tempo frio, ouvem-se e leem-se notícias de pessoas, por vezes famílias inteiras que, no afã de se protegerem do frio, morrem durante a noite por via de lareiras, braseiras, fogareiros e quejandos, que produzem o terrível e fatal monóxido de carbono, agente de tanta tragédia. Aliás, muitos dos nossos edifícios pecam por falta do isolamento necessário, deixando passar o ar gelado e a humidade sem falar na falta de dinheiro para instalação de um sistema de aquecimento condigno ou, apenas, para compra de aquecedores seguros e eficientes e, mais ainda, para pagar a luz. Tudo numa correlação imparável.


Como ia dizendo mais acima, estava muito frio de manhã, às 7h, e então achei que devia proteger-me com luvas e gorro antes de ir para a paragem do autocarro. Abri uma das gavetas da cómoda e, realmente, encontrei três luvas, cada uma da sua cor. Lá revolvi a dita, abri outras e nada. O tempo urgia e resolvi pôr uma de cada cor, pensando para mim, com este frio e nevoeiro, todos encolhidinhos, ninguém vai notar, vou passar despercebida. Por azar ou sina, fui abordada na rua por quatro pessoas: Olá, bom dia, como está? Já reparou que leva uma luva de cada cor?



Votos de continuação de Bom Ano aos que me visitam e deixam palavras de simpatia e também para aqueles que passam por aqui, simplesmente. Sei que a Seda nesta altura do ano não aquece nada, mas valha-nos o calor que vem do coração.


Abraço.

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Imagens: pixabay

sábado, 29 de dezembro de 2018

Estou aqui por pouco tempo, mas é sempre tempo de sermos gente...






Tempo de mim

Deslizam nuvens nos lenços do meu vestido,
folhos rubros em dia pardacento.
É um dia gigantesco este em que se desfolham folhas de vida
nos versos que pela noite se vão erguer
e renascer fervilhando em tertúlias de poesia,
cantando um Porto cinzento sim, mas poético e glamoroso.
E é nesta alegria que me encanto e desço
e troco cumplicidades com a vizinha que afinal mal conheço.
Os rostos agarram a frieza do betão e a pressa
não se compadece nem espera que a vida
se solte desinibida, confiante em desabafos
esparsos e breves sentires.
O sol começa a aquecer e a assomar-se no olhar
e como um cálice de vinho fino que partilhássemos juntas,
os olhos brindaram a alegria deste encontro,
o primeiro na escada derradeira,
e perdi a pressa, deixei-me estar.
Estou aqui por pouco tempo, mas é sempre tempo
de sermos gente, de nos olharmos e vermos
que afinal abrandar o passo pode ser um passo em frente.
E eu, que hoje tenho pressa, demoro mais um pouco
porque tenho sempre tempo para mim
e é quando me dou que eu me pertenço





Tiempo de mi

Zlízan nubres ne ls lhenços de l miu bestido,
fuolhos burmeilhos an die quelor de cinza.
Ye un die sien fin este an que se çfólhan fuolhas de bida
ne ls bersos que pula nuite s'alhebántan
i tórnan ferbendo an tertúlias de poesie,
cantando un Porto anque cinza, poético i galano.
I ye nesta alegrie que m'ancanto i abaixo
i troco segredos cula bezina q'afinal mal conheço.
Ls rostros agárran la frialdade de l cimento i la priessa
nun ten pena nien spera que la bida
se solte zabergonhada, cunfiante an zabafos
ralos i brebes sentires
l sol ampeça a calcer i a assomar-se ne l mirar
i cumo un cáleç de bino fino que buíssemos juntas,
ls uolhos brindórun l'alegrie deste ancuontro
l purmeiro na scaleira derradeira
i perdi la priessa, deixei-me star,
stou eiqui por pouco tiempo, mas ye siempre tiempo
de sermos gente, de mos mirarmos i bermos
q'afinal abrandar l passo puode ser un passo adelantre
i you hoije que tengo priessa tardo mais un chiç-niç
porque tengo siempre tiempo para mi
i ye quando me dou que you me pertenço

Pgs 72/73

Rio de Infinitos/Riu d'Anfenitos



Nota: Obra escrita em português e mirandês.
O título do post pertence a versos do poema
Os meus agradecimentos à Autora.

E, com um bino fino, brindemos à Vida e ao Ano que se avizinha.



BOAS FESTAS!!!

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2ª e 3ª imagens - pixabay

domingo, 23 de dezembro de 2018

Deambulando por Lisboa




Mais um passeio pela amada cidade para admirá-la e às suas colinas, aos seus recantos, aos seus mistérios. Saímos na estação do Rossio. Não levávamos assente o que queríamos revisitar. Íamos numa espécie de aventura na qual todos nós tínhamos voz.

Logo em frente a Feirinha de Natal. 

Parámos por ali, percorrendo cada uma das suas tendas. Ao passar, foi-nos estendida uma enorme colher com amêndoas caramelizadas e outros frutos secos para provar e mais outra com fruta variada envolta em chocolate. 




Comprei uns quantos gramas de cada especialidade e não pudemos passar ao largo à vista das famosas bombocas que nos trazem algumas doces recordações. Chegaríamos a casa com muito pouca quantidade do que nos foi metido no saco.




A Rua Augusta logo ali com as suas estátuas humanas, os seus músicos, as suas pastelarias e esplanadas, as suas vitrinas apelando à nossa atenção, com decorações natalícias e oferta de artigos para oferendas afins. Decidimos respirar um pouco dessa magia. Sentámo-nos perto de um daqueles focos de calor que há nas esplanadas. Pedimos meias-de-leite quentinhas e pães de Deus com manteiga. Parece que o ar frio que vinha do rio nos abria desmesuradamente o apetite.
  
Chegámos à Rua da Conceição. Apanhamos o eléctrico 28? Sim, pode ser. E a paragem? Mais acima. Até lá chegarmos, arrancou. Mas já andámos um bom bocado, o melhor é continuarmos a pé e a Sé é logo ali - acudiu o atleta da família. Erro de cálculo. A minha filha sacou do telemóvel, acedendo ao google maps. Desnecessário, disse eu. Ainda tivemos de subir bastante e a duras penas. Olha o 12. Esse é que devíamos ter apanhado na Praça da Figueira e levava-nos até lá acima - disse o mais pequeno. Mas ninguém me tira o prazer de ir espreitando aqui e ali e penso sempre que vale a pena o sacrifício.




Chegados à  Patriarcal, entrámos. Acreditam que nunca tinha ali entrado apesar de ter passado pelo local variadíssimas vezes? Pois, chegou o dia de o fazer. Percorremos as naves admirando os seus estilos: românico, gótico, barroco, desenvolvidos ao longo do tempo.

À saída, verificámos que já eram quase 14 horas e que era melhor almoçar antes de fazermos o resto da subida. Mesmo ao lado, um restaurante de bairro com empregados curiosos e prestativos, procurando descobrir quem era turista e quem não era mas também mostrando fotografias da própria família (um brasileiro) e outro, típico português, com chalaças para dispor bem quem vier por bem.





A seguir, continuámos a nossa subida rumo ao Miradouro de Santa Luzia, ostentando o seu muro de azulejos com assentos embutidos onde se podia sentar e estar, descontraídamente. Vi uma rapariga a filmar-se, com a máquina ali pousada. Alongando um pouco a vista, o casario ali em baixo. E o rio Tejo mais além.

Subimos ao castelo? Não, fica para outra vez - concordámos unanimemente. Parece que era hora de descer e aí todos os santos ajudam. Mesmo assim entrámos no 28 pois um de nós já tinha saudades de andar de eléctrico e saímos na rua da Conceição. Atravessámos a rua e dirigimo-nos à Praça do Comércio. 



Sabem uma coisa?-isto, num aparte. Não gosto nada de ver aquelas esplanadas no lado esquerdo de quem avança para o rio, encostadas às arcadas e os dísticos pendurados, ainda que anunciando coisas de interesse. Tudo isso tapa o edifício, não nos permitindo admirá-lo e enquadrá-lo na traça do complexo que embeleza a Praça.

E claro está, quem vai ao Terreiro do Paço e não se desloca ao cais das colunas é falha de lesa-majestade. Um de nós lembrou-se de D. Carlos, o diplomata, o mártir, o oceanógrafo, assassinado mesmo ali ao pé depois de desembarcar nesse mesmo cais.




Nisto, começou a soar aos nossos ouvidos o leve marulhar das águas do Tejo, vimos duas gaivotas em pose no cimo das colunas e um grupo de músicos cabo-verdianos com vocalista (rapariga de bela voz) que pontuava com o seu ritmo o vaivém de quem por ali andava, se sentava nos bancos de pedra e nas escadinhas e se deixava ficar. Como nós.



UM BOM E SANTO NATAL VOS DESEJO,
MEUS AMIGOS.



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Fotos nossas.

Imagem presépio: Wiki

domingo, 16 de dezembro de 2018

O prazer é abrir as mãos





O prazer é abrir as mãos e deixar escorrer sem avareza o vazio-pleno que se estava encarniçadamente prendendo. E de súbito o sobressalto: ah, abri as mãos e o coração, e não estou perdendo nada! E o susto: acorde, pois há o perigo do coração estar livre! 

Até que se percebe que nesse espraiar-se está o prazer muito perigoso de ser. Mas vem uma segurança estranha: sempre ter-se-á o que gastar. Não ter pois avareza com esse vazio-pleno: gastá-lo. 

Clarice Lispector

in Crónicas no 
'Jornal do Brasil (1972)' 

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Texto - Citador
Imagem - Pixabay

domingo, 2 de dezembro de 2018

Como um aviso*



Quando as espigas surgiram de repente 
nos sulcos das searas, sem que o braço e a foice
afagassem o trigo, houve homens
que se amarraram à terra aguardando que o corpo
se transformasse em campo lavrado.
Houve mulheres que cegaram, em plena
madrugada, perto dos pomares.
Houve meninos que se fecharam por dentro
dos segredos que as mães guardam no sangue.
Houve pássaros que suspenderam o voo
sobre as casas desertas. Como um aviso.

In: Uma Vara de medir o Sol
pg.52

GRAÇA PIRES



* Título do post retirado do último verso. 
   Peço à autora me releve a liberdade.

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Imagem: Pixabay

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

ILHA DE NOME SANTO*

Francisco José TenreiroPoeta e ensaísta, foi voz da mestiçagem, da negritude e da africanidade, e deu expressão ao homem negro global e à 'nova' África. É uma das figuras de maior destaque na cultura e na história de São Tomé e Príncipe no século XX. (Video aqui)






M Ã O S

Mãos que moldaram em terracota a beleza e a serenidade do Ifé.
Mãos que na cera polida encontram o orgulho perdido do Benin.
Mãos que do negro madeiro extraíram a chama das estatuetas olhos de vidro
e pintaram na porta das palhotas ritmos sinuosos de vida plena:
plena de sol incendiando em espasmos as estepes do sem-fim
e nas savanas acaricia e dá flores às gramíneas da fome.
Mãos cheias e dadas às labaredas da posse total da Terra,
mãos que a queimam e a rasgam na sede de chuva
para que dela nasça o inhame alargando os quadris das mulheres
adoçando os queixumes dos ventres dilatados das crianças
o inhame e a matabala, a matabala e o inhame.

Mãos negras e musicais (carinhos de mulher parida) tirando da pauta da Terra
o oiro da bananeira e o vermelho sensual do andim.
Mãos estrelas olhos nocturnos e caminhantes no quente deserto.
Mãos correndo com o harmatan nuvens de gafanhotos livres
criando nos rios da Guiné veredas verdes de ansiedades.
Mãos que à beira-do-mar-deserto abriram Kano à atracção dos camelos da ventura
e também Tombuctu e Sokoto, Sokoto e Zária
e outras cidades ainda pasmadas de solenes emires de mil e mais noites!

 Mãos, mãos negras que em vós estou pensando.

Mãos Zimbabwe ao largo do Indico das pandas velas
Mãos Mali do sono dos historiadores da civilização
Mãos Songhai episódio bolorento dos Tombos
Mãos Ghana de escravos e oiro só agora falados
Mãos Congo tingindo de sangue as mãos limpas das virgens
Mãos Abissínias levantadas a Deus nos altos planaltos:
Mãos de África, minha bela adormecida, agora acordada pelo relógio das balas!

Mãos, mãos negras que em vós estou sentindo!

Mãos pretas e sábias que nem inventaram a escrita nem a rosa-dos-ventos
mas que da terra, da árvore, da água e da música das nuvens
beberam as palavras dos corás, dos quissanges e das timbilas que o mesmo é
dizer palavras telegrafadas e recebidas de coração em coração.
Mãos que da terra, da árvore, da água e do coração tantã
criastes religião e arte, religião e amor.

Mãos, mãos pretas que em vós estou chorando!

  (1921 - 1963)

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Conceitos:

Negritude

Pan-africanismo

Poema - daqui
*Título da primeira obra de Francisco José Tenreiro
Imagem: daqui

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Afroinsularidade

Deixaram nas ilhas um legado
de híbridas palavras e tétricas plantações

engenhos enferrujados proas sem alento

nomes sonoros aristocráticos
e a lenda de um naufrágio nas Sete Pedras

Aqui aportaram vindos do Norte

por mandato ou acaso ao serviço do seu rei:
navegadores e piratas
negreiros ladrões contrabandistas
simples homens
rebeldes proscritos também
*e infantes judeus
tão tenros que feneceram
como espigas queimadas



Nas naus trouxeram
bússolas quinquilharias sementes
plantas experimentais amarguras atrozes
um padrão de pedra pálido como o trigo
e outras cargas sem sonhos nem raízes
porque toda a ilha era um porto e uma estrada sem regresso
todas as mãos eram negras forquilhas e enxadas

E nas roças ficaram pegadas vivas

como cicatrizes — cada cafeeiro respira agora um
escravo morto.

E nas ilhas ficaram

incisivas arrogantes estátuas nas esquinas
cento e tal igrejas e capelas
para mil quilómetros quadrados
e o insurrecto sincretismo dos paços natalícios.
E ficou a cadência palaciana da ússua
o aroma do alho e do zêtê d'óchi
no tempi e na ubaga téla
e no calulu o louro misturado ao óleo de palma
e o perfume do alecrim
e do mlajincon nos quintais dos luchans

E aos relógios insulares se fundiram

os espectros — ferramentas do império
numa estrutura de ambíguas claridades
e seculares condimentos
santos padroeiros e fortalezas derrubadas
vinhos baratos e auroras partilhadas

Às vezes penso em suas lívidas ossadas

seus cabelos podres na orla do mar
Aqui, neste fragmento de África
onde, virado para o Sul,
um verbo amanhece alto
como uma dolorosa bandeira.

in: O útero da casa


Conceição Lima


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- De: A poesia africana de Conceição Lima - Carlos Machado
  com glossário.

- Sobre estes versos:
(...)
*e infantes judeus
tão tenros que feneceram
como espigas queimadas
(...)
veja aqui, no Xaile de Seda.

Imagem: daqui

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O país de Akendenguê

Como afirmou Helder Macedo (2012, p. 7), “O país de Conceição Lima é uma ilha. Mas afinal todos os continentes são ilhas, ou partes de ilhas, o mundo é feito de ilhas. A sua ilha é São Tomé, ponto de partida e de chegada numa viagem entre a memória e o desejo. Ao percorrer esse caminho de partida e de chegada, a poetisa encerra seu terceiro livro, O país de Akendenguê, com um poema que traz em seu título, “Circum-Navegação”, a síntese metafórica da empresa colonial:




Os homens regressam 
Carregados de cidades e distância.

Adormecem os grilos. 
Uma criança escuta a concavidade de um búzio.

Talvez seja o momento de outra viagem 
Na proa, decerto, a decisão da viragem.

Aqui se engendram alquimias 
Lentos hinos bordados em lacerações 
Sossegaram os mortos 
Há grutas e pássaros de fogo 
Rebentos de incômodos recados.

O difícil ofício de lavrar a paciência. 
Acontece a arte da viagem 
Tanta aprendizagem de leme e remendo...

É quando o olho imita o exemplo da ilha 
E todos os mares explodem na varanda. [PA, 106-107]. 

Através desse poema – como, aliás, em muitos outros “lugares de memória” evocados por sua palavra poética – Conceição Lima realiza, num projeto elaborado desde sua obra inaugural, a contranarrativa da viagem, mítica e histórica, dos colonizadores, e nos oferece outra viagem que é sua (mas também de seu país e de seu continente), feita de memória e de desejo.
Pg 7

O título do livro homenageia o músico, filósofo e poeta pan-africanista gabonês Pierre-Claver Akendenguê. Ao prestar sua homenagem a esta figura lendária da música africana, a autora se dedica a saudar muitos outros nomes do universo da língua portuguesa, fazendo do próprio exercício poético uma viagem ao interior do projeto utópico sintetizado nos princípios do panafricanismo, que o mesmo Akendenguê representa.
Pg 6

in: A POÉTICA DE CONCEIÇÃO LIMA E SUA VIAGEM ENTRE MUNDOS,  
Simone Pereira Schmidt ( ContraCorrente: revista de estudos literários e da cultura)

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Maria da Conceição de Deus Lima, (1961), mais conhecida por Conceição Lima, é uma poeta são-tomense natural de Santana da ilha de São Tomé, São Tomé e Príncipe. 
Ver mais...

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Imagem: daqui

domingo, 21 de outubro de 2018

"Os milagres somos nós que os fazemos"


1– Quem não sonha, ou sonha pouco, não possui paixões fortes, nem conhece a utopia. Devemos confiar nos sonhos, porque neles se oculta a porta para a eternidade. E os filhos são sempre parte dos sonhos, porque chegam do futuro e foi para o nosso futuro que eles nasceram e cresceram.

2 – Há que amar, amar a verdade, as pessoas, os animais, a Natureza... e fazê-lo de uma forma profunda e sincera
3 – A liberdade de expressão, meus amigos, só pode ser entendida quando tem em conta o respeito pela vida do próximo, tenha ele a cor que tiver, o credo que escolher e a vida que viver. Seja ele rei, ou futebolista.., ou as duas coisas!
4 – Não faço distinção de raça ou religião, nenhuma. O que interessa é a pessoa, o ser humano. Se é boa, muito bem; se não é boa, vou ajudá-la a melhorar, nunca a piorar.
5 – É sempre a mulher que escolhe o homem que a vai conquistar. É sempre ela que o eleva.




6 – Tenho uma estranha e subtil esperança de que, um dia, não tenhamos de sofrer o que fazemos àqueles animais que abandonamos sem uma festa, sem um adeus, ou simplesmente sem um sincero pedido de desculpas.
7 – Que importância terá aquilo que eu comprei, se o compararmos com tudo o que eu construí, ou ajudei a crescer? A riqueza e a felicidade não estão naquilo que eu tenho, mas naquilo que eu dei.
8 – Eu não sei muita coisa, é verdade, mas não tenho pena disso. Seria de ter mais pena se pensasse que sabia tudo... ou que tinha sempre razão!
9 – Na morte entregarei o corpo, cuja matéria me foi emprestada, sem juros, para que eu a utilizasse a favor do espírito, a fim de que a parcela que me cabe da genética cósmica tenha um pouco mais de luz e de amor.
10 – A receita para o sucesso, meus amigos, para envelhecer de forma activa e com sucesso... é PERDER O MEDO.



Excerto de: Aqui

(Acrescentado hoje, 25/10/2018, ao post)

O mais recente livro de Ruy de Carvalho O Amor é Isto é como "uma cadeira vazia" ao lado do ator para lhe ouvir a sabedoria, em 100 pensamentos marcantes. Desses selecionámos 10, (VISÃO)


Rui Alberto Rebelo Pires de Carvalho, mais conhecido por Ruy de Carvalho, nascido a 01/03/1927, é um actor português.