domingo, 21 de maio de 2017

A Lusitânia e os lusitanos

Diz-nos Estrabão que a Lusitânia era a maior das nações ibéricas e que os seus rios continham poalha de ouro. Sabemos que desta, outrora, próspera terra faz parte o nosso território e a estremadura espanhola. Dos lusitanos ou hispânicos ele e Trogo Pompeu contam que eram povo aguerrido com o corpo preparado para a abstinência e fadiga e ânimo para a morte... e que faziam sacrifícios aos deuses assim a modos que arrepiantes, bem ao modo da época. Destes heróis sobressai o mítico Viriato que é abatido por três dos seus oficiais comprados por Roma.



Camões ao cantar o peito ilustre lusitano a quem Neptuno e Marte obedeceram, convocando os deuses do Olimpo e tendo como pano de fundo a nossa epopeia marítima leva-nos a acreditar que os lusos, se é que existem ou existiram, são capazes de grandes feitos acima da sua condição humana. Por isso mesmo, temos na nossa História ecos de heroísmos que nos consolam e nos levam a acreditar que, por mais desolador que seja o nosso presente, há-de aparecer quem nos livrará desta apagada e vil tristeza.



D. Sebastião, o Desejado, foi para Alcácer-Quibir numa de teimosia ou por mau aconselhamento e lá ficou, enterrando consigo a nata da sociedade portuguesa. Mas sempre subsistiu em nós a crença de que ele viria um dia, numa manhã de nevoeiro, para resolver os nossos problemas. 

E não é que o nosso salvador, na sua auréola trágico-romântica, surge agora trazendo-nos esperanças nunca dantes apercebidas? Salvador de nome, de jure e de facto. Bem podem falar mal dele dizendo que foi golpe de marketing e coisas do género que não nos aquece nem arrefece. Cá por mim, podemos amar por todos e a todos. Eles que aprendam também a amar assim.

E mais. Doravante:

Cesse tudo o que a musa antiga canta que outro valor mais alto se alevanta.


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Imagens - Viriato e D.Sebastião, Rei de Portugal: Net
Em itálico: frases e expressões conhecidas da nossa literatura,
nomeadamente, d' "Os Lusíadas".
Ver aqui a Lusitânia de Estrabão. 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Alde Manuce, a cultura clássica e o itálico

Ando muito preguiçosa com as minhas leituras. Até deixo livros a meio. Um caso de estudo. Ontem, madrugada adentro, estava eu a ler umas páginas mais de um livro que até já terá reclamado em viva voz, fui remetida para esta nota de rodapé, numa referência a "Os Comentários"(De Bello Gallico), de César: Alde Manuce, muito célebre, é o inventor dos caracteres itálicos*. Claro que isto chamou-me logo a atenção. Tantas e tantas vezes tenho usado o itálico sem nunca prestar atenção às suas origens. E que é que eu vi sobre o assunto?

Antes de assumirmos a invenção do itálico por Alde Manuce, aliás, Aldo Manuzio ou Aldus Manutius, nascido Teobaldo Manucci (1452-1515), temos a escrita cursiva desenvolvida por Niccolò d'Niccoli. A partir dessa escrita Francesco Griffo fizera as primeiras punções, instrumentos para gravar, e, em 1501, este tipo, conhecido como itálico ou aldino, é utilizado pela primeira vez na imprensa por Manuce.

Li que Aldus Manucius, humanista, editor e tipógrafo, encontra-se no grupo dos grandes divulgadores da cultura clássica, tendo publicado entre 1495 e 1509 obras de Aristóteles, Aristófanes, Thucydides, Sófocles, Herodoto, Xenofóne, Euripides e Demostenes, entre outras. Depois de 1513, foi a vez de obras de Platão, Pindar, Hesychius e Athenaeus. Além dos textos dos autores referidos, Aldus publicara obras de Pietro Bembo, Poliziano, Dante, Petrarca, Plínio, Pontanus, Sannazzaro, Quintiliano, Valerius Maximus, Erasmo de Roterdão, e muitos mais.
Na Imprensa Aldina, (esta designação será originada no seu nome - não vi outra explicação), foram compostos os primeiros livros de bolso, uma invenção muito ao gosto dos humanistas que viajavam muito.


Por outro lado:
A Biblioteca Nacional, Portugal, realizou em 2015, uma mostra da sua obra, referindo, em especial, um livro com a correspondência de Catarina de Siena, freira dominicana, hoje aceite como Doutora da Igreja, livro esse que atesta essa técnica, utilizada pela primeira vez, em que: a gravura apresenta três frases escritas - «iesu dolce; iesu amore; iesu» - numa letra diferente de todas as outras que a tipografia experimentara e conhecera até então: uma letra levemente inclinada à direita, um ductus que Aldo Manuzio desenhara e fizera abrir pelo gravador Francesco Grifo e que ajudava a expressar e a destacar o êxtase sentido pela santa. Um tipo novo que depressa começou a correr mundo e que hoje é conhecido como itálico. Uma forma de letra que no meio de um texto extenso se destaca e chama a atenção do leitor.

Ficou aqui demonstrado que só tenho a ganhar com leituras aturadas e consistentes mas, mesmo assim, noto uma falha, minha na certa. Não fiquei a perceber bem se Alde Manuce, Aldus Manutius ou Teobaldo Manucci, inventara o itálico ou apenas, o que já seria muito, terá utilizado a escrita anteriormente desenvolvida por d'Niccoli, inovando-a e dando-lhe uma utilização mais globalizante com a ajuda das punções de Griffo. Numa missiva a um amigo, Manutius refere em 1501, que: estamos a imprimir em formato bem pequeno, para que seja convenientemente bem segurado pelas mãos e aprendido pelo coração (sem falar em ser lido) por todos. Todos, com um sentido bem relativizado na nossa óptica de hoje.

Quanto à utilização do itálico por nós, já se sabe, uma delas é chamar a atenção para textos ou expressões que não são da nossa autoria, mesmo quando, ou especialmente, desconhecemos a fonte. Espero tê-lo feito, além de indicar a proveniência dos textos lidos.

Desejo-vos uma boa semana.

Abraço.


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*Benzoni, Juliette - O Quarto da Rainha, pg 68
Ver mais e conferir: aqui, aqui, aqui,aqui, aqui
O itálico do meu texto diz respeito a excertos destas referências.
1ªImagem (net): escrita cursiva de Francesco Griffo
2ª imagem: Sancta Catarina - BNP

sexta-feira, 12 de maio de 2017

A roda do poder

Pequeno poder? Grande poder? Penso que esta distinção não existe. Todo o poder é poder. Todo o poder tem a importância que lhe é dada por quem está na mó de baixo e reconhece no outro o poder de o afectar de algum modo. 

Logo de entrada aparece o favor que ao ser concedido cria desde logo uma relação de dependência. E não será preciso pensar-se em favores do tamanho do mundo. Bastará passar o processo que vinha no fim da lista para um lugar mais simpático. A consulta médica que não podia ser para hoje, mas que depois de bem conversado até passa a ser possível. O colega que precisa que o outro lhe pique o ponto. O funcionário que passa o amigo ou conhecido para o princípio de uma fila de atendimento, seja de emprego, de subsídios, serviços sociais, no aeroporto, seja o que for. São situações que na maior parte das vezes irão prejudicar de algum modo uma outra pessoa. 



E, paralelamente, a coisa vai aumentando na escala social. Chegam-nos notícias de grandes decisores, aqueles que têm a faca e o queijo na mão e que controlam a sociedade em toda a sua dimensão, fazendo sua a coisa pública. Ele é o tráfico de influências, ele é os grandes favores, os desvios e a má gestão beneficiando-se a si próprios e a amigos e clientela, um Deus nos acuda. A célebre cunha continua tão activa e necessária como o ar que respiramos.

Mas o poder não se esgota nisso. Temos o poder psicológico, de controlo sobre o outro nos mais ínfimos pormenores, que não é coisa pouca para quem o sofre. E isto pode verificar-se em casa, com a ascendência de um cônjuge sobre o outro, sobre os filhos, sobre os velhos. Pode verificar-se no trabalho, com os maus chefes, os colegas invejosos, emprateleirando quem lhes não caia no goto. E na sociedade em geral quanto ao que é diferente, a quem está em minoria, seja por deficiência física, por motivos raciais, religiosos, por orientação sexual.


Ocorre-me desejar que este ano de 2017, (já vai no seu 5º mês), nos traga mais tolerância, mais altruísmo e mais amor ao próximo; não prejudicar uns em benefício de outros, havendo divisão equitativa de oportunidades.


Utopia? Talvez não. Bastaria que o quiséssemos todos.

Para já, centremo-nos nisto: Maio é o mês de Maria, o mês do Coração e, também, o mês em que acaba o prazo para a entrega do IRS. 

Um bom dia a todos os que por aqui passarem.

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Imagem Pixabay
  

domingo, 7 de maio de 2017

Poema cansado de certos momentos





Foi-se tudo 
como areia fina escoada pelos dedos. 
Mãe! aqui me tens, 
metade de mim, 
sem saber que metade me pertence. 
Aqui me tens, 
de gestos saqueados, 
onde resta a saudade de ti 
e do teu mundo de medos. 
Meus braços, vê-os, estão gastos 
de pedir luz 
e de roubar distâncias. 
Meus braços 
cruzados 
em cruz de calvário dos meus degredos. 
Ai que isto de correr pela vida, 
dissipando a riqueza que me deste, 
de levar em cada beijo 
a pureza que pariste e embalaste, 
ai, mãe, só um louco ou um Messias 
estendendo a face de justo 


para os homens cuspirem o fel das veias, 
só um louco, ou um poeta ou um Cristo 
poderá beijar as rosas que os espinhos sangram 
e, embora rasgado, beber o perfume 
e continuar cantando. 
Mãe! tu nunca previste 
as geadas e os bichos 
roendo os campos adubados 
e o vizinho largando a fúria dos rebanhos 
pela flor menina dos meus prados. 
E assim, geraste-me despido 
como as ervas, 
e não olhaste os pegos nem as cobras, 
verdes, viscosas, espreitando dos nichos. 
De mão nua, entregaste-me ao destino. 
Os anjos ficaram lá em cima, cobardes, ansiosos. 
E sem elmos ou gibões, 
nem lutei nem vivi: 
fiquei quieto, absorto, em lágrimas 
— e lá ao fundo esperavam-me valados 
e chacais rancorosos. 




Mãe! aqui me tens, 
restos de mim. 
Guarda-me contigo agora, 
que és tu a minha justiça e o exílio 
do perdido e do achado. 
Guarda-me contigo agora 
e adormece-me as feridas 
com as guitarras do fado.

Mas caberá no teu regaço 
o fantasma do perdido? 

in "Mar de Sargaços" 


(1919-1989)


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Em 9/05/2017


Meus amigos:

Já me encontro em solo pátrio, sã e salva. :) 
Muito obrigada pelas vossas visitas.

Tenham uma óptima semana.

Abraço

Olinda

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Poema e imagens: Internet 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Conquista




Livre não sou, que nem a própria vida 
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!

in 'Cântico do Homem'


(1907-1995)


A liberdade, uma conquista de todos os dias. Existem grilhões impensáveis. Importante "é quebrar dia a dia um grilhão da corrente".

Meus amigos, estarei ausente durante alguns dias. Vou para um sítio, fora do país, aonde nesta altura talvez não devesse ir. Mas, é condição essencial do ser que se quer livre arrostar alguns perigos, conscientemente, quando necessário.

Então, até um dia destes. E sejam felizes por cá.

Abraço.

Olinda


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Poema: Citador
Imagem: Net

terça-feira, 25 de abril de 2017

Ai liberdade, liberdade, o que és?


Das várias definições que tenho encontrado, apraz-me registar esta de Joaquim Pessoa:




A liberdade é um vinho de excelência. Não faz sentido que não o compartilhes. A sedução de ambos ajuda-nos a viver, é o perfume da pele, a pele do vento, o segredo com que a flor atrai a abelha. As árvores amam-se, e até mesmo as pedras partilham o amor entre si. O verde perde-se de amor pelo azul. In Ano Comum-

E quando isso acontece é porque realmente somos livres. Livres de fazer o que queremos, com a tal ressalva de não pisar o outro. E porque hoje estou numa de citações deixo aqui mais uma, desta feita de Baruch Espinoza:


Quanto a mim, chamo de livre uma coisa que é e age apenas pela necessidade da sua natureza; de coagida, a que é determinada por uma outra a existir e a agir de uma determinada maneira. Carta LVIII-


Desejo-vos um bom 25 de Abril de 2017.


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Imagem - Pixabay
Citações - Citador

domingo, 23 de abril de 2017

Sempre o futuro, sempre! E o presente...






(A J. Félix dos Santos)

Sempre o futuro, sempre! E o presente
Nunca! Que seja esta hora em que se existe
De incerteza e de dor sempre a mais triste,
E só farte o desejo um bem ausente!

Ai! Que importa o futuro, se inclemente
Essa hora, em que a esperança nos consiste,
Chega… é presente… só à dor assiste?...
Assim, qual é a esperança que não mente?

Desventura ou delírio?... O que procuro,
Se me foge, é miragem enganosa,
Se me espera, pior, espectro impuro…

Assim a vida passa vagarosa:
O presente, a aspirar sempre ao futuro:
O futuro, uma sombra mentirosa

In: Sonetos


      (1842-1891)



É isso, a vida passa sim, mas não sei se vagarosa. O que eu sei é que preocupados com o futuro não vivemos o presente, praticamente. Preparamos o momento seguinte, o dia de amanhã, a próxima semana, o mês que há-de vir, os anos vindouros, a reforma. 

O trágico disso tudo é que nem sabemos se estamos vivos na milésima de segundo seguinte que o tempo transpõe no seu movimento aparente e inexorável, deixando de ser futuro.

Mas, Antero resolveu o problema. Espírito inquieto, meditativo, indo até ao âmago do valor das coisas, tomou o assunto nas suas mãos, agarrou o presente, fê-lo seu, acabando assim com todas as tuas dúvidas, numa atitude radical.

Eu, porém, prefiro a vida, a vida vivida momento a momento, numa gargalhada, num sorriso, num abraço. Também eu quero gerir esse presente, mas de outro modo: encarando a Vida como uma dádiva. 

A todos os que por aqui passarem, desejo um bom domingo.

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Poema: Banco de poesia Fernando Pessoa
Imagem: Pixabay 

sábado, 22 de abril de 2017

Golfo da Finlândia


-Mãe, o Google maps diz que estou aqui.(9h11)




-Este é o lado excelente da tecnologia, faz-me saber a par e passo dos sítios por onde vais passando. Sabes que hoje é o Dia da Terra? E quem havia de dizer que a minha atenção estaria centrada no Golfo da Finlândia. (9h16)

-Ahahaha...Pois é...a vida é engraçada...
Nem eu há duas semanas pensaria que ia estar no meio do Golfo da Finlândia. Parece de loucos só de pensar. (9h21)

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Imponderáveis da vida! 
E o nosso planeta tão lindo, onde o azul e o verde se misturam numa aguarela sem par. A juntar a isso, pessoas diferentes, culturas diferentes.


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Não consegui baixar a fotografia que ela me enviou.
Fica para a próxima. 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Linguagens

À entrada da cidade o trânsito intensifica-se e, alguns metros mais à frente, bifurca-se. Parte dele segue pelo túnel e outra parte pela superfície. Aqui, surge o primeiro semáforo e do lugar onde me encontro consigo ver a vida que se agita, em azáfama, nos segundos que dura a paragem forçada dos carros. Mulher de lenço na cabeça com uma braçada de jornais ou revistas oferece exemplares aos condutores dos veículos, mulheres e homens de coletes reflectores aparecem com papelinhos na mão, talvez rifas, e também miúdos com o que me parece ser pensos rápidos. O tempo urge, mas nem todas as janelas se abrem. 



No meio disto, vislumbro algo inusitado, para mim: um jovem na passadeira a produzir para os carros parados um espectáculo de malabarismo, com três, quatro, cinco peças, como se tivesse todo o tempo do mundo. Começo a pensar já com uma certa ansiedade se ele conseguirá acabar em pleno o seu intento, se ele está com atenção aos sinais. Mas eis que com elegância recolhe as peças e faz duas vénias, cabelos longos em movimento para a frente e para trás, saltando de seguida para o passeio mesmo a tempo, sem um segundo a mais ou a menos.

Minutos depois saio do autocarro e desço as escadas que me conduzem ao metropolitano. Mas antes tenho de ir à casa de banho ou retrete ou WC. Encontro o que procuro. As casas de banho públicas têm quase todas o mesmo aspecto, não só são pequeníssimas como o asseio deixa muito a desejar. Penduro a mala ao pescoço, não há um ganchinho sequer como sempre, e faço a ginástica que todas as mulheres conhecem. Nisto os meus olhos são atraídos pela escrita que povoa as portas desses recintos. Declarações de amor, "amo-te Filipe", "amo-te Diana", bem como toda a espécie de desabafos com linguagens da mais variada gradação. Dir-se-ia tratar-se de um receptáculo privilegiado para os momentos em que o nosso lado mais básico se apresenta, sem vernizes.



Porém, entre os milhentos dizeres um deles destaca-se pelo trocadilho ou, quem sabe, pela intenção: "O diabo veste farda".*

Desejo-vos uma boa semana ou então, desde já, um bom fim-de-semana.

Abraço.

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Imagens net

sábado, 8 de abril de 2017

Ternura





Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

In: Infinito Pessoal

   (1927-1996)





Ternura é o tema que este grande senhor nos propõe, neste lindo poema. Compreendo-a alargada ao vasto mundo, ao mundo das nossas relações.  
Esbanjemos pois ternura por toda a parte, posto que nos custa apenas um gesto, um olhar, um sorriso, um abraço.

Esta é a minha proposta para este fim de semana.

Assim, envio um abraço ternurento a todos vós.

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Poema: retirado do Citador
1ª imagem: Pixabay
2ª imagem Net

terça-feira, 4 de abril de 2017

Habitantes das margens

Ao passar de manhã vejo-as, alvas, pernaltas, tranquilas, no esplendor da água azul que daqui descortino. Reúnem-se nos rectângulos ou quadrados das salinas. Numa outra, estão as mais pequenas, não pernaltas, também branquinhas. De vez em quando estas levantam voo rasante e enfiam os bicos na água talvez caçando algo de interesse para o seu sustento. É o que eu vejo do lado direito da ponte. Arrisco um olhar apressado ao lado esquerdo, apenas o permitido pelo andamento do transporte, não me detenho nele. 


Concentro-me então deste lado. Agora vejo pontos negros além e mais encorpados à medida que os meus olhos se ajustam tentando fitá-los de mais perto. Noto que o rio se afastou das margens. Para onde terá ido? À vista dos bancos de areia penso, talvez erradamente, que poderia atravessá-lo a pé. Mas, afinal, aquilo que eu vejo são pessoas num labor incessante, enterradas quase meio corpo no lodo. Dali retiram algo, manejam uma coisa qualquer, não o sei o quê. Descubro uma figura de mulher, dobrada pela cintura. Noto-lhe um casaco vermelho e um avental. Mais ao longe há dois ou três barquinhos. Vislumbro junto a eles figuras com água pela cintura.


Compreendo que não há tempo a perder. Assim, a labuta. Não tarda nada o rio volta para o seu leito. Num acto de cumplicidade e solidariedade ele concede às frágeis e difusas criaturas tempo para retirar do seu lodo enriquecido aquilo de que precisam. Nem sempre esse tempo é suficiente. Embebidas naquele trabalho que se me afigura sofredor mas fundamental para a sua subsistência, esquecem-se muitas vezes que a água tem de seguir o seu curso. E por lá se deixam ficar, correndo sérios riscos.


Quando à tarde volto, o rio já é de novo rei e senhor do seu espaço. A maré-cheia está implantada. O sítio escuro e lodoso transforma-se numa bela extensão de água e na sua superfície espelha-se o céu. As pernaltas e as outras estão pousadas nas salinas. Tudo tão calmo. Tranquilo. Uma coisa linda.

Dias virão em que essa ordem será alterada, quando as máquinas esventrarem o solo, umas, e outras torpedearem os ares, espantando a vida que se renova todos os dias no estuário. Ou não?


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1ª imagem: daqui
2ª imagem: daqui
3ª imagem: daqui

domingo, 2 de abril de 2017

A Graça




Que harmonia suave
É esta, que na mente
Eu sinto murmurar,
Ora profunda e grave,
Ora meiga e cadente,
Ora que faz chorar?
Porque da morte a sombra,
Que para mim em tudo
Negra se reproduz,
Se aclara, e desassombra
Seu gesto carrancudo,
Banhada em branda luz?
Porque no coração
Não sinto pesar tanto
O férreo pé da dor,
E o hino da oração,
Em vez de irado canto,
Me pede íntimo ardor?

És tu, meu anjo, cuja voz divina
Vem consolar a solidão do enfermo,
E a contemplar com placidez o ensina
De curta vida o derradeiro termo?

Oh, sim!, és tu, que na infantil idade,.
Da aurora à frouxa luz,
Me dizias: «Acorda, inocentinho,
Faz o sinal da Cruz.»
És tu, que eu via em sonhos, nesses anos
De inda puro sonhar,
Em nuvem d'ouro e púrpura descendo
Coas roupas a alvejar.
És tu, és tu!, que ao pôr do Sol, na veiga,
Junto ao bosque fremente,
Me contavas mistérios, harmonias
Dos Céus, do mar dormente.
És tu, és tu!, que, lá, nesta alma absorta
Modulavas o canto,
Que de noite, ao luar, sozinho erguia
Ao Deus três vezes santo.
És tu, que eu esqueci na idade ardente
Das paixões juvenis,
E que voltas a mim, sincero amigo,
Quando sou infeliz.
Sinta a tua voz de novo,
Que me revoca a Deus:
Inspira-me a esperança,
Que te seguiu dos Céus!...
    (1810-1877)


É esta a imagem que guardo de Alexandre Herculano, desde sempre. Cara fechada, austera, sem o laivo de um sorriso. Quem sabe se ele não seria uma pessoa dada, risonha e amável. Mas aqui ficou para sempre. A fotografia ou o retrato têm esta particularidade: firmam de forma indelével o momento, uma expressão.

A sua época não foi das mais pacíficas. Aliás, foi um tempo de grandes mudanças. Nasceu sob o signo das invasões francesas com todas as suas implicações e assim foi crescendo, vivenciando os problemas trazidos pela fuga da família real para o Brasil, ou a transferência da corte portuguesa para o Brasil. Herculano não fica de lado a observar. Envolve-se na vida política denunciando o perigo do absolutismo e, mais, toma parte activamente nas lutas liberais que opõem os dois irmãos, D.Pedro IV e D.Miguel.

E quanto ao aspecto cultural? Temo-lo também situado em vários patamares e a produzir intensamente em vários jornais e revistas, bem como escrevendo romances, olhar atento sobre o seu tempo e o passado. Quem não se lembra de Eurico, o Presbítero, romance histórico mas também de amor, a história de Eurico e Hermengarda? 

Na sua História de Portugal é considerado o introdutor ou precursor da historiografia em Portugal, a história como ciência.

Neste seu poema "A Graça" vejo-o a fazer o seu exame de consciência entre o que foi e o que podia ter sido:


És tu, és tu!, que, lá, nesta alma absorta
Modulavas o canto,
Que de noite, ao luar, sozinho erguia
Ao Deus três vezes santo.
És tu, que eu esqueci na idade ardente
Das paixões juvenis,
E que voltas a mim, sincero amigo,
                                           Quando sou infeliz. 


Mas a esperança em dias melhores lá está.

Desejo-vos um bom domingo.

Abraço   

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Poema: Banco de Poesia Fernando Pessoa

domingo, 26 de março de 2017

A Peregrina



Calma, sim, acostumada
ao teu convívio constante,
és pessoa encontrada
sendo eterna itinerante.

Passas na comum estrada
e só tu passas durante
a multidão variada
de rostos para o levante.

Às vezes paras na estância
sem nenhum morno cansaço
de quem caminha com ânsia.

Entendes de todo engano
e fazes virar o passo
com teu pífaro indiano.

Maria Ângela Alvim
(1926-1959)
In: Superfície-Toda poesia


Maria Ângela Alvim nasceu no dia 1 de janeiro de 1926 nas fazendas do Pouso Alegre, município de Volta Grande, no estado de Minas Gerais - Brasil.
Leitora assídua de Simone Weil e de Santa Teresa de Ávila pensa durante algum tempo seguir a vida religiosa. Em 1945, por influência de um dominicano francês, o Padre Lebret, fundador do movimento e da revista "Économie et Humanisme", inicia a carreira de assistente social, então nascente em todo o Brasil, que a confronta com uma realidade terrível. É dessa época que data a sua amizade e colaboração com o autor de "Geografia da Fome", Josué de Castro.
No dia 19 de outubro de 1959, Maria Ângela Alvim pôs fim aos seus dias.
aqui

Encontrará uma reflexão sobre esta autora, sob o título Maria Ângela Alvim: a célebre desconhecida, bem como considerações sobre pesquisas sobre a sua vida e obra. aqui.

O Poema é do Poemário Assírio & Alvim, 2012.

sábado, 18 de março de 2017

Radiografia de uma insónia

Acordo sobressaltada. Deixei-me dormir a ver a série e já são quase duas horas. Salto do sofá, arrumo a papelada na pasta, guardo o computador e outras ferramentas para a apresentação de amanhã. Casa de banho, pijama, um copo de água e cama.

Encosto a cabeça na almofada, de certeza que vou reatar o sono. Mas será que não me esqueci de nada? Claro, está tudo controlado. A menos que surjam imprevistos, uma pergunta de alguém mais picuinhas sobre o produto, talvez não tenha pensado em tudo... E, se o computador se encravar, se o projector avariar. Mas não, vai tudo correr bem. Às vezes, a memória pode falhar, com os nervos, ou pode dar-se o caso de a pessoa se engasgar... Credo, que pensamentos! Agora me lembro que não vi a roupa que vou levar...Talvez, a saia cinzenta e...mas essa está-me justa...aliás toda a minha roupa está assim. Preciso rever o meu guarda-roupa. Mas, dizem que não se deve adaptar a roupa ao corpo mas o corpo à roupa, para controlar o aumento de peso. Pois, é isso. Tenho de ter cuidado com aquilo que como. Ao fim e ao cabo o que é eu como de mais? Aquele bolinho todos os dias de manhã? Isso não fará grande diferença e uma pessoa não é de ferro. A sério, tenho de começar a comer umas saladas. À noite tomar uma refeição mais leve, aliás, ajuda à digestão. Também ouvi dizer que se pode comer de tudo e que bastará reduzir um pouco nos hidratos de carbono, açucar e... tenho de ver isso. Ah! esquecia-me, e os sapatos? Preciso de uns sapatos confortáveis, não sei se os que tenho me permitem estar muito tempo de pé. Bem, nem sei se vou estar muito tempo de pé, mas mais vale prevenir do que remediar. Mas remediar com quê? As sabrinas já não têm um aspecto apresentável. Talvez uns botins que não calço há já algum tempo... mas está calor apetecia-me uns sapatinhos mais leves. Fazer o quê? Tenho de levar os que eu tenho. A esta hora já não dá para esquisitices. Ai!!! mas que horas são? Quase quatro horas? Não acredito! Tão tarde! Ou já se deve dizer, tão cedo? Pois, tenho de me levantar às sete, tenho de deixar o miúdo na escola às oito. Sinto a cabeça pesada. O bocadinho que dormi enquanto via a série não é suficiente. Tenho de me sentir estável, senão não direi coisa com coisa na apresentação do trabalho. Será que ainda consigo dormir um bocadinho até às sete?



A partir de agora o cérebro está completamente desperto, preocupo-me com as horas olhando vezes sem conta para o relógio, viro-me para o lado esquerdo, viro-me para o lado direito, coço a cabeça, a cara, os olhos, as orelhas, deito-me de barriga para baixo, de costas, mexo na almofada que se tornou de pedra, procuro aplicar umas técnicas de descontracção que conheço: faço o corpo pesado, faço respiração abdominal, procuro concentrar-me num som qualquer, mas agora é que oiço nitidamente os ínfimos silêncios e os pequenos barulhos, começo a ouvir as pessoas a mexerem-se no andar de cima, o bater da porta da rua, carros que começam a trabalhar... Nada feito. O despertador, claro, desperta e lá se vão as minhas esperanças. 

Meus amigos, não façam como eu. Sendo o sono importantíssimo para a saúde, reservem-lhe o espaço a que tem direito.

Bom fim de semana.

Abraço

Olinda

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Imagem - aqui 

sexta-feira, 10 de março de 2017

Poesia por Alepo

Um grupo de escritores portugueses teve a louvável iniciativa de publicar um livro com poemas seus com o objectivo de o produto da respectiva venda ser entregue à Unicef para minorar o sofrimento das crianças de Alepo que se vêem sem apoio, órfãs e desvalidas.

O livro foi apresentado a 4 de Fevereiro e tem este título: Cinco Lágrimas por Alepo. 

Dele vou retirar dois poemas que abaixo transcrevo:





Choro por ti, mártir Alepo.
O teu coração já não bate porque to arrancaram a toda a hora, 
em cada filho, na combustão das valas, onde agora mora.
Já não te pertence o teu sol soalheiro.
Anoitecem-te com o fumo ácido dos morteiros.
Gota a gota te mirram as crianças que em ti cresciam
e que agora atravessam a poeira dos escombros
outrora parte do colo onde adormeciam.
No desnorte do teu horizonte se ergue o teu nome,
escrito com teu sangue, algures no monte.

Na Abóbada que te cobre acolhe-se a Alma de que és parte.

Na potência dos fortes, querem-te sumindo.
Resiste, Alepo.
Só a putrefação serve aos abutres famintos.

Manuela Barroso (a nossa querida amiga do "Anjo Azul"-clique no nome, p.f.)

pg. 45

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"o medo não podia ter tudo..."

ALEPO

Cidade fantasma.
Destruição, fome, desespero...
São milhares, fogem da guerra
de mãos vazias e as memórias nos escombros.
No rosto vazio, triste e macerado das crianças
há um grito mudo - urge acordar o Mundo!
Só a voz das armas se faz ouvir...
Enquanto houver ditadores, tiranos e fundamentalismo
a humanidade estará em perigo.

José Efe

pg.57


O livro tem 120 páginas. A lista dos contribuidores é imensa.
Em "Notas Iniciais", Conceição Lima diz isto:

Um dia, li no Jornal Público: Em Alepo, contam-se os dias para a morte".
Colei esta frase no meu mural. Choveram poemas, em reação! Tornou-se vaga alterosa, incontrolável, irreprimível! Formou-se uma onda! Há ondas que nascem  e se formam, sem que se preveja o movimento em que se desenham e avançam. A Ciência as explica, a poesia as preenche.(...)

António Gaspar deu-me o empurrão!Demos as mãos!
Cá estão elas - AS CINCO LÁGRIMAS POR ALEPO!
Desaguam agora, num grito comum, cumprindo o "dilúvio" que António Gaspar prenunciara...
(...)


E António Gaspar Cunha, também ele poeta, numa reflexão sobre a civilização e a escravidão intelectual que "Os Senhores" do mundo nos querem impor, fala do livro assim, a dado passo:
"O que daqui emana são as almas dos poetas. Almas que choram, que gritam, que clamam esperança e que por vezes sorriem. É um livro de poesia de uma beleza erguida passo-a-passo; são choros, sob a forma de poemas, que se juntam até formar um dilúvio de esperança."


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Título / Cinco lágrimas por Alepo
Autor / Vários autores
Género / Poesia
Capa / António Gaspar Cunha
Paginação / António Gaspar Cunha

1ª edição - Gráficamares, LDA


terça-feira, 7 de março de 2017

Jardim das mulheres

A última vez que pensei nesta história foi uma semana depois de a carta ter chegado. Nessa altura, tinha deixado Londres - cidade que considero agora a minha casa - para seguir o percurso da carta até ao local de onde ela tinha vindo e mais além. 




Encontrava-me numa floresta exactamente igual àquela que os marinheiros tinham encontrado por acaso, e lembrei-me de como costumava, de manhã bem cedo, ver as minhas avós, as esposas do meu avó, saírem de casa e dirigirem-se, pelo mesmo caminho no qual eu estava, ao seu jardim. Uma a uma, cada mulher separava-se das suas companheiras e encaminhava-se para a sua parcela de terreno, cujos limites eram marcados por uma termiteira abandonada, uma árvore caída, um pedregulho vertical. Ali, entre as cambalas gigantes, os sapelis e as mafumeiras da floresta, cada mulher cuidava das goiabeiras, papaieiras e jamboeiros que ali tinha plantado. Depois, mondava o inhame e a mandioca, onde estes cresciam na terra fofa e escura, e regava o ananaseiro que marcava o centro da sua parcela de terreno.
  



Pensei na história dos marinheiros. E, durante muito tempo, julguei que não passava disso. Uma história. Sobre a forma como os Europeus nos descobriram e como deixámos de ser um espaço em branco num mapa.(...) depois de eu ter ouvido todas as histórias que este livro contém e escrevê-las para o leitor, lembrei-me designadamente desta. Então apercebi-me de que o tema da história era, na verdade, outro. Era sobre diferentes maneiras de ver. Os marinheiros não atentaram nos sinais, sendo incapazes de ver o padrão ou a lógica, só por serem diferentes dos seus. E a maneira de ver africana: arcana, invisível, porém, visível, evidente para quem nele se insere.
Os marinheiros viram o que consideraram ser a abundância da Natureza e roubaram o jardim das mulheres. Julgaram ter encontrado o Éden, e talvez tivessem mesmo, mas era um Éden criado, não pela mão de Deus, mas sim pelas mãos de mulheres.
(Excerto: Aminatta Forna, Jardim das mulheres pgs 18 e 19).  

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Quem não sabe é como quem não vê, não é Aminatta?

África arcana, visível apenas para quem lhe sente o respirar profundo vindo das suas entranhas; de quem lhe adivinha o ritmo calmo e chão do passar dos dias e das noites mas também a trepidação dos sons saídos do fundo da alma. Lá onde tudo começou, donde saímos todos e espalhados por sítios vários fomos tomando feições outras, colorações novas, eis que voltámos à fonte, mas já tão esquecidos dos valores da terra-mãe.

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Jardim de Mulheres -

Sinopse

Tudo começou com uma carta...

Abie Kholifa herda uma plantação de café da família, num país africano. Movida pelas palavras de Alpha Kholifa, seu primo, Abie regressa, iniciando uma viagem de reencontro com o passado.
Através das histórias contadas pelas suas quatro tias - Asana, Mary, Hawa e Serah -, ela descobre uma África atraída pelas tentações do Ocidente, mas desesperada por se manter fiel às suas tradições. Submersas em verdades silenciadas, mentiras sussurradas e contos mágicos, estas mulheres fortes - as verdadeiras protagonistas de Jardim de Mulheres - tentam alterar o correr tranquilo dos seus destinos e reivindicar as suas próprias identidades.
Percorrendo sensibilidades e gerações, Jardim de Mulheres é um romance espantoso sobre uma nação, uma família e as mulheres cujas histórias oferecem uma emotiva verdade que jamais entrará para as narrativas oficiais da História. aqui



Aminatta Forna was born in Glasgow, raised in Sierra Leone and the United Kingdom and now divides her time between London and Sierra Leone.
Forna was born in Bellshill, Scotland, in 1964 to a Sierra Leonean father, Mohamed Forna, and a Scottish mother, Maureen Christison. When Forna was six months old the family travelled to Sierra Leone, where Mohamed Forna worked as a physician. He later became involved in politics and entered government, only to resign citing a growth in political violence and corruption. Between 1970 and 1973 he was imprisoned and declared an Amnesty Prisoner of Conscience. Mohamed Forna was hanged on charges of treason in 1975. The events of Forna's childhood and her investigation into the conspiracy surrounding her father's death are the subject of the memoir The Devil that Danced on the Water.
Forna studied law at University College London and was a Harkness Fellow at the University of California, Berkeley. In 2013 she assumed a post as Professor of Creative Writing at Bath Spa University.
Between 1989 and 1999 Forna worked for the BBC, both in radio and television, as a reporter and documentary maker in the spheres of arts and politics. She is also known for her Africa documentaries: Through African Eyes (1995), Africa Unmasked (2002) and The Lost Libraries of Timbuktu (2009). Forna is also a board member of the Royal National Theatre and a judge for The Man Booker International Prize 2013.[
Aminatta Forna is married to the furniture designer Simon Westcott and lives in south-east London.
aqui e aqui
Imagens:net