quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Lenda do tambor africano - Guiné-Bissau

Corre entre os Bijagós, da Guiné, a lenda de que foi o Macaquinho de nariz branco quem fez a primeira viagem à Lua.
A história começou assim:
Nas proximidades de uma aldeia, os macaquinhos de nariz branco, certo dia, de que se haviam de lembrar? De fazer uma viagem à Lua e trazê-la para baixo, para a Terra.
Ora numa bela manhã, depois de terem em vão tentado encontrar um caminho por onde subir, um deles, por sinal o mais pequeno, teve uma ideia: encavalitarem-se uns nos outros. Um agora, outro depois, a fila foi-se erguendo ao céu e um deles acabou por tocar na Lua.
Em baixo, porém, os macacos começaram a cansar-se e a impacientar- se. O companheiro que tocou na Lua nunca mais conseguia entrar. As forças faltaram-lhes, ouviu-se um grito, e a coluna desmoronou-se.
Um a um, todos foram arrastados na queda e caíram no chão. Apenas um só, só um macaquito, por sinal o mais pequeno, ficou agarrado à Lua, que o segurou pela mão e o ajudou a subir.

A Lua olhou-o com espanto e tão engraçadinho o achou que lhe deu de presente um tamborinho. O Macaquinho começou a aprender a tocar no seu tamborinho e por longos dias deixou-se ficar por ali. Mas tanto andou, tanto passeou, tanto no tamborinho tocou, que os dias se passaram uns atrás dos outros e o macaquinho de nariz branco começou a sentir profundas saudades da Terra e das gentes. Então, foi pedir à Lua que o deixasse voltar.
— Para que queres voltar?
— Tenho saudades da minha terra, das palmeiras, das mangueiras, das acácias, dos coqueiros, das bananeiras.
A Lua mandou-o sentar no tamborinho, amarrou-o com uma corda e disse-lhe:
— Macaquinho de nariz branco, vou-te fazer descer, mas toma tento no que te digo. Não toques o tamborinho antes de chegares lá abaixo. E quando puseres os pés na Terra, tocarás então com força para eu ouvir e cortar a corda. E assim ficarás liberto.
O Macaquinho, muito feliz da vida, foi descendo sentado no tambor. Mas a meio da viagem, oh!, não resistiu à tentação. E vai de leve, levezinho, de modo que a Lua não pudesse ouvir, pôs-se a tocar o tambor tamborinho. Porém, o vento soltando brandos rumores fazia estremecer levemente a corda. Ouviu a Lua os sons compassados do tantã e pensou: “O Macaquinho chegou à Terra”. E logo mandou cortar a corda.
E eis o Macaquinho atirado ao espaço, caindo desamparado na ilha natal. Ia pelo caminho diante uma rapariga cantando e meneando- -se ao ritmo de uma canção. De repente viu, com espanto, o infeliz estendido no chão. Mas tinha os olhos muito abertos, despertos, duas brasas produzindo luz.
O tamborinho estava junto dele. E ainda pôde dizer à rapariga que aquilo era um tambor e o entregava aos homens do seu país.
A moça, ainda não refeita da surpresa, correu o mais velozmente que pôde a contar aos homens da sua raça o que acabava de acontecer.
Veio gente e mais gente. Espalhavam-se archotes. Ouviam-se canções. E naquele recanto da terra africana fazia-se o primeiro batuque ao som do maravilhoso tambor.
Então os homens construíram muitos tambores e, dentro em pouco, não havia terra africana onde não houvesse esse querido instrumento.
Com ele transmitiam notícias a longas distâncias e com ele festejavam os grandes dias da sua vida e a sua raça.
O tambor tamborinho ficou tão querido e tão estremecido do povo africano que, em dias de tristeza ou em dias de alegria, é ele quem melhor exprime a grandeza da sua alma.


Texto retirado de
AQUI


10 comentários:

  1. Que história curiosa!!!
    Beijinhos, bom final de dia!
    Madalena

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    1. O maravilhoso a provocar o nosso lado racional. :)

      Bj

      Olinda

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  2. Uma lenda maravilhosa, Olinda, muito adequada para explorar na escola.
    Obrigado pela partilha.

    Beijo :)

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    1. É na idade escolar que nos sentimos mais propensos a privilegiar a imaginação.

      Obrigada, AC.

      Abraço

      Olinda

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  3. Tudo o que são lendas, me seduz!
    Também li a de Timor...
    têm o gostinho de sonhos de menina
    e sabem a magia pura e fina :))

    Um restinho de boa semanita minha amiguita
    E te enfeita com teu xailinho de seda
    voltarei logo que possa a esta linda vereda :)

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    1. Tens razao, minha querida Levezinha. É na magia destes e doutros contos e também nos sonhos que nos renovamos. A imaginação também precisa de alimento.

      Desejo-te uma semana com muito trabalhinho :))) com os teus meninos. Daqui te envio um arzinho do meu xaile, todo esvoaçante. :)

      Beijos

      Olinda

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  4. Uma simpática lenda cheia de magia Olinda.
    Gostei demais!!

    Beijos!

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    1. Obrigada, Carla Fernanda.

      :)

      Beijinhos

      Olinda

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  5. Bela e maravilhosa lenda, que, apesar de o ser, se torna verdadeira e incontestável.
    Deixa-me adivinhar, Olinda; esta história, sucedeu antes de o Grego Arquimedes ter descoberto a "lei da alavanca" e ter proferido a célebre frase:Dêem-me um ponto de apoio, e moverei o mundo.
    Ora... quem move o Mundo, usando uma simples barra, apoiada num certo ponto... mais fácilmente move a Lua.
    Mas ainda bem que assim foi. Caso contrário, não teriam os povos de África, o privilégio de usufruir do maravilhoso som do tambor.
    ;)

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    1. Estou em crer que muito, muito antes, meu amigo Bartolomeu...:)Também nunca se sabe se Arquimedes não terá aproveitado a excelência desta experiência,funcionando por exclusão de partes, e chegado mais depressa à descoberta da 'lei da alavanca' :))
      Mas, falando a sério, as lendas têm esta perspectiva maravilhosa de testar a imaginação e chegar a conclusões não menos maravilhosas. Servem de esteio às gentes em momentos difíceis e assim vão construindo a própria tradição.
      E, tens razão em assinalar a importância do som do tambor e, acrescento eu, a sua própria função como meio de comunicação e elemento congregador.

      Abraço.

      Olinda

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