sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O Homem de Kiev

Nestes dias desgraçados em que as notícias nos confrangem o coração perante a violência em Kiev-Ucrânia, vem-me à ideia o título do filme, O Homem de Kiev, adaptação da obra de Bernard Malamud, O Faz-Tudo. São obras que contam uma história virada para o anti-semitismo prevalecente na época, portanto sem qualquer ligação com o que agora se passa. O facto de me surgir este título parece uma daquelas associações que o cérebro faz, sem razão aparente, recorrendo talvez a uma das circunvoluções que activam o subconsciente. Lembro-me, a propósito, do tempo em que, quase, não se ouvia falar dos países integrantes da URSS, a cortina de ferro, vista assim aqui do ocidente, e do tempo da guerra fria, cujos pólos procuravam não se enfrentar abertamente receando o despoletar de uma guerra nuclear. Contudo, faziam a guerra através de países do chamado terceiro mundo. Eram espaços privilegiados para terçar armas e arrebanhar para o seu seio incautos e necessitados, para onde transferiam as suas noções ideológicas e de negócios. Hoje, lidamos com uma espécie de déjà vu: dum lado a União Europeia e do outro a Rússia, ambas ancorajadas pelos seus bons motivos económicos, estratégicos, políticos. Se a primeira se retrai esperando para ver, a outra já se adianta com ajudas que podem fazer toda a diferença. Mas, ouvi há pouco o anúncio da assinatura de um acordo entre a Oposição e o Presidente e que o Parlamento acabou de votar o regresso à Constituição de 2004, na qual os poderes presidenciais são mais reduzidos. No entanto, estejamos atentos aos sinais. Por aquelas bandas, nos balcãs, mais para sudeste, teve início a primeira grande guerra. No caso presente, o nacionalismo reprimido por tantos anos e a aproximação, de alguns, aos interesses representados pela Rússia, parte do processo, poderão representar o rastilho necessário para uma situação incontrolável.




imagem: daqui

6 comentários:

  1. Oxalá encontrem a paz. Todos as coisas fazem falta. mas a paz, a liberdade, e a comida são essenciais para o bem estar do povo.
    Um abraço e bom fim de semana

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  2. Um dia seremos de novo crianças

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  3. Mais uma guerra civil a anunciar-se, Olinda, a juntar à da Síria. Também na Venezuela as coisas estão a ficar negras e não sei se uma outra aparecerá. Anda o mundo inteiro descontrolado e o que impera é o ser humano a matar os outros seres humanos sem dó nem piedade. Triste realidade a nossa, amiga! Pelo menos hoje o sol deu o ar da sua graça, muito timidamente, mas já é bom. Dá-nos um pouco mais de ânimo. Beijinhos e desejo-te um bom fim de semana
    Emília.

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  4. Faço meus os desejos da Elvira, que consigam encontrar paz, liberdade e uma vida melhor para todos.
    Beijinhos
    Maria

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  5. "O mundo está ao contrário" e quase "ninguém reparou", mas estás sempre atenta a tudo que nos cerca, amiga.

    A propósito do tema guerra fria, salvo engano (ainda), tem uma base estadunidense em Angra do Heroísmo, não é?

    Beijo, ótimo domingo!

    ;))

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