segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A noite abre meus olhos






Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado 
na constelação onde os tremoceiros estendem 
rondas de aço e charcos 
no seu extremo azulado 

Ferrugens cintilam no mundo, 
atravessei a corrente 
unicamente às escuras 
construí minha casa na duração 
de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquenes 

A aurora para a qual todos se voltam 

leva meu barco da porta entreaberta 
o amor é uma noite a que se chega só

José Tolentino Mendonça

In: A estrada Branca


Quando a Fé move montanhas isso é Amor:
"Porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele” (Marcos 11:23; veja Mateus 17:20; 21:21; 1 Coríntios 13:2)*





Poeta, sacerdote e professor, José Tolentino Mendonça nasceu na ilha da Madeira. Estudou Ciências Bíblicas em Roma e vive em Lisboa, onde, entre outras responsabilidades académicas e pastorais, é vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (onde se doutorou em Teologia), diretor do Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião e capelão da capela do Rato. É também consultor do Pontifício Conselho para a Cultura (órgão do Vaticano). Mais... 

======

Quinzena do Amor - De 31/01 a 14/02

Post 10 - sim.foi por um beijo em simples vendaval que morriPost 9 - Ó MãePost 8 - Alma minha gentil que te partistePost 7 - Do inquieto oceano da multidão,Post 6 - Amar teus olhosPosta 5 - Conheço esse sentimentoPost 4 - Éramos tu e euPost 3 - Saudades não as queroPost 2 -Não é por acasoPost 1 - É daqui a pouco


======

Poema: Citador
*Citação: daqui
Imagens: daquidaqui

7 comentários:

  1. Olá Olinda!
    Estou encantada com os poemas da "quinzena do amor".
    Aqui lhe mando a minha escolha. Um pequenino mas belo poema da ENORME Sophia.
    Publique se achar bem.
    Beijo e boa semana.
    ---
    POEMA DE AMOR DE ANTÓNIO E CLEÓPATRA

    Pelas tuas mãos medi o mundo
    E na balança pura dos teus ombros
    Pesei o ouro do Sol e a palidez da Lua.

    Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, poetisa portuguesa (1918-2004), em "Obra poética I", Círculo de Leitores, 1992

    ResponderEliminar
  2. Olá, Teresa

    Muito obrigada, adoro Sophia. Houve uma altura em que abri o ano com uma série de poemas dela e apontamentos biográficos. Foi uma enorme e saborosa aventura. :)

    Vou publicá-lo e com enorme prazer.

    Beijinhos

    Olinda

    ResponderEliminar
  3. José Tolentino de Mendonça é um dos poetas que releio obrigatoriamente. Gosto muito de tudo o que ele escreve. Gostei de encontrar aqui este poema...
    Uma boa semana.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
  4. agrada-me a ideia de que o amor "é uma noite a que se chega só"
    contrariando, porventura, a opinião dominante

    abraço, Olinda

    ResponderEliminar
  5. Obrigada por esta partilha de um poeta que não conhecia e que gostei de ler.
    Abraço e boa semana

    ResponderEliminar
  6. Acho a chave do soneto um pouco estranha...
    Muito bem escrito.
    ~~~~~~~~~~~~~~

    ResponderEliminar