segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

bordando os dias (III)





Descobri hoje que bordar é como fazer nascer algo de muito especial. Realmente é muito agradável ver como as flores, as folhas e os ramos vão surgindo à medida que bordo. Mal comparando, é como se fosse a tela de um pintor que, com a sua arte, faz aparecer vida e movimento. Sei que o dia está um pouco frio mas mesmo assim sinto-me reconfortada. O dedal não me assenta bem no dedo, parece-me um pouco largo e também curto, já lhe meti um pouco de tecido, continua a querer sair. É melhor tirá-lo. Com o polegar e o indicador seguro a agulha procurando não fazer muita pressão no médio para não me magoar. Isto para dizer que quero ver o resultado deste raminho, tal o entusiasmo. Ai, o tempo passa tão depressa. 
-Olhó viziiinho! :)
-Ó vizinha, bom dia, como vão esses bordados?
-Ah, os olhos já não ajudam muito. E as suas couves? O seu quintal está viçoso.
-Ia agora colher umas couvinhas para a minha mulher. Também quer? 
-Sim, muito obrigada. Aproveito e faço um caldinho verde para o almoço. Olhe, está na minha hora. Tenha um muito bom dia. 

====
Imagem:daqui

5 comentários:

  1. advinha-se que o raminho vai ficar muito bem no teu bordado.
    muito bem urdidos teus textos

    abraço

    ResponderEliminar
  2. Bordar o pano como quem borda os dias. É de poeta...
    Uma boa semana.
    Um beijo.

    ResponderEliminar