quinta-feira, 25 de maio de 2017

Você: Brasil


Eu gosto de você, Brasil,
porque você é parecido com a minha terra.
Eu bem sei que você é um mundão
e que a minha terra são
dez ilhas perdidas no Atlântico,
sem nenhuma importância no mapa.
Eu já ouvi falar de suas cidades:
A maravilha do Rio de Janeiro,
São Paulo dinâmico, Pernambuco, Bahia de Todos-os-Santos.
Ao passo que as daqui
Não passam de três pequenas cidades.
Eu sei tudo isso perfeitamente bem,
mas Você é parecido com a minha terra.

E o seu povo que se parece com o meu,
que todos eles vieram de escravos
com o cruzamento depois de lusitanos e estrangeiros.
E o seu falar português que se parece com o nosso falar,
ambos cheiros de um sotaque vagaroso,
de sílabas pisadas na ponta da língua,
de alongamentos timbrados nos lábios
e de expressões terníssimas e desconcertantes.
É a alma da nossa gente humilde que reflete
A alma das sua gente simples,

Ambas cristãs e supersticiosas,
sortindo ainda saudades antigas
dos sertões africanos,
compreendendo uma poesia natural,
que ninguém lhes disse,
e sabendo uma filosofia sem erudição,
que ninguém lhes ensinou.

E gosto dos seus sambas, Brasil, das suas batucadas.
dos seus cateretês, das suas toadas de negros,
caiu também no gosto da gente de cá,
que os canta dança e sente,
com o mesmo entusiasmo
e com o mesmo desalinho também...
As nossas mornas, as nossas polcas, os nossos cantares,
fazem lembrar as suas músicas,
com igual simplicidade e igual emoção.

Você, Brasil, é parecido com a minha terra,
as secas do Ceará são as nossas estiagens,
com a mesma intensidade de dramas e renúncias.
Mas há no entanto uma diferença:
é que os seus retirantes
têm léguas sem conta para fugir dos flagelos,
ao passo que aqui nem chega a haver os que fogem
porque seria para se afogarem no mar...

Ler mais aqui

Jorge Barbosa

Jorge Vera-Cruz Barbosa nasceu na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 1902. Faleceu em Cova da Piedade, Portugal, em 1971. Foi funcionário público. Um dos membros mais importantes do movimento Claridade.
Publicou: Arquipélago. São Vicente: Cabo Verde, 1936; Ambiente. Praia: Cabo Verde, 1941. Caderno de um Ilhéu. Lisboa: 1956.

Do site de António Miranda

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Imagem do Rio de Janeiro - Net

44 comentários:

  1. Bonito poema que desconhecia.
    Penso que todos nós amamos um pouco o Brasil, apesar de nunca lá termos estado. É como se fosse um pouquinho de nós.
    Um abraço

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    1. Olá, Elvira

      Uma grande verdade: todos nós amamos o Brasil e o que o afecta também nos afecta a nós.

      Bj

      Olinda

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  2. Apesar de não ter tantas afinidades, amo muito o Brasil
    e nem sei explicar bem a razão.
    Aprendi a amá-lo muito cedo, com os livros de Eurico Veríssimo e Jorge Amado...
    Amo as belezas naturais e o clima, a afabilidade do povo que é muito carinhoso a demonstrar os seus afetos...
    Lamento intensamente os atuais relatos violentos e corruptos.
    O poema de Jorge Barbosa é muito sentido, expressivo e interessante.
    Fiquei a conhecer mais um escritor...
    Grata pela partilha, estimada Olinda.
    Beijinhos
    ~~~~

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    1. Olá, Majo

      Subscrevo o que diz. Através da sua poesia, da sua música, das suas gentes aprendemos a amar o Brasil. Há uma coisa que Jorge Barbosa diz sobre a sua forma de se expressar que acho saboroso e que eu perfilho completamente:

      (...) um sotaque vagaroso,
      de sílabas pisadas na ponta da língua,
      de alongamentos timbrados nos lábios
      e de expressões terníssimas e desconcertantes.

      Gosto desse falar que privilegia as vogais e que torna o português tão doce.

      E aqui estou eu desejando que em breve esse grande povo dessa terra maravilhosa possa encontrar o seu caminho.

      Bj

      Olinda

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    2. E, pedindo desculpas pela intromissão, a propósito das palavras de Jorge Barbosa, gostaria de te dizer o seguinte; os brasileiros dizem que nós falamos muito rápido e por isso não nos entendem; eu passei a perceber que eles tinham razão, quando visitei há alguns anos o Museu da língua portugues em S. Paulo na estação da Luz; fiquei encantada com este museu onde a nossa lingua está muito bem retratada em todas as suas variantes, portugues do Brasil e de todos os outros paises lusofonos. Isto p te dizer que lá li as seguintes palavras da Sofia de Mello Bryner ( n sei se está bem escrito..) " gosto do português do Brasil...eles separam bem as sílaba. ... co- quei-ro tem mais sabor a coco " . Na realidade é isto que acontece e para eles nós de facto falamos rápido; nós dizemos cuqueiro ( escrevemos com o, claro ) mas eles falam co-quei-ro, abrindo o " o ". Jorge Barbosa tem a mesma opinião dizendo que têm " um soyaque vagaroso, de silabas pisadas..." . Muito interessante, Olinda!
      A nossa lingua é riquissima e estas variantes fazem-na ainda mais bela. Beijinhos e...desculpa o abuso, sim? Sei que não te importas!!!
      Emilia

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    3. Querida Mila

      É precisamente o que eu sinto. Se falássemos o português com menos pressa, pronunciando bem as vogais e ligando-as às consoantes tornar-se-ia mais doce. Mas, por outro lado, -sabes uma coisa?- também penso assim: se não houvesse esta diversidade na pronúncia e na toada, cá e em cada uma das "sete partidas do mundo" onde se fala o português, qual era a graça? É precisamente isso, a forma tradicional e as expressões e os novos trajes que enverga, dengosa e atrevida, que fazem dela a bela língua que é, sempre viva.

      Um bom fim de semana.

      Beijinhos

      Olinda

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  3. Sério! Não conhecia António Miranda. A sua Poesia tem o "caminho" da tradição Cabo-verdiana: sentimento e a identidade.
    Gostei e fico com mais algumas curiosidades para colmatar.
    Obrigado, Olinda. Aqui, vou aprendendo a olhar.


    Beijo
    SOL

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    1. Olá, Sol

      Jorge Barbosa, um "Claridoso", considerado o pioneiro da poesia moderna cabo-verdiana. Nesta senda, apareceram muitos outros que não deixaram morrer a Palavra.

      Abraço.

      Olinda

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  4. Sabes da minha grande ligação ao Baril, pátria dos meus filhos, país onde comprei a minha primeira casinha, o meu lar, modesto, mas que para mim era um palacete; sempre que lá vou passo nessa casa e a olho de fora com muitas saudades; muito mais tarde mudei-me para uma outra maior e bastante melhor que posso visitar sempre que quero pois nela habitam amigos meus, mas não sinto por esta o mesmo que pela outra, talvez por ter sido na primeira que nasceram os meus filhos e também por tê-la comprado com mais sacrificio. Devo muito ao Brasil que me acolheu como se a ele pertencesse e onde me senti como se estivesse no meu país. Olinda cheguei ao Brasil e fui logo tratada por Mila por toda a gente e assim é até hoje; quando regressei a Portugal passei a ser Da Emilia e o meu tratamento de infância passou a ser usado só por quem me conhece dos tempos em que vivi na aldeia em que nasci,.Até hoje custa-me ouvir este D. Emilia, mas não adianta, pois não consigo mudar. Pode parecer estranho a alusão a este facto, mastu, Olinda, tenho a certeza que entendes o que quero dizer com isto; o brasileiro é muito acolhedor e quando lhe apresentam uma pessoa, ele logo considera um dos seus, deixando de lado as formalidades; sempre que lá vou acabo por conhecer novos amigos através do meu irmão, pessoas mais novas, mais velhas e continuo a ser a Mila e para os pequenos a tia Mila. São assim os brasileiros, acolhedores, simpáticos com quem nos sentimos à vontade desde o primeiro instante. Por isso gosto tanto desse pais, amiga! Ver aqui esta homenagem a esse grande povo sensibizou-me, pois, de uma maneira muito bonita soubeste ser solidária com o sofrimento por que está a passar; momentos conturbados e muito dificeis vive o Brasil e isso deixa-me triste, pprque o brasileiro não merece esta corrupção nunca antes vista. Olinda deixo-te um grande abraço amigo e profundamente agradecido pela tua solidariedade e também pelo bonito poema que desconhecia. Amigos como tu valem a pena e valeu a pena ter criado o começar de novo pelos grandes amigos que me deu. Muito obrigada!
    Emilia

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    1. Querida Amiga

      Emocionei-me ao ler este teu comentário em que transmites momentos tão importantes da tua vida. Transportaste-me para esse tempo e senti-me a acompanhar-te na tua romagem de saudade. Sei que vais frequentemente ao Brasil e que lá tens os teus pais e irmão bem como outros familiares e amigos. É uma saudade que se renova sempre que tens de partir de lá. E então penso que, contigo e alguns de nós, acontece aquilo que se costuma dizer "querer partir mas ter de ficar",e vice-versa, pois tens o coração dividido, cá e lá, com família nos dois lados do Atlântico, que adoras. E é bem verdade, os nominhos da infância fazem parte de nós, querida Mila. Com eles respondemos a todos os chamamentos em que o coração se mostra presente. Quando temos de viver num outro ambiente ou realidade faz-nos falta ouvir esse tratamento carinhoso.

      Tenho um carinho muito grande pelo Brasil e pelos brasileiros, pela sua forma de ser e de estar, pela sua História (interrompida por nós) a que souberam juntar novos dados. Um sobrinho meu é casado com uma brasileira e adoro quando ela me telefona e começa assim, querendo contar-me alguma coisa sobre os miúdos: "Tia do Céu...!". Eles vêm visitar-me e também lá vou, passamos tardes na conversa dizendo-me dos seus costumes e dos seus anseios.

      Desejo ardentemente que todos os brasileiros encontrem na vida aquilo que mais desejam, paz e progresso.

      Beijinhos.

      Olinda

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    2. Querida Olinda, tinha a certeza que entenderias a minha alusão ao " Mila" e sabes, a minha nora é brasileira e ela trata-me por tia ou simplesmente Mila; não é bonito. O meu filho veio para cá com 14 anos e não descansou enquanto não encontrou uma brasileirinha. É muito engraçado ver os dois ainda com o sotaque brasileiro e os meus netos a falar o português do Norte. Obrigada pela carinhosa resposta, amiga. Um bom fim de semana. Beijinhos
      Emilia

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    3. Vim cá só para colocar o ponto de interrogação, pois sem ele, o sentio da frase muda. Quis dizer " não é bonito? " Da maneira que está, dá a ideia que não gosto do tratamento. Adoro! Beijinhos, amiga
      Emilia

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    4. Percebi isso e, mentalmente, coloquei logo o ponto de interrogação. Mas, foi bom teres voltado. :)
      Quanto ao que dizes sobre o teu filho, a brasileirinha e os teus netos, sorri ao visualizar, "ouvir" e saborear essa saladinha com toque tropical.

      Bjinhos.

      Olinda

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  5. Lindo poema, não conhecia o poeta.
    Obrigado pela partilha
    Bom fim de semana
    Beijinhos
    Maria

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    1. Muito obrigada, Maria, pela visita e comentário.

      Beijinhos

      Olinda

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  6. Querida Olinda
    Muito interessante este texto, que desconhecia.
    Não conheço o Brasil pessoalmente, mas do tanto que tenho lido e visto a respeito... é quase como se já lá tivesse ido.
    Em contrapartida conheço Cabo Verde, onde vivi dois adoráveis anos, e posso reconhecer, no belo texto poético, as afinidades descritas.
    Excelente!!!

    Votos de um Domingo feliz
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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    1. Querida Mariazita

      Sim, sei através do teu maravilhoso livro "Saudosa África Distante" que viveste em Cabo Verde e assim sabes avaliar, com conhecimento de causa, como esses dois povos se parecem. Mesmo no meio de tempestades conseguem descobrir o lado bom da vida.

      Beijinhos.

      Olinda

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  7. Um poema muito belo de Jorge Barbosa, autor que não conhecia. Uma excelente homenagem ao Brasil. Nesta altura em que o Brasil passa por tantas dificuldades é bom saudá-lo e dar-lhe esperança.
    Uma boa semana.
    Beijos.

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    1. É isso, Graça, saudá-lo e dar-lhe esperança e a crença de que virão dias melhores.

      Bj

      Olinda

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  8. Boa tarde Olinda!

    Lindeza de Poema. Ainda não o conhecia o trabalho do autor.
    Eu tenho orgulho de ser brasileira. Meu País é maravilhoso, rico e grandioso, com muitas belezas naturais e recursos abundantes, além de seu povo ser alegre e muito hospitaleiro, mas, apesar de tantos pontos positivos, atravessa um difícil momento de crise política que não deixa indiferente ninguém de nós. Parece que está em chamas e vai explodir a qualquer momento. Levantou esse tsunami político no Brasil inteiro, abrindo essa crise que atingem a todos, de desfecho ainda incerto. Desde que Dilma foi afastada e Temer assumiu, já se sabia, com efeito, que algo de parecido poderia ocorrer. Nunca se viu tanta exposição nos meios de comunicação, como nos dias de hoje. Os sentimentos são os mais diversos e a população brasileira diretamente atingida pelas consequências, reage, cada um a sua forma. Precisamos de Governadores honestos e de pulso forte pra comandar esse gigante que é o Brasil. Podemos dizer que agora está aparecendo à sujeira escondida em baixo do tapete da tantas falcatruas. Esses políticos tem uma crença inabalável na impunidade, acha que tudo fica impune. Mas está redondamente enganado.
    O povo acordou, está participando e cobrando soluções por uma forte pressão através da mídia, sobretudo pela internet, apoiando as medidas necessárias contra a corrupção, contra o desemprego, contra os juros altos, contra a péssima educação secundária pública, e cobrando as reformas imprescindíveis que o Brasil precisa no campo do trabalho, da educação, do sistema político, etc.
    Manifestantes estão fazendo protesto pedindo eleições diretas. Congresso corrompido não tem condições de conduzir um processo eleitoral. Vamos aguardar o desfecho dessa situação.

    Essa imagem do Rio de Janeiro é linda.
    Meu Estado Espirito Santo faz divisa com Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais. So temos belezas por aqui.

    Boa semana pra ti!
    Um abraço e um sorriso!
    Escrevinhados da Vida


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    1. Querida Smareis

      Tão bom receber a sua visita e este comentário que nos fala do Brasil na primeira pessoa. Sim, ele é um gigante em todos os aspectos e do que precisa é somente de bons timoneiros que apontem a rota certa, pondo o bem do povo acima de quaisquer outros interesses. Que os valores da democracia prevaleçam e que os representantes eleitos saibam corresponder às expectativas neles depositadas.

      Desejo-lhe tudo de bom a si e essa terra maravilhosa onde, realmente, só há beleza.

      Beijinhos.

      Olinda

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  9. Tão bonito este poema, onde se nota bem a patine do tempo :)
    Beijinhos, boa semana de calor quase tropical, quase!

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    1. La patine du temps, sem dúvida, que no entanto lhe dá um refinamento e actualidade próprios de sentimentos que não se alteram, porque verdadeiros.

      Obrigada, M. O bom tempo continua. Vamos lá ver o preço que teremos de pagar com a falta de chuva. Já devia ter chovido, não? Em Abril "águas mil", nem vê-la.

      Beijinhos

      Olinda



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  10. Olá, estimada Olinda!

    Espero k se encontre bem e feliz.

    Não conhecia o poeta/escritor, mas estive visitando a página, que aqui, nos indica.
    Gostei do k li, que foi pouco, mas senti muito de genuíno naquilo que ele escreveu.

    Cabo-verdiano, k viveu e faleceu em Portugal, Cova da Piedade, o k pra mim, faz todo o sentido.

    Qto ao poema aqui publicado, dou a Jorge Barbosa toda a razão, pke o Brasil tem África no sangue, na música, na cultura, na forma de estar em liberdade, dançando, sem sapato, na mulher, caliente, dengosa e com mtos filhos, k é a alegria dos obres, dizem os africanos.

    A Rota Triangular do Atlântico foi responsável pela cultura brasileira e pela maneira de ser daquelas gentes. Eles adorem misturas, de todo o jeito e feitio.

    Beijos e dias felizes.

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    1. Olá, Cara Céu

      O Comércio Atlântico que toma a forma triangular em função dos continentes nele envolvidos, parece à primeira vista, ou seja, pela assumpção da palavra "comercio", uma actividade inocente. É um comércio bem situado no tempo e eu pergunto-me como seríamos nós se tal não tivesse existido ou se tivéssemos tomado um outro rumo. Nós, Portugal e os outros países da Europa que nele tomaram parte, África e as Américas.

      Da troca de manufacturas muitas vezes de fraca ou nenhuma qualidade por seres humanos levados à condição de escravos e pelo seu trabalho forçado se fizeram riquezas. Neste aspecto, houve e há misturas, sim, mas fruto de um parto dificílimo em que se pautaram discriminações e proibições de toda a ordem. Hoje, poderemos dizer que essa miscigenação existe mas continua a ser alvo de alguma descrença na sua viabilidade em termos sociais. Falo de uma maneira geral, isto é, abrangendo toda a humanidade se isso me for permitido.

      Quanto ao aspecto cultural é sabido que é moda e de bom tom dizer-se que se gosta dos ritmos tropicais. Aliás, isso não é nenhuma mentira pois o nosso corpo vibra ao som do tambor e outros instrumentos musicais o que mostra o nosso parentesco com aqueles seres humanos cujo tronco comum partilhamos. Como dizem os cientistas, temos todos a mesma origem. Uma história que se ramificou no tempo.

      Minha amiga, obrigada pelo seu contributo.

      Bj

      Olinda

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  11. Cá, agradeço o poema
    Pela parte que me toca!
    Pareço uma pata choca,
    Por brasileiro da gema,

    Não conhecer de uma extrema
    À outra, um país que evoca
    A si, ser enorme, e em troca
    Nada exige, por suprema

    Modéstia. Ele é um gigante
    Ou grande rinoceronte
    Que sabe a força que tem

    Mas sente não ser bastante
    Para arvorar-se diante
    Do forte, e só diz amém.

    Grande abraço. Laerte.

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    1. Caro Laerte

      E que direi eu que pertenço a um país pequenino e não o conheço todo? Pela sua imensidão, penso que serão precisas muitas vidas para conhecer o Brasil todo, não? Sabe a força que tem e que bem direccionada faria mover montanhas. Seria o "despertar do gigante adormecido"...

      Abraço.

      Olinda

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  12. Minha amiga passei para lhe desejar um bom domingo e uma excelente semana.
    Maria

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    1. Olá, Maria

      Muito obrigada e o mesmo lhe desejo embora estejamos já na quarta -feira, mas, mais vale tarde do que nunca, não é?

      Bj

      Olinda

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  13. Gostei muito de ler, como brasileira, amante deste Brasil, agora transformado em covil de assaltantes dos direitos do povo brasileiro. FORA TEMER!!! DIRETAS JÁ!!!

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    1. Olá, Louriani

      Muito obrigada pela sua visita e por ter gostado do poema aqui transcrito.
      Quanto ao comentário, há uma coisa com que me preocupo. Procuro não associar o nome de seja quem for a notícias por mais verdadeiras que sejam. E isso porque existe a presunção de inocência até a pessoa ser julgada. E mesmo depois de julgada eu própria me ponho a pensar se realmente foram vistos todos os ângulos do problema, se realmente a pessoa é culpada se não terá havido algum erro, pois errar é humano. Não há nada a fazer, sou mesmo assim. Por isso, vamos fazer de conta que o nome que incluiu não está aí, sim?

      Mas, não dúvida que há coisas que estão mal no Brasil e que o povo sofre com tudo o que está a acontecer. É preciso encontrar uma solução no sistema político e que se for necessário fazer eleições directas que elas se façam dentro dos princípios ditados pela Constituição Brasileira.

      Bj

      Olinda

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  14. Aconteceu-me uma coisa curiosa: comecei a ler e a sentir a batida emocional de cada verso (como se fosse a expressão do coletivo da lusofonia) não sentindo a necessidade de ir ver a autoria.
    Fantástica partilha!
    Vou ler sobre Jorge Barbosa.
    Bjinho, Olinda
    (Sim, a situação do Brasil preocupa-nos...)

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    1. Dizes bem, querida Odete. Na lusofonia encontramos um mar imenso de sentires e de realidades que vão desembocar nesta forma linda de expressar. Já tivemos ocasião de ler juntos, aqui no Xaile, vários autores que escrevem em português, do espaço que, institucionalmente, dá pelo nome de CPLP (8 países + "observadores"). Já tive mais fé nessa instituição e já lhe cantei louvores com o idealismo que, de vez em quando, me assiste. Hoje, pelo contrário, lavra em mim um certo desencanto.

      Mas, devo dizer que os autores de que falei acima continuam no meu coração e recorro a eles e ao seu talento sempre que desejo exprimir algo que me transcende. Destaco, por exemplo, Baltasar Lopes da Silva, Ana Paula Tavares, Olinda Beja, Machado de Assis, Sebastião da Gama e tantos, tantos outros. Não caberia nesta lista a infinidade de homens e mulheres que, em Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Timor-Leste, nos elevam "desta apagada e vil tristeza". Uma palavra de apreço para a Galiza berço do galego-português.

      Bom feriado,minha amiga.

      Beijinhos

      Olinda

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  15. Muitos de nós tem uma ligação ao Brasil
    , se não de agora , do tempo em que por lá se semeava o pao pelas imensas padarias . Interessante os nossos emigrantes irem em busca do " pão " é distribuir precisamente PÃO . Um grande país , belíssimo , gente amável mas cujos timoneiros a tiram do sério . Mas Brasil tanto está em baixo como , qual fênix , renasce com força , graças as riquezas que possui .
    Deus é brasileiro , como dizem , por isso dentro em pouco estarão num
    Outro Céu .
    Belíssimo publicação , estimada Olinda . Beijinho meu !

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    1. Bom dia, querida Manuela

      Sim, é muito interessante o caso das padarias portuguesas no Brasil. Em tempos li um artigo na Net com este título "Se é pão, é luso". E aí discorria-se sobre as especialidades por que cada comunidade é conhecida, destacando-se a portuguesa pelo "Pão".

      (Deixo aqui o link para quem o quiser ler:
      http://www.superinteressante.pt/index.php/historia/artigos/1399-se-e-pao-e-luso)

      Gostei muito de se ter lembrado dessa expressão, "Deus é brasileiro", bastante usada para mostrar que é uma terra abençoada, também nome de filme com o talentoso António Fagundes.

      Que o presente e o futuro do Brasil se delineiem sem tardanças dentro dos seus mais puros anseios.

      Um bom fim de semana, minha amiga.

      Beijinhos

      Olinda

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  16. Olinda passando para lhe desejar um excelente fim de semana.
    Beijinhos
    Maria de
    Divagar Sobre Tudo um Pouco

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    1. Olá, Maria

      E mais um fim de semana se passou.
      Agora é a minha vez de desejar-lhe uns dias muito bem passados, na praia de preferência, com este calorzinho que a esta hora da manhã já se faz sentir em toda a sua pujança. Lá para a tarde, nem sei. :)

      Bj

      Olinda

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  17. Querida Olinda, que forma tão bela de nos levar a pensar no «gigante adormecido», como bem diz.

    Fabuloso poeta.
    (Tenho saudade de quando ensinava Literaturas...).

    Beijinho grande

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    1. Querida Ana

      Sei que conheces e estudaste estes "claridosos" e outros poetas da lusofonia, pois já os comentaste em outros posts meus. Por isso, sabes bem da sua força e talento.

      Obrigada por teres aqui vindo. Penso que te devo algumas visitas que satisfarei em breve e com muito prazer.

      Beijinhos

      Olinda

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  18. De alguma maneira, todos sentimos assim como que uma ligação ao Brasil, não é? Mesmo que nunca tenhamos ido lá, como eu. Mas sente-se essa ligação. É a língua. E a história...

    Beijos


    Isabel Gomes

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    1. É verdade, Cara Isabel. A língua portuguesa com aproximadamente 280 milhões de falantes deve esse número precisamente ao Brasil e isso faz dela a 5ª mais falada do mundo. E desde a Carta de Pero Vaz de Caminha a El-rei D.Manuel I até aos nossos dias, muitos são os elementos históricos que nos ligam.

      Um bom fim de semana.

      Bjs

      Olinda

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  19. Meus amigos

    Longos vão estes dias em que esta publicação aqui se mantém sem que venha outra para a substituir. Tenho tido alguns afazeres inadiáveis que me afastaram um pouco do ciberespaço. Mas, por outro lado, o facto de este post já ter quase um mês, contrariando o conceito de blog, permitiu-nos discorrer mais alongadamente sobre o tema.

    Espero poder fazer uma nova publicação ainda hoje.

    Desejo-vos um bom fim de semana.

    Abraço

    Olinda

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  20. Minha amiga como é sábado cá estou eu para lhe desejar um Bom fim de semana
    Beijinhos
    Maria de
    Divagar Sobre Tudo um Pouco

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    1. Muito obrigada, cara Maria.

      Beijinhos

      Olinda

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