quarta-feira, 25 de abril de 2012

Hoje é dia de festa?

É, sim senhor. Basta pensarmos no quanto ganhámos num dia como este há trinta e oito anos. Basta pensar que eu não estaria aqui a escrever estas palavras ou outras quaisquer, a colocar questões e a reivindicar direitos. Tenho liberdade para isso. Então, ocorre que hoje é, ou deveria ser, dia de estralejar de foguetes, de música, de dança, nos jardins, nas praças, nas ruas, sem peias,  de forma espontânea. Riso nos rostos e alegria no coração, independentemente da crise e dos nossos diferendos. Também dia de festa no ambiente circunspecto do Parlamento, recinto representativo da nossa liberdade plural, a que terá faltado um certo calor, tendo em conta uma comemoração como esta. Ouve-se dizer que as palavras são sempre as mesmas. E se forem sempre as mesmas, qual o mal? Talvez assim se cimentem bem no nosso íntimo e nos convençamos da nossa sorte, a sorte de podermos discutir e de fazer escolhas. Com símbolos como o cravo, distribuído, num gesto espontâneo e feliz, e colocado no cano de uma espingarda, ecos de canções como 'e depois do adeus' e 'grândola vila morena' que serviram de senhas e nos ficaram nos ouvidos para sempre, de que precisamos mais? Inspiração e Liberdade temos. Resta aproveitá-las e construir a nossa felicidade. Um sonho? Seja... o sonho comanda a vida.


25 comentários:

  1. Minha querida Olinda,
    Desculpe corrigi-la. Faz hoje 38 anos, foi uma festa. Hoje, não me sinto nada festeira. Estou triste. O que fizeram das ilusões, que esse dia nos deu? Onde estão os cravos?
    Ainda por cima, chove.
    Tenho pena, mas não me sinto em festa.
    Beijinho
    Maria

    ResponderEliminar
  2. Olá Olinda,

    Cá vim, então, festejar consigo. Os tempos estão complicados e o que se idealizou tem vindo a esboroar-se. Mas, enquanto houver pessoas que se lembrem de manter vivo o espírito de liberdade e democracia, o espírito do 25 de Abril manter-se-á vivo.

    Ontem, já lá para a 1 da manhã, fui para a rua, para um concerto de rua e a praça estava cheia de gente a cantar e a dançar. Gostei. Pelo menos ainda há vitalidade e capacidade de alegria.

    Um beijinho, Olinda!

    ResponderEliminar
  3. Foi sim, querida Maria, foi uma festa. Quem viveu esses momentos não pode deixar de comparar o que aconteceu então e o que acontece agora. As ilusões foram a pouco e pouco caindo por terra mas temos ainda a liberdade de dizer isso e tecer outras considerações... :)
    Hoje o dia não está de feição, está a chover, portanto não temos o Sol a animar-nos. A morte de Miguel Portas também enche o nosso coração de tristeza, um homem com tanto para dar. Ficámos mais pobres.

    Abraços e beijinhos.

    Olinda

    ResponderEliminar
  4. Querida UJM

    Sim, o esboroar de muitas expectativas tem desanimado muita gente. Mas só mantendo vivo o espírito do 25 de Abril será possível também manter vivo o seu legado.

    Esperemos por dias melhores e, ao mesmo tempo, cultivando a alegria nos nossos corações.

    Beijos.

    Olinda

    ResponderEliminar
  5. Querida Olinda, tem razão; dia de festa, sim e sempre e até nos PALOP...porque a Liberdade se espalhou por toda a parte e continua ainda presente.

    Um abraço a cheirar a cravo e esperança

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, minha amiga

      Com o 25 de Abril os PALOP ascenderam à independência num tempo mais curto,poupando vidas tanto dum lado como do outro. A descolonização depois é que teve as suas falhas...

      Obrigada por esse cheirinho a esperança. :)

      Beijos

      Olinda

      Eliminar
  6. Olindamiga

    A vida é uma sucessão de vidas. Umas mais vividas, outras menos conseguidas. Mas, não nos podemos esquecer de um princípio básico - a Liberdade. Em Portugal, depois do obscurantismo salazarento, foi o MFA que nos deu nova vida. Respeitemos, portanto, a liberdade de escolha. Mas, já o disse e repito, não gosto deste 25 de Abril de 2012.

    Qjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Henriqueamigo

      Totalmente de acordo. A Liberdade é um bem precioso que deve ser preservado. E é na liberdade de escolha e de expressão que nos revemos como seres humanos, perseguindo os nossos ideais.

      Grande abraço.

      Olinda

      Eliminar
  7. Olá minha `linda!
    Vim hoje porque é (foi) dia de festa
    ainda que apenas o sonho nos anime
    e o sol tenha cometido "pequenino crime"...
    vim porque o meu tempo me deixou por momentos
    lavar a alma e afagar-me entre alentos
    porque com saudade feito rebentos
    no coração se vão pedindo alimentos...

    vim só fazer por aqui meu passeiozinho
    em outro dia voltarei com mais tempinho!

    com doce carinho, de amizade um beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Querida Levezinha

      O Sol ontem esteve no seu dia descanso ou então as nuvens é que não deram tréguas. :) Hoje também ainda não o vi.
      É, minha amiga, enquanto o Sonho comandar a vida vamos tendo esperanças em dias melhores, não é? É preciso acreditar...

      Desejo-te dias cheios de Sol ou então com chuvinha bonançosa porque tudo faz parte da da vida. :)

      Beijinhos

      Olinda

      Eliminar
  8. OI OLINDA!
    A TRISTEZA DOS PORTUGUESES, NOSSOS IRMÃOS NOS TOCA PROFUNDAMENTE.
    UM POVO MUITO SEMELHANTE A NÓS BRASILEIROS, FELIZ, CONFIANTE E
    CRENTE.
    E É DEVIDO A ESTES ATRIBUTOS QUE TENHO CERTEZA QUE LOGO TUDO SERÁ PASSADO, PORQUE A LIBERDADE DÁ ESTA CONDIÇÃO, A DA SUPERAÇÃO.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/
    Click AQUI

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Amiga Zilani

      Que bom ter vindo aqui no dia 25 de Abril, dia recordado e comemorado desde há 38 anos, brindando à Liberdade.

      Beijinhos

      Olinda

      Eliminar
  9. O sonho no comando da vida

    Sempre

    ResponderEliminar
  10. Oi Olinda, e nesta liberdade canto estes versos, com tua permissão.

    Liberdade da Alma

    Na liberdade que a matéria anseia
    Essa que sem os grilhões imensos
    Na escuridão brilha uma candeia
    Dos sonhos profundos intensos

    Um abraço.
    Beijos.

    ResponderEliminar
  11. É dia de festa, sim, Olinda! Por mais que queiram que fiquemos desanimados, por mais que queiram que não acreditemos na nossa democracia, por mais que queiram fazer com que acreditemos que o passado era melhor, não conseguirão convencer-nos. Ainda me lembro desse dia, estava eu no Porto a preparar-me para saír para as aulas, quando ouvi as notícias. Medo naquela altura, mas depois grande alegria. Toda a gente se manifesta, todos reclamam da crise e dos governantes e esquecem-se que se não fosse o 25 de Abril de 74 estavam todos quietinhos, em casa, de boca fechada e a aguentar os desmandos dos governos daquela época. Por isso, Olinda, ontem foi um dia de festa e desejo sinceramente que os portugueses comecem a sorrir mais e a lembrarem-se de que já houve crises e problemas piores neste nosso país; foram superados e os de agora também o serão. Um beijinho, amiga e parabéns pela publicação. Excelente! Fica bem!

    ResponderEliminar
  12. Olá querida amiga!
    ...e no meio deste masoquismo todo, foi um bálsamo esta lufada de ar renovado!
    Esperança, sempre.
    Um grande abraço!

    ResponderEliminar
  13. Dom de liberdade onde o sonho anseia e comanda a vida


    Tem uma boa noite

    ResponderEliminar
  14. Como diria o Chico Buarque: "apesar de você"!
    Então, Olinda, apesar do "momento cruciante", não é por isso que não se deva festejar a Liberdade que, como no Brasil (dada as devidas peculiaridades), abriu "as asas sobre nós", como também dizia uma certa canção!

    Parabéns, pelo 25 de Abril!

    Beijinhos,
    da Lúcia

    ResponderEliminar
  15. Há anos eu festejava com alegria o 25 de Abril. Hoje já nem me apetece festejar, mesmo continuando a admirar quem lutou e colocou a sua vida em risco para fazer a revolução. É que penso que dos ideais de Abril já temos muito pouco. Temos a liberdade é verdade. Esperemos que por muito tempo mas quando vemos que aqueles que fazem denúncias sobre atos do governo são afastados das suas funções nem sei mesmo se essa liberdade ainda existe. Para uma enorme faixa da população, a liberdade que têm é escolher entre gastar a misera reforma que tem nos medicamentos ou na comida.
    Um abraço

    ResponderEliminar
  16. Minha querida

    Embora os cravos já não tenham aquele vermelho vivo de há 38 anos, mas não podemos deixar a esperança morrer.

    Deixo um beijinho com carinho
    Sonhadora

    ResponderEliminar
  17. Mesmo com os erros cometidos e as situações decadentes,
    eu continuo a dizer qie Abril não teve a culpa, mas sim todos quantos denegriram a liberdade. E não sei dizer quem foram, talvez todos, uns de uma maneira, outros de outra.
    Todos quiseram ganhar e todos desconheciam o que era a Liberdade e continuam a desconhecer.

    Abril abriu as portas...isso é a única verdade!Com interesse
    o blogs!

    Maria Luísa

    ResponderEliminar
  18. Oi Olinda!
    Que seja sempre Abril.
    Que nunca os nossos filhos e netos, percam a liberdade adquirida, que tenham liberdade de expressão, comunicaçºao,e circulação, que sejam livres em todos os sentidos.
    Amiga, estou convicta ,que os cravos mais vermelhos ou mais rosa, serão sempre cravos, simbolo da liberdade!
    Até breve
    Herminia.

    ResponderEliminar
  19. Podemos prometer atos,
    mas não podemos prometer sentimentos...
    Atos são pássaros engaiolados,
    sentimentos são pássaros em vôo.
    (Rubem Alves)
    Pedindo desculpas pelo meu afastamente
    nas visitas infelizmente foram alguns dias de muita
    tenssão.
    Eu aprendo todos dias, me espelho em outras
    pessoas: Não dá pra fraquejar, quem é guerreiro
    jamais entrega a Luta..
    Deus abençoe grandemente seu final de semana beijos
    no seu doce coração.
    Evanir..

    ResponderEliminar
  20. É verdade, Olinda, mas o povo, em geral, é mal agradecido e tem falhas de memória...
    Beijinhos, bom sábado!
    Madalena

    ResponderEliminar
  21. A ressurreição deu sorriso nasceu com o dia
    Ah este inverno que abraça a primavera
    Este céu que arroxa meu peito
    Estas negras pedras plantadas na terra

    O curso do meu errante espirito
    Levou-me ao infinito e ao incomensurável
    Este orvalho das pequenas coisas
    Recorta meu corpo a golpe de cisel

    Ocultei meus sonhos numa porta da eternidade
    Porque o desespero é voo baixo e sinuoso
    Vi ontem dois amantes jurarem uma partilha de vida
    Vi olhos que irradiam luz em gesto assombroso

    Um imenso abraço

    ResponderEliminar