Soberbo o freixo e sua sombra.
quarta-feira, 25 de março de 2026
A Borbulhar Por Dentro
Soberbo o freixo e sua sombra.
sexta-feira, 7 de novembro de 2025
Que desabrochem flores...
Havia em Babilónia uma canção. Tão prenhe de memória que explodia em multidões...
Um dia, alquebrados, mas vivos, os babilónios ocuparam a rua. Com fome de pão e de Futuro. E abarrotaram avenidas e praças, num coro de estrofes e emoções...
Hammurabi, o legislador, cofia a barba: há que subir o pré aos generais.
Chegou tarde, porém - os generais estão indignados...
Dizem alguns que os Escribas estão a mudar de campo. E relatam...
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Um poeta cego e semilouco exclama: que desabrochem flores na ponta dos sabres!...
In: Notícias de Babilónia e outras metáforas, pg 95, de Manuel Veiga
O autor entende a crise racionalmente, mas sente-a emocionalmente. É sobretudo um criador de poesia, da qual não se desembaraça nestes textos. As suas metáforas políticas, quase sempre amargas, constituem, de alguma forma, insurgências de uma zombaria ancestral, com que a arraia-miúda se vingava dos desmandos dos poderosos. Outras vezes, os textos ecoam uma plangência dorida e esperançosa, como gestos solidários que se expõem desamparados ao leitor (…) do prefácio de António Bica João Corregedor
segunda-feira, 8 de setembro de 2025
Cítara de teus dedos
Nos sentidos em mim despertos...
E dos sons longínquos
Apenas eco e murmúrio e dor da ausência
Seja em minha boca o brado
E a bruma se desvaneça
E tudo seja claro...
Nat King cole
sexta-feira, 18 de abril de 2025
Rasgões da alma
Desdobra-se a mesa e a toalha alva
Como se o tempo fosse agora vivo e a memória
O gesto perturbado acariciando a pele macerada
Dos finados...
E nesta ausência se despenhasse
A cúpula emoldurada dos dias pregoeiros...
Respondem à chamada um a um em volta
Da azulada luz
Quais inesperados fulgores que medeiam o frio
E a chama e os clarões acesos como rasgões de alma
Em sintonias ancestrais outrora latejantes
Como arados galgando terra chã...
Vergo-me, perante os mortos. E ergo-me.
Que a hora é de bençãos. E de tecer liames.
Como se meu corpo fosse passagem
Ou ponte entre margens.
Ou inscrição. Ou barro amassado.
Ou casulo que guarda os ténues fios...
E minhas mãos fossem cadinho. Ou pedra de ara.
Ou exorcismo marcando os sinais. E meus olhos
Fossem guarida e lume.
E meu sangue fosse pasto:
Carne da minha carne
E grito da Humanidade...
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O blog: Relógio de Pêndulo
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In: Do esplendor das coisas possíveis, Abril 2016
Pg.49
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025
Um gosto antigo de alfazema
Arde no ar um gosto antigo de alfazema
E o fio dos dias suspenso agora. Apenas
A festiva alfazema. E o corredor do tempo.
E as maçãs emolduradas. E as uvas
Bago a bago. E o riso em bocas pregoeiras...
Outonais os dias embalsamados em colcha
Domingueira. E a linha do teu corpo
Debruada por meus dedos no vazio dessa ausência.
E os seios tão tenros - que ainda queimam.
Açucenas sobre o feno...
A saia é vórtice. Esplendor na relva.
Voando. Que corpo se inflama ainda.
E o mar é teu joelho. E absoluto barco
Singrando em meus olhos. Cavaleiro imaculado
Na chama dessa aurora pioneira.
Chama e flor. Pois que em ti declino o lume
Dos dias e o tempo de outras margens:
Miragem sobre mim descendo.
Chama e flor. E o cheiro a alfazema e
toda a natureza em festa.
Assim, o amor.
Marcus Viana
Sinfonia dos Sonhos
O blog: Relógio de Pêndulo
Quinzena do Amor
Post 1-Só o amor; Post 2-Alastrar Paz e Amor; Post 3-Ouça as vozes; Post 4-Estética da Vida; Post 5-Quando o Amor chora de sede
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In: Do esplendor das coisas possíveis, de Manuel Veiga
Pg. 32
segunda-feira, 25 de novembro de 2024
Perfume De Um Tempo Breve
Cálida a tarde assim tecida
Seda e linho.
Urdidura de gestos delicados
A soletrar as margens
Reflexo debruado de um rio-outro
A derramar-se por dentro.
Amável o percurso das palavras
Fios de prata e lume
Em que nos dizemos.
Tempo e Modo
Da vertigem.
E em que colhemos
A urgência da Hora.
E soletramos a brisa apressada
E o perfume de um tempo breve.
Manuel Veiga
In: Perfil dos Dias
Pg.44
quinta-feira, 10 de outubro de 2024
Primavera lá e Outono cá
Assim, uma quadra simplezinha, faltou-me referir o Regador que devia levar cheiinho de amor e carinho mas subentende-se, não é? Já andava meio perturbada com problemas de saúde...
A nossa amiga Rosélia Bezerra festejou a chegada da Primavera em grande estilo, convidando os seus leitores a contribuírem com uma quadra relacionada com essa linda estação do ano. O Regador era figura fundamental nessa comemoração, transformando em jardineiros aplicados os leitores dos seus blogues.
Como é hábito, houve lugar às Ressonâncias com um belo texto no Espiritual-Idade, no qual foram incluídas na perfeição palavras das referidas quadras. E que lindas quadras tive a oportunidade de ler. Carregadas de flores, cores, luz, boa vontade, transportes de alma, coração na mão.
quarta-feira, 24 de julho de 2024
Uma Gota de Luz
quinta-feira, 16 de maio de 2024
Favo de Teu Nome
Amoráveis os dias, assim colhidos
Como pétalas em teu regaço
E a doçura de teus olhos
Onde aportam todas as viagens
Deixemos, sim, que o tempo se faça solstício
E do momento guardemos a doce espera
E o favo de teu nome. E desfolhemos
Os dedos numa carícia breve
Como se fora a brisa
Sobre a pele.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2023
"3º Encontro Temático de Natal"
Poema de Natal
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Diz-se que Dezembro é um mês mágico. E é. Sentimos que o amor anda no ar e gostamos de fazer parte dessa grande Festa.
As notícias que vêm de longe sobre guerras, bombardeamentos, torturas, amarguram-nos. Mas fazemos por aproveitar esses momentos de tréguas, pelo menos para nós, sem esquecer que muitos, pelo mundo, sofrem na carne horrores inomináveis.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aclamada a 10 de Dezembro de 1948 e a Declaração dos Direitos da Criança, de 20 de Novembro de 1959, estão, em grande medida, esvaziadas de sentido nos tempos que correm.
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Na Celebração do Nascimento de Jesus, da Liturgia Católica, lembremos as grávidas que nestes dias não conseguem trazer ao mundo os seus filhos, em Paz. Muitos recém-nascidos perecem ou encontram situações adversas, além de nados-mortos, pelas terríveis condições em que nascem.
Por cá, temos o problema dos Hospitais que não funcionam em pleno o que faz com que as mulheres em trabalho de parto sejam transferidas de um lado para o outro, não tendo, clinicamente, a paz necessária para esses momentos tão importantes das suas vidas.
Leiamos este belo Poema de Manuel Veiga.
Pensemos que tudo não passa de um suave sortilégio, mas carregado de um travo de amargura:
sábado, 7 de outubro de 2023
Fio de lume
Que a palavra seja
Assim nua. E raiz. E seiva.
No Tejo - Setembro 2023
O Blog - Relógio de Pêndulo
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Tenham um bom fim-de-semana, amigos.
Abraços
Olinda
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sexta-feira, 19 de maio de 2023
Clarinho, clarinho...
Um dia, os babilónios levantaram-se do chão, roubaram o fogo dos deuses e gravaram na pedra: - nenhum poder sobre a Terra é superior ao império da Lei...
E, entre eles, nomearam um Conselho de Sábios, para que assim vele...
Hammurabi, o legislador, não se conforma e proclama - Babilónicos, a lei sou eu!...
Obsequioso, o Conselho de Sábios: Grande Hammurabi, teu poder é imenso e sábia a tua lei desde que se conforme com a Lei maior que nós velamos...
E devolve uma, duas, três vezes as leis de Hammurabi. Que agreste barafusta, investindo: aclarem vossas decisões - quando não, serão todos escrutinados!...
E culpa o Conselho de Sábios pelo afundamento do barco...
000
E um velho, cego e dando-se ares de profeta, murmura: clarinho, clarinho que até um cego vê!... E exorta: Babilónicos, não queiram ser escravos, nem bestas - o Povo é quem mais ordena!...
Manuel Veiga, in"Notícias de Babilónia e outras Metáforas"- pg 16
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Que livro é este? Publicado em 2015, ele é composto de textos de crítica político-social nos quais se reconhecem os intervenientes por estarmos a viver, na altura, a realidade neles descrita.
Entre os referidos textos, aparecem estas sátiras, tomando Babilónia, os babilónios e Hammurabi como protagonistas. A cereja no topo do bolo é uma entidade diferente em cada situação que, no fim, profere as suas exortações ou sentenças.
Presentemente, se não temos crises, inventamo-las. E assim passamos os dias em discussões estéreis, no diz-que-diz, em recriminações, em posturas deprimentes de personalidades institucionais que deviam estar a trabalhar para o bem comum.
Bom fim de semana, meus amigos.
Abraços.
Olinda
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Imagem:nunca foram encontradas evidências arqueológicas
domingo, 9 de abril de 2023
Lídia/Lydia
Sofro, Lídia, do medo do destino. [1]
Sofro, Lídia, do medo do destino.
Qualquer pequena cousa de onde pode
Brotar uma ordem nova em minha vida,
Lídia, me aterra.
Qualquer cousa, qual seja, que transforme
Meu plano curso de existência, embora
Para melhores cousas o transforme,
Por transformar
Odeio, e não o quero. Os deuses dessem
Que ininterrupta minha vida fosse
Uma planície sem relevos, indo
Até ao fim.
A glória embora eu nunca haurisse, ou nunca
Amor ou justa estima dessem-me outros,
Basta que a vida seja só a vida
E que eu a viva.
Sofro, Lídia, do medo do destino. [2]
Sofro, Lídia, do medo do destino.
A leve pedra que um momento ergue
As lisas rodas do meu carro, aterra
Meu coração.
Tudo quanto me ameace de mudar-me
Para melhor que seja, odeio e fujo.
Deixem-me os deuses minha vida sempre
Sem renovar
Meus dias, mas que um passe e outro passe
Ficando eu sempre quase o mesmo, indo
Para a velhice como um dia entra
No anoitecer.
Mais flores do que Flora pelos campos,
Nem dá de Apolo ao carro
Outro curso que Apolo...”
Ricardo Reis – in Obra de Fernando Pessoa.
Ed. - Assírio&Alvim
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Se como Lydia viesses cobrir meu rosto
Com o perfume de teus cabelos...
E como rosa abrupta
Te abrisses ao mistério de meus dedos...
Se meus olhos
Abrasassem como o sol da tua boca...
Se o grito e o mel povoassem meu deserto
Na glória de teu corpo...
Lírios em círio acesos
Luziriam no altar de meu desejo
E rosas e lírios te daria
Nas rosas e nos lírios que não ouso...
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Enfim, brisa de Verão. A que não resisto...
Depois de os rios transbordarem.
Aceitemos, por isso, Lydia, o destino
Das coisas perecíveis.
Sem indagar da Mentira
Ou da Verdade
A distância.
Apenas o perfume
E a glória de ser…
E sejamos!... Entre o espinho
E a rosa apenas um suspiro breve
E o devir do tempo. E o fluir leve
De nossos passos.
E o bordado de teus dedos
Entrelaçados. A desenharem sinfonias
E afagos. Harpejo de poeta
Soltando maduros bagos e
Pétalas no carmim
De teus lábios…
Manuel Veiga
Poemas de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. (Edição Crítica de Luiz Fagundes Duarte.)
Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994.
- 80.Poemas de Ricardo Reis. Fernando Pessoa. (Edição Crítica de Luiz Fagundes Duarte.)
Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1994.
- 80a.sexta-feira, 28 de outubro de 2022
Que germinem rosas
Do Autor, assinalo ainda:
"Perfil dos Dias", editora Modocromia, 2019
"Do Amor e da Guerra - Fragmentos", editora Modocromia, 2018.
"Caligrafia Íntima", Poética Edições, 2017
"Do Esplendor das Coisas Possíveis", Poética Edições, 2016
"Notícias de Babilónia e Outras Metáforas", editora Modocromia, 2015.
"Poemas Cativos", Poética Editora, 2014.
Ver biografia aqui
O Blog: Relógio de Pêndulo
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Imagem: pixabay