segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Na vacuidade dos dias






Por vezes esvazio-me de tudo: Dos sucessos e insucessos, das alegrias e tristezas, das ilusões e desilusões, das frustrações, das decepções. Então enovelo-me em mim, embrulho-me na teoria da tábua rasa e espero. Pouco a pouco reconstruo-me a partir do vácuo. Chamo a mim os meus átomos que, cuidadosamente, se encaixam no meu ser - matéria e espírito. Livre de todo o peso, subo facilmente ao monte mais alto e grito a plenos pulmões. A minha voz ecoa nos lugares mais recônditos. E danço e danço e danço. Rodopio até ver as estrelas a sorrir. Tonta, deixo-me levar e rolo ribanceira abaixo. O cheiro a terra molhada e a musgo envolvem-me e sinto que somos um só. Dedilho a música mais linda e oiço o som do silêncio da eternidade.


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Imagem:daqui

9 comentários:

  1. ~~~
    ~ ~ Momentos de renovação indispensáveis, em que
    procuramos sempre, o contacto íntimo com a natureza...

    ~ ~ ~ Grata pela leitura de um belo texto, Olinda. ~ ~ ~

    ~~~~~~~ Abraço amigo. ~~~~~~~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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  2. Escuse- me de dizer que me sinto tão retratada neste maravilhoso pensar! Não é a vida nem o tempo, ou talvez os dois que nos afrontam com um vácuo que nada o preenche. Só o querer estar num lugar seguro na indefesa de sermos tão pouco !
    E deixamos- nos rolar nos declives na esperança de encontrar o inexplicável !
    Beijinho , Olinda!

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  3. Gostei muito da "Terceira Miséria " tão bem cantada pela Hélia Correia.E pensar nas misérias humanas é um dever de todos, pois por todos elas são de alguma forma causadas. Há miséria de pão...de conforto, mas há sobretudo a miséria que mais magoa e que mais choca, a miséria da indiferença, do desprezo pela vida humana. Essa, amiga, está cada vez mais patente e só não a enxergamos, porque não a queremos ver. Há casos em que nos sentimos impotentes para resolver, mas, bem pertinho de nós com certeza há uma miséria que facilmente atenuaríamos se a isso estivessemos dispostos. Como diz, no Começar de Novo, a nova mensagem, é necessário que ajudemos os Anjos, pois as misérias humanas estão a dar-lhes muito trabalho; eles sozinhos se sentem incapazes tamanhas são elas
    E é necessário, querida amiga, que nos esvaziemos de tudo e que nos envolvamos em nós mesmos, refletindo no que somos, no que fazemos e principalmente no sentido que queremos dar aos nossos dias para que eles não sejam vazios de essência : Há também misérias em nós, podem não ser de pão, de conforto, mas muitas vezes são de inquietação, de busca, de incompreensão por não podermos ou não sabermos olhar o céu e " ver as estrelas a sorrir" ; se o conseguissemos, com certeza olharíamos as misérias humanas com outros olhos. Ouçamos o " som som silêncio " e o vazio que por vezes sentimos se preencherá. Como diz a nosso amiga, Manuela, " somos tão pouco ", mas se quisermos podemos fazer muito.
    Olinda, mais uma vez me deste a conhecer um belo poema e me levaste a refletir num dos mais graves problemas da nossa sociedade, as misérias do ser humano. Muito obrigada e tudo de bom. Um beijinho de grande amizade.
    Emília

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  4. Que delícia de leitura, Olinda, e que inspiração para tentar colocar em prática! Também quero esvaziar-me assim, será que consigo?
    Beijinhos

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  5. Um excelente e belo texto, no qual por vezes também me revejo.
    Um abraço

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  6. Por vezes temos mesmo que esvaziar... senão vem tudo para fora!

    BJXXX

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